Transtorno por Uso de Substância

7 dicas de como reduzir a vontade de usar drogas

Estratégias que ajudam no controle da dependência química

Publicado: 1 de agosto de 2022. Atualizado: 25 de maio de 2026

A dependência química é uma condição complexa que afeta o cérebro, o comportamento e a saúde emocional. O uso repetido de drogas altera circuitos cerebrais ligados ao prazer, motivação, impulsividade e tomada de decisão, tornando cada vez mais difícil controlar o desejo pela substância.

Segundo o relatório mundial sobre drogas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), milhões de pessoas convivem com transtornos relacionados ao uso de substâncias, mas apenas uma pequena parcela recebe tratamento adequado. Estudos científicos mostram que a dependência não é “falta de caráter” ou “fraqueza”, mas uma doença reconhecida pela medicina e pela psiquiatria.

A boa notícia é que existem estratégias capazes de ajudar a controlar a fissura (“craving”), reduzir recaídas e favorecer a recuperação. Neste conteúdo, o psicólogo Antonio Chaves Filho, do Hospital Santa Mônica, explica medidas importantes que podem ajudar quem deseja parar de usar drogas.

O que causa a vontade intensa de usar drogas?

A fissura é um desejo intenso e quase incontrolável de consumir uma substância. Ela pode ser desencadeada por fatores emocionais, ambientais e neuroquímicos, como:

Pesquisas publicadas pelo National Institute on Drug Abuse (NIDA) mostram que o cérebro cria associações entre a droga e sensações de recompensa. Por isso, situações do cotidiano podem ativar memórias relacionadas ao consumo e aumentar a vontade de usar novamente.

1. Desenvolva autoconhecimento para identificar gatilhos

O primeiro passo é entender quais situações aumentam a vontade de usar drogas. Muitas pessoas percebem que o consumo está ligado a emoções específicas ou contextos sociais.

Pergunte-se:

  • Em quais momentos surge a fissura?
  • O uso acontece após conflitos emocionais?
  • Existe associação com álcool ou determinadas amizades?
  • A droga virou uma forma de aliviar sofrimento psicológico?

Identificar esses gatilhos ajuda a criar estratégias preventivas. A terapia cognitivo-comportamental (TCC), amplamente recomendada em diretrizes internacionais, auxilia justamente nesse reconhecimento de padrões emocionais e comportamentais.

Além disso, o autoconhecimento favorece a construção de novos hábitos e reduz comportamentos de autossabotagem.

2. Reconheça que a dependência química é uma doença

Um dos mecanismos mais comuns da dependência é a negação. Muitas pessoas acreditam que conseguem parar “quando quiserem”, mesmo após várias tentativas frustradas.

Reconhecer o problema não significa fracasso. Pelo contrário: é um passo importante para recuperar o controle da própria vida.

A Organização Mundial da Saúde classifica os transtornos por uso de substâncias como doenças que exigem cuidado especializado. O tratamento adequado reduz riscos físicos, psiquiátricos, sociais e familiares.

É importante entender que recaídas podem ocorrer durante o processo terapêutico. Isso não significa incapacidade de recuperação, mas necessidade de ajuste terapêutico e continuidade do cuidado.

3. Procure ajuda profissional especializada

Buscar ajuda especializada aumenta significativamente as chances de recuperação.

A dependência química envolve alterações cerebrais importantes e frequentemente está associada a outros transtornos mentais, como:

Por isso, o tratamento precisa ser multidisciplinar, envolvendo psiquiatras, psicólogos, enfermagem, terapeutas ocupacionais, nutricionistas e educadores físicos.

As abordagens mais utilizadas atualmente incluem:

  • psicoterapia;
  • terapia cognitivo-comportamental;
  • grupos terapêuticos;
  • prevenção de recaídas;
  • tratamento medicamentoso quando indicado;
  • reabilitação psicossocial;
  • acompanhamento familiar.

Segundo estudos científicos, intervenções estruturadas reduzem recaídas e melhoram a qualidade de vida de pacientes com dependência química.

4. Faça atividade física regularmente

A prática de exercícios físicos pode ajudar no controle da fissura e dos sintomas emocionais associados à abstinência.

Durante a atividade física, o organismo libera neurotransmissores relacionados ao bem-estar, como endorfina e dopamina. Isso contribui para:

  • melhora do humor;
  • redução da ansiedade;
  • melhora do sono;
  • diminuição do estresse;
  • aumento da autoestima.

Pesquisas recentes indicam que exercícios aeróbicos podem auxiliar na redução do desejo por substâncias, especialmente em dependência de álcool, cocaína e nicotina.

Não é necessário começar com atividades intensas. Caminhada, dança, bicicleta, musculação, corrida, yoga e natação já podem trazer benefícios importantes.

