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Pó de corretivo: entenda os perigos para os jovens

O corretivo é um material escolar utilizado para corrigir erros ortográficos e/ou gramaticais, quando a escrita é feita por meio da utilização da caneta. Ele é caracteristicamente branco e pode ser encontrado em duas apresentações: líquido ou fita.

Quando utilizado de maneira adequada, ele não apresenta quaisquer riscos à saúde, sendo muito seguro como material escolar. Contudo, buscando inovar o uso e aderir a uma nova “brincadeira”, os estudantes têm utilizado o pó de corretivo.

Essa nova modalidade de uso do corretivo consiste na inalação do pó do material, como se ele fosse algum tipo de droga, para gravar vídeos e publicar em redes sociais. O principal problema disso é que, quando em contato com a mucosa nasal e pulmonar, pode causar sérios agravos à saúde.

Diante disso, o psicólogo do Hospital Santa Mônica, Antonio Chaves Filho elaborou um artigo explicando o que é esse pó de corretivo e quais os principais perigos dessa nova “brincadeira” entre os jovens. Quer saber mais sobre o assunto? Então, siga com a leitura até o final.

O que é o pó de corretivo?

O pó de corretivo é um produto obtido a partir do corretivo líquido. Ele é feito de maneira metódica entre os adolescentes, de acordo com uma ordem pré-estabelecida. No final, o conteúdo é triturado grosseiramente com materiais escolares, como réguas, até chegar a um aspecto similar ao da cocaína.

Feito todo esse processo, os estudantes inalam o pó, à semelhança do que é feito com a cocaína ou vendem-no para outros alunos usarem.

Por que virou tendência nas escolas?

A inserção dos jovens em aplicativos e redes sociais, como Instagram, Twitter e Tik Tok, gerou a criação de desafios, bem como a disseminação de conteúdo foi facilitada, possibilitando certa manipulação de massa.

Essa popularização de diferentes brincadeiras entre os jovens já ocorre há alguns anos, quando apareceram alguns desafios, como o Jogo da Asfixia, o desafio do desodorante e o jogo da Baleia Azul, que chegou a culminar na morte precoce de crianças e adolescentes.

Ao ser criado o desafio, o adolescente sente a obrigação de cumprir o que lhe foi pedido, independentemente das consequências, apenas para conseguir popularidade, os chamados “views”.

Além disso, muitos estudantes veem nessas brincadeiras a oportunidade de ganhar dinheiro. No caso do pó de corretivo, há a possibilidade de comercialização, em uma espécie de tráfico.

Dessa forma, o desafio do pó de corretivo ganhou muita fama e adeptos, visto que, além de gerar a movimentação financeira com a venda, gera o engajamento social e virtual que os jovens tanto almejam.

Quais são os efeitos causados?

O pó de corretivo não possui nenhum efeito alucinógeno comprovado. Na verdade, ele possui como principal efeito a geração ou piora das doenças do trato respiratório, além de irritação nasal.

Quais os riscos de cheirar pó de corretivo?

O corretivo possui como principais compostos o dióxido de titânio e o etanol, que servem para dar a coloração branca e funcionar como solvente, respectivamente. Eles são substâncias tóxicas e extremamente irritantes à mucosa nasal.

O nariz possui a função básica de filtrar partículas e evitar que elas entrem no organismo durante a respiração. Ademais, ele também tem um alto poder de absorção de substâncias, em função da alta vascularização na sua mucosa.

Diante disso, num primeiro momento, ao cheirar esse pó, pode ser provocada rinite aguda, coriza, obstrução nasal e até mesmo o agravamento de quadros de sinusite. Além disso, segundo especialistas da área de otorrinolaringologia, o uso pode gerar também quadros crônicos, como uma rinite de difícil controle.

Também há que se destacar que, em função da capacidade absortiva nasal, pode ser que toxinas presentes na composição do corretivo atinjam a corrente sanguínea. E, dependendo da quantidade inalada, pode haver uma toxicidade aguda e problemas como arritmia, queda de pressão, tontura e sintomas sistêmicos de intoxicação.

Há outras drogas que também estão presentes nos ambientes escolares?

Desde muitos anos atrás, no mundo antigo, já se registravam o uso de drogas com fins alucinógenos. Na Ásia Central, em meados de 8.000 aC, a Cannabis sativa, popularmente conhecida hoje como maconha, já era conhecida e utilizada pelos povos nativos da região.

Seu maior uso, antes, era como remédio para determinadas enfermidades ou como uma bebida de rituais, para aumentar a entrega dos povos aos ritos da tribo.

No mundo contemporâneo, a maconha ainda é muito conhecida e utilizada, principalmente pelos jovens. Porém, agora ela é usada como um composto alucinógeno e de escape da realidade, mesmo sendo ilegal em diversos países.

Em função das cobranças, muitas vezes excessivas, sobre notas e comportamentos, os adolescentes se sentem pressionados. Dessa forma, procuram formas de fugirem dessa realidade e liberarem toda tensão do dia a dia, mesmo que seja por meio de drogas ilícitas.

Todavia, o seu uso como fumo é desaconselhado e ilegal, uma vez que pode gerar danos a longo prazo e, inclusive, uma preocupação nos familiares pelo aumento do seu consumo por adolescentes.

O que pode ser feito para que os adolescentes não cheirem o pó de corretivo?

Em primeira análise, cabe às escolas aumentarem o monitoramento dos seus alunos, de forma a averiguar se eles estão fazendo esse pó de corretivo nas dependências escolares ou em ambiente familiar.

Também devem ser instituídas aulas e palestras educativas sobre os riscos advindos da prática de cheirar corretivo, demonstrando com imagens e casos médicos quais os malefícios à saúde.

Por fim, as escolas podem promover um apoio psicológico aos alunos, até mesmo com modalidades de terapia online, de forma a entender o que está levando os estudantes a fazerem uso do pó de corretivo. Afinal, entendendo e identificando a causa básica, fica mais fácil agir de forma eficaz.

Aos pais, cabe o monitoramento dos seus filhos, avaliando os usos das redes sociais, averiguando se eles seguem ou participam de algum desses desafios e, até mesmo, reduzindo o tempo de permanência online.

Além disso, é possível trabalhar em conjunto com as escolas nas modalidades de incentivo à terapia e ao não uso do pó de corretivo, criando o hábito de conversar com os jovens, buscando a conscientização sobre os riscos e efeitos adversos dessa prática.

Por último, as redes sociais poderiam criar sistemas de monitoramento dessas “trends”. Dessa forma, quando um vídeo fosse reconhecido pelos algoritmos como algo traz riscos à vida e à saúde das pessoas, ele seria automaticamente censurado e excluído. Assim, esse tipo de desafio não ganharia tanta popularidade.

Como ficou claro ao longo do texto, o uso do pó de corretivo é totalmente desaconselhado pelas entidades médicas, médicos gerais e especialistas. Seu uso somente traz riscos à saúde e nenhum benefício, não devendo, portanto, ser instigado pelos estudantes ou pelas redes sociais e suas “trends”.

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