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Por que a falta do convívio social impacta na nossa saúde mental?

Falta de convivio social saúde mental

Mediante os impactos da pandemia, muitos estão com dificuldade de manter o bem-estar neste momento, já que a mudança brusca nas rotinas e a necessidade de cumprir os protocolos de distanciamento influenciam consideravelmente o convívio social. Como somos seres sociais, a adequação ao “novo normal” representa um grande desafio para remodelar o comportamento sem afetar as emoções.

Tendo isso em vista, a Dra. Luciana Mancini Bari, médica do Hospital Santa Mônica, irá explicar a importância dos relacionamentos e trocas interpessoais para o bem-estar no contexto do isolamento social. Entenda como a dificuldade de convívio com outras pessoas afeta as emoções e saiba o que fazer para minimizar os efeitos dessas questões sobre a saúde mental.

Aproveite a leitura!

Os impactos do isolamento social 

Um dos efeitos mais preocupantes do distanciamento social está relacionado à ansiedade e emoções negativas resultantes das mudanças que ocorreram de forma abrupta em nosso convívio social. Além disso, a necessidade de se adequar ao trabalho home office, aos estudos não presenciais e à obrigatoriedade de ficar em casa resultou em incertezas e sofrimento.

Vale destacar que nem sempre os impactos do isolamento social se restringem à crise de ansiedade, irritabilidade, insônia ou alterações de humor. Em muitas situações em que já existiam quadros patológicos de ordem psíquica, os efeitos da pandemia foram mais agressivos e contribuíram para sintomas psicóticos, ideação suicida,alcoolismo ou abuso de entorpecentes. 

Também é importante considerar a necessidade de cuidados quando o indivíduo está exposto aos efeitos de maior carga de estresse gerados pelo cenário atual. Na pandemia, fatores como mudanças de hábito, luto, desemprego e o medo de ser contaminado pelo novo coronavírus influenciam bastante o estado emocional.

Por essa razão, a instabilidade gerada por essas transformações na rotina sugerem a busca por ajuda profissional especializada em saúde mental. Sobretudo nos casos em que se percebem desajustes emocionais muito intensos e persistentes, o ideal é recorrer ao apoio profissional o quanto antes.

A importância do convívio social em todas as idades 

Nos últimos meses, muitos estudos foram feitos para avaliar os impactos da quarentena sobre o estado psíquico da população. Um artigo publicado recentemente no Scielo/USP revela a importância do cuidado em relação à Covid-19 e à saúde mental. O objetivo é conter os riscos de depressão, ansiedade e de outros sintomas emocionais potencialmente prejudiciais.

A manutenção dos relacionamentos familiares, sociais e afetivos, e as trocas interpessoais são essenciais para o bem-estar e a qualidade de vida de pessoas de todas as idades. A mudança repentina que gerou essa dificuldade de convívio social afetou as emoções, trouxe insegurança, medo, frustração e angústia.

Nesse contexto, manter a interação social, mesmo a distância, pode ser a chave para driblar os efeitos negativos da quarentena, visto que esse cenário contribui para a prevalência de efeitos psicológicos negativos. Os mais evidentes são os transtornos de humor, estresse excessivo, ansiedade patológica, irritabilidade, medo e insônia.

Os reflexos nas emoções

As dificuldades inerentes às mudanças no convívio social desafiam os profissionais de saúde, já que os efeitos do isolamento refletem diretamente no estado emocional da população. Nessa perspectiva, o ideal é buscar alternativas — como o apoio profissional — para frear esses impactos e alcançar a estabilidade emocional.

Listamos abaixo algumas práticas que também podem fortalecer o estado emocional e reforçar os vínculos sociais. Confira:

  • evitar hábitos que geram ansiedade e sofrimento como o consumo de notícias sensacionalistas; 
  • filtrar as fontes das informações e consultar materiais confiáveis;
  • evitar o ócio, mas incluir pausas e descansos no home office; 
  • exercitar-se em casa e praticar atividades de relaxamento;
  • fazer meditação para manter a calma e uma mente tranquila; 
  • manter contato telefônico ou pelas redes sociais com familiares e amigos; 
  • ter iniciativas solidárias para com vizinhos, idosos ou grupos de risco que necessitam de ajuda;
  • organizar uma rotina favorável à atenção aos familiares e ao equilíbrio nas relações sociais, mesmo a distância.

Como a manutenção do convívio social precisa incluir pessoas de todas as idades, selecionamos medidas que devem ser observadas para a população infanto-juvenil. Veja quais são:

  • equilibrar horários de estudos e tempo para brincar;
  • orientá-los sobre o risco do excesso de eletrônicos e internet; 
  • manter o contato online ou por telefone com amigos da mesma faixa etária;
  • incentivar o contato com avós e outros parentes que não podem ser visitados;
  • ajudar, sempre que possível, com tarefas da escola para promover uma interação saudável;
  • prezar pelo acolhimento a seus medos e apoiá-los quando expressarem suas preocupações;
  • mostrar-se disponível para um diálogo aberto sobre a realidade que envolve os riscos à saúde na pandemia.

A baixa tolerância

A baixa tolerância está relacionada à frustração ou a uma reação emocional negativa resultante de situações, ou de experiências desagradáveis. Nesse cenário de pandemia, as mudanças repentinas no estilo de vida — como o isolamento social e a necessidade de afastar-se para evitar o contato físico — abalou as emoções e gerou muita insegurança.

Assim, muitos apresentam dificuldades em lidar com esses desafios sem tirar o foco da frustração e das incertezas. No entanto, a tolerância à frustração é um componente essencial para a construção de caminhos de superação das adversidades. Por isso, o desenvolvimento de habilidades como a resiliência ajuda bastante a atingir o bem-estar psicológico.

Os indivíduos que têm maior capacidade para lidar com situações desafiadoras são menos propensos ao desenvolvimento de doenças psicossomáticas, já que a intrínseca ligação entre mente e corpo faz aumentar a vulnerabilidade às disfunções orgânicas.

Outra medida favorável para lidar com os efeitos da baixa tolerância é desenvolver a auto-observação. Manter a atenção em si e detectar as sensações que mais incomodam ajudam no direcionamento de qual caminho seguir. Observar se as reações psicológicas são mais positivas ou negativas é importante para avaliar a real dimensão do problema e procurar ajuda.

Como vimos ao longo deste conteúdo, a realidade que envolve o contexto da pandemia exige a adoção de estratégias que possibilitem a continuidade dos vínculos de afeto para a manutenção do convívio social. Para reduzir os impactos do distanciamento social, o ideal é buscar um suporte profissional especializado para a reabilitação da saúde integral.

Gostaria de conhecer os tratamentos em saúde mental do Hospital Santa Mônica? Entre em contato e conte conosco para o que precisar!

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