Transtorno por Uso de Substância

8 sintomas do alcoolismo: como identificar os sinais e quando procurar ajuda

5 sintomas do alcoolismo que indicam que é hora de procurar ajuda

Publicada em 05 de março de 2018. Revisada em 27 de Julho de 2026.

Resposta rápida

O alcoolismo, atualmente denominado Transtorno por Uso de Álcool (TUA), é uma doença crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e pode comprometer a saúde física, mental, familiar e profissional. Alguns dos principais sinais de alerta incluem perda de controle sobre a quantidade ingerida, necessidade de beber cada vez mais para obter o mesmo efeito, sintomas de abstinência, mudanças de comportamento, dificuldades no trabalho ou nos relacionamentos e persistência no consumo mesmo diante de consequências negativas. O diagnóstico precoce e o tratamento especializado aumentam significativamente as chances de recuperação.

O alcoolismo continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública

Tomar uma cerveja em um churrasco, brindar em uma comemoração ou compartilhar uma taça de vinho durante um jantar faz parte da cultura de muitos brasileiros. Justamente por estar tão presente no convívio social, o consumo de álcool costuma ser visto como algo inofensivo ou até desejável.

O problema começa quando o consumo deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade.

É nesse momento que muitas pessoas desenvolvem o Transtorno por Uso de Álcool (TUA), uma condição médica reconhecida internacionalmente que provoca alterações no funcionamento do cérebro, modifica o comportamento, prejudica a saúde física e emocional e pode comprometer todas as áreas da vida.

Diferentemente do que muitos ainda acreditam, a dependência alcoólica não está relacionada à falta de força de vontade ou de caráter. Trata-se de uma doença complexa, resultado da interação entre fatores biológicos, psicológicos, genéticos, ambientais e sociais.

Um dos grandes desafios é que a evolução costuma ser lenta. Os sinais aparecem aos poucos e, muitas vezes, tanto a pessoa quanto a família demoram a perceber que o consumo ultrapassou o limite do uso recreativo.

Quanto mais cedo esses sinais forem identificados, maiores são as possibilidades de interromper a progressão da doença e evitar complicações graves.

Neste artigo, você entenderá quais são os principais sintomas do alcoolismo, quando procurar ajuda e quais tratamentos apresentam melhores resultados segundo as evidências científicas mais recentes.

O consumo de álcool no Brasil preocupa?

Sim. O consumo de bebidas alcoólicas continua sendo um importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo.

Embora muitas pessoas associem os danos apenas aos casos de dependência, especialistas alertam que mesmo o consumo considerado “social” pode aumentar o risco de diversas doenças, especialmente quando ocorre de forma frequente ou em grandes quantidades.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o álcool está relacionado a mais de 200 doenças e condições de saúde, incluindo:

  • cirrose hepática;
  • pancreatite;
  • diversos tipos de câncer;
  • doenças cardiovasculares;
  • transtornos mentais;
  • acidentes de trânsito;
  • violência interpessoal;
  • suicídio;
  • intoxicações;
  • prejuízos cognitivos.

Além disso, a OMS estima que aproximadamente 2,6 milhões de mortes por ano estejam relacionadas ao consumo de álcool em todo o mundo, representando cerca de 4,7% de todos os óbitos globais.

O impacto é ainda mais expressivo entre adultos jovens. Na faixa etária de 20 a 39 anos, cerca de 13% das mortes têm relação direta ou indireta com o consumo de bebidas alcoólicas.

O cenário brasileiro

No Brasil, os números também chamam atenção.

Dados do Vigitel, sistema de vigilância do Ministério da Saúde, mostram que o consumo abusivo de álcool permanece elevado entre adultos, especialmente homens e jovens adultos, embora o padrão de consumo venha crescendo também entre as mulheres.

Outro aspecto preocupante é a popularização do chamado binge drinking — o consumo de grandes quantidades de bebida em um curto período.

Esse padrão aumenta significativamente o risco de:

  • acidentes automobilísticos;
  • afogamentos;
  • violência;
  • quedas;
  • intoxicações;
  • relações sexuais desprotegidas;
  • comportamentos impulsivos;
  • internações hospitalares.

Além dos impactos individuais, o álcool gera elevados custos para o sistema de saúde, previdência, assistência social e segurança pública.

Por isso, tanto a OMS quanto o Ministério da Saúde classificam a redução do consumo nocivo de álcool como uma prioridade das políticas públicas de saúde.

Por que o álcool é considerado um problema de saúde pública?

Ao contrário do que acontece com muitas outras drogas, o álcool possui ampla aceitação social.

Ele está presente em festas, eventos esportivos, reuniões familiares, confraternizações corporativas e campanhas publicitárias. Essa normalização faz com que muitas pessoas subestimem seus riscos.

No entanto, do ponto de vista médico, trata-se de uma substância psicoativa capaz de alterar diretamente o funcionamento do sistema nervoso central.

Os prejuízos vão muito além da pessoa que bebe.

O consumo abusivo está associado ao aumento de:

  • violência doméstica;
  • negligência infantil;
  • acidentes de trânsito;
  • acidentes de trabalho;
  • afastamentos profissionais;
  • perda de produtividade;
  • sobrecarga dos serviços de emergência;
  • internações hospitalares;
  • mortalidade precoce.

Outro fator importante é que o álcool frequentemente está associado ao agravamento de outros transtornos psiquiátricos, como depressão, ansiedade, transtorno bipolar e risco aumentado de suicídio.

Por esse motivo, atualmente o alcoolismo é compreendido como uma doença que exige abordagem multiprofissional, envolvendo psiquiatras, psicólogos, clínicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, nutricionistas e assistentes sociais.

O que é o Transtorno por Uso de Álcool (TUA)?

O termo “alcoolismo” continua sendo amplamente utilizado pela população, mas a nomenclatura adotada pelas principais diretrizes médicas internacionais é Transtorno por Uso de Álcool (TUA).

Segundo o DSM-5-TR e a CID-11, trata-se de uma condição caracterizada pela perda progressiva do controle sobre o consumo, acompanhada por alterações comportamentais, cognitivas e fisiológicas.

Isso significa que a pessoa passa a:

  • beber mais do que planejava;
  • sentir dificuldade para reduzir ou interromper o consumo;
  • gastar muito tempo obtendo ou consumindo bebida;
  • apresentar forte desejo de beber (craving);
  • continuar bebendo mesmo diante de prejuízos evidentes.

O transtorno pode ser classificado em diferentes graus de gravidade — leve, moderado ou grave — conforme o número de critérios diagnósticos presentes.

