Histórias de Recuperação

Dependência química: “Eu comecei aos 15 anos. Cheguei ao crack. Hoje sou psicólogo e ajudo outros a recomeçar”

Erick iniciou o uso de substâncias ainda na adolescência. Em pouco mais de uma década, percorreu praticamente toda a progressão da dependência química — do cigarro ao crack — com perdas significativas em todas as áreas da vida. Após recaídas, tratamento prolongado e mudança de propósito, reconstruiu sua trajetória. Hoje, atua como psicólogo e terapeuta em dependência química.

Dependência química · Depoimento: Erick, psicólogo · Leitura: ~9 min

Cristina Collina
Redação
Cristina Collina

Jornalista especializada em saúde mental | MTb 0081755/ SP.

Comunicação em Saúde
RESPOSTA RÁPIDA — o que esse caso mostra na prática
A dependência química é uma doença progressiva, multifatorial e potencialmente fatal. Erick iniciou o uso aos 15 anos, evoluiu para múltiplas drogas e chegou ao crack aos 23, com perda total de controle. Após tratamento intensivo e acompanhamento contínuo, alcançou recuperação sustentada e reinserção social completa — incluindo formação superior e atuação profissional na área.
15 anos
início do uso (cigarro)  
16 anos
álcool e maconha  
18
Cocaína e posteriormente crack  
 27 anos
início do tratamento efetivo  

Início precoce: o principal fator de risco

O primeiro ponto crítico da história de Erick é a idade de início.

Aos 15 anos, começou com cigarro — em um ambiente onde o consumo era normalizado por pares e familiares.

Pouco tempo depois, vieram:

“Começou como algo social.” – Erick, psicólogo especializado em dependência química

Esse padrão é clássico: início precoce + contexto permissivo aumentam significativamente o risco de dependência.

Progressão silenciosa: quando o uso deixa de ser recreativo

A mudança mais importante não foi a substância — foi a função do uso.

O consumo passou de recreativo para cotidiano:

  • antes da escola
  • durante o trabalho
  • à noite

“Eu usava para tudo.” – Erick

Esse é um marcador clínico relevante: quando a substância passa a regular o funcionamento do dia.

Poliuso: aumento de risco e gravidade

Aos 18 anos, Erick iniciou o uso de cocaína — ponto de inflexão na trajetória.

A partir daí, houve poliuso (uso de múltiplas substâncias):

Esse padrão aumenta:

  • risco de dependência severa
  • prejuízo cognitivo
  • instabilidade emocional
  • comportamento de risco

Impactos funcionais: quando a vida começa a colapsar

Com a progressão do uso, os prejuízos se tornaram evidentes:

Profissionais

  • faltas recorrentes
  • queda de desempenho
  • perda do emprego

Acadêmicos

  • abandono dos estudos

Sociais

  • afastamento de vínculos saudáveis
  • aproximação de ambientes de risco

Comportamentais

  • envolvimento com pequenos furtos
  • perda de limites pessoais

Aqui, a dependência já se configura como doença instalada.

Crack: o ponto de maior gravidade

Aos 23 anos, Erick iniciou o uso de crack.

Esse momento marca uma mudança qualitativa:

  • uso mais compulsivo
  • ciclos mais rápidos de craving
  • maior risco de deterioração social

“O objetivo era só conseguir mais droga.” – Erick

Nesse estágio, a substância passa a organizar completamente o comportamento.

O papel da família: informação muda desfecho

Enquanto Erick se agravava, os pais buscaram ajuda.

Participaram de grupos de apoio para familiares — um ponto decisivo.

Isso trouxe:

  • compreensão da dependência como doença
  • mudança na abordagem familiar
  • maior assertividade na condução do tratamento

Famílias informadas aumentam significativamente as chances de adesão ao tratamento.

Primeira intervenção: melhora inicial e recaída

A primeira internação ocorreu aos 27 anos.

Houve melhora inicial, com ganho de confiança e reinserção parcial em atividades.

Mas sem estrutura suficiente, ocorreu recaída.

Um episódio emblemático: uso de inalantes durante atividade externa, seguido de acidente grave (queda de altura).

Esse tipo de comportamento evidencia:

  • impulsividade
  • baixa percepção de risco
  • vulnerabilidade clínica

Recaída: parte do processo, não fracasso

Após o acidente, Erick abandonou o tratamento e voltou ao uso de crack.

Esse ponto é importante do ponto de vista clínico:

A recaída não invalida o tratamento — ela sinaliza necessidade de ajuste na abordagem.

O turning point: quando há adesão real

A mudança ocorreu quando Erick procurou espontaneamente os pais.

Dessa vez, houve aceitação genuína do tratamento.

“Eu aceitei ajuda.” – Erick

Esse é um dos principais preditores de sucesso terapêutico: adesão.

Tratamento prolongado: tempo como fator terapêutico

Erick permaneceu cerca de 9 meses em tratamento.

Esse período permitiu:

  • desintoxicação completa
  • estabilização emocional
  • reestruturação cognitiva
  • construção de rotina

Além disso, permaneceu como voluntário após a alta — prolongando o vínculo terapêutico.

O diferencial: construção de propósito

O ponto mais relevante deste case não é apenas a abstinência — é a mudança de identidade.

Durante o tratamento, Erick teve contato com formação em terapia comunitária.

“Isso mudou minha forma de ver o mundo.”

A partir daí:

  • iniciou estudos formais
  • desenvolveu interesse pela área
  • construiu projeto de vida

Propósito é um dos fatores mais fortes de proteção contra recaída.

Reinserção completa: educação, carreira e estabilidade

Após o tratamento, Erick:

  • concluiu o ensino médio
  • ingressou na graduação em Psicologia
  • especializou-se em dependência química
  • iniciou atuação profissional

Hoje:

  • atua como psicólogo
  • trabalha com pacientes em recuperação
  • segue em formação (neuropsicologia)

Reconstrução pessoal

Além da carreira, reconstruiu:

  • vínculos familiares
  • relacionamento afetivo
  • estabilidade financeira
  • autonomia

Esse conjunto caracteriza recuperação sustentada.

Fatores-chave para a recuperação

A trajetória de Erick evidencia pilares fundamentais:

  • início de tratamento estruturado
  • suporte familiar ativo
  • permanência prolongada em tratamento
  • participação em grupos (12 passos)
  • construção de propósito

Mensagem de quem viveu o processo

Erick resume sua trajetória com clareza:

A dependência química destrói — mas o tratamento pode reconstruir.

E, em alguns casos, transformar completamente a história.

Contexto clínico — equipe do Hospital Santa Mônica
Programa de Dependência Química · Reabilitação e Projeto de Vida “A dependência química apresenta início precoce em grande parte dos casos e evolução progressiva. O tratamento eficaz envolve não apenas a interrupção do uso, mas a reconstrução da funcionalidade, vínculos sociais e propósito de vida — fatores essenciais para prevenir recaídas.”
Você ou alguém próximo está passando por algo parecido? O Hospital Santa Mônica oferece tratamento completo para dependência química, com foco em recuperação sustentada e reinserção social. ☎️  (11) 4668-7455 — Fale conosco agora →  Saiba mais sobre tratamento para dependência química:  Dependência Química – Internação Hospital Santa Mônica

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