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Saúde mental e responsabilidade afetiva: você sabe qual é a relação?

A responsabilidade afetiva se tornou um termo difundido, mas que ainda não é tão compreendido. Muitas pessoas localizam o conceito apenas nas relações amorosas, mas saiba que ele vai além dessa perspectiva, contemplando toda modalidade de relação, especialmente as de maior proximidade e vínculo. Há uma certa ligação entre responsabilidade afetiva e coerência interna, mas ela também está relacionada a não negar a própria individualidade. 

Quem tem esse atributo se relaciona melhor, estabelece interações mais construtivas e tende a saber negar o que não cabe em seu campo de escolhas. Assim, é importante se aprofundar no termo. Casos de doença psiquiátrica na família ou quadros de dependência química de algum ente querido tornam visíveis ainda mais o quanto o compromisso consigo e com o outro é essencial para uma vida com dignidade, saúde mental e aprendizagem na relação.

Continue acompanhando nosso artigo que contou com a colaboração da psicóloga do Hospital Santa Mônica, Ayde Câmara, sobre responsabilidade afetiva!

O que é responsabilidade afetiva?

Ter responsabilidade afetiva é assumir o próprio papel dentro de uma relação. Não se trata de corresponder às expectativas do outro por completo, o que é uma situação impossível, e sim de cumprir sua função com integridade, respeito e sem abrir mão da autenticidade. 

Um exemplo é o adulto que sabe respeitar os pais e exerce com carinho o papel de companhia esperado de um filho. Isso não significa que ele não tenha dificuldades com os pais, pois dificilmente há uma relação em que não há problemas. Mas ele recorre a estratégias não agressivas para lidar com as divergências que tem com os familiares.

Quando não temos responsabilidade afetiva? Quando a pessoa deixa de exercer sua função na relação. É o caso de um casal divorciado, em que o pai só se preocupa em fornecer a pensão, mas não proporciona afeto e cuidado aos filhos, por exemplo. 

Isso é recorrente também no caso de dependência química ou consumo excessivo de álcool, em que a pessoa entra em um padrão de abandono da função na família e nas relações, devido às dificuldades com o vício. As pessoas próximas também são prejudicadas e podem ter a segurança e integridade ameaçadas.

Isso pode ser ainda pior em cenários de relacionamentos com codependência emocional. É importante considerar que o foco não é condenar essa postura, e sim tratar a questão com o apoio de profissionais, pois o paciente com dependência química se encontra em um quadro de doença e com diversos sofrimentos, por isso ele se apoia no vício.

Qual é a relação da responsabilidade afetiva com o selfie?

A responsabilidade afetiva tem relação com o compromisso que a pessoa tem consigo mesma e com a própria vida. Quadros de autoabandono, como no transtorno depressivo, mostram que, por algum sofrimento, a pessoa deixa de se comprometer com si própria, com os relacionamentos e com as atividades que desempenha. 

Assim, podemos dizer que, para manifestar um nível adequado de responsabilidade afetiva nas relações, é importante que o sujeito tenha responsabilidade consigo mesmo. Ele considera o outro, mas sabe valorizar também as potencialidades e limites que tem.

Violar as próprias limitações em prol do outro é irresponsável. Em uma relação saudável, abre-se mão de algumas coisas por quem se ama, mas até certo ponto. Mais que isso, você se desorganiza e não consegue manter uma interação saudável e construtiva para ambos e muito menos para você. A proposta não é ser egoísta, mas também não é se anular.

Qual é a relação da responsabilidade afetiva com os outros?

A responsabilidade afetiva com os outros envolve o respeito aos próprios limites e aos limites de quem se relaciona com você. O sofrimento de um impacta o sofrimento do outro. Ações degradantes consigo mesmo desconsideram que isso provoca mágoa nas pessoas mais próximas, que gostam de você. Mais do que isso, condutas dessa modalidade geram relações de dependência emocional e de tom tóxico, muito prejudiciais para os envolvidos.

Não é algo para condenar ou achar culpados. Mas é importante tratar a situação. Existe um problema ou uma crise existencial provocando a falta de responsabilidade afetiva. Às vezes, é possível também que a pessoa não tenha passado na vida por oportunidades e experiências de aprendizagem desse atributo e, por isso, o apresente em déficit.

Dessa forma, ela constrói uma vida de padrões de repetições em relacionamentos pouco saudáveis e abusivos. É necessário trabalhar junto a um profissional para melhorar esses padrões de comportamento e desenvolver uma vida de mais saúde e qualidade.

Como a saúde mental influencia a responsabilidade afetiva?

Quem tem saúde mental cumpre melhor seus papéis, cuida melhor de si e do outro. A pessoa com algum quadro psiquiátrico ou doenças psicossomáticas pode manifestar uma certa irresponsabilidade em relação a si ou ao outro e ter dificuldade de discernir os limites. Por exemplo, sendo negligente consigo mesmo, o sujeito se desorganiza e prejudica as pessoas que o amam. 

Em casos de rejeição familiar, isso pode ser ainda mais delicado e, por isso, é importante lembrar que não há receitas prontas em Psicologia e Psiquiatria. De toda forma, é preciso apoio profissional, para que o indivíduo possa trabalhar para inventar as próprias soluções e criar saídas para esses desafios.

É muito comum o caso da pessoa que não reconhece que há um problema e rejeita o tratamento, alegando que está confortável com a situação. Mas não nota que todo mundo que convive com ela está sofrendo.

Qual é a importância de cuidar da saúde mental?

Cuidar da saúde mental é um compromisso com a própria dignidade. Buscar tratar da saúde mental é fazer algo para si mesmo e, indiretamente, beneficiar aqueles que se relacionam com você. É um trabalho lento, que demanda esforço e resiliência para dar um passo de cada vez.

Cuidar da saúde mental é responsabilidade com si próprio e com o outro. Não há problema em reconhecer as dificuldades e pedir ajuda. A responsabilidade afetiva é um dos elementos que não podem faltar em relacionamentos construtivos e que realmente proporcionam crescimento para os envolvidos. Cuidar da saúde mental é um excelente investimento de responsabilidade afetiva, que promove resultados benéficos, possibilitando uma vida com mais qualidade e bem-estar.

Gostou do conteúdo? Entre em contato com o Hospital Santa Mônica e conheça os tratamentos que oferecemos.

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