Essa classificação é importante porque orienta a escolha do tratamento mais adequado para cada paciente.

Como o álcool age no cérebro?

Poucas pessoas sabem que o álcool provoca alterações profundas no funcionamento cerebral.

Logo após ser ingerido, ele atravessa rapidamente a barreira hematoencefálica e interfere na comunicação entre os neurônios.

Inicialmente, ocorre aumento da sensação de relaxamento, desinibição e prazer devido à liberação de neurotransmissores como a dopamina.

Com o consumo repetitivo, porém, o cérebro passa por um processo conhecido como neuroadaptação.

Na prática, isso significa que ele se reorganiza para funcionar na presença constante do álcool.

Como consequência:

  • surge a tolerância;
  • aparecem sintomas de abstinência quando a pessoa deixa de beber;
  • aumenta a compulsão;
  • diminui o controle dos impulsos;
  • ocorre prejuízo do julgamento;
  • aumentam as dificuldades de memória, atenção e tomada de decisões.

Essas alterações ajudam a explicar por que muitas pessoas continuam bebendo mesmo sabendo que estão prejudicando a própria saúde, a família ou a carreira.

Não se trata apenas de uma escolha consciente, mas de mudanças neurobiológicas que reforçam o comportamento de consumo.

Quem tem maior risco de desenvolver alcoolismo?

Embora qualquer pessoa possa desenvolver dependência alcoólica, alguns fatores aumentam significativamente esse risco.

Entre os principais estão:

  • histórico familiar de dependência química;
  • início precoce do consumo de álcool;
  • transtornos de ansiedade ou depressão;
  • TDAH e outros transtornos psiquiátricos;
  • exposição frequente a ambientes onde o consumo é incentivado;
  • experiências traumáticas na infância;
  • estresse crônico;
  • isolamento social;
  • predisposição genética.

É importante destacar que nenhum desses fatores, isoladamente, determina que alguém desenvolverá dependência. Eles apenas aumentam a vulnerabilidade.

Da mesma forma, pessoas sem fatores de risco conhecidos também podem desenvolver o transtorno quando o consumo excessivo se torna frequente.

O primeiro passo para evitar a progressão da doença

Uma das características do Transtorno por Uso de Álcool é que ele costuma evoluir de forma silenciosa. Muitas pessoas acreditam que só existe um problema quando perdem o emprego, rompem relacionamentos ou apresentam complicações graves de saúde. Na prática, diversos sinais aparecem muito antes dessas consequências.

Reconhecer esses sintomas precocemente é fundamental para interromper a progressão da doença e iniciar o tratamento no momento mais oportuno.

Os 8 sintomas do alcoolismo que indicam que é hora de procurar ajuda

O Transtorno por Uso de Álcool (TUA) não surge de um dia para o outro. Na maioria dos casos, ele evolui lentamente, com sinais que podem passar despercebidos tanto pela pessoa quanto por familiares e amigos.

Muitos indivíduos continuam trabalhando, estudando e mantendo suas atividades por anos, o que contribui para a falsa impressão de que “está tudo sob controle”. Entretanto, a dependência costuma se manifestar muito antes das complicações mais graves.

Conhecer esses sinais é fundamental para buscar ajuda precocemente, aumentando as chances de recuperação e reduzindo o risco de problemas físicos, emocionais e sociais.

1. Você perde o controle sobre a quantidade de álcool que bebe

Um dos primeiros sinais do alcoolismo é a dificuldade de controlar o consumo.

A pessoa planeja beber apenas uma dose, mas acaba consumindo muito mais do que imaginava. Em outras situações, promete que ficará apenas algumas horas no evento, porém continua bebendo até o fim da festa.

Com o passar do tempo, torna-se cada vez mais difícil interromper o consumo depois da primeira bebida.

Esse comportamento ocorre porque o álcool ativa o sistema de recompensa cerebral, aumentando a liberação de dopamina. Repetidas exposições modificam os circuitos responsáveis pelo autocontrole e pela tomada de decisões, reduzindo a capacidade de interromper o consumo voluntariamente.

Sinais comuns

  • beber mais do que havia planejado;
  • não conseguir parar depois da primeira dose;
  • fazer promessas para reduzir o consumo e não conseguir cumpri-las;
  • sentir que “o álcool assume o controle” da situação.

Esse é um dos critérios diagnósticos mais importantes do Transtorno por Uso de Álcool.

2. Você precisa beber cada vez mais para sentir o mesmo efeito

Lembra quando poucas doses eram suficientes para provocar sensação de relaxamento ou euforia?

Com o tempo, isso muda.

O cérebro passa por um processo chamado tolerância, adaptando-se à presença constante do álcool. Como consequência, a mesma quantidade deixa de produzir o efeito esperado.

A pessoa passa a aumentar progressivamente o consumo para alcançar a mesma sensação.

Essa adaptação cerebral é um importante marcador da evolução da dependência.

Alguns exemplos incluem:

  • trocar cerveja por bebidas com maior teor alcoólico;
  • aumentar o número de doses ao longo da noite;
  • beber mais rapidamente;
  • misturar diferentes bebidas para potencializar os efeitos.

Quanto maior a tolerância, maior costuma ser o risco de desenvolver complicações clínicas.

3. Você sente muita vontade de beber (craving)

O chamado craving, ou fissura, é um desejo intenso e quase irresistível de consumir álcool.

Não se trata apenas de “vontade de beber”.

É uma necessidade psicológica que ocupa os pensamentos durante boa parte do dia.

Algumas pessoas relatam dificuldade para se concentrar no trabalho ou nos estudos porque ficam pensando no momento em que poderão beber novamente.

Outras desenvolvem verdadeiros rituais relacionados ao consumo.

A fissura costuma ser desencadeada por diversos estímulos:

  • estresse;
  • ansiedade;
  • tristeza;
  • bares;
  • festas;
  • finais de semana;
  • determinados amigos;
  • propagandas;
  • cheiros ou lembranças associados ao álcool.

Quando o craving é intenso, torna-se muito difícil resistir ao impulso sem tratamento especializado.

4. Você apresenta sintomas quando tenta parar de beber

A síndrome de abstinência é um dos sinais mais importantes da dependência.

Ela ocorre porque o cérebro se adapta ao consumo frequente de álcool. Quando a bebida é interrompida abruptamente, o organismo reage produzindo sintomas físicos e psicológicos.

Os sintomas leves costumam surgir entre 6 e 24 horas após a última dose.

Entre eles estão:

  • tremores;
  • ansiedade intensa;
  • suor excessivo;
  • irritabilidade;
  • insônia;
  • náuseas;
  • aumento da frequência cardíaca;
  • inquietação.

