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Depressão resistente: conheça o tratamento inovador com Escetamina spray nasal

Depressão resistente e ideação suicida são duas expressões que estão interligadas. São várias as razões para essa relação, e neste texto a dra. Luciana Mancini Bari, coordenadora de práticas médicas do Hospital Santa Mônica explica o significado e as causas desses termos psiquiátricos.

Além disso, você verá que já existe um tratamento muito inovador e eficaz — o medicamento Escetamina spray Nasal — que traz qualidade de vida mesmo diante de ideação suicida para quem sofre de depressão resistente a medicamentos. Veja, ainda, o modo inusitado de usar o remédio e como alcançar o melhor efeito esperado. Boa leitura!

O que é depressão resistente?

A depressão resistente ao tratamento também é conhecida como depressão não responsiva ou refratária. Ela acontece quando, após o tratamento com classes diferentes de antidepressivos em doses terapêuticas, o paciente não apresenta melhora.

O que é ideação suicida?

Também chamada de pensamentos suicidas, é quando o indivíduo reflete frequentemente sobre suicídio ou planeja, de fato, se matar — indo desde uma consideração passageira até a criação de um plano detalhado. Ou seja, a ideação não inclui o ato de se suicidar, significando que o paciente poderá buscar ajuda psiquiátrica antes de efetivar o ato.

Quando esses diagnósticos acontecem, é de fundamental importância ter um tratamento eficiente, evitando que uma pessoa que não sente melhora na depressão, mesmo com medicamentos (depressão resistente), tire a própria vida.

Qual é a relação entre esses dois conceitos?

Entenda o comportamento suicida e as teorias da psicologia para o ato.

Significado de comportamento suicida

O suicídio é o desfecho indesejável de um fenômeno complexo devido a vários fatores. O Estudo de Intervenção no Comportamento Suicida da Organização Mundial de Saúde (OMS) demonstrou que a ideação suicida é fortemente associada a sintomas de depressão, sobretudo na falta de energia e humor deprimido. Uma pessoa com Transtorno Depressivo Persistente e ideação suicida costuma usar estas frases:

“Eu gostaria de não ter nascido”.

“Preferiria estar morto”;

“Eu só queria morrer”;

“Vou me matar“.

Diante dessas afirmações, é comum que os parentes pensem que a pessoa “quer chamar a atenção”, mas não é verdade, sobretudo para quem tem depressão severa.

Teorias da psicanálise e da psicologia

Algumas teorias procuram compreender os fatores que levam ao suicídio. A psicanálise elucidou sobre a forma patológica ocorrida na depressão — Freud introduziu duas pulsões, de vida e de morte, existentes em todos nós em menor ou maior grau.

Já a terapia cognitivo-comportamental postula sobre o planejamento suicida: quanto maior for a vontade de morrer e a letalidade do método escolhido, maiores são as chances de a pessoa planejar a própria morte. Por tudo isso, diz-se que uma pessoa com depressão resistente aos medicamentos não tem seus sintomas amenizados, tornando as ideias suicidas mais frequentes.

Quais as causas da resistência aos medicamentos?

Confira o significado desse tipo de resistência e suas causas!

Resistência aos antidepressivos

A resistência ao tratamento antidepressivo é a inexistência de resposta clínica a pelo menos dois medicamentos de classes diferentes, mesmo observando o tempo adequado de uso em sua dose máxima. Certos fatores indicam maiores chances de resistência, como:

  • doença não diagnosticada (hipotireoidismo, diabetes, anemia profunda etc.);
  • baixa resposta aos medicamentos antidepressivos;
  • uso de vários medicamentos para outras doenças;
  • depressão iniciada precocemente;
  • histórico familiar de depressão;
  • viver uma crise existencial;
  • transtornos de ansiedade;
  • sintomas psicóticos etc.