5. Evite o isolamento e expresse seus sentimentos

O isolamento emocional costuma aumentar o sofrimento psíquico e favorecer recaídas.

Conversar com pessoas de confiança ajuda a aliviar a sobrecarga emocional e fortalece a rede de apoio — um dos fatores mais importantes na recuperação da dependência química.

Caso exista dificuldade para falar sobre sentimentos, outras formas de expressão podem ajudar, como:

  • escrita terapêutica;
  • música;
  • arte;
  • meditação;
  • terapia individual;
  • grupos de apoio.

Estudos apontam que apoio familiar e suporte social estão associados a melhores desfechos terapêuticos em usuários de substâncias.

6. Crie estratégias saudáveis para lidar com a ansiedade

Muitas pessoas utilizam drogas como tentativa de aliviar emoções difíceis. Por isso, é fundamental desenvolver mecanismos saudáveis de enfrentamento.

Algumas estratégias incluem:

  • técnicas de respiração;
  • mindfulness;
  • meditação;
  • rotina estruturada;
  • hobbies;
  • leitura;
  • espiritualidade;
  • lazer saudável;
  • contato com natureza.

Diretrizes internacionais mostram que práticas de manejo emocional podem reduzir impulsividade e ajudar no controle da fissura.

O mais importante é encontrar atividades que façam sentido para a sua realidade e possam substituir o comportamento relacionado ao uso.

7. Considere a internação quando houver perda de controle

Em alguns casos, a internação psiquiátrica especializada pode ser necessária, principalmente quando há:

  • risco à própria vida;
  • surtos psiquiátricos;
  • uso compulsivo;
  • recaídas frequentes;
  • abstinência grave;
  • risco de overdose;
  • comprometimento familiar e social;
  • incapacidade de interromper o consumo sozinho.

A internação oferece ambiente protegido, acompanhamento médico contínuo e tratamento intensivo.

No Hospital Santa Mônica, o tratamento da dependência química é realizado por equipe multidisciplinar especializada em saúde mental, com foco em acolhimento, segurança e reabilitação psicossocial.

Entre as abordagens terapêuticas utilizadas estão:

  • psicoterapia individual;
  • terapia em grupo;
  • atividades físicas;
  • musicoterapia;
  • terapia ocupacional;
  • manejo psiquiátrico;
  • prevenção de recaídas;
  • suporte familiar;
  • projeto de vida.

Quando procurar ajuda imediatamente?

A busca por atendimento deve ser imediata quando existirem sinais como:

  • uso diário ou compulsivo;
  • perda de controle;
  • pensamentos suicidas;
  • agressividade;
  • paranoia;
  • crises de abstinência;
  • overdose;
  • abandono das atividades pessoais;
  • prejuízo familiar ou profissional.

Quanto mais precoce o tratamento, maiores são as chances de recuperação.

Dependência química tem tratamento

A recuperação é possível. Embora a dependência química seja uma doença crônica, o tratamento adequado pode reduzir recaídas, restaurar vínculos e melhorar significativamente a qualidade de vida.

Com suporte profissional, acolhimento familiar e estratégias terapêuticas baseadas em evidências científicas, muitas pessoas conseguem reconstruir suas vidas e retomar projetos pessoais, sociais e profissionais.

Se você ou alguém próximo precisa de ajuda, procure atendimento especializado.

Perguntas frequentes sobre vontade de usar drogas

O que fazer quando a fissura vem forte?

Afaste-se de gatilhos, procure alguém de confiança, pratique respiração profunda, mude de ambiente e busque apoio profissional. A fissura costuma diminuir após alguns minutos.

Quanto tempo dura a vontade de usar drogas?

A intensidade varia conforme a substância, tempo de uso e tratamento. Em muitos casos, a fissura diminui progressivamente com acompanhamento adequado.

É possível parar sozinho?

Algumas pessoas conseguem interromper o uso sem internação, mas casos moderados ou graves geralmente necessitam de acompanhamento especializado devido ao risco de recaídas e abstinência.

Exercício físico realmente ajuda?

Sim. Estudos indicam que atividade física pode reduzir ansiedade, melhorar humor e diminuir o desejo por substâncias.

Dependência química tem cura?

A dependência é considerada uma doença crônica, mas pode ser controlada com tratamento contínuo, prevenção de recaídas e suporte terapêutico.

Por isso, agora que você sabe como tirar vontade de usar droga, pode procurar ajuda especializada para fazer seu tratamento, prevenir as recaídas e se reinserir na sociedade. Você consegue e pode construir um estilo de vida mais saudável e benéfico para si e para as pessoas ao seu redor.

