Matéria produzida em 10 de abril de 2018. Atualizada em 20 de agosto de 2026.
A depressão é um transtorno mental que pode causar tristeza persistente, perda de interesse ou prazer, alterações no sono e no apetite, cansaço, dificuldade de concentração, sentimentos de culpa ou desesperança e, em alguns casos, pensamentos relacionados à morte ou ao suicídio. Diferentemente das oscilações normais do humor, um episódio depressivo persiste por um período prolongado e pode comprometer a vida pessoal, familiar, acadêmica e profissional.
A depressão pode afetar pessoas de qualquer idade e não é sinal de fraqueza, falta de força de vontade ou incapacidade de lidar com os problemas da vida. Existem tratamentos eficazes, e quanto antes a pessoa receber avaliação adequada, maiores são as possibilidades de reduzir o sofrimento e recuperar sua funcionalidade.
Importante: este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui uma avaliação realizada por médico ou outro profissional de saúde mental qualificado.
O que é depressão?
A depressão, também chamada de transtorno depressivo, é uma condição de saúde mental caracterizada principalmente por humor deprimido ou pela perda de interesse ou prazer nas atividades. Ela pode afetar emoções, pensamentos, comportamento, sono, alimentação, energia e capacidade de realizar atividades do dia a dia.
A depressão é diferente de uma tristeza passageira. É normal sentir tristeza diante de perdas, frustrações e situações difíceis. Na depressão, porém, os sintomas são persistentes, podem ocorrer na maior parte do dia e interferem significativamente no funcionamento da pessoa.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 332 milhões de pessoas no mundo tenham depressão. A condição é mais frequente entre mulheres, mas também afeta homens, crianças, adolescentes e idosos.
Depressão no Brasil
No Brasil, os dados mais recentes de uma grande pesquisa populacional específica sobre diagnóstico de depressão são da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, do IBGE em parceria com o Ministério da Saúde.
Segundo a PNS, 10,2% das pessoas com 18 anos ou mais haviam recebido diagnóstico de depressão por profissional de saúde, percentual superior aos 7,6% registrados em 2013. Isso correspondia a aproximadamente 16,3 milhões de brasileiros adultos.
A prevalência de diagnóstico foi maior entre mulheres do que entre homens. Esses números, porém, representam diagnósticos informados pelos entrevistados e não significam que todas as pessoas com sintomas depressivos tenham recebido diagnóstico.
O que causa a depressão?
Não existe uma única causa para a depressão. A condição está relacionada a uma combinação de fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais.
Entre os fatores que podem aumentar o risco estão:
- histórico familiar de depressão ou outros transtornos mentais;
- experiências traumáticas;
- perdas importantes;
- estresse prolongado;
- isolamento social;
- doenças crônicas;
- dor crônica;
- uso de álcool e outras drogas;
- determinadas condições médicas;
- alterações relacionadas ao período gestacional e pós-parto;
- situações de violência ou abuso;
- dificuldades financeiras, profissionais ou familiares.
Ter um ou mais desses fatores não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá depressão. Da mesma forma, alguém pode apresentar o transtorno mesmo sem identificar um acontecimento específico que tenha desencadeado os sintomas.
A depressão é causada por falta de serotonina?
Não é correto explicar a depressão simplesmente como uma “falta de serotonina” ou de outros neurotransmissores.
A ciência mostra que a depressão envolve mecanismos complexos e a interação de fatores genéticos, biológicos, psicológicos e ambientais. Os neurotransmissores participam do funcionamento cerebral, mas a depressão não pode ser reduzida a uma única alteração química.
Quais são os sintomas da depressão?
Os sintomas da depressão variam de pessoa para pessoa. Os mais comuns incluem:
- tristeza persistente;
- irritabilidade ou sensação de vazio;
- perda de interesse ou prazer em atividades antes consideradas agradáveis;
- cansaço e falta de energia;
- dificuldade de concentração;
- alterações no sono, como insônia ou sono excessivo;
- alterações no apetite;
- perda ou ganho de peso sem intenção;
- sentimentos de culpa ou inutilidade;
- baixa autoestima;
- desesperança;
- dificuldade para tomar decisões;
- redução da libido;
- isolamento social;
- queixas físicas, como dores ou mal-estar sem explicação suficiente;
- pensamentos recorrentes sobre morte ou suicídio.
A pessoa não precisa apresentar todos esses sintomas para ter depressão.
Em um episódio depressivo, o humor deprimido ou a perda de interesse ou prazer costuma estar presente durante a maior parte do dia, quase todos os dias, por pelo menos duas semanas, acompanhado de outros sintomas e de prejuízo significativo no funcionamento.