Nos casos graves podem ocorrer:

  • convulsões;
  • alucinações;
  • delirium tremens;
  • alterações importantes da pressão arterial;
  • risco de morte.

Por isso, pessoas com dependência importante nunca devem interromper o consumo sozinhas sem avaliação médica.

A desintoxicação deve ocorrer sob acompanhamento profissional sempre que houver risco de abstinência moderada ou grave.

5. O álcool começa a prejudicar sua vida pessoal, familiar ou profissional

Outro sinal clássico é quando o consumo passa a gerar consequências negativas, mas a pessoa continua bebendo mesmo assim.

Isso pode acontecer de várias formas.

Na vida familiar

  • conflitos frequentes;
  • afastamento do parceiro;
  • perda da confiança dos filhos;
  • discussões constantes.

No trabalho

  • atrasos;
  • faltas;
  • queda de produtividade;
  • dificuldade de concentração;
  • advertências.

Na vida financeira

  • gastos elevados com bebida;
  • endividamento;
  • perda de oportunidades profissionais.

Na saúde

  • piora da alimentação;
  • ganho ou perda importante de peso;
  • hipertensão;
  • doenças hepáticas;
  • alterações do sono.

Mesmo diante desses prejuízos, a pessoa costuma minimizar o problema ou atribuí-lo a outros fatores.

A persistência do consumo apesar das consequências negativas é um dos critérios utilizados internacionalmente para diagnosticar o Transtorno por Uso de Álcool.

6. Seu comportamento muda quando você bebe

O álcool interfere diretamente nas regiões cerebrais responsáveis pelo julgamento, controle emocional e tomada de decisões.

Como consequência, mudanças importantes de comportamento podem surgir.

Entre elas:

  • irritabilidade;
  • impulsividade;
  • agressividade;
  • perda da inibição;
  • discussões frequentes;
  • atitudes de risco;
  • comportamentos que a pessoa normalmente não teria.

Em alguns casos, familiares relatam que “parece outra pessoa quando bebe”.

Após o episódio, é comum surgirem arrependimento, vergonha e dificuldade para lembrar exatamente o que aconteceu.

Essas alterações comportamentais não devem ser encaradas como algo normal ou inevitável.

Quando se tornam frequentes, indicam que o álcool já está interferindo significativamente no funcionamento cerebral.

7. Você começa a esconder o consumo de álcool

Um comportamento bastante frequente entre pessoas com dependência é tentar ocultar o quanto realmente estão bebendo.

Esse comportamento geralmente aparece quando o indivíduo percebe críticas da família ou começa a sentir culpa.

Alguns exemplos incluem:

  • beber escondido;
  • esconder garrafas pela casa;
  • mentir sobre a quantidade consumida;
  • completar bebidas discretamente;
  • inventar desculpas para justificar episódios de embriaguez.

Esse padrão demonstra que a própria pessoa já reconhece, ainda que parcialmente, que perdeu o controle sobre o consumo.

O segredo e a negação costumam dificultar o diagnóstico precoce e atrasar a procura por tratamento.

8. Você continua bebendo mesmo sabendo que está fazendo mal

Talvez este seja o sinal mais característico da dependência.

A pessoa sabe que o álcool está causando problemas.

Ela reconhece que:

  • o fígado está comprometido;
  • o casamento está em crise;
  • perdeu oportunidades profissionais;
  • os filhos estão sofrendo;
  • o médico orientou interromper o consumo.

Mesmo assim, continua bebendo.

Isso acontece porque a dependência modifica os circuitos cerebrais relacionados à recompensa, motivação e autocontrole.

Por esse motivo, a continuidade do consumo não deve ser interpretada como falta de caráter ou ausência de força de vontade.

Ela reflete alterações neurobiológicas características de uma doença crônica que necessita de tratamento especializado.

Existe apenas um sintoma que confirma o alcoolismo?

Não.

O diagnóstico não é baseado em um único sinal isolado.

Uma pessoa pode apresentar episódios ocasionais de consumo excessivo sem preencher critérios para dependência.

Da mesma forma, alguém pode não beber diariamente e ainda assim apresentar Transtorno por Uso de Álcool.

O diagnóstico considera um conjunto de fatores, como:

  • perda de controle;
  • aumento da tolerância;
  • sintomas de abstinência;
  • compulsão para beber;
  • prejuízos pessoais, familiares e profissionais;
  • persistência do consumo apesar das consequências negativas.

Por isso, qualquer suspeita deve ser avaliada por um médico, preferencialmente um psiquiatra ou especialista em dependência química.

Quando é hora de procurar ajuda?

Muitas pessoas esperam chegar ao “fundo do poço” para buscar tratamento.

Esse é um dos maiores mitos sobre o alcoolismo.

Não é necessário perder a família, o emprego ou desenvolver cirrose para procurar ajuda.

A avaliação especializada é indicada sempre que houver:

  • dificuldade para controlar a quantidade de bebida;
  • necessidade crescente de consumir álcool;
  • sintomas de abstinência;
  • prejuízos na saúde ou nos relacionamentos;
  • preocupação de familiares com o consumo;
  • tentativas frustradas de parar de beber.

Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maiores são as chances de recuperação e menor o risco de complicações.

Alcoolismo funcional existe? Entenda por que nem toda dependência é facilmente percebida

Durante muito tempo, criou-se a imagem de que uma pessoa com dependência de álcool seria alguém incapaz de trabalhar, manter relacionamentos ou cumprir suas responsabilidades. No entanto, essa visão não corresponde à realidade de muitos pacientes.

É relativamente comum que pessoas com Transtorno por Uso de Álcool (TUA) continuem exercendo suas atividades profissionais, cuidando da família e mantendo uma vida aparentemente organizada, mesmo apresentando um padrão de consumo prejudicial.

Popularmente, esse quadro é conhecido como alcoolismo funcional.

Embora o termo não seja um diagnóstico oficial do DSM-5-TR ou da CID-11, ele é amplamente utilizado para descrever indivíduos que conseguem preservar parte da rotina enquanto desenvolvem uma dependência progressiva.

Esse funcionamento “normal” costuma retardar o reconhecimento do problema tanto pela própria pessoa quanto pelos familiares.

Na prática, a doença continua evoluindo silenciosamente.

Quais são os sinais do alcoolismo funcional?

Uma pessoa pode manter uma aparência de controle, mas apresentar diversos comportamentos característicos da dependência.

Entre eles estão:

  • necessidade de beber diariamente para relaxar;
  • consumo frequente após o expediente;
  • justificativas constantes para beber;
  • ansiedade quando não há bebida disponível;
  • aumento progressivo da quantidade consumida;
  • lapsos de memória após episódios de consumo;
  • esconder o hábito da família;
  • irritação quando alguém comenta sobre a bebida.