É o que você deseja? Entre em contato com o Hospital Santa Mônica e conheça melhor as nossas instalações e estratégias.

Referências científicas

27 Comentários em “7 dicas de como reduzir a vontade de usar drogas”

  • Robson Ribeiro da Silva

    diz:

    Já fiz vários tratamentos é internei na fazenda da esperança é fiquei 3 meses e quando sair de lá fiquei 9 meses sem drogas mais acabei recaindo de novo preciso de ajuda.

    • Mônica

      diz:

      Olá Robson, entre em contato conosco que podemos orientá-lo como proceder
      (011) 99667-7454
      (011) 99534-4287

    • Gilberto

      diz:

      Vc tem condições financeiras pelo jeito ,me chamo Gilberto eu posso tentar te ajudar ,mas não é pq vc tem condições, só quero que quando vc parar,vc vai ajudar quem precisa parar, me chama no WhatsApp 11 912647303

    • Gilberto

      diz:

      Vou t

  • Maria Aparecida porto fontes

    diz:

    Não quero perder meu neto já está muito descontrolado fico desesperada qual o valor para internar um paciente me ajude por favor

    • Mônica

      diz:

      Olá Maria o ideal ser se pudesse entrar em contato conosco que podemos orientar melhor você, segue
      (011) 99667-7454
      (011) 99534-4287

    • Gilberto

      diz:

      Eu posso ajudar me chamo Gilberto meu whatsapp 11 912647303

  • Warley

    diz:

    Eu li vou me esforçar o máximo
    Tudo depende de mim ao ler isso me ajudou muito obrigado Deus abençoe

    • Mônica

      diz:

      Olá Warley, assista as lives com o psicólogo Antonio Chaves que acontecem as quintas-feiras, às 15h, no Youtube e Facebook do HSM, poderá ajudá-lo,abraço

  • Graciene

    diz:

    Preciso de ajuda!!

    • Mônica

      diz:

      Olá Graciene, entre em contato conosco (011) 98657-4262/(011) 99534-4287

  • Bom dia ! Tenho uma sobrinha que é dependente química , preciso de orientação para começarmos o tratamento dela . E está querendo muito se tratar .

    • Mônica

      diz:

      Olá Cássia, Entre em contato conosco (011) 98657-4262 / (011) 99534-4287

      • Dalva Pereira

        diz:

        Meu marido é dependente já a 20 anos nuncaas conseguiu ficar limpo socorro preciso de um socorro

  • Rodrigo Cesar Toledo

    diz:

    Tenho 46 anos e uso essa merda gostaria de parar mas não consigo

    • Mônica

      diz:

      Olá Rodrigo, entre em contato conosco, querer parar já é um grande passo (011) 98657-4262 / (011) 99534-4287

    • Igor

      diz:

      Bom entrei num vício de cocaína que praticamente tô acabando com minha vida, precisando urgentemente de ajuda, no meu caso vai ser internação não tem jeito

      • Mônica

        diz:

        Olá Igor, não perca mais tempo, entre em contato conosco (011) 98657-4262/(011) 99534-4287

  • Nina Castillo

    diz:

    Eu, ajudar a mim namorado pra que deixe a droga, já não sei que fazer….

    • Mônica

      diz:

      Olá Nina, entre em contato conosco (011) 98657-4262 /(011) 99534-4287

  • Maria

    diz:

    Sou usuária, tenho medo de perder minha família. Não consigo parar e a cada dia uso com mais frequência. Não quero ficar longe dos meus filhos mas quero me curar.

    • Mônica

      diz:

      Olá Maria, parabéns, querer ajuda é o primeiro passo para o tratamento, entre em contato conosco, teremos muito prazer em ajudar
      (011) 98657-4262
      (011) 99534-4287

  • Charles Silva

    diz:

    O que a família pode fazer já que tenta ajudar com acompanhamento psicológico,psiquiatra .tô.a medicaçao ,mas não temais o que fazer .o próprio não tem mais controle .está despregado e fica pedindo dinheiro a todos que t oportunidade.triste isso.

    • Mônica

      diz:

      Olá Charles, sabemos o quanto é difícil essa situação, acompanhe as lives do psicólogo Antonio Chaves no Youtube e no nosso site, irá ajudar a ilustrar como pensa o dependente químico. Mas a família também pode fazer uma internação involuntária para tentar ajudar! Entre em contato conosco
      (011) 98657-4262
      (011) 99534-4287

  • Sebastiana Ferreira De Araújo

    diz:

    E para gente que nao tem condições financeiras pra pagar uma clinica o que fazemos?

    • Mônica

      diz:

      Olá Sebastiana, já tentou o CAPS da sua região? Eles fazem o encaminhamento para hospital público

Comentários estão fechados.

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