Psiquiatria Transtorno Mental

Parar de tomar remédio psiquiátrico: quais são os riscos de interromper o tratamento?

Publicado originalmente em: 27 de outubro de 2021
Atualizado em: 26 de agosto de 2026

Tempo de leitura: 8 minutos

Resposta rápida: parar de tomar um medicamento psiquiátrico por conta própria pode causar sintomas de retirada, retorno ou piora dos sintomas do transtorno tratado e, dependendo do medicamento, complicações potencialmente graves. A interrupção deve ser planejada com o médico, porque a necessidade e a velocidade da redução da dose variam conforme o medicamento, a dose, o tempo de uso, o diagnóstico e as características de cada paciente.

Não existe um único esquema de interrupção que sirva para todos os medicamentos psiquiátricos.

Antidepressivos, benzodiazepínicos, antipsicóticos e estabilizadores do humor apresentam características diferentes e precisam ser avaliados individualmente. Por isso, não é recomendado reduzir a dose, pular doses ou interromper o tratamento por conta própria.

O que acontece se eu parar de tomar um remédio psiquiátrico de repente?

A interrupção abrupta pode provocar diferentes consequências, dependendo do medicamento utilizado.

Entre os possíveis efeitos estão:

  • sintomas de retirada ou descontinuação;
  • retorno dos sintomas do transtorno tratado;
  • piora do quadro psiquiátrico;
  • efeito rebote, em alguns medicamentos;
  • ansiedade ou irritabilidade;
  • alterações do sono;
  • tontura;
  • náusea;
  • dor de cabeça;
  • alterações de humor;
  • tremores;
  • sudorese;
  • palpitações;
  • alterações sensoriais;
  • e, em situações específicas, sintomas graves, como convulsões.

Por isso, a decisão de interromper um psicofármaco deve ser feita em conjunto com o profissional que acompanha o paciente.

O Ministério da Saúde orienta, por exemplo, que antidepressivos sejam tomados conforme prescrição e que o tratamento só seja interrompido sob orientação médica. A recomendação também é avaliar conjuntamente os riscos e benefícios antes da interrupção e monitorar o paciente após a redução.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também recomenda redução gradual dos antidepressivos e acompanhamento dos sintomas durante a retirada. Para a maioria dos antidepressivos, a OMS orienta redução progressiva por pelo menos quatro semanas, podendo ser necessário um período maior em algumas pessoas.

Todo remédio psiquiátrico precisa de desmame?

Não.

Essa é uma das principais informações que precisam ser esclarecidas.

“Remédio psiquiátrico” é uma expressão que reúne medicamentos muito diferentes entre si. A estratégia de interrupção depende do princípio ativo, da dose, do tempo de uso, da indicação clínica e da resposta do paciente.

Alguns medicamentos precisam ser reduzidos gradualmente para diminuir o risco de sintomas de retirada. Em outros casos, a decisão e a velocidade da interrupção dependem principalmente do risco de retorno ou agravamento da doença.

Por isso, não existe uma receita universal de desmame para medicamentos psiquiátricos.

O NICE — National Institute for Health and Care Excellence, órgão britânico que produz diretrizes clínicas baseadas em evidências — recomenda que medicamentos associados a sintomas de retirada sejam reduzidos de maneira planejada e individualizada, considerando as características do paciente e do medicamento.

Parar antidepressivo de repente faz mal?

Pode fazer.

Antidepressivos podem provocar sintomas de descontinuação quando são interrompidos abruptamente ou quando a dose é reduzida rapidamente.

A OMS descreve sintomas como:

  • tontura;
  • formigamento;
  • ansiedade;
  • irritabilidade;
  • cansaço;
  • dor de cabeça;
  • náusea;
  • alterações do sono.

Esses sintomas costumam ser leves e autolimitados, mas podem ser mais intensos em algumas pessoas, especialmente quando o medicamento é interrompido de maneira abrupta.

A OMS recomenda que, para tricíclicos e para a maioria dos antidepressivos ISRS, a dose seja reduzida gradualmente por pelo menos quatro semanas, embora algumas pessoas possam precisar de um período maior. A fluoxetina, por suas características farmacológicas, pode apresentar um perfil diferente de retirada.