Muitas vezes, o trabalho passa a funcionar como uma “prova” de que não existe problema.

Frases como:

  • “Nunca faltei ao trabalho.”
  • “Pago minhas contas.”
  • “Nunca fui internado.”
  • “Só bebo depois do expediente.”

são bastante comuns.

Entretanto, a capacidade de manter compromissos não exclui a existência de dependência.

O diagnóstico considera o impacto do álcool sobre o comportamento e a perda de controle, e não apenas as consequências profissionais.

Como é feito o diagnóstico do Transtorno por Uso de Álcool?

O diagnóstico deve ser realizado por um médico, preferencialmente um psiquiatra ou especialista em dependência química.

Ele não depende da quantidade de bebida ingerida, mas do conjunto de sinais e sintomas apresentados pelo paciente.

Atualmente, as principais referências internacionais utilizadas são:

  • DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais);
  • CID-11 (Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde).

Esses documentos avaliam critérios relacionados ao comportamento, ao controle do consumo e às consequências causadas pelo álcool.

Entre os principais critérios estão:

  • consumir álcool em maior quantidade ou por mais tempo do que pretendia;
  • tentativas frustradas de reduzir ou interromper o consumo;
  • muito tempo dedicado a obter, consumir ou se recuperar dos efeitos da bebida;
  • desejo intenso de beber (craving);
  • dificuldade para cumprir responsabilidades familiares, profissionais ou acadêmicas;
  • manutenção do consumo apesar dos prejuízos;
  • abandono de atividades importantes;
  • consumo em situações de risco;
  • desenvolvimento de tolerância;
  • presença de sintomas de abstinência.

Quanto maior o número de critérios presentes, maior tende a ser a gravidade do transtorno.

Essa avaliação também auxilia na definição da melhor estratégia terapêutica.

Quais são as consequências do alcoolismo para a saúde?

O álcool pode afetar praticamente todos os órgãos do organismo.

Os danos costumam surgir de forma gradual e aumentam conforme o tempo e a intensidade do consumo.

Cérebro

O sistema nervoso central é um dos primeiros a sofrer os efeitos do álcool.

Entre as possíveis consequências estão:

  • prejuízo da memória;
  • redução da capacidade de concentração;
  • dificuldade para aprender novas informações;
  • alterações do julgamento;
  • impulsividade;
  • maior risco de demência relacionada ao álcool;
  • neuropatias periféricas.

Também há maior risco de desenvolvimento ou agravamento de transtornos como depressão, ansiedade e comportamento suicida.

Fígado

O fígado é responsável pela metabolização da maior parte do álcool ingerido.

Quando exposto continuamente, pode desenvolver doenças como:

  • esteatose hepática (gordura no fígado);
  • hepatite alcoólica;
  • fibrose;
  • cirrose hepática;
  • insuficiência hepática.

A cirrose aumenta significativamente o risco de câncer de fígado e de complicações potencialmente fatais.

Sistema cardiovascular

Embora durante muitos anos tenha circulado a ideia de que pequenas quantidades de álcool protegeriam o coração, estudos recentes mostram que esse benefício é controverso e não justifica recomendar o consumo de bebidas alcoólicas.

O consumo excessivo aumenta o risco de:

  • hipertensão arterial;
  • arritmias cardíacas;
  • cardiomiopatia alcoólica;
  • acidente vascular cerebral (AVC);
  • infarto do miocárdio.

Sistema digestivo

O álcool irrita todo o trato gastrointestinal.

Entre as complicações mais frequentes estão:

  • gastrite;
  • refluxo gastroesofágico;
  • pancreatite;
  • úlceras;
  • desnutrição;
  • deficiência de vitaminas.

A deficiência de vitamina B1 (tiamina), por exemplo, pode provocar alterações neurológicas graves, como a síndrome de Wernicke-Korsakoff.

Risco aumentado de câncer

A Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde, classifica o álcool como um carcinógeno do Grupo 1, a mesma categoria atribuída ao tabaco e ao amianto.

Isso significa que existem evidências científicas suficientes de que o consumo de álcool aumenta o risco de diversos tipos de câncer, incluindo:

  • boca;
  • língua;
  • faringe;
  • laringe;
  • esôfago;
  • fígado;
  • mama;
  • intestino grosso e reto.

O risco aumenta conforme a quantidade consumida, mas não existe um nível de consumo considerado totalmente seguro para prevenção do câncer.

O que é a síndrome de abstinência alcoólica?

Quando uma pessoa desenvolve dependência, o cérebro passa a funcionar na presença constante do álcool.

Ao interromper o consumo de forma abrupta, ocorre um desequilíbrio neuroquímico responsável pela síndrome de abstinência.

Os sintomas podem variar de leves a extremamente graves.

Sintomas leves

  • ansiedade;
  • irritabilidade;
  • tremores;
  • suor excessivo;
  • náuseas;
  • dor de cabeça;
  • insônia;
  • inquietação.

Sintomas moderados

  • aumento da pressão arterial;
  • aceleração dos batimentos cardíacos;
  • confusão mental;
  • vômitos persistentes;
  • desidratação.

Sintomas graves

  • convulsões;
  • alucinações;
  • delirium tremens;
  • alterações da consciência;
  • insuficiência respiratória;
  • risco de morte.

O delirium tremens representa uma emergência médica e exige atendimento imediato.

Por isso, pessoas com dependência importante não devem interromper o consumo sem avaliação médica.

Existe tratamento para o alcoolismo?

Sim.

O Transtorno por Uso de Álcool tem tratamento, e milhares de pessoas conseguem recuperar a qualidade de vida com acompanhamento adequado.

Não existe uma solução única para todos os pacientes.

O plano terapêutico deve ser individualizado, considerando a gravidade da dependência, a presença de outras doenças, o apoio familiar e as necessidades de cada pessoa.

Na maioria dos casos, o tratamento combina diferentes abordagens.

Avaliação médica

O primeiro passo consiste em identificar a gravidade do transtorno, avaliar possíveis complicações clínicas e definir a estratégia mais segura para interromper ou reduzir o consumo.

Psicoterapia

A psicoterapia é considerada um dos pilares do tratamento.

Abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a Entrevista Motivacional e intervenções familiares ajudam o paciente a compreender os gatilhos do consumo, desenvolver estratégias para prevenir recaídas e fortalecer a adesão ao tratamento.