Depressão em crianças e adolescentes
Em crianças e adolescentes, a depressão nem sempre aparece como tristeza evidente. Irritabilidade, queda no rendimento escolar, isolamento, mudanças no sono ou no apetite, perda de interesse, alterações de comportamento e queixas físicas também podem ocorrer.
Por isso, mudanças persistentes no comportamento de uma criança ou adolescente merecem atenção e avaliação profissional.
Depressão em homens
Homens também podem desenvolver depressão. Entretanto, alguns podem apresentar sinais menos associados à imagem tradicional de tristeza, como irritabilidade, agressividade, isolamento, aumento do consumo de álcool ou outras drogas, impulsividade e dificuldade de falar sobre o sofrimento emocional.
Isso pode contribuir para que o problema não seja reconhecido ou tratado adequadamente.
Depressão em idosos
Em pessoas idosas, a depressão pode se manifestar com alterações do sono, perda de energia, isolamento, redução do interesse pelas atividades, queixas físicas e alterações cognitivas.
Como doenças crônicas e medicamentos também podem produzir sintomas semelhantes, a avaliação clínica é especialmente importante nessa faixa etária.
Quais são os tipos de depressão?
A depressão pode apresentar diferentes padrões clínicos e níveis de gravidade. O diagnóstico deve ser realizado por profissional capacitado.
Transtorno depressivo maior
É caracterizado por um episódio depressivo com sintomas suficientemente persistentes e intensos para causar sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento.
Os episódios podem ser leves, moderados ou graves.
Transtorno depressivo persistente
Também conhecido como distimia, caracteriza-se por sintomas depressivos persistentes e de longa duração.
Embora os sintomas possam ser menos intensos do que em um episódio depressivo maior, a duração prolongada pode comprometer significativamente a qualidade de vida.
Depressão com características sazonais
Algumas pessoas apresentam episódios depressivos relacionados a determinadas épocas do ano. Esse padrão é conhecido como transtorno afetivo sazonal e é mais frequentemente descrito em regiões com grandes variações sazonais de luminosidade.
Depressão no período perinatal
Sintomas depressivos podem ocorrer durante a gestação ou após o nascimento do bebê.
A depressão perinatal merece atenção porque pode afetar a saúde da pessoa que gestou, o vínculo familiar e os cuidados com o bebê. Pais que não passaram pela gestação também podem apresentar sintomas depressivos no período após o nascimento.
Depressão com sintomas psicóticos
Em quadros graves, podem ocorrer sintomas psicóticos, como delírios ou alucinações. Essa situação exige avaliação médica especializada.
Depressão e transtorno bipolar
O transtorno bipolar não é um tipo de depressão.
Pessoas com transtorno bipolar podem apresentar episódios depressivos, mas também períodos de mania ou hipomania. Por isso, antes de iniciar um tratamento, é importante avaliar a possibilidade de transtorno bipolar, pois a estratégia terapêutica é diferente.
Como é feito o diagnóstico da depressão?
O diagnóstico da depressão é clínico. Não existe um exame de sangue, tomografia ou outro exame laboratorial específico capaz de confirmar sozinho que uma pessoa tem depressão.
Durante a avaliação, o profissional pode investigar:
- quais sintomas estão presentes;
- quando eles começaram;
- frequência e duração dos sintomas;
- impacto na rotina;
- histórico pessoal e familiar;
- uso de medicamentos;
- consumo de álcool e outras drogas;
- presença de outras doenças;
- episódios anteriores de depressão;
- sintomas de mania ou hipomania;
- presença de pensamentos de morte, suicídio ou autolesão.
Em determinadas situações, exames físicos ou laboratoriais podem ser solicitados para investigar condições médicas que podem produzir sintomas semelhantes aos da depressão, como alterações da tireoide ou efeitos de determinados medicamentos.
Existe teste para saber se tenho depressão?
Questionários como o PHQ-9 podem ser utilizados como instrumentos de rastreamento e acompanhamento dos sintomas, mas não devem ser interpretados isoladamente como diagnóstico.
O diagnóstico exige avaliação clínica individualizada.
Depressão tem cura?
A depressão tem tratamento e pode entrar em remissão. Muitas pessoas apresentam melhora significativa ou desaparecimento dos sintomas com o tratamento adequado.
A evolução, porém, varia de acordo com fatores como gravidade, histórico de episódios anteriores, presença de outros transtornos ou doenças, resposta ao tratamento e adesão ao acompanhamento.
Em algumas pessoas, a depressão apresenta caráter recorrente e exige acompanhamento de longo prazo.
Por isso, é mais adequado falar em tratamento e remissão do que afirmar que toda depressão tem uma “cura definitiva”.