O Ministério da Saúde também orienta a redução gradual quando chega o momento de interromper o antidepressivo. Em sua Linha de Cuidado para depressão, recomenda avaliar riscos e benefícios e, quando indicada a interrupção, reduzir a dose gradativamente e monitorar a recorrência dos sintomas.

A síndrome de retirada é a mesma coisa que recaída?

Não.

Essa diferença é fundamental.

Sintomas de retirada

São sintomas relacionados à redução ou interrupção do medicamento. Podem aparecer pouco tempo depois da redução da dose e, em alguns casos, incluem manifestações que não faziam parte do quadro original, como tontura, náusea, alterações sensoriais ou sensação semelhante a choques elétricos.

Recaída

É o retorno dos sintomas do transtorno que estava sendo tratado.

Uma pessoa que interrompe um antidepressivo, por exemplo, pode apresentar sintomas de retirada ou pode voltar a apresentar sintomas de depressão. As duas situações podem ser confundidas.

Por isso, a avaliação médica é importante para determinar o que está acontecendo e qual é a conduta mais adequada.

A APA — American Psychiatric Association — discutiu recentemente justamente essa dificuldade. Em material publicado em 2025 sobre retirada de antidepressivos, especialistas da associação destacaram que as orientações formais existentes sobre velocidade e tamanho das reduções ainda são pouco específicas. A recomendação geral é fazer a retirada gradualmente, mas a estratégia precisa ser individualizada.

Parar antidepressivo significa que a doença vai voltar?

Não necessariamente.

A interrupção não significa automaticamente que haverá uma recaída. Porém, o risco de recorrência precisa ser considerado antes de decidir pelo fim do tratamento.

A OMS recomenda que, em adultos com depressão moderada a grave que responderam ao antidepressivo, o tratamento seja mantido por pelo menos seis meses após a remissão, com acompanhamento regular.

O Ministério da Saúde recomenda, em geral, manter o antidepressivo por 6 a 9 meses após a resolução dos sintomas. Para pacientes com fatores de risco para recaída, a orientação pode ser manter o tratamento por pelo menos dois anos.

A APA também informa que psiquiatras costumam recomendar a manutenção do antidepressivo por seis meses ou mais depois da melhora dos sintomas, podendo indicar tratamento prolongado para pessoas com maior risco de novos episódios.

Portanto, sentir-se bem não significa necessariamente que o tratamento terminou.

A melhora pode ser justamente resultado do tratamento que está sendo realizado.

Posso parar o antidepressivo quando estiver me sentindo melhor?

Não sem conversar com o médico.

O momento adequado para interromper o medicamento depende de vários fatores, como:

  • diagnóstico;
  • número de episódios anteriores;
  • gravidade do quadro;
  • duração da remissão;
  • risco de recaída;
  • histórico familiar;
  • resposta ao tratamento;
  • efeitos adversos;
  • preferência do paciente.

No caso da depressão, o Ministério da Saúde recomenda avaliar riscos e benefícios da interrupção depois de um período de estabilidade clínica e, quando a decisão for pela suspensão, fazer a redução gradualmente e acompanhar o paciente.

A OMS também recomenda acompanhamento durante o tratamento e atenção à adesão, aos sintomas e aos efeitos adversos.

Parar ansiolítico de repente é perigoso?

Alguns ansiolíticos exigem atenção especial, principalmente os benzodiazepínicos.

Medicamentos dessa classe podem causar dependência física quando utilizados de maneira contínua e, por isso, sua retirada deve ser planejada.

A OMS recomenda que a retirada dos benzodiazepínicos seja realizada de maneira gradual. A organização alerta que uma síndrome de abstinência grave pode ocorrer quando esses medicamentos são interrompidos abruptamente e, em situações graves, pode ser necessária avaliação especializada e hospitalização.

Entre os sintomas de abstinência podem estar:

  • ansiedade intensa;
  • insônia;
  • tremores;
  • irritabilidade;
  • sudorese;
  • palpitações;
  • alterações da percepção;
  • agitação;
  • e convulsões em casos graves.

O NICE também recomenda que medicamentos associados a dependência ou sintomas de retirada sejam reduzidos gradualmente e com acompanhamento.

