Primeiros socorros: o que fazer em tentativa de suicídio?

primeiros socorros

O suicídio é um assunto que precisa ser discutido. Por ser um tabu em nossa sociedade, poucas pessoas sabem como prestar os primeiros socorros a alguém que tentou se matar. Afinal, se não falamos sobre o assunto, como podemos ajudar quem está vivendo essa situação?

Estamos falando de um problema de saúde pública que, cada vez mais, afeta pessoas do mundo inteiro. De acordo com um estudo publicado pelo Ministério da Saúde em 2017, estima-se que mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida todo ano.

No Brasil, houve aumento da taxa de suicídio. Só em 2015 houve 11.736 óbitos, um total de 5,7 óbitos para cada 100 mil habitantes. Os números são alarmantes e apenas sinalizam a urgência de falarmos sobre o assunto.

Mas como ajudar alguém que está pensando ou já tentou se matar? O que fazer em tentativa de suicídio? Neste post, reunimos informações importantes sobre os primeiros socorros a serem prestados. Acompanhe!

O que caracteriza uma tentativa de suicídio?

A palavra suicídio significa morte intencional autoinfligida, ou seja: quando uma pessoa, por desejo de sair de uma situação de dor intensa, decide tirar sua própria vida. Atualmente, o suicídio está entre as três principais causas de morte entre jovens e adultos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a média de suicídio aumentou 60% nos últimos 50 anos.

Mas o que caracteriza uma tentativa de suicídio? Primeiramente, o comportamento. Isso porque, antes de tentar tirar a própria vida, o indivíduo pode dar alguns sinais do que pretende fazer. Logo, é importante dar atenção ao que ele diz ou às mensagens que ele registra.

Cabe ressaltar também que o suicídio pode ser considerado um ato deliberado, feito de forma consciente e intencional. Muitas vezes a pessoa usa um meio que acredita ser letal, desde o abuso de remédios até o manuseio de uma arma de fogo. A principal característica é, portanto, o ato de acabar com sofrimento, tirando a própria vida de forma intencional.

Quais são os tipos mais comuns de tentativa de suicídio?

Normalmente, as tentativas de suicídio estão relacionadas a transtornos mentais, como a depressão. Nesse caso, a pessoa perde a vontade de viver e passa a ver a morte como a única saída para esse problema.

Globalmente, os métodos mais usados são o uso de pesticidas, enforcamento e armas de fogo. Conhecer esses métodos é muito importante para a elaboração de estratégias de prevenção que têm se mostrado eficazes, como a restrição de acesso a tais meios.

O suicídio, em grande parte das vezes, é evitável. Existe uma série de medidas que podem ser tomadas. Veja:

  • redução do acesso aos meios utilizados (pesticidas, armas de fogo, determinadas medicações, etc);
  • cobertura responsável sobre o assunto pelos meios de comunicação;
  • políticas públicas para reduzir o uso abusivo do álcool;
  • identificação precoce, tratamento e cuidados de pessoas com transtorno mentais;
  • formação de profissionais especializados em avaliação e gerenciamento de comportamentos suicidas;
  • acompanhamento de pessoas que tentaram o suicídio;
  • prestação de apoio comunitário.

É importante frisar que o suicídio é algo que envolve muita complexidade. Por esse motivo, os esforços de prevenção precisam de coordenação e colaboração entre os diversos setores da sociedade. Esses esforços devem ser abrangentes e integrados, já que apenas uma única abordagem pode não ter efeito algum diante de um tema tão complexo quanto o suicídio.

Afirmar que a pessoa que tem intenção de tirar a própria não avisa e não fala sobre isso é um grande mito social em torno do suicídio. Afinal, devemos considerar seriamente todos os sinais de alerta que podem indicar que uma pessoa está pensando em se matar.

Não existe um “manual” para detectar seguramente uma crise suicida em uma pessoa próxima. Contudo, um indivíduo que está sofrendo pode dar alguns sinais que devem chamar a atenção de seus familiares e amigos mais próximos.

Vale frisar que os sinais de alerta que serão descritos não deverão ser considerados isoladamente. Afinal, uma pessoa com pensamentos suicidas pode se comportar e agir de acordo com inúmeros fatores, que envolvem desde o estado de sua saúde mental até o meio social em que está inserida. Veja:

Falar sobre a morte e falta de esperança

Geralmente, a pessoa que está pensando em se matar costuma falar sobre a morte com uma frequência maior. Expressa a ausência de esperança por dias melhores e tem uma visão negativa sobre sua vida e seu futuro.

Essas ações podem ser expressas de forma escrita, verbal ou por meio de desenhos. Em alguns casos, inclusive, o indivíduo começa a formular um testamento ou a fazer um seguro de vida.

Ter um comportamento isolado

As pessoas que estão pensando no suicídio podem se isolar gradativamente. Começam a não querer atender ao telefone. Depois, evitam interagir nas redes sociais e preferem ficar em casa sozinhas, reduzindo ou cancelando as atividades sociais. Inclusive, é comum que as atividades preferidas dessas pessoas, como correr no parque, ir ao bar com os amigos etc., comecem a ser abandonadas.

Não cuidar da aparência e higiene

Outro ponto que merece atenção é o desleixo com os cuidados pessoais. A pessoa não se preocupa mais em se vestir bem ou cuidar de sua aparência. Além disso, deixa de adotar os hábitos mais básicos, como tomar banho ou pentear o cabelo. A falta de cuidado que ela demonstra com a própria vida torna-se cada vez mais aparente.

Outros fatores

Há outros fatores que podem vulnerabilizar o indivíduo, como falta de emprego, crises políticas e econômicas, sofrimento no trabalho, bullying, discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, agressões físicas e/ou psicológicas, entre outros. Tudo isso deve ser levado em consideração se a pessoa apresenta outros sinais de alerta para o suicídio.

Como prestar os primeiros socorros em tentativas de suicídio?

Procurar com rapidez por psicólogos e psiquiatras é a melhor atitude quando se percebe que alguém está se comportando de forma diferente e que, possivelmente, considera o suicídio uma opção. Deve-se buscar ter uma atitude acolhedora e buscar ajuda e orientação para lidar com a situação. Muitas vezes, demorar para encontrar um auxílio pode agravar a situação.