Medicamentos

Em alguns casos, o psiquiatra pode indicar medicamentos para:

  • reduzir a fissura (craving);
  • diminuir o risco de recaídas;
  • controlar sintomas de abstinência;
  • tratar transtornos associados, como ansiedade ou depressão.

O uso desses medicamentos deve ocorrer sempre sob acompanhamento médico.

Quando a internação pode ser indicada?

A internação psiquiátrica não é necessária para todos os pacientes.

Ela costuma ser indicada quando o tratamento ambulatorial não é suficiente para garantir segurança ou quando existe risco significativo para o paciente.

As principais situações incluem:

  • síndrome de abstinência moderada ou grave;
  • risco de convulsões ou delirium tremens;
  • consumo extremamente elevado;
  • múltiplas recaídas;
  • incapacidade de permanecer abstinente em casa;
  • risco de suicídio;
  • presença de outros transtornos psiquiátricos graves;
  • necessidade de acompanhamento médico contínuo.

Durante a internação, o paciente recebe monitoramento 24 horas por dia, controle dos sintomas de abstinência e atendimento por uma equipe multiprofissional composta por psiquiatras, clínicos, psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, educadores físicos e assistentes sociais.

O objetivo não é apenas interromper o consumo de álcool, mas iniciar um processo estruturado de recuperação, preparando o paciente para manter a abstinência e reconstruir sua vida após a alta.

O papel da família faz toda a diferença

A participação da família está entre os fatores mais importantes para o sucesso do tratamento.

Entretanto, apoiar não significa controlar ou assumir a responsabilidade pelo comportamento da pessoa.

Familiares também precisam de orientação para compreender a dependência como uma doença crônica, estabelecer limites saudáveis, evitar comportamentos que favoreçam o consumo e aprender a lidar com possíveis recaídas sem julgamentos ou culpabilização.

Uma rede de apoio bem orientada contribui para maior adesão ao tratamento, reduz o isolamento do paciente e fortalece o processo de recuperação.

Como ajudar alguém que não aceita tratamento?

Um dos maiores desafios enfrentados pelas famílias é quando a pessoa com Transtorno por Uso de Álcool (TUA) não reconhece que precisa de ajuda.

Essa situação é mais comum do que parece.

A dependência química pode reduzir a percepção dos próprios prejuízos, fenômeno conhecido como anosognosia, além de favorecer mecanismos de defesa, como a negação e a minimização do problema.

É comum ouvir frases como:

  • “Eu paro quando quiser.”
  • “Todo mundo bebe.”
  • “Não sou alcoólatra.”
  • “Meu problema é o estresse, não a bebida.”
  • “Só bebo nos fins de semana.”

Embora possam soar convincentes, essas justificativas frequentemente mascaram um padrão de consumo que já causa prejuízos importantes.

O que a família deve fazer?

A forma como familiares e amigos abordam o assunto pode influenciar diretamente a disposição da pessoa para buscar tratamento.

Algumas atitudes costumam ser mais eficazes.

Converse em momentos de sobriedade

Evite iniciar uma conversa durante episódios de embriaguez.

Escolha um momento calmo, sem discussões ou acusações.

Fale sobre comportamentos observados e seus impactos, utilizando exemplos concretos.

Em vez de dizer:

“Você destruiu nossa família.”

Prefira:

“Percebi que você tem bebido cada vez mais e isso está afetando sua saúde e nossa convivência. Estou preocupado e quero ajudar.”

Essa abordagem reduz a chance de uma postura defensiva.

Evite julgamentos

O alcoolismo não é consequência de falta de caráter, fraqueza ou ausência de força de vontade.

Trata-se de uma doença reconhecida pela Organização Mundial da Saúde.

Críticas, humilhações ou ameaças tendem a aumentar sentimentos de culpa e vergonha, dificultando ainda mais a procura por ajuda.

Não facilite o consumo

Muitas famílias, sem perceber, acabam mantendo o ciclo da dependência.

Esse comportamento é conhecido como codependência ou facilitação.

Alguns exemplos incluem:

  • justificar faltas no trabalho;
  • pagar dívidas causadas pelo consumo;
  • esconder o problema de outros familiares;
  • comprar bebidas;
  • minimizar episódios de embriaguez;
  • assumir responsabilidades que seriam da própria pessoa.

Essas atitudes costumam atrasar a busca por tratamento.

Incentive uma avaliação profissional

Nem sempre é necessário convencer alguém de que ele é dependente.

O primeiro passo pode ser simplesmente propor uma consulta médica ou psicológica para avaliar o padrão de consumo.

Uma avaliação especializada permite esclarecer dúvidas e identificar precocemente sinais de dependência.

É possível se recuperar do alcoolismo?

Sim.

Embora o Transtorno por Uso de Álcool seja considerado uma doença crônica, existem tratamentos eficazes que permitem ao paciente recuperar sua qualidade de vida.

A recuperação não significa apenas parar de beber.

Ela envolve mudanças profundas na saúde física, emocional, social e familiar.

Com acompanhamento adequado, muitas pessoas conseguem:

  • interromper o consumo de álcool;
  • reconstruir relacionamentos;
  • retornar ao trabalho;
  • recuperar a saúde física;
  • controlar sintomas de ansiedade e depressão;
  • desenvolver novas estratégias para lidar com situações de risco.

Cada processo ocorre em um ritmo diferente.

Não existe um tempo único para a recuperação.

O mais importante é compreender que recaídas podem acontecer e não significam fracasso do tratamento.

Assim como ocorre em outras doenças crônicas, elas devem ser encaradas como um sinal de que o plano terapêutico precisa ser reavaliado.

Como prevenir recaídas?

A recaída é um dos maiores receios de pacientes e familiares.

Entretanto, ela pode ser prevenida ou ter sua frequência reduzida quando existem estratégias adequadas de acompanhamento.

Entre as principais recomendações estão:

Manter acompanhamento médico

Mesmo após interromper o consumo, é importante continuar realizando consultas periódicas.

O acompanhamento permite ajustar medicamentos, identificar dificuldades precocemente e fortalecer a motivação para permanecer abstinente.

Fazer psicoterapia regularmente

A psicoterapia ajuda o paciente a reconhecer gatilhos emocionais, desenvolver habilidades para enfrentar situações de estresse e modificar padrões de comportamento associados ao consumo.

Identificar gatilhos

Cada pessoa possui situações específicas que aumentam o risco de recaída.

Entre as mais comuns estão:

  • conflitos familiares;
  • estresse profissional;
  • ansiedade;
  • festas;
  • bares;
  • solidão;
  • tristeza;
  • comemorações;
  • determinados grupos sociais.

Conhecer esses gatilhos permite desenvolver estratégias preventivas.