Por isso, benzodiazepínicos nunca devem ser interrompidos abruptamente sem orientação médica.

Antidepressivo causa dependência?

Antidepressivos não são considerados medicamentos que causam dependência.

Essa informação consta na Linha de Cuidado do Ministério da Saúde para depressão. O documento orienta, entretanto, que eles sejam utilizados diariamente conforme prescrição e que o tratamento seja interrompido somente sob orientação médica.

Isso não significa que a retirada seja sempre simples.

Uma pessoa pode apresentar sintomas de descontinuação mesmo sem ter desenvolvido dependência.

Por isso, é importante não usar “dependência”, “abstinência” e “sintomas de retirada” como se fossem sinônimos.

Qual é a diferença entre dependência e sintomas de retirada?

Dependência física significa que o organismo passou a se adaptar à presença de determinada substância e pode apresentar sintomas quando ela é retirada.

Sintomas de retirada ou descontinuação são manifestações que podem aparecer após reduzir ou interromper determinados medicamentos.

Transtorno por uso de substâncias, por sua vez, é uma condição clínica específica, caracterizada por um padrão problemático de uso.

Esses conceitos não são equivalentes.

No caso dos antidepressivos, por exemplo, pode haver síndrome de descontinuação sem que isso signifique que o paciente desenvolveu dependência.

Já os benzodiazepínicos apresentam risco conhecido de dependência física e síndrome de abstinência, especialmente com uso prolongado. A OMS destaca esse risco e recomenda limitar o uso e realizar a retirada de maneira gradual.

E se o remédio estiver causando efeitos colaterais?

Não interrompa por conta própria.

Avise o médico que acompanha o tratamento.

Dependendo do efeito adverso, o profissional pode:

  • ajustar a dose;
  • alterar o horário de administração;
  • trocar o medicamento;
  • modificar a combinação terapêutica;
  • acompanhar a evolução do efeito;
  • ou planejar uma retirada gradual.

A decisão deve considerar o equilíbrio entre benefícios, efeitos adversos, riscos da interrupção e alternativas terapêuticas.

A OMS recomenda que o tratamento seja individualizado e que possíveis efeitos adversos sejam monitorados.

O que fazer se eu esqueci uma dose?

Depende do medicamento.

Não existe uma regra universal para todos os psicofármacos.

Não é recomendado simplesmente dobrar a próxima dose para compensar uma dose esquecida sem verificar a orientação específica do medicamento.

Consulte a bula e, se tiver dúvida, converse com o médico ou farmacêutico.

Se esquecer doses com frequência, informe a equipe que acompanha o tratamento. Isso pode ser importante para avaliar dificuldades de adesão e a própria estratégia terapêutica.

E se eu não quiser mais tomar o medicamento?

Essa decisão deve ser discutida com o profissional responsável.

O paciente tem direito de participar das decisões sobre seu tratamento e de esclarecer dúvidas sobre benefícios, efeitos adversos, alternativas e duração prevista da terapia.

Uma conversa com o psiquiatra pode ajudar a responder perguntas como:

  • Por que preciso continuar tomando o medicamento?
  • Por quanto tempo ele deve ser mantido?
  • Quais são os riscos de interromper agora?
  • Estou tendo efeitos colaterais?
  • Existe outra opção de tratamento?
  • Como seria uma eventual redução da dose?
  • Como saberemos se os sintomas estão voltando?

A decisão compartilhada é particularmente importante porque a estratégia de retirada deve considerar tanto as evidências científicas quanto as características e preferências do paciente.

Como é feita a interrupção segura de um medicamento psiquiátrico?

Não existe um único protocolo.

Quando a interrupção é indicada, o médico pode estabelecer um plano que considere:

1. Avaliação clínica

É preciso verificar se o paciente está estável e se o momento é adequado para considerar a retirada.

2. Revisão do medicamento

São avaliados o princípio ativo, dose, tempo de uso, características farmacológicas e possíveis interações com outros medicamentos.

3. Definição da velocidade de redução

Quando a redução gradual é indicada, a dose é diminuída em etapas.

O ritmo pode variar de acordo com a resposta do paciente.

4. Monitoramento

Durante o processo, é importante observar tanto sintomas de retirada quanto sinais de retorno do transtorno.