Como é o tratamento da depressão?
O tratamento depende da gravidade do quadro, dos sintomas, do histórico da pessoa, de suas condições clínicas e de suas preferências.
As principais abordagens incluem:
Psicoterapia
A psicoterapia é uma das principais formas de tratamento da depressão.
Entre as abordagens com evidências científicas estão a terapia cognitivo-comportamental, a terapia interpessoal e outras modalidades estruturadas. A psicoterapia pode ser realizada presencialmente ou por teleatendimento, conforme indicação e disponibilidade.
Medicamentos antidepressivos
Antidepressivos podem fazer parte do tratamento, principalmente em quadros moderados ou graves. A escolha do medicamento deve ser feita por profissional habilitado, considerando sintomas, histórico médico, possíveis interações, efeitos adversos e resposta individual.
Antidepressivos não devem ser iniciados, interrompidos ou ter sua dose modificada por conta própria.
Psicoterapia e medicamentos combinados
Em determinadas situações, a combinação de psicoterapia e medicamentos pode ser indicada.
A decisão deve ser individualizada e reavaliada ao longo do acompanhamento.
Tratamentos para depressão resistente
Quando a pessoa não apresenta resposta adequada após tratamentos apropriados, o profissional pode avaliar estratégias para depressão resistente, incluindo ajustes ou combinações terapêuticas e, em situações específicas, tratamentos de neuromodulação.
A eletroconvulsoterapia (ECT), por exemplo, pode ter papel importante em alguns quadros graves, especialmente quando existe risco à vida ou necessidade de resposta terapêutica mais rápida.
Quando a internação psiquiátrica pode ser necessária?
A maioria das pessoas com depressão pode ser tratada em regime ambulatorial.
A internação pode ser considerada quando existe necessidade de cuidados intensivos que não podem ser oferecidos com segurança fora do ambiente hospitalar. Entre as situações que podem exigir avaliação para internação estão:
- risco significativo de suicídio;
- tentativa de suicídio;
- sintomas psicóticos;
- incapacidade grave de cuidar de necessidades básicas;
- recusa persistente de alimentação ou hidratação em quadro grave;
- agitação ou alterações comportamentais importantes;
- necessidade de monitoramento intensivo durante uma crise.
A indicação de internação deve ser feita por equipe especializada após avaliação individualizada.
Depressão e suicídio: quando procurar ajuda imediatamente?
A depressão está associada a maior risco de suicídio, especialmente em quadros graves.
Comentários sobre querer morrer, despedidas, desesperança intensa, planejamento de suicídio, tentativa de suicídio ou comportamento de risco devem ser levados a sério.
Se houver risco imediato de a pessoa se machucar ou morrer, é necessário procurar atendimento de emergência.
Não deixe a pessoa sozinha em uma situação de risco iminente e procure um serviço de emergência ou atendimento psiquiátrico.
Como ajudar uma pessoa com depressão?
Quem convive com alguém deprimido pode ter um papel importante no apoio e na busca por tratamento.
Algumas atitudes ajudam:
- escutar sem julgamentos;
- evitar frases como “isso é falta de força de vontade” ou “é só pensar positivo”;
- reconhecer que a depressão é uma condição de saúde;
- incentivar a busca por avaliação profissional;
- ajudar a pessoa a manter o acompanhamento;
- observar mudanças importantes no comportamento;
- perguntar diretamente sobre pensamentos de morte ou suicídio quando houver sinais de alerta;
- buscar ajuda profissional diante de situações de risco.
A pessoa com depressão não precisa enfrentar o problema sozinha.

É possível prevenir a depressão?
Não existe uma estratégia capaz de impedir todos os casos de depressão. Porém, existem intervenções e hábitos associados à promoção da saúde mental e à redução de alguns fatores de risco. A OMS destaca que programas de prevenção podem reduzir a ocorrência de depressão.
Entre as medidas que podem contribuir para a saúde mental estão:
- manter uma rotina de sono adequada;
- praticar atividade física regularmente;
- manter relações sociais significativas;
- evitar ou reduzir o consumo de álcool;
- não utilizar drogas ilícitas;
- buscar estratégias para lidar com o estresse;
- procurar ajuda diante de sintomas persistentes;
- manter o acompanhamento quando já existe diagnóstico de depressão.
Essas medidas não substituem o tratamento quando a pessoa apresenta um transtorno depressivo.
Depressão e drogas: existe relação?
Sim. O uso de álcool e outras drogas pode piorar sintomas depressivos e está associado a maior risco de problemas de saúde mental. Ao mesmo tempo, algumas pessoas podem utilizar substâncias como uma tentativa de lidar com sofrimento emocional.