Construir uma rede de apoio

O apoio de familiares, amigos e grupos terapêuticos pode fazer grande diferença na manutenção da recuperação.

O sentimento de pertencimento reduz o isolamento e fortalece o compromisso com o tratamento.

Adotar hábitos saudáveis

A recuperação envolve cuidar do corpo e da mente.

Praticar atividade física, manter alimentação equilibrada, dormir adequadamente e desenvolver atividades prazerosas ajudam a reduzir o risco de recaídas.

Perguntas frequentes sobre alcoolismo (FAQ)

Como saber se alguém é alcoólatra?

A dependência não depende apenas da quantidade de álcool consumida. Os principais sinais incluem perda de controle, compulsão para beber, aumento da tolerância, sintomas de abstinência e manutenção do consumo apesar dos prejuízos.

Quem bebe todos os dias é alcoólatra?

Nem toda pessoa que bebe diariamente apresenta dependência. No entanto, o consumo frequente aumenta significativamente o risco e deve ser avaliado por um profissional de saúde.

Existe uma quantidade segura de álcool?

Atualmente, especialistas afirmam que não existe um nível de consumo totalmente isento de riscos para a saúde. Quanto menor o consumo, menor tende a ser o risco de desenvolver doenças relacionadas ao álcool.

O alcoolismo tem cura?

O Transtorno por Uso de Álcool é considerado uma doença crônica. Embora não exista uma cura definitiva, o tratamento permite controlar a doença e manter a abstinência a longo prazo.

O alcoolismo é hereditário?

Existe predisposição genética, mas ela não determina que alguém desenvolverá dependência. Fatores ambientais, psicológicos e sociais também exercem papel importante.

Quanto tempo dura a abstinência?

Os sintomas físicos costumam atingir maior intensidade entre 24 e 72 horas após a interrupção do consumo, mas alterações emocionais e o desejo intenso de beber podem persistir por semanas ou meses, exigindo acompanhamento contínuo.

Posso parar de beber sozinho?

Depende da gravidade da dependência. Pessoas com consumo intenso ou histórico de abstinência devem procurar atendimento médico antes de interromper o álcool, pois a síndrome de abstinência pode provocar complicações graves.

Quando a internação é indicada?

Ela pode ser recomendada em casos de dependência moderada ou grave, risco de abstinência complicada, múltiplas recaídas, presença de outros transtornos psiquiátricos ou quando o tratamento ambulatorial não oferece segurança suficiente.

A recaída significa que o tratamento falhou?

Não. A recaída pode fazer parte da evolução de uma doença crônica. Ela deve ser encarada como uma oportunidade para revisar o tratamento e fortalecer estratégias de prevenção.

Como convencer alguém a procurar ajuda?

Evite confrontos e julgamentos. Converse em momentos de sobriedade, demonstre preocupação genuína e incentive uma avaliação profissional. Em alguns casos, familiares também podem se beneficiar de orientação especializada.

Como o Hospital Santa Mônica pode ajudar?

Reconhecer que o consumo de álcool deixou de ser apenas um hábito e passou a comprometer a saúde é um passo importante, mas nem sempre fácil. O tratamento da dependência alcoólica exige uma avaliação individualizada, pois cada paciente apresenta uma história, necessidades e desafios diferentes.

No Hospital Santa Mônica, o atendimento é realizado por uma equipe multiprofissional especializada em saúde mental e dependência química, composta por psiquiatras, psicólogos, clínicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, educadores físicos e assistentes sociais. O plano terapêutico é elaborado de forma personalizada, considerando a gravidade do Transtorno por Uso de Álcool (TUA), a presença de outras condições de saúde e o contexto familiar e social do paciente.

Dependendo da avaliação médica, o tratamento pode ser realizado em regime ambulatorial, Hospital Dia ou internação psiquiátrica, quando houver indicação clínica, como nos casos de síndrome de abstinência moderada ou grave, risco de complicações, recaídas frequentes ou necessidade de monitoramento contínuo. Durante todo o processo, o objetivo é promover uma recuperação segura, oferecendo acolhimento, acompanhamento especializado e estratégias para reduzir o risco de recaídas.

Além do cuidado com o paciente, o Hospital Santa Mônica também orienta familiares, que desempenham um papel fundamental na recuperação. Com informação, suporte e tratamento baseado em evidências científicas, é possível interromper o ciclo da dependência e construir um novo projeto de vida.

Se você percebe sinais de dependência alcoólica em si mesmo ou em alguém próximo, procure ajuda especializada. Quanto mais cedo o tratamento começa, maiores são as chances de recuperação e de retomada da qualidade de vida.

Conclusão

O alcoolismo, atualmente denominado Transtorno por Uso de Álcool (TUA), é uma doença complexa que afeta não apenas quem bebe, mas também familiares, amigos e toda a sociedade.

Reconhecer os sinais precocemente é fundamental para evitar que o problema evolua para complicações graves, como doenças hepáticas, transtornos mentais, acidentes, violência e perda da qualidade de vida.

A boa notícia é que existe tratamento. Com diagnóstico adequado, acompanhamento multiprofissional e apoio da família, é possível interromper o ciclo da dependência, recuperar a saúde física e emocional e reconstruir projetos de vida.

Se você percebeu alguns dos sinais descritos neste artigo em si mesmo ou em alguém próximo, não espere que a situação se agrave para procurar ajuda. Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maiores são as chances de recuperação e menores os riscos de complicações.

Referências científicas

  • Organização Mundial da Saúde (WHO). Global status report on alcohol and health (edição mais recente).
  • Organização Mundial da Saúde. International Classification of Diseases – ICD-11.
  • American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM-5-TR.
  • Ministério da Saúde. Vigitel Brasil (edição mais recente).
  • Instituto Nacional de Câncer (INCA). Álcool e câncer.
  • International Agency for Research on Cancer (IARC). Alcohol Consumption and Ethyl Carbamate.
  • Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA). Publicações e dados epidemiológicos.
  • Sociedade Brasileira de Hepatologia. Diretrizes sobre doença hepática relacionada ao álcool.

62 Comentários em “8 sintomas do alcoolismo: como identificar os sinais e quando procurar ajuda”

  • Jussara moura rocha

    diz:

    Por ter tido um irmão e tios alcoólatras já havia lido muitos artigos sobre o alcoolismo mas até hoje nunca tinha lido um tão preciso, esclarecedor, útil sobre esta gravíssima doença. Os autores deste artigo podem ter certeza que estão ajudando muitas família!