Além disso, quando uma pessoa diz que está cansada da vida ou não consegue encontrar uma razão para viver, ela tende a rejeitar a aproximação de outras pessoas. Ao ser obrigada a ouvir sobre outras pessoas que estiveram em situações piores e superaram, isso lhe causa ainda mais raiva e distanciamento. Essa atitude não ajuda.

Nesse caso, o contato inicial é de suma importância. Como citamos acima, ele pode ocorrer primeiramente em uma clínica. Mas também pode acontecer em casa ou até mesmo em um espaço público. Confira as orientações:

Encontre um lugar adequado

O primeiro passo é achar um lugar adequado para que uma conversa tranquila possa ser estabelecida. Não precisa ser um espaço privado, apenas que tenha privacidade razoável para que a pessoa possa se abrir.

Ofereça o tempo necessário

De nada adianta chamar a pessoa que está pensando em suicídio para conversar, se você não terá tempo suficiente para ouvi-la. É comum que, nesse caso, o indivíduo precise de mais tempo para deixar de se achar um fardo. Logo, você deve estar disponível fisicamente e emocionalmente para oferecer toda sua atenção.

Ouça efetivamente

O próximo passo é também um dos mais importantes: ouvir com atenção. Levar a pessoa que está pensando em tirar a própria vida para um lugar tranquilo e ouvi-la com atenção ajuda a reduzir o nível de desespero que ela está sentindo. Por isso, seja gentil.

Acima, as orientações foram voltadas à pessoa que está pensando em suicídio e ainda não cometeu o ato. A intenção, nesse caso, é estabelecer uma situação de confiança, entender quais são as motivações do indivíduo para direcioná-lo ao atendimento psicológico.

No entanto, caso a pessoa já tenha tentado cometer o suicídio, há outros cuidados específicos de primeiros socorros. Os primeiros socorros são necessários às emergências em saúde. Note algumas ações e suas respectivas medidas:

Cortes nos pulsos

Caso o indivíduo tenha cortado os pulsos, o ideal é fazer pressão na região com o auxílio de um pedaço de pano (ou outro tecido, preferencialmente limpo) até a chegada da ambulância.

Ingestão de veneno e remédios

Caso a vítima tenha engolido, o ideal é dar água com sal para provocar o vômito e esperar pela ajuda médica. Depois, é preciso encontrar o tipo de substância ingerida para informar aos socorristas. Nesse caso, os remédios para dormir são os mais utilizados.

Enforcamento

Se a vítima apresentar movimentos, deve-se colocar uma cadeira, móvel ou objeto alto para apoiar os pés. Recomenda-se não tocar no corpo, pois isso pode provocar uma situação irreversível.

Arma de fogo

Faça pressão no local atingido com panos limpos, roupas ou outro tecido. O objetivo é estancar a hemorragia até que a ambulância chegue até o local.

Afogamento

Retire a vítima da água, deite-a de barriga para cima e inicie a massagem cardíaca e a respiração boca a boca até que a ajuda médica chegue.

Queda

Não mexa na vítima, pois ela pode ter fraturado algum osso e isso pode causar sequelas, como paralisia. O ideal é aguardar a ajuda médica.

Em todos os casos, recomenda-se chamar a ambulância. Muitas vezes, o desespero do momento acaba fazendo com que os primeiros socorros sejam prestados, mas sem a comunicação com a equipe médica.

O que fazer após uma tentativa de suicídio?

Caso conheça alguém que tenha tentado cometer o suicídio, possivelmente você está vivendo um momento bem difícil, que mistura confusão, tristeza, vergonha e outras emoções. Após ter prestado os primeiros socorros à pessoa que tentou se matar, busque apoiá-la para que a situação não se repita. Para isso, tome as seguintes medidas.

Leve o indivíduo ao médico

Dependendo das circunstâncias ligadas à tentativa de suicídio, o indivíduo pode ser internado em um hospital geral para tirar do estado crítico ou nem um hospital psiquiátrico. Assim poderá receber os cuidados necessários e ficar em observação.

Nesse caso, o objetivo é estabilizar a condição médica da pessoa. Em seguida, uma avaliação psiquiátrica é realizada para evitar reincidências.

Informe-se sobre o tratamento e a medicação

Para evitar que aconteçam mais tentativas de suicídio, não saia do hospital sem um plano de tratamento definido. Se possível, agende uma consulta com o psicólogo ou psiquiatra que acompanhou o caso. Além disso, tenha todas as prescrições de medicamentos em mãos.

Mantenha a pessoa em segurança

O próximo passo para evitar com que novas tentativas de suicídio sejam adotadas é ter um plano de segurança. Ou seja, descrever ações que a pessoa pode aplicar por conta própria quando estiver se sentindo mal, como ouvir uma música animada, escrever no diário ou fazer exercícios físicos.

O plano também deve conter os nomes das pessoas que podem apoiar o indivíduo, como amigos e familiares. Assim, sempre que ele se sentir triste, saberá com quem contar e pedir ajuda. Além dessas pessoas, inclua os telefones de contato para os serviços de saúde mental e emergências.

Por fim, o plano deverá conter a descrição de como a pessoa tentou se matar e quais são as formas de reduzir seu acesso a essas armas potenciais. No entanto, ela deverá estar ciente de que esse esquema de segurança é para que ela preserve a própria vida.

Procure grupos de apoio

Não é apenas a pessoa que tentou cometer o suicídio, e recebeu os primeiros socorros, que precisa de ajuda psicológica. Por se tratar de um momento extremamente delicado, todas as pessoas que estão ajudando e vivendo a situação podem ter um apoio médico especializado.

Além da psicoterapia, também vale a pena procurar por grupos de apoio para familiares. Eles podem ajudar a estabelecer conexões com quem já passou pela mesma situação. Nesses encontros, todos se apoiam e compartilham suas experiências. É uma forma de desabafar e encontrar as melhores medidas para amenizar a sensação de medo e impotência.