Causas da resistência

As causas da resistência medicamentosa não são completamente conhecidas. Uma das explicações é a alta variabilidade individual da absorção e do destino do fármaco após sua ingestão. Alguns desses obstáculos são, na ordem:

  1. ação do ácido estomacal;
  2. absorção intestinal — comumente afetada pela interação com alimentos e outros medicamentos e pelas características da parede intestinal;
  3. os caminhos que o medicamento percorre após chegar à circulação.

Além disso, existem diferenças individuais quando o medicamento chega ao cérebro — onde os antidepressivos agem. Isso porque eles atuam diretamente nas conexões nervosas, em que se encontram os neurotransmissores serotonina, dopamina e noradrenalina, entre outros. Porém, a produção dessas substâncias e a sensibilidade dos receptores dos neurônios é variável.

Outra explicação é a inexistência ou baixa interação do medicamento ao seu receptor no local de ação, bem como o baixo número de receptores — sítios presentes nas células com capacidade de se ligar ao remédio.

O que fazer quando um tratamento não alcança os resultados esperados?

Quando os fármacos antidepressivos não melhoram a depressão, existem alternativas. Uma delas é a Eletroconvulsoterapia, que complementa o tratamento medicamentoso. Outra acaba de ser aprovada no Brasil: um medicamento Escetamina de uso exclusivo hospitalar . Ele é usado para a depressão que não melhorou com o uso de pelo menos duas classes diferentes de medicamentos antidepressivos.

Como funciona o tratamento com Escetamina?

O tratamento com o novo medicamento utilizado nos Estados Unidos tem ótima resposta terapêutica em pacientes com Transtorno Depressivo Maior com comportamento ou ideação suicida aguda.

Esse fármaco é inovador tanto em sua forma de aplicação — um spray nasal de ação ultrarrápida que facilita a administração em quem tem dificuldades de engolir comprimidos, além de não passar pelo estômago, evitando irritações gástricas, nem ser absorvido pelo intestino —, quanto por seu modo de ação.

Isso porque seu princípio ativo, escetamina, um potente analgésico de uso hospitalar, atua numa área diferente do cérebro se comparado aos outros antidepressivos, cujo modo de ação é equilibrar os níveis de neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar.

Já a escetamina atua nos receptores de glutamato — molécula que melhora as conexões entre os neurônios. Ainda que seja de fato revolucionário, o medicamento deve ser usado em conjunto com outros antidepressivos orais.

Diferentemente deles — cujo efeito observa-se entre 15 a 20 dias, podendo levar a pessoa a parar de tomar remédio psiquiátrico por acreditar “não fazer efeito” —, após a utilização da escetamina, o efeito é observado em 24 horas, o que representa um avanço e tanto, sobretudo para pacientes depressivos com ideação suicida. A farmacêutica-bioquímica Renata Fraia, responsável pelo Portal Saúde com Ciência, afirma:

Para nós farmacêuticos, que entendemos minuciosamente o funcionamento da interação entre fármacos e receptores, esse novo medicamento é tão revolucionário que falta palavras para defini-lo. É como vivenciar, novamente, o surgimento de um potente antidepressivo, criado na década de 80, que ficou conhecida como a era Prozac (Eli Lily), à base de fluoxetina. No entanto, o novo medicamento é muito mais inovador:

  1. Em seu modo de aplicação (forma farmacêutica);
  2. Em como age;
  3. No tempo de resposta satisfatória.

Será um grande marco para a história da psiquiatria e dos medicamentos psicotrópicos.

Neste artigo, você viu que o novo medicamento já é uma realidade com resultados eficazes contra quadros depressivos graves com ou sem ideação suicida. O Hospital Santa Mônica salienta a importância de o paciente ser acompanhado por uma equipe interdisciplinar e experiente, bem como ficar por dentro das abordagens inovadoras.

Agora, o convidamos a entrar em contato conosco para marcar uma consulta com um médico psiquiatra para que você ou um familiar evite crises depressivas ou saia delas!

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