  • Yunni

    diz:

    Oi, eu queria tirar uma duvida. Na verdade não é bem uma duvida, me falam o que raciocinaram.
    É o seguinte, meu padrasto bebe desde os 16, 17, enfim foi por aí na adolescência, e continua até hoje, ele tem uns 40, sei lá, eu o odeio…
    Só que ta ficando frequente o consumo alcoólico, e desconfio que ele fuma ou usa drogas, a história de eu estar convivendo com ele ainda, é complicada.
    Minha pergunta é: quais efeitos durante esse consumo todo pode causar? Se encontra em risco de vida?

    • Mônica

      diz:

      OLá o alcoolismo além da dependência pode levar a cirrose hepática.

  • Adilson barbosa

    diz:

    quero parar de beber

    • Mônica

      diz:

      Olá Adilson entre em contato conosco (011) 99667-7454 (011) 99534-428

    • Frank

      diz:

      Gostaria de dar um fim neste demonio. O que fasso?

      • Mônica

        diz:

        Busque ajuda, faça um tratamento, seguem nossos contatos (011) 99667-7454 /(011) 99534-4287

  • Carlos Sabino Martins

    diz:

    Bom dia meus prezados (as)
    Sou alcoólatra em recuperação, tenho notado esquecimento, dificuldade para completar raciocínios, etc.
    Existe medicação para esse problema?
    Agradeço a atenção,
    Carlos Sabino Martins

    • Mônica

      diz:

      Olá Carlos, precisaria passar por uma avaliação com um psiquiatra especializado em dependência química, porque as drogas pode comprometer o raciocínio a longo prazo.

  • Jadielso da Silva Santos

    diz:

    Bom dia, como contatar os especialistas? Para quando começo beber só consigo​ parar quando não aguento mais e pior que tiro vários dias consecutivos embriagado. Quando para não mim alimento bem, passo até de três noites sem conseguir dormir. Já perdi trabalho, relacionamentos e até bens materiais e escola por causa do álcool, lendo essa matéria decidir pedir ajuda.

    • Mônica

      diz:

      Olá Jadielso, agende uma consulta com os nossos especialistas pelo telefone 11 98500-3238 ou se preferir passar por uma avaliação para internação, só entrar em contato pelo telefone (011) 99534-4287, ficamos à disposição, abraço

  • lismary Araújo

    diz:

    Meu MARIDO tem todos os sintomas de alcoólatra. Mas diz que vai parar quando desejar… MENTIRA. Já perdeu trabalho por está ressacado, já brigando feio pelo mesmo motivo, hoje ELE não fala com os meus pais por culpa da bebedeira dele sem controle. É um homem de 37 anos motorista profissional, pai de 2 filhos .
    Mas está se afundando na bebida e vai nos perder futuramente. ☹️

  • Renan

    diz:

    Importantissimo essa explicação e muito útil. Quero agradecer a esta entidade, de ser tão precisa em todos os diagnósticos dessa terrível doença da bebida.
    Grato

    • Mônica

      diz:

      Olá Renan, obrigada pela sua mensagem, ficamos à disposição, abraço

  • Ciro rocha machado de paula

    diz:

    Lendo essa materia.me dei conta que sou um alcoólatra.e preciso muito de ajuda.estou perto de perder tudo que levei anos para conquistar e esse vicio esta me deixando cego.quero ser uma pessoa de bem.por favor me ajudem

    • Mônica

      diz:

      OLá Ciro vamos entrar em contato.

  • Orlando

    diz:

    Me ajuda pelo amor de Deus

    • Mônica

      diz:

      Olá Orlando estamos mandando uma mensagem para o seu email ou ligue para nós (011) 99667-7454 / (011) 99534-4287

  • LUIZ

    diz:

    SOU DEPENDENTE DE MEDICAMENTOS DE DEPRESSÃO E ANSIEDADE
    ESTOU TENDO PROBLEMAS COM O ALCOOLISMO, ESTOU DESCONTROLADO NA BEBIDA,
    PRECISO DE AJUDA.

    • Mônica

      diz:

      Olá Luiz, como não deixou seu contato, entraremos em contato com você por email, mas ficamos á disposição pelos telefones (011) 99667-7454
      (011) 99534-4287

  • Angélica dos Santos Braz

    diz:

    Meu esposo bebe e não tem controle se ele puder bebe a semana inteira, já não aguento mais brigamos direto e isso está me machucando de mais e nossos filhos acabam presenciando tudo me ajude por favor.

    • Mônica

      diz:

      Olá Angélica, o que a família pode fazer é agendar uma consulta com um psiquiatra especializado em dependência química, se estiver em São Paulo, pode passar por uma avaliação no Hospital Santa Mônica, se for o caso, o médico indicará uma internação para a desintoxicação. Ficamos à disposição nos telefones (011) 99667-7454 / (011) 99534-4287

      • Stefany

        diz:

        Olá queria tirar uma duvida eu quê bebida nunca faz bem mais tem uma coisa quê eu quê eu quero entender quando uma pessoa costumar beber quando ela beber ficar sempre alterada e briga é normal ou já tem alguma coisa com alcoolismo

        • Mônica

          diz:

          Olá Stefany pelo que você está relatando já parece caso de alcoolismo, o ideal seria agendar uma consulta com um psiquiatra especializado em dependência química para avaliar o caso.

  • Patrícia

    diz:

    Boa noite, há algum profissional, médico, para consulta aqui na Bahia? se sim, gostaria de obter o contato.

    • Mônica

      diz:

      Olá Patrícia temos atendimento online se tiver interesse +55 11 98500-3238.

  • Adilson

    diz:

    Não bebo todos os dias, bebo ti 1 ou no máximo 2 vezes na semana, mais daí bebo muito. Será que sou alcoólatra?

  • Sivonei

    diz:

    Bom dia, não sei se sou alcoólatra, pois bebo as vezes, em finais de semana mais quando isso acontece não consigo ter limites, não lembro de todas as coisas que fiz e algumas das vezes fico agressivo. Queria saber se isso já é alcoolismo ou o início de doença!?

  • Sara Ferreira Moreira

    diz:

    Oii me chamo Sara todos os dias que saio do trabalho sinto dor no peito de cabeça ânsia aí quando eu bebo passa tudo será que dou alcoólatra

    • Mônica

      diz:

      Olá Sara, se você está consumindo álcool todos os dias e está com esses sintomas quando não bebê, pode ser um sinal sim, mas o ideal seria procurar um psiquiatra especializado em dependência química para fechar um diagnóstico. abraço

  • Déia Gonçalves

    diz:

    Meu marido é alcoólatra e diz que vai parar de beber, porém não faz nenhum esforço! Já tentei psiquiatra, remédios, e ele não fez o tratamento. Tbm não aceita internação! Não sei mais o que faço!