Controle suas emoções

Depois que uma pessoa querida tenta tirar a própria vida, é normal que você se questione as razões para que ela tenha feito isso sem, ao menos, pedir a sua ajuda diretamente. Você pode sentir raiva e pensar que essa foi uma forma de chamar a atenção.

No entanto, independentemente dos motivos que essa pessoa teve, ela precisa de apoio e de alguém que seja o seu porto seguro. Evite ao máximo ficar fazendo perguntas sobre as motivações da tentativa de suicídio.

Afinal, o importante é que a pessoa sobreviveu. Em vez disso, expresse seu amor, preocupação e admiração por ela estar com você e pela segunda chance que vocês têm. Fale sobre os seus sentimentos, mas sem invadir. Diga o quanto ama a pessoa e que não importa o que aconteça, pois agora você está com ela para o que der e vier.

Como saber se existe risco de suicídio?

Como citamos, não existe um manual com todos os riscos de suicídio. O suicídio não tem cara, mas pode dar alguns sinais de alerta. Após uma tentativa, as chances de a pessoa cometer a segunda, e mais outras, podem ser grandes.

Por isso, por mais que a situação pareça que está controlada e, até mesmo, que foi arquivada, é muito importante continuar observando o indivíduo.

Reconheça os padrões de pensamentos suicidas

Quem pensa em novas tentativas de se matar costuma apresentar alertas mentais e emocionais. Normalmente, queixam-se da dor de continuar vivendo. Sentem-se fracassados por não terem conseguido tirar a própria vida. Tendem a chorar com frequência e quase não riem, pois se sentem sem esperança.

Observe as alterações de humor

Quando uma pessoa que tentou se suicidar percebe que está cercada por familiares e amigos, mas, mesmo assim, ainda tem vontade de se matar, ela tende a esconder suas emoções. Muitas vezes, demonstra felicidade em alguns momentos do dia, mas em outros se mostram irritadas e descontentes.

Elas podem sentir que são um fardo, principalmente após terem exigido mais cuidado e atenção depois da tentativa de suicídio. Ao mesmo tempo, sentem raiva e nutrem um sentimento de vingança.

Fique de olho nos indícios verbais

Para saber se ainda há risco de suicídio, outro ponto a ser observado é o indício verbal. Existem frases que são bastante comuns de uma pessoa que ainda está tentando se matar. Como:

  • Não vou ficar chateado, pois não estarei aqui em breve
  • Nada mais importa.
  • Vão sentir a minha falta quando eu morrer.
  • A vida é muito difícil.
  • Não vou dar trabalho por muito tempo
  • Eu estaria melhor se estivesse morto (a).

É claro que essas frases não são fatores isolados. Geralmente, elas vêm acompanhadas por sentimentos profundos de tristeza, de ações de desinteresse e ausência de autocuidado etc.

Observe as melhoras súbitas

Nunca se esqueça de que o maior potencial para o suicídio não é apenas quando a pessoa está no fundo do poço, mas também quando ela parece melhorar. No caso de pessoas que já tentaram se matar, isso é ainda mais comum, pois ela pode continuar pensando no ato, demonstrando felicidade em vários momentos.

Logo, desconfie desse comportamento e converse sempre com o indivíduo, mas sem julgamentos ou pressão.

Veja se a pessoa quer ficar sozinha

Se, mesmo dentro do hospital psiquiátrico ou ambulatório, a pessoa sinalizar de alguma forma que não desistiu de se matar e faz questão de ficar sozinha sempre, desconfie. Muitas vezes, ela faz isso para cometer o ato de novo.

Portanto, evite ao máximo deixá-la sozinha e elimine quaisquer objetos que ela possa usar para se ferir. Ela pode reclamar de falta de privacidade ou que está dando trabalho, ignore tudo e diga que não se importa, que só quer vê-la bem logo.

Considere o histórico da pessoa e as circunstâncias atuais

As experiências que a pessoa passou, sejam recentes, sejam antigas, podem ter forte influência em novas tentativas de suicídio. Saiba se houve a morte de um ente querido recente, se ela perdeu o emprego, se está com alguma doença crônica e outros eventos estressantes que podem funcionar com gatilhos.

Ao conversar com essa pessoa, proponha soluções, pense em como ajudá-la a encontrar um novo emprego, como ir com ela em grupos de apoio e na primeira consulta com o psiquiatra e dormir com ela no hospital. São ações pequenas, mas que podem fazer uma grande diferença na vida de quem já perdeu as esperanças.

Ligue para o Centro de Valorização da Vida

Esse telefone não é apenas útil a quem está tentando se matar. Ele também ajuda pessoas que desejam prevenir o suicídio de terceiros.

Os atendentes dessas linhas podem ajudar muito, instruindo a tomar medidas diretas e encaminhando você a médicos e psicólogos. Disque 188 para falar com um atendente ou acesse à página do Centro de Valorização da Vida.

Como vimos, prestar os primeiros socorros em uma tentativa de suicídio vai muito além das ações ambulatoriais, como estancar o sangue ou fazer massagem cardíaca. Na realidade, existe todo um processo a fim de fazer com que o suicida compreenda que ele não está sozinho e que a sua vida é muito importante.

Por ser uma situação extremamente delicada e, que muitas vezes, ninguém se imagina nela, é comum ter dúvidas, medos e receios. E é por isso que os cuidados psicológicos não são apenas para o indivíduo que tentou tirar a própria vida, mas também para quem esteve com ele desde o começo.

Ao contrário do que muitos pensam, procurar esse tipo de apoio não é sinal de fraqueza ou drama. Todos nós passamos por momentos delicados. E toda ajuda é sempre bem-vinda. Por isso, enfatizamos mais uma vez a importância de estar presente e de adotar medidas para evitar com que mais uma tentativa aconteça.

Hoje em dia, é possível encontrar diversas histórias de pessoas que superaram o suicídio e que podem ajudar quem está passando por uma situação de desespero e que acredita que nunca vai passar. Ofereça apoio, reserve um tempo para conversar e entender as motivações dessa pessoa. Mostre histórias de superação e, o mais importante, não faça julgamentos antes ou depois de prestar os primeiros socorros.

E você, gostou das informações sobre os primeiros socorros em uma tentativa de suicídio? Notou como são importantes para ajudar alguém? Aproveite e assine a newsletter para receber diretamente em seu e-mail mais conteúdos como este!