Essa relação pode ser bidirecional: depressão e uso problemático de substâncias podem se agravar mutuamente.
Por isso, quando existe depressão associada ao uso de álcool ou outras drogas, é importante que as duas condições sejam avaliadas conjuntamente.
Depressão é o mesmo que tristeza?
Não.
A tristeza é uma emoção normal e pode surgir diante de situações difíceis, como perdas, conflitos ou frustrações. Ela geralmente diminui com o tempo e não necessariamente compromete de forma persistente a capacidade de viver e realizar as atividades habituais.
A depressão é um transtorno de saúde mental que envolve sintomas persistentes e pode provocar prejuízo significativo na vida cotidiana.
Perguntas frequentes sobre depressão
Entre os primeiros sinais podem estar perda de interesse pelas atividades, tristeza ou irritabilidade persistente, cansaço, alterações do sono, mudanças no apetite, dificuldade de concentração e isolamento social. A presença e a intensidade dos sintomas variam entre as pessoas.
A duração varia. Um episódio depressivo pode durar semanas ou meses e, sem tratamento, pode persistir por mais tempo. Algumas pessoas apresentam episódios recorrentes.
Alguns sintomas depressivos podem melhorar espontaneamente, mas sintomas persistentes ou intensos não devem ser ignorados. A avaliação profissional é importante para determinar se existe um transtorno depressivo e qual tratamento é adequado.
Não necessariamente. O tratamento depende da gravidade e das características de cada caso. A psicoterapia é uma das principais formas de tratamento, e medicamentos podem ser indicados conforme a avaliação profissional.
Sim. Algumas pessoas apresentam episódios recorrentes. O acompanhamento após a melhora dos sintomas pode ajudar a reduzir o risco de novos episódios e identificar precocemente sinais de recaída.
Sim. Cansaço, alterações do sono e do apetite, dores e outros sintomas físicos podem ocorrer. Também é importante investigar outras condições médicas que possam explicar ou contribuir para esses sintomas.
Sim. Crianças e adolescentes também podem apresentar depressão. Neles, o quadro pode aparecer como irritabilidade, alterações de comportamento, isolamento, queda no desempenho escolar, mudanças no sono ou no apetite e perda de interesse.
A avaliação pode envolver profissionais de saúde mental, como psiquiatras e psicólogos. O diagnóstico médico da condição e a avaliação de possíveis causas ou comorbidades fazem parte da atuação médica; o psicólogo também pode realizar avaliação psicológica e psicoterapia.
Quando procurar atendimento?
Procure avaliação profissional quando sintomas como tristeza persistente, perda de interesse, cansaço, alterações do sono ou do apetite, dificuldade de concentração ou desesperança estiverem interferindo na rotina.
Em situações de risco de suicídio, tentativa de suicídio, sintomas psicóticos ou agravamento importante do quadro, procure atendimento de urgência.
Como o Hospital Santa Mônica pode ajudar?
O Hospital Santa Mônica oferece atendimento especializado em saúde mental para pessoas que apresentam depressão e outros transtornos psiquiátricos, com avaliação individualizada e acompanhamento de uma equipe multiprofissional. De acordo com a necessidade de cada paciente, o cuidado pode incluir atendimento psiquiátrico, acompanhamento psicológico, tratamento ambulatorial e, nos casos em que há indicação clínica, internação psiquiátrica. O objetivo é oferecer um cuidado seguro e contínuo, considerando não apenas os sintomas, mas também a história, as necessidades e o contexto de cada pessoa. Em situações de crise ou agravamento importante dos sintomas, o Hospital Santa Mônica também conta com Pronto Atendimento Psiquiátrico 24 horas para avaliação especializada.
Se você ou alguém próximo apresenta sintomas de depressão, procure ajuda profissional. O diagnóstico e o tratamento adequados podem fazer diferença na recuperação e na qualidade de vida.
Agora que você entende melhor quais são as principais características da depressão, está pronto para ajudar pessoas que já foram diagnosticadas ou apresentam os sintomas desse transtorno. Entre em contato com nossos especialistas para obter mais informações ou compartilhe aqui nos comentários a sua experiência.
Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Depressive disorder (depression), atualização de 29 de agosto de 2025.
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Depression.
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Clinical descriptions and diagnostic requirements for ICD-11 mental, behavioural and neurodevelopmental disorders.
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde 2019.
- Brito VC et al. Prevalência de depressão autorreferida no Brasil: Pesquisa Nacional de Saúde 2019 e 2013. Epidemiologia e Serviços de Saúde, 2022.
- Ministério da Saúde. Depressão.
- National Institute of Mental Health (NIMH). Depression.