  • Marcia

    diz:

    Bom dia..tem 5 dias que separei do meu esposo,por ele beber demais,e aconteceu que eu descobrir que ele sente desejo por homens…será que isso faz parte da bebida que ele bebe frequentemente??

    • Mônica

      diz:

      Olá Márcia, talvez ele estivesse em conflito com as suas emoções e bebe para tentar entender o fato de estar casado e sentir atração por homens.

  • ROZANGELA

    diz:

    Meu filho fica alterado todas as vezes que bebe, se torna um pouco agressivo e tem alucinações e não come, acho que ele pode estar consumindo mais alguma substancia além do álcool.

    • Mônica

      diz:

      Olá Rozangela, pode ser que junto com o álcool tenha o consumo de outras drogas, uma vez que ele é a porta de entrada para as drogas. Você já tenteou conversar com ele para procurar ajuda?

  • Luiz

    diz:

    Boa noite ! Eu bebo vodka se começo a tremer muito no outro dia , mas nem consigo beber um copo de água , cai tudo no chão !
    Aí se beber novamente essa tremedeira passa .

    • Mônica

      diz:

      Olá Luiz, esse é um sintoma da dependência, o melhor caminho seria um tratamento para desintoxicação, abraço

  • Juliana

    diz:

    Olá ! Bebi muito por muitos anos ,aos 36anos resolvi para d beber e fumar ,tomo medicação hoje há três anos sem álcool e sem tabaco,me sinto outrA pessoa muito mais saudável,meu corpo sente ainda os mal trato q teve ,mas tenho muita força para seguir limpa

    • Mônica

      diz:

      Parabéns Juliana, importante conquista, abraço

  • Evelyn

    diz:

    Olá, meu esposo bebe praticamente todos o dias, ele mistura cerveja com vodka e fica louco.
    Assim como relatos que li a cima, ele tmb diz que para sozinho.
    Eu sei que sozinho ele não consegue, mas ele odeia psicóloga, psiquiatra não toma remédio, eu já não sei mais o que fazer.
    Já internei ele a força e ele diz que prefere a morte do que ser internado de novo.
    O que vcs me indicam a fazer? Por favor só queria ver ele livre desse maldito álcool.

    • Mônica

      diz:

      Olá Evelyn, o ideal seria uma internação para tratar o vício, se precisar seguem os nossos contatos (011) 99667-7454 / (011) 99534-4287

  • jonas

    diz:

    Bom dia!
    Estou sofrendo muito por conta do consumo do álcool e causando sofrimento nas pessoas que amo. Mesmo me tratando, não consigo evitar o uso. Fico deprimido e sinto muita angustia quando bebo. Devo estar dependente. Entrarei em contato com vocês .

    • Mônica

      diz:

      Olá Jonas entre em contato conosco (011) 99667-7454 /(011) 99534-4287

  • Márcia

    diz:

    Bom dia.
    Meu filho é Diabético, ipertenso e alcoolatra.
    Nós precisamos de ajuda.
    Moramos em Brasília, ele tem 36 anos.
    Tem como me indicar uma Clínica mais perto?
    Obrigada!

    • Mônica

      diz:

      Olá Márcia, infelizmente não temos como indicar, mas recebemos pacientes de todo o Brasil, entre em contato conosco (011) 98657-4262
      (011) 99534-4287

  • Deia

    diz:

    Olá, tenho bebido cerveja todos os dias a 2 meses , quando chego em casa…isso começou na pandemia…paro mas nos últimos dias tenho muita vontade…
    Tenho deixado de sair, fazer minhas coisas para poder beber sozinha…mas fico bem.

    Será que é um sinal de alcoolismo?
    Tendo em vista que minha mar quando viva tinha problemas com bebidas…

    • Mônica

      diz:

      Olá Deia, sim, o ato de beber todos os dias, já é um sinal de alcoolismo, ainda mais se você já tinha um familiar com problemas com álcool, sugerimos que faça uma consulta com um psiquiatra especializado em dependência química para ajudá-la, abraço

  • Franciane

    diz:

    Boa noite,minha mãe tem 78 anos e companheiro dela bebe quase todos os dias e começou chegar tarde e alcoolizado de final de semana.Eles moram juntos .tenho vontade de falar com ele ,minha mãe está muito nervosa ,com esssa situação. Como oferecer ajuda sendo que ele não assume ser alcoolatra.

    • Mônica

      diz:

      OLá Franciane, já pensou em uma internação involuntária? Entre em contato conosco (011) 99667-7454/(011) 99534-4287

  • luan

    diz:

    olá, tenho 23 anos e praticamente todas vezes que bebo, fico fora de mim e faço coisas que sãn consiencia não faria, e não me lembro de nada. isso é sinal de alcolisco?

    • Mônica

      diz:

      Olá Luan, para isso, precisamos saber o quanto você bebe e a frequência…

  • Rafaela

    diz:

    Boa noite eu li todos os comentários meu nome e Rafaela estava perto de perde minha família por conta de beber todos os dias até no meu serviço bebia chegava em casa bêbada e ainda aí tomar mas chegava muitas vezes sem o dinheiro pq gastava na caminha bebendo meu esposo por esses dia tem conversado comigo para mim para e quando for bebe nós marca um dia certo não todos os dias como estou fazendo ele falou com mim ir pra minha mãe em minas passar uns dias lá pra ver se quando voltar eu voltar melhor estou 5 dias sem beber mas hoje me deu muita vontade mas não bebi eu estou precisando de ajuda toda minha família quer me ajudar e eu estou aceitando o conselho de todos

    • Mônica

      diz:

      Oi Rafaela, já pensou em se internar para se tratar? Fale conosco (011) 99667-7454/(011) 99534-4287

  • Vera

    diz:

    Estou perdendo o controle das pernas fiz exame do membro inferior e detectou elitismo bebo desde de 13 anos hoje tenho 47 anos estou muito preocupada como pode me ajudar por favor tenho 3 filhos para cuidar não estou conseguindo nem trabalhar mais

    • Mônica

      diz:

      Olá Vera, já pensou em se internar? Entre em contato conosco (011) 98657-4262 /(011) 99534-4287

  • Manoel

    diz:

    Meu nome é Manoel e bebo muinto quando resolvo para de beber fico três dias ou mais sem dormir pra nada mesmo que e bom pra fazer dormir

    • Mônica

      diz:

      Olá Manoel, isso já pode ser o sintoma da abstinência, já pensou em se internar para um tratamento? Seguem nossos contatos (011) 98657-4262 /(011) 99534-4287

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