Você também pode acessar o e-book sobre suicídio na adolescência preparado pelo dr. Caio Bonadio, psiquiatra do Hospital Santa Mônica.

 

Cresce a preocupação com a saúde mental dos adolescentes

O Hospital Santa Mônica de São Paulo, referência em saúde mental infantojuvenil e adulto e dependência química, participa anualmente da Campanha de Prevenção ao Suicídio, Setembro Amarelo, sob o tema “Preserve a vida, trate a dor”.

Este ano a preocupação é com o aumento do número de adolescentes com tentativas de suicídio. “Queremos reforçar a importância dos pais permanecerem atentos e cuidarem da saúde mental dos seus filhos, assim como cuidam de outros aspectos da vida do adolescente”, afirma Alexandre Bellizia, diretor de relações institucionais do Hospital.

A fase de transição e amadurecimento vivida pela juventude, além de novas experiências prazerosas, pode trazer dor e confusão. Por isso, um problema como o suicídio entre jovens no Brasil requer atenção e não deve ser tratado como tabu.

Segundo a Organização Mundial de Saúde cerca de 800 mil suicídios ocorrem por ano. Isso significa um suicídio a cada 30 segundos. No mundo todo, a taxa geral de mortes por suicídio é de 11,4 pessoas para cada 100 mil, especialmente em países pobres.

No Brasil, a cada 100 mil pessoas, 6 se matam todo ano. Apesar de ser um índice relativamente abaixo em comparação aos outros, somos o oitavo país com mais suicídios no mundo em números absolutos. E pior: estima-se que, para cada pessoa que comete suicídio, existem pelo menos outras 20 que tentaram, mas não conseguiram consumar o ato.

Apesar de a maioria dos suicidas pertencer à faixa etária acima dos 70 anos, é na faixa de 15 a 29 que os números mais impressionam, figurando como a segunda maior causa de mortes.

Em um estudo recente feito na Dinamarca constatou-se que 46,5% dos adolescentes que tentam o suicídio realmente queriam morrer, e que apenas 2,5% queriam “chamar a atenção”, desconstruindo o conceito de que os adolescentes usam a tentativa de suicídio apenas para atrair a atenção para si. Este mesmo estudo também demonstrou que 50% dos adolescentes apresentaram ideação suicida por mais de um mês e que muitos destes jovens não se sentiam ouvidos pelos seus pais e este seria o principal motivo para tirar suas vidas.

Fator de risco de suicídio e as doenças mentais

Um fator de risco bem estabelecido é a relação do suicídio com doenças mentais. Estudos apontam que 75% dos adolescentes que se suicidaram tinham algum tipo de transtorno mental, principalmente os transtornos afetivos, como depressão e transtorno bipolar. Dependência de múltiplas drogas incluindo álcool, maconha e tabaco estão associados a um aumento do risco de tentativas de suicídio em adolescentes.

Também é importante ressaltar que na população de adolescentes gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros o índice de suicídio tem aumentado nos últimos anos. Em muitos casos estes adolescentes convivem com algumas angústias particulares como a descoberta e o entendimento de sua sexualidade ou identidade de gênero, além de muitas vezes ter que conviver com o preconceito e a dificuldade da família em ajudá-los.

O que é suicídio?
Suicídio é quando um adolescente causa sua própria morte de propósito. Antes de tentar tirar a própria vida, um adolescente pode ter pensamentos de querer morrer. Isso é chamado de ideação suicida. Ele ou ela também pode ter um comportamento suicida. É quando um adolescente se concentra em fazer coisas que causam a própria morte.

“Suicídio é o ato de tirar a própria vida intencionalmente. Antes deste ato, o adolescente pode ter pensamentos de morte, sem necessariamente ter um planejamento da ação. A ideação suicida ocorre quando há um planejamento claro da tentativa de suicídio e uma vontade de morrer. O adolescente também pode ter um comportamento suicida, ou seja, quando a pessoa se concentra em fazer coisas que potencialmente podem causar a própria morte” afirma doutor Caio Bonadio, psiquiatra e médico do sono do Hospital Santa Mônica.

O suicídio é a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 24 anos, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, nos Estados Unidos) que aponta:

• Os meninos são 4 vezes mais propensos a morrer de suicídio do que as meninas;
• As meninas são mais propensas a tentar o suicídio do que os meninos;
• Armas são usadas em mais da metade dos suicídios de jovens.

O que faz com que um adolescente tente o suicídio?

A adolescência é um momento estressante. É uma fase de grandes mudanças que incluem as mudanças no corpo, nos pensamentos e nos sentimentos. Sentimentos fortes de estresse, confusão, medo e dúvida podem influenciar a resolução de problemas e a tomada de decisões de um adolescente. Ele também pode sentir uma pressão para ter sucesso.

Para alguns adolescentes, mudanças normais de desenvolvimento podem ser muito perturbadoras quando combinadas com outros eventos, como:

• Mudanças em suas famílias, como divórcio ou transferência para uma nova cidade;
• Mudanças nas amizades;
• Problemas na escola;
• Outras perdas.

Esses problemas podem parecer difíceis demais ou embaraçosos para serem superados. Para alguns, o suicídio pode parecer uma solução.

Quais adolescentes estão em risco de suicídio?

O risco de suicídio de um adolescente varia de acordo com a idade, sexo e influências culturais e sociais. Fatores de risco podem mudar com o tempo. Eles são:

• Um ou mais problemas mentais ou abuso de substâncias;
• Comportamentos impulsivos;
• Eventos de vida indesejáveis ??ou perdas recentes, como a morte de um dos pais;
• História familiar de problemas mentais ou abuso de substâncias;
• História familiar de suicídio;
• Violência familiar, incluindo abuso físico, sexual ou verbal ou emocional;
• Tentativa de suicídio passado;
• Arma em casa;
• Prisão;
• Exposição ao comportamento suicida de outras pessoas, como familiares ou colegas, nos noticiários ou em histórias de ficção

Assim, muitos dos sinais de alerta de suicídio também são sintomas de depressão, como:

• Mudanças nos hábitos alimentares e de sono;
• Perda de interesse em atividades usuais;
• Retirada de amigos e familiares;
• Comportamentos de atuar e fugir;
• Uso de álcool e de drogas;
• Negligenciar a aparência pessoal;
• Exposição a situações de risco desnecessário;
• Obsessão com a morte;
• Queixas físicas, muitas vezes ligadas a sofrimento emocional, como dores de estômago, dores de cabeça e cansaço extremo (fadiga);
• Perda de interesse na escola;
• Se sentir entediado;
• Apresentar problemas em se manter focado;
• Sentir vontade de querer quer morrer;
• Falta de resposta ao elogio.