5. Ajustes

Se surgirem sintomas importantes, o médico pode modificar o plano.

O NICE recomenda justamente essa abordagem individualizada para medicamentos associados a sintomas de retirada.

A OMS também orienta que os pacientes sejam informados previamente sobre a possibilidade de sintomas de descontinuação e que sejam monitorados durante a retirada.

Quanto tempo demora para fazer o desmame de um remédio psiquiátrico?

Não existe um prazo único.

O tempo depende do medicamento, da dose, do período de utilização, da velocidade de redução e da resposta de cada pessoa.

Para antidepressivos, a OMS indica redução gradual por pelo menos quatro semanas para tricíclicos e a maioria dos ISRS, mas algumas pessoas podem precisar de mais tempo.

O NICE também recomenda que a retirada seja individualizada e que o ritmo possa ser ajustado conforme os sintomas apresentados pelo paciente.

Portanto, não é seguro utilizar na internet uma tabela genérica de desmame para decidir sozinho quanto reduzir ou em quanto tempo parar.

O que acontece se eu parar antipsicótico?

A interrupção de antipsicóticos exige avaliação médica porque pode aumentar o risco de retorno ou agravamento dos sintomas do transtorno tratado.

A decisão depende do diagnóstico, do histórico de episódios, do tempo de estabilidade, do medicamento utilizado e de outros fatores clínicos.

Por isso, pessoas que utilizam antipsicóticos para condições como esquizofrenia ou outros transtornos psicóticos não devem interromper o medicamento sem acompanhamento especializado.

A OMS destaca a importância do acompanhamento e do monitoramento de sinais precoces de recaída quando a retirada de medicamentos antipsicóticos é considerada.

E os estabilizadores do humor?

Também não existe uma regra única.

Medicamentos utilizados como estabilizadores do humor podem fazer parte do tratamento de transtornos como o transtorno bipolar. A interrupção precisa considerar o risco de novos episódios e a função daquele medicamento no plano terapêutico.

Em pessoas com transtorno bipolar, por exemplo, a OMS diferencia o papel de antidepressivos e estabilizadores do humor e recomenda que decisões sobre o tratamento sejam tomadas considerando a evolução clínica.

Por isso, não se deve aplicar ao estabilizador do humor o mesmo esquema utilizado para um antidepressivo ou benzodiazepínico.

Quando procurar atendimento médico imediatamente?

Alguns sinais exigem avaliação rápida, especialmente após redução ou interrupção de um medicamento.

Procure atendimento de urgência diante de:

  • pensamentos ou comportamento suicida;
  • risco de machucar a si próprio ou outra pessoa;
  • confusão mental intensa;
  • alucinações;
  • convulsões;
  • agitação intensa;
  • perda importante do controle do comportamento;
  • piora psiquiátrica acentuada;
  • sintomas graves após interrupção abrupta de um medicamento.

Em uma emergência de saúde mental, procure um serviço de pronto atendimento ou emergência. Em situações de risco imediato, acione o SAMU pelo telefone 192.

O que as principais organizações de saúde recomendam?

As recomendações de diferentes instituições convergem em um ponto fundamental: a interrupção de medicamentos psiquiátricos deve ser planejada e acompanhada, e não realizada por conta própria.

Ministério da Saúde

Orienta que antidepressivos sejam utilizados conforme prescrição e que o tratamento seja interrompido somente sob orientação médica. Quando a interrupção é indicada, recomenda redução gradual e monitoramento para identificar possível recorrência dos sintomas.

Organização Mundial da Saúde (OMS)

Recomenda redução gradual dos antidepressivos e monitoramento de sintomas de retirada. Para benzodiazepínicos, recomenda retirada planejada e gradual, alertando para o risco de abstinência grave em caso de interrupção abrupta.

American Psychiatric Association (APA)

A APA reconhece a necessidade de redução gradual dos antidepressivos para minimizar sintomas de retirada. Em discussão publicada pela própria associação em 2025, especialistas destacaram que ainda existem lacunas nas evidências sobre a velocidade ideal e o tamanho de cada redução, reforçando a necessidade de individualizar o processo.

NICE

Recomenda uma abordagem individualizada para a retirada de medicamentos associados a sintomas de abstinência ou descontinuação, com redução planejada, acompanhamento e ajustes conforme a resposta do paciente.

