Publicado em Deixe um comentário

Special K: conheça os efeitos dessa droga

A cetamina (nome original da Special K) foi sintetizada pela primeira vez em 1962 como um medicamento anestésico para uso em humano e em animais, sendo até hoje utilizada com esse propósito nos centros de saúde.

Entretanto, com o aparecimento de efeitos psicoativos incomuns, o seu uso como droga recreativa acabou ganhando espaço, principalmente entre os jovens e adultos, gerando dependência química.

A Special K é uma droga com efeitos alucinógenos dissociativos, ou seja, que distorcem a forma como as pessoas percebem pontos e sons. É popularmente conhecida como “Vitamina k”, “K” ou Ketamina”. Ela tem crescido muito em número de usuários e quanto aos países em que está difundida.

A seguir, a Dra. Luciana Mancini Bari, coordenadora de práticas médicas do Hospital Santa Mônica, explica um pouco mais sobre a Special K, os principais efeitos colaterais e alternativas de tratamento para a dependência. Confira!

O que é a Special K?

A cetamina, um derivado da fenciclidina, é um medicamento aprovado para uso como anestésico em ambientes hospitalares e médicos, sendo segura e eficaz quando utilizada da maneira correta.

Ela é uma antagonista não competitiva dos receptores de glutamano N-metil-D-aspartato (NMDA), de modo que inibe a excitabilidade dos neurônios da dor, induzindo sua atividade anestésica dissociativa. Além disso, ela tem capacidade de inibir a síntese de óxido nítrico e a absorção noradrenérgica e serotonérgica, contribuindo para o efeito analgésico.

A cetamina possui ainda efeitos sobre a disponibilidade de alguns neurotransmissores, em especial a norepinefrina, dopamina e serotonina, atuando como um antidepressivo e uma ferramenta terapêutica para psicoterapia assistida de pessoas com dependência de heroína, alcoolismo e depressão resistente. 

Quando a cetamina é utilizada como droga recreativa, conhecida como Special K, é consumida ao ingerir, injetar ou cheirar. Também é registrado o seu uso por meio do fumo, combinada à cannabis ou tabaco.

Quais são os principais efeitos da Special K?

Após sua administração, a Special K pode causar diferentes efeitos colaterais, sendo eles exacerbados quando o uso se dá de forma recreativa e sem acompanhamento médico, trazendo grandes riscos à vida. Os principais efeitos colaterais a serem destacados são, no âmbito geral, a consciência prejudicada ou sedação.

No cardiovascular, pode ocorrer hipertensão, taquicardia, palpitações, arritmias. Já no neurológico gera estado mental alterado, psicose, disforia, ansiedade, confusão, ataxia, tontura, disartria, rigidez muscular, reações psicomotoras, psicomiméticas ou distônicas agudas, trismo e fala arrastada.

Em casos de overdose, infusão excessivamente rápida ou uso combinado com outras drogas, os sintomas principais são os respiratórios, com depressão respiratória e apneia. No cardiovascular: hipotensão, bradicardia, infarto agudo do miocárdio. E no neurológico podem ocorrer convulsões, estupor e coma.

Os relatos de pacientes sobre os efeitos das altas doses de Special K acusam ainda o chamado “buraco K”, definido como uma experiência fora do corpo, no qual as pessoas têm problemas para se mover, pânico, medo e disforia, sendo uma alucinação semelhante à causada pelo LSD. 

Qual é o problema do uso frequente da cetamina?

O uso frequente e desmedido da Ketamina pode originar tolerância, dependência, sintomas de abstinência e o desenvolvimento da Síndrome da Bexiga de Cetamina.

Quando há a tolerância, o organismo torna-se cada vez mais resistente ao efeito da droga, requerendo doses maiores ou usos mais frequentes para atingir os mesmos efeitos sentidos anteriormente.

Já na dependência, o paciente sente a necessidade de tomar o medicamento continuamente para evitar os efeitos negativos da retirada súbita. Os principais sintomas dessa abstinência são depressão e ansiedade, stress, comportamento manipulativo, insônia, pesadelos, calafrios ou transpiração excessiva e anorexia. Além disso, pode causar predisposição para transtornos de impulso e esquizofrenia.

A Síndrome da Bexiga de Cetamina consiste em uma patologia desenvolvida pelo uso contínuo da cetamina. É uma condição dolorosa, caracterizada pela dificuldade de controle esfincteriano, incontinência e pode causar ulcerações na bexiga.