Outro sinal de alerta é fazer planos ou esforços para cometer suicídio:

• Dizer “eu quero me matar” ou “vou me suicidar”;
• Dar dicas verbais, como “Eu não serei um problema por muito mais tempo” ou “Se alguma coisa acontecer comigo, quero que você saiba …”;
• Dar ou jogar fora pertencer favoritos;
• Ficar alegre depois de um período de depressão;
• Expressar pensamentos estranhos;
• Escrever 1 ou mais notas de suicídio;

Esses sinais podem se parecer com outros problemas de saúde. Certifique-se de que seu filho adolescente consulte seu médico para um diagnóstico.

Como um adolescente é tratado por comportamento suicida?
O tratamento dependerá dos sintomas, da idade e da saúde geral do seu filho. Também dependerá da gravidade da condição.

O tratamento começa com uma avaliação detalhada dos eventos na vida do seu filho durante os 2 a 3 dias anteriores aos comportamentos suicidas. O tratamento pode incluir:

• Terapia individual.
• Terapia familiar. Os pais desempenham um papel vital no tratamento.
• Uma internação hospitalar prolongada, se necessário. Isto dá à criança um ambiente supervisionado e seguro.

Aprender os sinais de alerta do suicídio de adolescentes pode impedir uma tentativa. Manter uma comunicação aberta com seu filho adolescente e seus amigos lhe dá a oportunidade de ajudar quando necessário.

Acompanhe nossas notícias nas mídias sociais e na página sobre suicídio e acesse um E-book sobre Suicídio na Adolescência preparado com o apoio dos especialistas do Hospital.

 

E-book suicídio na adolescência 

Emergência Psiquiátrica – Saiba o que fazer?

emergência

O CFM – Conselho Federal de Medicina, define Urgência como ocorrência imprevista de agravo à saúde, com ou sem risco potencial de vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata. Na Emergência, o agravo à saúde implica risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo tratamento médico imediato. Acompanhe as dicas do dr. Fernando Alfieri, diretor clínico do Hospital Santa Mônica

Fator de risco de suicídio e as doenças mentais

Fatores de Risco

Um fator de risco bem estabelecido é a relação do suicídio com doenças mentais. Estudos apontam que 75% dos adolescentes que se suicidaram tinham algum tipo de transtorno mental, principalmente os transtornos afetivos, como depressão e transtorno bipolar. Dependência de múltiplas drogas incluindo álcool, maconha e tabaco estão associados a um aumento do risco de tentativas de suicídio em adolescentes.

Também é importante ressaltar que na população de adolescentes gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros o índice de suicídio tem aumentado nos últimos anos. Em muitos casos estes adolescentes convivem com algumas angústias particulares como a descoberta e o entendimento de sua sexualidade ou identidade de gênero, além de muitas vezes ter que conviver com o preconceito e a dificuldade da família em ajudá-los.

Mitos sobre o Suicídio

Mitos sobre Suicídio

Conheça alguns mitos sobre o suicídio que os familiares precisam ficar atentos para não correr o risco e saiba mais no vídeo preparado pelo dr. Claudio Duarte, psiquiatra do Hospital Santa Mônica

Mito 1: As pessoas que falam sobre o suicídio não farão mal a si próprias, pois querem apenas chamar a atenção. FALSO.  Fique de olho em que idealiza  um plano suicida. Todas as ameaças de se fazer mal devem ser levadas muito a sério.

Mito 2: O suicídio é sempre impulsivo e acontece sem aviso. FALSO. Um suicídio pode ser planejada durante algum tempo. Muitos indivíduos suicidas comunicam algum tipo de mensagem verbal ou comportamental sobre as suas intenções. 

Mito 3: Os indivíduos suicidas querem mesmo morrer ou estão decididos a matar-se. FALSO. A maioria das pessoas que se sentem suicidas partilham os seus pensamentos com pelo menos uma outra pessoa

Mito 4: Quando um indivíduo mostra sinais de melhoria ou sobrevive a uma tentativa de suicídio, está fora de perigo. FALSO. Na verdade, um dos períodos mais perigosos é imediatamente depois da crise. Isso vale, inclusive, para quando a pessoa está no hospital, depois de uma tentativa.

Mito 5: O suicídio é sempre hereditário. FALSO. Nem todos os suicídios podem ser associados à hereditariedade. Uma história familiar de suicídio, no entanto, é um fator de risco importante para o comportamento suicida, particularmente em famílias onde a depressão é comum.

Mito 6: Os indivíduos que tentam ou cometem suicídio têm sempre alguma perturbação mental. FALSO. Os comportamentos suicidas têm sido associados à depressão, abuso de substâncias, esquizofrenia e outras perturbações mentais, além de aos comportamentos destrutivos e agressivos. No entanto, esta associação não deve ser sobrestimada. A proporção relativa destas perturbações varia de lugar para lugar. Além disso, existem casos em que nenhuma perturbação mental foi detectada.

Mito 7: Se um conselheiro falar com uma pessoa fragilizada sobre suicídio, o conselheiro está a dar a ideia de suicídio à pessoa. FALSO. Um conselheiro obviamente não causa comportamento suicida simplesmente por perguntar aos clientes se estão a considerar fazer-se mal. Na verdade, reconhecer que o estado emocional do indivíduo é real, e tentar normalizar a situação induzida pelo stress são componentes necessários para a redução da ideação suicida.

Mito 8: O suicídio só acontece “àqueles outros tipos de pessoas,” não a nós. FALSO. O suicídio acontece a todos os tipos de pessoas e encontra-se em todos os tipos de sistemas sociais e de famílias.