Associação Brasileira de Psiquiatria

A ABP é uma referência profissional da psiquiatria brasileira e deve ser consultada quando houver diretrizes, consensos ou posicionamentos específicos aplicáveis ao medicamento ou transtorno abordado. Entretanto, não é adequado atribuir à ABP um protocolo universal de “desmame de remédios psiquiátricos” sem uma recomendação institucional específica para isso.

Perguntas mais frequentes sobre medicações psiquiátricas

Posso parar de tomar antidepressivo sozinho?

Não é recomendado. A interrupção abrupta pode causar sintomas de descontinuação e, dependendo do quadro clínico, aumentar o risco de retorno dos sintomas. O Ministério da Saúde orienta que a interrupção seja feita sob orientação médica.

Parar antidepressivo causa abstinência?

Pode causar sintomas de retirada ou descontinuação. Isso não significa necessariamente que a pessoa tenha desenvolvido dependência. A intensidade e a duração variam conforme o medicamento e o paciente.

Antidepressivo causa dependência?

O Ministério da Saúde informa que antidepressivos não causam dependência. Entretanto, alguns pacientes podem apresentar sintomas de descontinuação quando o medicamento é interrompido ou reduzido rapidamente.

Parar ansiolítico de repente pode causar convulsão?

Alguns benzodiazepínicos podem causar síndrome de abstinência grave quando interrompidos abruptamente, incluindo convulsões. A retirada deve ser planejada e gradual.

Quanto tempo dura a abstinência de antidepressivo?

Não existe uma duração única. Algumas pessoas apresentam sintomas leves e passageiros, enquanto outras podem ter sintomas mais prolongados. A evolução depende do medicamento, dose, tempo de uso e características individuais.

Posso parar o remédio porque já estou me sentindo bem?

Não sem conversar com o médico. A melhora pode ser resultado do tratamento, e o tempo necessário para mantê-lo depende do diagnóstico e do risco de recaída.

Todo remédio psiquiátrico precisa de desmame?

Não. A estratégia depende do medicamento e da condição tratada. Alguns exigem redução gradual; outros precisam de avaliação individual para determinar a melhor forma de interrupção.

Posso reduzir a dose sozinho?

Não é recomendado. A redução precisa considerar o medicamento, a dose, o tempo de uso e a resposta clínica. Não utilize tabelas de desmame encontradas na internet sem avaliação médica.

O que fazer se comecei a passar mal depois de reduzir o medicamento?

Entre em contato com o profissional que acompanha seu tratamento. Dependendo dos sintomas, pode ser necessário ajustar o ritmo da redução ou avaliar se os sintomas representam retirada, retorno da doença ou outra condição clínica.

Parar o medicamento não deve significar parar o cuidado

A decisão de interromper um medicamento psiquiátrico pode fazer parte do tratamento. O ponto principal é como e quando essa decisão é tomada.

Não existe uma regra segundo a qual uma pessoa precisa tomar medicamentos psiquiátricos para sempre. Da mesma forma, não existe uma regra segundo a qual o medicamento deve ser interrompido assim que os sintomas melhoram.

O tratamento precisa ser reavaliado ao longo do tempo, considerando benefícios, efeitos adversos, risco de recaída, diagnóstico, histórico clínico e preferências do paciente.

Quando a interrupção é indicada, ela deve ser planejada com a equipe de saúde.

Nunca interrompa um medicamento psiquiátrico abruptamente por conta própria.

No Hospital Santa Mônica, a avaliação em saúde mental considera as necessidades individuais de cada paciente, com acompanhamento médico e multiprofissional de acordo com o quadro clínico.

Se você ou alguém da sua família está pensando em interromper um tratamento psiquiátrico ou apresenta dificuldades com o uso de medicamentos, procure orientação profissional.

Referências

World Health Organization — Duration of antidepressant treatment. Recomendação de manutenção do tratamento após remissão em adultos com depressão moderada a grave.

Ministério da Saúde — Linha de Cuidado: Depressão no adulto. Orientações sobre tratamento farmacológico, duração do tratamento e interrupção gradual dos antidepressivos.