É válido ressaltar também que o uso da Special K com outras substâncias deve ser analisado, visto que a interação medicamentosa pode ser fatal. Os casos mais comuns de efeitos adversos por interação são vistos em usuários dependentes, que, visando otimizar os efeitos, utilizam-na junto de outras substâncias. As principais são: 

  • Cetamina + com álcool ou opiáceos: drogas depressoras do sistema nervoso — efeitos combinados podem levar ao mal funcionamento do coração ou pulmões, levando à bradicardia e bradipneia ou parada cardiorrespiratória;
  • Ketamina + anfetaminas, ecstasy e cocaína: drogas psicoativas — podem levar à taquicardia, taquipneia e parada cardiorrespiratória.

As alterações ou sequelas que a ketanima causa no paciente dependem da via de administração e da dosagem. Mesmo que o tempo de meia-vida da droga seja de cerca de 3 horas, se a dosagem for elevada, ela terá uma ação sistêmica que pode afetar os sistemas renais e hepáticos, retardando o processo de desintoxicação e eliminação da substância.

A avaliação do quadro do paciente e de possíveis prognósticos somente pode ser feita por um médico especializado, principalmente no cuidado com a saúde mental, como os presentes no Hospital Santa Mônica.

Qual é o tratamento da intoxicação por Special K?

O tratamento na intoxicação por cetamina em sua maioria envolve somente cuidados de apoio. Os efeitos dessa intoxicação duram entre 15 minutos a horas, a depender da dose utilizada, da rota de administração, da capacidade metabólica e da sensibilidade intrínseca aos efeitos da droga.

Quanto às modalidades de acompanhamento, elas variam de acordo com o relato dos pacientes. Assintomáticos, mas que relatam o uso, devem ficar em observação por cerca de 6 horas. Já os que apresentam alívio dos sintomas após a intoxicação, devem ter acompanhamento contínuo por 1 a 2 horas após a resolução do último sintoma.

É de suma importância o monitoramento das vias aéreas, respiração, frequência cardíaca e pressão arterial, principais sistemas alterados pela droga. Em relação a medicamentos, não há uma medicação específica para tratar uma overdose de cetamina. Entretanto, pode-se usar remédios que fornecem controle da agitação e psicose, como benzodiazepínicos e butirofenonas.

Como é tratada a dependência química por Ketamina?

No manejo da dependência química da Special K, estão disponíveis opções de tratamentos eficazes. A principal modalidade de auxílio é a terapia, sobretudo a cognitivo-comportamental.

Esta terapia trata os processos cognitivos que levam ao uso da droga, fornece apoio psicanalítico e ajuda o paciente a perceber a relação entre o consumo de drogas e os conflitos internos não resolvidos. Também pode ser usada a terapia familiar, individual, de grupo ou de aprimoramento motivacional. Pode ser necessária também uma internação em uma clínica de reabilitação, a depender do quadro clínico e do nível de dependência do paciente.

Essa internação pode ser compulsória, quando um juiz toma a decisão, não tendo como a família como intervir. Pode ser também involuntária, quando a família faz a solicitação e esta se cumpre por meio de um laudo assinado pelo psiquiatra responsável. Há também a internação voluntária, em que o próprio paciente faz a escolha, para prosseguir com o tratamento da dependência química.

Independentemente de como ocorrem, as internações ganham destaque em diversos casos, dado que o paciente recebe um tratamento especializado e contínuo, aumentando as chances de controle da dependência química e até de reversão de algumas sequelas.

Quanto às medicações, ainda não há uma específica para o tratamento. Contudo, como os principais sintomas da abstinência são de caráter psiquiátrico, são muito usados ansiolíticos e benzodiazepínicos, apresentando excelentes resultados.

É possível alcançar a cura?

A dependência química não pode ser curada, mas pode ser controlada por toda a vida. Entretanto, isso só é possível se o paciente receber suporte médico e psicológico adequado, como o ofertado pelo Hospital Santa Mônica. Além disso, o suporte familiar é de suma importância para o bom prognostico, dado que o suporte e apoio emocional e financeiro são fatores condicionantes de uma maior adesão ao tratamento.

Como apresentado ao longo do conteúdo, a Special K é uma droga psicoativa que tem chamado a atenção nos últimos anos, em função da sua difusão entre jovens e adultos e sua facilidade em causar dependência química. Porém, com adequado apoio médico e familiar, a redução do numero de dependentes químicos e de novos usuários tende a se tornar uma realidade mais frequente.

Em caso de dúvidas ou para mais informações sobre dependência química e tratamentos disponíveis, entre em contato Hospital Santa Mônica.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Siga nossas redes sociais