Mito 9: Após uma pessoa tentar cometer suicídio uma vez, nunca voltará a tentar novamente. FALSO. Na verdade, as tentativas de suicídio representam os primeiros passos para o suicídio em si.

Mito 10: As crianças não cometem suicídio dado que não entendem que a morte é final e são cognitivamente incapazes de se empenhar num ato suicida. FALSO. Embora seja raro, as crianças cometem suicídio. Qualquer gesto, em qualquer idade, deve ser levado muito seriamente.

Fonte: Spread Welo

O que é suicídio?

suicidio

Segundo a Organização Mundial de Saúde cerca de 800 mil suicídios ocorrem por ano. Isso significa um suicídio a cada 30 segundos. O Brasil é o oitavo com mais casos de suicídio no mundo. Apesar de a maioria dos suicidas pertencer à faixa etária acima dos 70 anos, é na faixa de 15 a 29 que os números mais impressionam, figurando como a segunda maior causa de mortes. Durante todo o mês de setembro (Setembro Amarelo), o Hospital Santa Mônica veiculará uma campanha de conscientização sobre o tema em virtude do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, 10/09. O objetivo é conscientizar as pessoas sobre a importância do tratamento de doenças mentais. Quase 100% das pessoas que tentaram ou se suicidaram têm um quadro psiquiátrico com doenças mentais tratáveis, mas o preconceito estrangula a prevenção.

Ideação suicida: veja como funciona o tratamento urgente nestes casos

Ideação Suicída

A ideação suicida é um dos aspectos de um problema de saúde pública que afeta milhares de  pessoas a cada ano no Brasil e sobre o qual nem sempre existem campanhas de esclarecimento. Por falta de debates, especialistas acreditam que os casos de suicídio podem ter uma taxa 20% maior do que os números atuais apontam.

Estamos falando do suicídio, que impacta profundamente não apenas sobre a própria pessoa em sofrimento, mas sobre seu círculo de convivência e a sociedade como um todo. É importante saber que, com o suporte de uma equipe médica multidisciplinar em um hospital de qualidade, é possível cuidar da pessoa e eliminar o desejo de morrer.

Por isso, continue a leitura deste artigo e saiba como funciona o tratamento urgente nos casos de ideação suicida.

Entenda o conceito de ideação suicida

Na sociedade brasileira, o suicídio é compreendido como um transtorno mental multifatorial, que não é classificado como uma doença ou sintoma, mas como o resultado de fatores biológicos, ambientais, sociais, genéticos e fisiológicos.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio está entre as 10 principais causas de morte ao redor do mundo, sendo a segunda delas quando se trata de pessoas com idade entre 15 e 29 anos.

A ideação suicida, nesse contexto, deve ser entendida como uma das dimensões que definem o suicídio, correspondente aos pensamentos suicidas ou aos planos para realização do ato de tirar a própria vida.

As outras dimensões são a tentativa de tirar a vida e o ato suicida em si. Transtornos do humor como a depressão e doenças como o alcoolismo normalmente estão presentes nos casos de ideação suicida.

Diante do impacto dessa condição sobre o próprio indivíduo e sobre o seu círculo social, ela é compreendida como uma emergência de saúde mental. Isso significa que a pessoa com ideação suicida deve receber um tratamento urgente e adequado, sobre o qual falaremos agora.

Saiba como funciona o tratamento urgente nos casos de ideação suicida

O primeiro passo do tratamento urgente nos casos de ideação suicida é identificar a potencialidade do risco à vida, analisando questões referentes à tentativa de suicídio e aos seus motivos.

Nesse momento, a equipe médica procura esclarecer se o ato suicida foi planejado ou impulsivo, se o paciente agiu de forma a não ser encontrado ou pediu ajuda e se a ideação suicida persiste depois do ato.

Outro aspecto importante do tratamento urgente é a abordagem de problemas de saúde mental relacionados à ideação suicida, assim como o tratamento clínico das possíveis lesões resultantes da tentativa de suicídio.

Assim, o uso de medicamentos pode ser necessário para tratar os distúrbios psiquiátricos, reduzir a ansiedade e eliminar os sintomas nos casos de síndrome de abstinência em dependentes químicos.

Por meio da anamnese completa, que pode exigir até mesmo a presença de um familiar do paciente, os profissionais de saúde são capazes de conduzir o tratamento urgente da forma mais condizente, decidindo pela internação hospitalar quando o risco de suicídio persistir.

Dessa forma, é fundamental considerar o preparo dos profissionais de saúde e a infraestrutura do hospital como fatores que contribuem diretamente para a recuperação do paciente.

Conheça a importância da abordagem multidisciplinar em um hospital referência

A ideação suicida é um quadro que traz bastante sofrimento tanto para o próprio paciente quanto para seus familiares. Dessa forma, a humanização do tratamento urgente é essencial para que as pessoas sintam-se acolhidas em um momento tão crítico. E somente instituições especializadas como o Hospital Santa Mônica oferecem esse tipo de atendimento

Entre os diferenciais que fazem do Hospital Santa Mônica uma referência na abordagem da ideação suicida é a qualidade da sua equipe médica multidisciplinar. Trata-se de uma equipe especializada e preparada para garantir todo o suporte que o paciente e sua família precisam, seja em relação a um atendimento individual ou em atividades coletivas, nas quais é possível trocar experiências e ouvir pessoas que superaram o suicídio.

Além de médicos psiquiatras e clínicos gerais, o paciente e sua família podem contar com o apoio de psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, farmacêuticos e nutricionistas.

Agora que você já sabe qual é a dinâmica do tratamento urgente nos casos de ideação suicida, veja outro artigo para entender a importância do debate sobre o suicídio na prevenção do problema.

Automutilação e tentativas de suicídio! Conheça os sintomas de adolescentes internados atualmente

Diante do crescimento (lento, porém constante) do suicídio entre os jovens brasileiros nos últimos anos, a saúde mental desses indivíduos passou a ser um tema recorrente, tanto na mídia quanto no ambiente familiar. Engana-se, portanto, quem pensa que este é um problema esporádico.