Organização Mundial da Saúde (OMS) — mhGAP Intervention Guide. Recomendações sobre retirada de antidepressivos e manejo de sintomas de descontinuação.

Organização Mundial da Saúde (OMS) — Management of drug withdrawal. Orientações sobre retirada de benzodiazepínicos e risco de síndrome de abstinência grave.

American Psychiatric Association (APA). Informações sobre manutenção do tratamento antidepressivo e discussão recente sobre retirada de antidepressivos.

NICE — Medicines associated with dependence or withdrawal symptoms. Diretrizes sobre prescrição segura e retirada de medicamentos associados a sintomas de abstinência ou descontinuação.

12 Comentários em “Parar de tomar remédio psiquiátrico: quais são os riscos de interromper o tratamento?”

  • Genildo machado

    diz:

    minha esposa está tomando remédio para depressão e anciedade porém ela está inchando as pernas e o rosto o quê devemos fazer ?

    • Mônica

      diz:

      Olá Genildo, seria importante conversar com o médico que está tratando sua esposa, pois ele saberá quais são as medicações indicadas e se for o caso, poderá medir alguns exames de sangue para avaliar.

  • Isaete Gomes da Silva

    diz:

    Quero ajudar parei de tomar os medicamentos que tava mim fazendo mal e estou sentindo muita tontura e coração acelerado e calar excessivo.

    • Mônica

      diz:

      Olá Isaete, seguem nossos contatos, ligue para o HSM que poderemos orientá-la
      (011) 99667-7454
      (011) 99534-4287

  • Simone Ramos de Araujo

    diz:

    Fiquei três dias sem a medicação desvenlafaxina, na hora de dormir tive alucinação e não conseguia acordar.
    Quando consegui acordar fui correndo tomar a medicação,dividi o remédio em duas partes.
    Tomava 50mg e apartir de agora quero diminuir.

  • Silvana

    diz:

    Olá, tenho uma filha adolescente com quadro grave de depressão. Ficamos um ano em atendimento pelo plano de saúde, não tivemos melhora com a medicação Maxaparan. Recentemente busquei uma psiquiatra particular, relatei todo o ocorrido ela entrou com a medicação Risperidona, Esc, Torval. Após 20 dias notei que um dos remédios estavam piorando ela, avisei a psiquiatra ela retirou o Riss e trocou o Torval pelo Divalcon ER. Depois disso foi só ladeira abaixo, crises todo dia, quer se matar, tá ansiosa, falta de ar, batendo a cabeça, comportamentos inadequados, excesso de atenção. Estou vivendo um pesadelo com minha filha depois desses remédios. O que pode ter acontecido de errado?

    • Mônica

      diz:

      Olá Silvana, já pensou em internação? A internação é recomendada quando o paciente pode se colocar em risco. Infelizmente não podemos avaliar a condução clínica dela, porque teríamos que conhecer todo o histórico, mas se está em dúvida, por que não procura um outro psiquiatra especializado em infantojuvenil?

      • Yara Xavier

        diz:

        Eu tomo há 3 anos o donaren 50 mg . Consultando recente, com outro médico, ele aumentou a dosagem pra 150 mg. Eu já não estava me sentindo bem anteriormente, piorou a situação. Tenho tontices, náuseas, fraqueza, dor muscular e batimentos acelerados. E por conta própria, estou diminuindo a dosagem. Ressalto que lendo a bula, constatei que sinto todos os sintomas colaterais. O remédio em vez de estar ajudando, está piorando meu estado de leve depressão. O que fazer, além de procurar um médico.?

        • Olá Yara, sim, você deve procurar o seu médico novamente uma vez que você alterou a dose sem o acompanhamento dele, abraço

    • Joa

      diz:

      Cuide da sua filha, de amor e busque tratamentos alternativos

  • Silvana

    diz:

    Qnd c para um antidepressivo de maneira brusca por 3 vezes.e volta a tomar ele.é possível que ele deixa d fazer efeito?

    • Mônica

      diz:

      Olá Silvana, Não, os antidepressivos não apresentam o chamado efeito de tolerância. A tolerância ocorre quando, após a administração repetida de determinada droga, há necessidade de doses progressivamente maiores para se obterem os efeitos desejados com o uso inicial da droga.

Comentários estão fechados.

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