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Saúde Mental

Violência contra a mulher: os graves riscos à saúde mental das mulheres e como oferecer ajuda?

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entrevista sobre o assunto para o Programa Viver é Melhor, da Super Rede Boa Vontade de Rádio

A violência contra a mulher acontece sistematicamente no Brasil e no mundo. As agressões acontecem, simplesmente, pelo fato de as vítimas serem do sexo feminino. Ou seja, é uma violência de gênero. Os motivos para esses ataques são diversos — machismo, questões culturais e religiosas, etc.

Além da dor física de sofrer uma agressão, as vítimas também estão suscetíveis a problemas emocionais em decorrência da situação sofrida. Neste artigo da dra. Luciana Mancini Bari, médica do Hospital Santa Mônica, você entenderá melhor o que é a violência contra a mulher, quais são os seus tipos e quais consequências essas experiências podem trazer para a saúde mental da vítima. Continue lendo!

A violência contra a mulher

A violência contra a mulher é “qualquer ação ou conduta, baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto no âmbito público como privado”. Essa definição foi estipulada pela Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher, que aconteceu no Pará, em 1994.

Ela acontece de diversas formas:

  • violência física: é aquela que prejudica a saúde e a integridade corporal da mulher. É praticada com uso de força física;
  • violência psicológica: apesar de não ser visual, é muito extensa. São condutas que causam danos emocionais e diminuição da autoestima. Alguns exemplos são a proibição de trabalhar, de se relacionar com amigos e parentes e até de sair de casa;
  • violência sexual: ocorre quando a mulher é obrigada a presenciar, manter ou participar de relações sexuais não desejadas. Também acontece quando a vítima é obrigada a abortar, a usar anticoncepcionais ou a se prostituir contra a sua vontade;
  • violência patrimonial: é quando são retidos ou destruídos objetos pertencentes a uma mulher, como documentos, instrumentos de trabalho, pertences, bens e recursos econômicos;
  • violência moral: calúnia, difamação, injúria e ofensa à dignidade da mulher são alguns exemplos.

Os dados sobre a violência contra a mulher são assustadores. Segundo o Ministério da Saúde, a cada quatro minutos, uma mulher é agredida por um homem no Brasil. Vale lembrar que esse dado é referente ao número de vítimas que denunciam o crime. Há, ainda, uma grande quantidade de mulheres que, por medo ou vergonha, sofrem violência e não contam a ninguém.

Violência contra a mulher e a pandemia

Os números são ainda maiores quando se trata do ano de 2020, especificamente. A pandemia do novo coronavírus trouxe novos hábitos para a população. O principal deles foi o distanciamento social, que fez com que as pessoas passassem mais tempo em casa — no caso das mulheres, muitas foram obrigadas a conviver mais tempo com o seu agressor.

Em abril, apenas um mês após o início do isolamento social, o número de denúncias de violência contra a mulher cresceu quase 40%, em relação ao mesmo período de 2019. 

O dado mostra que o caso é grave, principalmente, se nós considerarmos que, justamente por causa do isolamento social, muitas vítimas não conseguem denunciar os seus agressores, por estar impossibilitadas de sair de casa ou por não ter um momento de privacidade.

Os graves riscos à saúde mental das mulheres

A violência contra a mulher põe em grande risco a saúde mental das vítimas. Isso acontece por diversos motivos. Além da agressão psicológica, que diminui a sua autoestima, a mulher que é privada de relações saudáveis pode sofrer com ansiedade e depressão. A violência também pode causar na vítima o sentimento de culpa ou vergonha.

Veja, a seguir, algumas condições que as mulheres vítimas de violência estão mais propensas a desenvolver.

Ansiedade

O medo, a preocupação e o estresse aos quais a mulher está sujeita quando sofre violência podem desencadear um quadro de ansiedade. Quando isso acontece, a paciente tem a sua qualidade de vida prejudicada.

Os transtornos de ansiedade são divididos em três tipos e qualquer um deles pode afetar as vítimas: ansiedade generalizada, síndrome do pânico e fobias específicas. Os sintomas são: irritabilidade, nervosismo, tensão muscular e dores, dificuldade de concentração, cansaço constante e insônia.

Depressão

A baixa autoestima, a falta de convívio social e a culpa, junto a outros sentimentos trazidos por situações de violência, podem levar à depressão. A doença é causada pela desregulação de alguns neurotransmissores.

Entre os sintomas estão tristeza profunda, falta de motivação, insônia ou sono em excesso, ganho de peso, perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas, angústia, medo e pensamentos suicidas.

Estresse pós-traumático

O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) acomete pessoas que sofreram ou foram testemunhas de situações traumáticas, como é o caso da violência contra a mulher. Quando a vítima recorda essas experiências, algumas reações são desencadeadas, tanto no corpo quanto na mente.

Alguns sintomas são: taquicardia, suor excessivo, irritabilidade, distúrbios do sono, pesadelos, pensamentos recorrentes que remetem ao trauma, isolamento social e rejeição de atividades que possam trazer lembranças sobre a vivência negativa.

Abuso de álcool e outras drogas

O alcoolismo e a dependência química estão associados a uma série de fatores, como a predisposição genética, normas sociais, etc. As condições psicológicas do indivíduo estão entre eles. As pessoas que sofrem violência de gênero são fragilizadas emocionalmente, principalmente, quando as agressões partem de pessoas próximas.

O álcool e outras drogas podem ser buscados pelas vítimas como forma de consolo ou para tirar o foco do pensamento da agressão. Esse comportamento é arriscado e coloca a mulher em risco de desenvolver a dependência química e outras doenças que surgem como consequência do abuso dessas substâncias.

Como oferecer ajuda

O primeiro passo para ajudar uma mulher que sofre de violência é se mostrar disponível. Ofereça-se para recebê-la ou para cuidar dos seus filhos em casos de emergência. Indique sua casa como ponto de segurança e diga que está disposto a ouvi-la.

Também é importante que a relação de vocês vá além do abuso que ela sofre. Não deixe que todas as conversas girem em torno desse assunto. Lembre-a de que ela é inteligente, legal, amiga, fale sobre suas qualidades e não deixe que se esqueça de si mesma.

Já se você presenciar uma violência enquanto ela acontece, o melhor a fazer é chamar a polícia. Se a agressão estiver acontecendo no seu condomínio e você não souber em que apartamento, chame o síndico, ligue para a portaria ou entre em contato com a administração.

A violência contra a mulher coloca em risco tanto a sua integridade física como mental. As agressões têm consequências graves, que podem favorecer o desenvolvimento de transtornos mentais e até levar ao suicídio da vítima.

O Hospital Santa Mônica é especializado no cuidado da saúde mental. Nós contamos com equipes multidisciplinares, emergência psiquiátrica e infraestrutura completa para o tratamento de diversas questões emocionais. Entre em contato conosco e saiba como podemos ajudar!

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