O estudo anual realizado pelo Ministério da Saúde, denominado Mapa da Violência, aponta que nos últimos 12 anos o número de suicídio entre jovens de 15 a 29 anos apresentou um aumento considerável de quase 10%.

Nesse contexto, práticas de automutilação também merecem atenção porque alertam para um sofrimento intenso, podendo estar relacionadas a sinais precoces da tentativa de suicídio.

Neste artigo, você vai entender os principais sintomas e hábitos que adolescentes com transtornos mentais manifestam e como a identificação desses sinais pode auxiliar o tratamento. Acompanhe!

Como identificar comportamentos de automutilação?

O ato de automutilação considera qualquer intuito de se ferir deliberadamente. Cicatrizes, queimaduras e cortes realizados de forma intencional por meio de facas, tesouras, lâminas de barbear ou mordidas são alguns exemplos desse comportamento.

É fato que a maioria dos adolescentes que se automutilam tentam esconder as marcas e cicatrizes dos familiares. Desse modo, é importante se atentar ao comportamento desses indivíduos.

Muitas vezes, eles utilizam calças e blusas de manga comprida mesmo em dias quentes, se isolam frequentemente ou apresentam algum retraimento social. Outros fatores a serem observados são feridas e contusões inexplicáveis, a presença de objetos afiados sempre próximos e o abuso de álcool e drogas.

Qual a relação entre automutilação e suicídio?

Não é exagero dizer que a autolesão é um indício da pretensão suicida. Esse comportamento expressa um sofrimento psíquico importante e é um dos poucos sinais que a psicologia consegue identificar que predizem a tentativa de suicídio dentro de alguns meses.

A automutilação acontece principalmente devido à necessidade de reduzir a tensão, estresse ou sofrimento que o jovem vivencia. Ao se mutilar, algumas substâncias opioides são liberadas no organismo e acontece uma falsa sensação de alívio da situação pela ligeira anestesia causada.

O problema, nesse caso, é que depois que essa sensação passa, o adolescente é acometido por sentimentos de culpa e vergonha. Desse modo, quadros de tristeza e insatisfação são potencializados.

Quais os sintomas dos pacientes internados?

Os pacientes que são internados devido a automutilação ou tentativa de suicídio apresentam alguns sintomas ou hábitos em comum. São eles:

  • agressividade e irritabilidade;
  • diminuição do apetite e emagrecimento;
  • delírios e alucinações;
  • transtornos bipolares;
  • prejuízo de memória;
  • insônia;
  • ansiedade e depressão;
  • frases confusas e desconexas.

É importante ressaltar que essas manifestações são percebidas em jovens internados tanto por abuso de drogas quanto por transtornos mentais.

Como lidar com essa situação?

Estabelecer um diálogo constante pode ser o primeiro passo para que problemas de ansiedade, depressão ou transtornos de personalidade sejam identificados e, a partir desse ponto, acompanhados por um profissional da saúde.

Além disso, esses comportamentos não se desenvolvem do dia para a noite. O processo leva meses para alcançar esse ponto e é fundamental tratar os sinais, sem minimizar ou diminuir os sentimentos dessas pessoas.

Diante da identificação do quadro de automutilação, os pais devem procurar o psiquiatra ou pediatra para avaliar a situação clínica desses pacientes. O suporte e orientação desses profissionais também vão se mostrar imprescindíveis, pois serão de grande ajuda ao decidir sobre qual é a melhor conduta a ser adotada.

Medidas como hospitalização e tratamentos de distúrbios, que possam aumentar o risco de suicídio, são algumas das alternativas. Contudo, o mais importante é compreender os problemas e angústias que o seu familiar está passando, pois isso é imprescindível para um tratamento eficaz. O jovem que tem atitudes de automutilação ou tentativa de suicídio precisa ser ouvido sem julgamentos, sendo o diálogo uma busca constante.

E então, tirou algumas das suas dúvidas sobre o assunto? Que tal assinar nossa newsletter e aprofundar seus conhecimentos sobre saúde mental?

Como falar sobre suicídio?

Nos últimos tempos, nos deparamos com diversos episódios de pessoas famosas que se suicidaram. Este é o caso de celebridades como a estilista Kate Spade e o chef de cozinha Anthony Bourdain.

Isso mostra que a depressão não escolhe classe social, gênero ou raça — ela pode se manifestar em qualquer indivíduo. Contudo, falar sobre suicídio ainda é um tabu em nossa sociedade e muitas pessoas ficam inseguras na hora de abordar o assunto.

Pensando nisso, criamos este post com tudo o que você precisa saber para conversar com os seus amigos e familiares e diminuir inúmeros sofrimentos. Acompanhe!

Entenda a importância do diálogo

A depressão está cada vez mais presente em nossas vidas. Para se ter uma ideia, de acordo com um estudo realizado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o número de mortes causadas por suicídio aumentou mais de 30% a partir de 1999, nos Estados Unidos.

O mais preocupante? Boa parte dessas pessoas não apresentavam nenhum indício de problemas mentais — elas não estavam em tratamento e, provavelmente, tinham dificuldades de expor as suas dores.

No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, o número de casos aumentou 12%, entre 2011 e 2015, e já é considerada a quarta maior causa de morte no país.

Segundo a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) a cada 40 segundos um suicídio ocorre no mundo e a cada 45 minutos no Brasil.

O que aprendemos com isso? Que, muitas vezes, falar sobre suicídio é a chave para tratar casos de saúde mental, que as pessoas não querem acabar com as suas vidas, mas sim, com a dor que sentem.

Saiba quando você precisa de ajuda

Um dos grandes passos para buscar ajuda é saber analisar e reconhecer os seus sintomas. Veja abaixo os principais pontos a serem avaliados:

  • sofrimento profundo: pessoas que remoem os problemas de modo obsessivo, sem conseguir enxergar uma solução no futuro;
  • mudanças de humor: você se sente muito bem e, rapidamente, fica triste ou com raiva? Fique atento;
  • alarmes verbais: pessoas depressivas ou que estão pensando em se suicidar costumam reproduzir as seguintes frases: “não aguento mais”; “vocês vão ficar felizes sem mim”; “a minha vida não vale a pena”;
  • abuso de álcool e drogas: boa parte das pessoas que tiram a própria vida fazem uso abusivo de álcool, drogas e remédios sem o controle médico;
  • isolamento: não sente vontade de participar de atividades sociais? Esse pode ser um sintoma de depressão.

