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Transtorno depressivo persistente: entenda a problemática

Um estudo realizado pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais, fez um importante alerta quanto aos problemas emocionais que podem levar ao transtorno depressivo persistente. Os dados apontaram que, na pandemia, o índice de depressão entre os brasileiros ultrapassou 90%.

Tendo isso em vista, a dra. Luciana Mancini Bari, coordenadora médica do Hospital Santa Mônica, irá apresentar valiosas informações sobre essa problemática, cuja prevalência é bem preocupante. Especialistas apontam que uma depressão de mais de dois anos pode ser categorizada como Transtorno Depressivo Persistente. Veja, então, como reconhecer os sinais que indicam a necessidade de buscar ajuda profissional. Aproveite a leitura!

O que significa Transtorno Depressivo Persistente?

Também conhecido por Distimia, o Transtorno Depressivo Persistente (TDP) é um distúrbio mental que afeta pessoas de todas as idades e pode originar, inclusive, a depressão em idosos. Entre outras questões, esse quadro tem seu diagnóstico marcado pela persistência dos sintomas depressivos por mais de dois anos.

Às vezes, os sintomas do TDP se caracterizam por queda persistente do humor, apatia, irritabilidade e desinteresse pelas atividades que antes eram prazerosas. Assim, quando esse quadro se instala, o indivíduo se torna apático, indisposto e perde a vontade de realizar as tarefas do cotidiano. 

Logo, esse é um transtorno emocional muito comum e que impacta, significativamente, a rotina e a qualidade de vida dos pacientes. Mesmo que existam alguns fatores que influenciam o desenvolvimento do TDP, acredita-se que o transtorno seja multicausal. No entanto, o descontrole na ação dos neurotransmissores, o comprometimento neuroendócrino e as questões psicossociais são as hipóteses mais prováveis para o quadro.

Qual a diferença entre Transtorno Depressivo Maior e Transtorno Depressivo Persistente?

Mesmo que tenham semelhanças quanto aos sintomas, o TDP é diferente da depressão maior. Para melhorar a compreensão do tema, destacamos as principais características de cada distúrbio. Veja quais são!

Depressão maior 

O transtorno também é chamado de depressão unipolar devido às suas peculiaridades comportamentais. Esse quadro deixa os pacientes com a aparência triste, com o semblante infeliz, olhos caídos e lacrimejantes e com pouca vontade de interagir socialmente. Além disso, essa postura retraída é facilmente observada pelo desinteresse por se comunicar com outras pessoas. 

No geral, os sinais mais observados nesse transtorno são:

  • olhar cabisbaixo e humor constantemente deprimido; 
  • redução acentuada do interesse pelas atividades importantes, como trabalho ou escola;
  • aumento ou diminuição considerável do apetite;
  • distúrbios do sono;
  • atraso psicomotor observado pelos pais ou professores;
  • relatos de cansaço, fadiga ou perda de energia;
  • sentimentos de inutilidade ou conversas mórbidas;
  • culpa excessiva ou indiferença quanto à não realização das tarefas de sua responsabilidade;
  • dificuldade de memória e de concentração;
  • ideação suicida ou um plano secreto para cometer suicídio.

Transtorno Depressivo Persistente

Esse distúrbio também pode ser chamado de transtorno distímico e é mais comum em indivíduos com tendência à depressão, principalmente nos quadros marcados por crises depressivas de longa duração.

Os pacientes que sofrem com o TDP são melancólicos, mal-humorados, mais propensos ao cultivo de pensamentos negativos e pessimistas. Alguns têm o perfil tipicamente introvertido, passivo, são queixosos e autocríticos. Se não adequadamente tratado, esse transtorno pode levar ao alcoolismo e à adicção em drogas.

Diferentemente da depressão maior, no TDP, alguns sintomas são caracterizados por comportamentos extremos. Observe:

  • perda do apetite ou hábito de comer em excesso;
  • insônia, agitação ou hipersonia;
  • fadiga, cansaço ou hiperatividade;
  • baixa autoestima;
  • dificuldade em tomar decisões
  • sentimentos de desespero;
  • angústia sem causa aparente.

Quais são os grupos de risco para o TDP?

Os fatores psicossociais são considerados como um dos principais determinantes para esse quadro. Entretanto, como os sintomas são parecidos com outros desequilíbrios psicológicos, às vezes, o paciente pode ficar confuso por não reconhecer a gravidade de seu problema. Com isso, alguns até se perguntam: será que estou com depressão ou esses sentimentos negativos são apenas momentâneos?

Para esclarecer essa dúvida, vale destacar que as pessoas mais predispostas aos transtornos de humor estão, geralmente, no grupo de risco. Como acontece com todas as doenças de ordem psicoemocional, o transtorno depressivo persistente também é mais comum em pessoas psicologicamente mais vulneráveis.

Mediante a isso, listamos os grupos que mais apresentam essa problemática. Confira!

Pessoas com histórico de depressão

Quando há confirmação de episódios de depressão recorrentes, há maior risco para a ocorrência de TDP. Isso acontece porque esses pacientes têm maior dificuldade de lidar com os desafios que envolvem as questões emocionais. Logo, esse distúrbio é mais prevalente em indivíduos menos resilientes ou com claras tendências para a ansiedade generalizada.

Classe feminina

No geral, as mulheres apresentam maior risco de prejuízos emocionais por diferentes causas e fatores. Destacamos as possíveis explicações. Veja bem:

  • maior exposição aos problemas familiares e resposta aumentada aos episódios de estresses cotidianos;
  • problemas relacionados à liberação de neurotransmissores considerados importantes para a manutenção do humor;
  • taxas mais elevadas de distúrbios hormonais, como a disfunção tireoidiana;
  • modificações endócrinas relacionadas à menstruação ou menopausa.

Como funciona o diagnóstico do Transtorno Depressivo Persistente?

Em vias gerais, a avaliação diagnóstica dos transtornos depressivos tem como base a identificação dos sintomas e o histórico clínico do paciente. Contudo, os profissionais que atuam nesse ramo também utilizam critérios para diferenciar esses distúrbios, como o nível de comprometimento do funcionamento social, acadêmico ou da carreira profissional.

Sendo assim, a análise para a determinação diagnóstica desse quadro também pode usar outros elementos importantes para o rastreio do problema. Porém, o nível de gravidade do distúrbio precisa ser corretamente identificado. A avaliação diagnóstica é fundamental para que a equipe multidisciplinar adote as condutas mais adequadas ao tratamento.

Como é o tratamento para esse quadro depressivo específico? 

O tratamento para os transtornos dessa natureza podem variar de acordo com o perfil do paciente e o nível de gravidade do quadro, principalmente quando está associado à ansiedade e depressão na pandemia. Independentemente da causa, as intervenções terapêuticas mais utilizadas são:

  • medicamentos para controle da depressão e da ansiedade;
  • psicoterapias combinadas com medicamentos e estimulações cerebrais;
  • psicoeducação baseada em orientações psicológicas e atividades alternativas;
  • terapia cognitivo-comportamental combinada com remédios psiquiátricos;
  • acompanhamento neuropsiquiátrico.

Vale destacar, por fim, que o Hospital Santa Mônica tem toda a infraestrutura necessária para a recuperação de pessoas com Transtorno Depressivo Persistente. Nossos profissionais são especializados em tratamentos centrados na reabilitação emocional e no resgate da qualidade de vida de quem necessita de apoio para superar tais desafios.

Precisa de ajuda nesse sentido? Entre em contato com o Hospital Santa Mônica e agende sua consulta de avaliação!

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