Converse com pessoas da sua confiança

Você está passando por momentos difíceis? O indicado é encontrar pessoas dispostas a ajudar. Converse com os seus amigos, familiares ou recorra ao acompanhamento médico com um psiquiatra e psicólogo.

Ao longo da conversa, não tenha medo de expor os seus sentimentos e ir direto ao ponto. Está pensando em se machucar ou tirar a própria vida? Reporte isso para alguém de sua confiança e que não cometa julgamentos. Acredite: você não está sozinho e uma conversa fará toda a diferença.

Conheça alguns recursos que ajudam

Ainda não se sente preparado para se abrir a um conhecido? Atualmente, muitas instituições oferecem serviços de assistência e aconselhamento.

Um  exemplo são os hospitais especializados no assunto e o Centro de Valorização da Vida (CVV). Nesses canais, você poderá bater um papo com pessoas capacitadas para o atendimento ou passar por um centro médico de saúde mental.

Em alguns casos, como o CVV, o atendimento pode ser feito por telefone, por meio do número 188 ou pelo site.

Considere a possibilidade de internação

Após passar por uma avaliação psiquiátrica criteriosa, também é possível recorrer à internação. Esse processo tem sido excelente para reabilitar e oferecer maior confiança aos pacientes que desejam lidar com seus traumas e angústias.

Procure uma instituição de confiança e capacitada no segmento, como o Hospital Santa Mônica, um dos únicos no país com foco em saúde mental e dependência química.

Conseguiu entender a importância de falar sobre suicídio? Não tenha medo de pedir ajuda ou de oferecer o seu apoio a quem estiver precisando — essas atitudes podem salvar vidas!

Se ainda tiver alguma dúvida sobre o assunto ou quiser expor a sua opinião, comente no post. Estamos à disposição!

Descubra como agir quando alguém próximo a você quer se matar

o que fazer quando alguém tenta se matar

Mais do que muitos imaginam, os casos de suicídio são muito comuns. Diante dessa realidade, perto de cada um de nós pode haver alguém que alimenta pensamentos suicidas ou que realmente pensa em se matar.

Infelizmente, a sociedade ainda não está preparada para enfrentar de perto as questões que envolvem esse tema. Afinal,  por influências predominantemente culturais, muitos enxergam o suicídio como uma fraqueza e, por isso, o ignoram.

Nesse contexto, se você conhece alguém que está enfrentando uma situação semelhante, continue a leitura e veja como prestar auxílio e ajudar a pessoa a ter forças para viver.

Como ajudar alguém que fala em se matar?

Contrariando o senso comum, é possível ajudar de diversas formas. Seja pelo apoio emocional ou pela intervenção profissional, o importante é demonstrar para a pessoa que ela não está sozinha nessa luta.

Para tanto, confira algumas maneiras de ajudar alguém que pensa em se matar.

Não desqualifique a dor do outro

O primeiro aspecto importante é não desqualificar a dor alheia. Ao perceber que alguém próximo perdeu o interesse pela vida, não ignore isso. Considere a hipótese de a pessoa estar em um processo depressivo e que deve ser encaminhada ao tratamento adequado.

Demonstre interesse em ajudar

Mostre-se realmente disposto a ajudar. Tente conquistar a confiança da pessoa a fim de ter uma conversa aberta com ela e incentive-a a falar o que a incomoda. Colocar para fora os sentimentos ruins é uma forma de livrar-se deles e de encontrar uma nova perspectiva de enfrentamento.

Ouça com atenção sem fazer julgamentos

É preciso ter boa percepção  — e bom senso — para manter uma escuta ativa sem fazer julgamentos. Procure aproximar-se da pessoa com calma, ofereça ajuda sem ser invasivo e tente compreendê-la. Deixe claro que você a apoia, mas que nem por isso concorda com as ideias ruins que ela alimenta.

Incentive a pessoa a mudar de postura

Evite deixar o indivíduo sozinho. Mantenha-se presente o máximo que puder e tente convencê-lo a olhar para os problemas e conflitos internos de outra forma. Mudança de pensamento leva a mudança de atitudes e, para superar ideias suicidas, isso é essencial.

Tente ser amigo e fazer a pessoa perceber que ela é importante para alguém. Explique a ela que atentar contra a própria vida não resolverá nada — pelo contrário, provocará a dor e o sofrimento de muitas pessoas que a valorizam.

Como a ajuda profissional pode reverter essa situação?

Quando alguém fala em suicídio, não é raro que as pessoas mais próximas desconfiem se o indivíduo realmente quer se matar ou apenas chamar a atenção. Na verdade, essa pessoa pode estar tentando chamar a atenção para o tamanho da dor que está enfrentando.

Nesses momentos delicados, ter o apoio da família e dos amigos é essencial. No entanto, lidar com pessoas que pensam em se matar não é tão simples assim. A questão é tão séria que exige a atenção de um profissional habilitado nessa área.

Amor, solidariedade e belas palavras ajudam muito, mas nem sempre são o suficiente para salvar alguém. Mediante isso, a ajuda profissional pode motivar a pessoa a olhar a vida por outro ângulo e, assim, encontrar um caminho mais feliz.

Então, a família precisa intervir de modo mais incisivo e conduzir o indivíduo para uma avaliação em um hospital especializado em saúde mental, como é o caso do Hospital Santa Mônica, que possui estrutura completa exclusiva para assistência infantojuvenil e de adultos. Seu diferencial de atendimento é oferecer tratamento conjunto do médico clínico e psiquiatra. Essa é a conduta mais indicada, pois contribui para direcionar o paciente ao tratamento mais adequado.

Logo, prover os cuidados com a saúde mental e estar sempre por perto de alguém que pensa em se matar é fundamental nesses casos. Isso ajuda a pessoa a fortalecer o estado psicológico, a ter uma nova visão da vida e a renovar a esperança em um futuro melhor.

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