Histórias de Recuperação

Desintoxicação: “Eu achei que nunca ia conseguir parar. Hoje estou reconstruindo minha vida”

desintoxicação conheça a história do Rafael

Rafael tem 34 anos, é enfermeiro e estudante de Direito. O que começou como diversão em festas evoluiu para dependência de álcool, cocaína e crack — impactando sua carreira, sua rotina e sua saúde. Após buscar ajuda e passar pelo processo de desintoxicação no Hospital Santa Mônica, ele hoje vive em recuperação. Esta é a história dele.

Dependência química · Depoimento: Rafael, 34 anos · Publicado em fevereiro de 2020 · Revisado em Março de 2026 · Leitura: ~6 min

Cristina Collina
Redação
Cristina Collina

Jornalista especializada em saúde mental | MTb 0081755/ SP.

Comunicação em Saúde
RESPOSTA RÁPIDA — para quem enfrenta o uso de substâncias
O uso recreativo pode evoluir de forma silenciosa para dependência. Rafael começou com álcool e cocaína em contextos sociais, perdeu o controle e chegou ao uso intenso de crack. Com apoio psiquiátrico e internação para desintoxicação, conseguiu interromper o ciclo. Hoje, vive em recuperação e reforça: procurar ajuda cedo faz toda a diferença.  
34 anos
Idade de Rafael
3 substâncias
Cocaína, álcool e crack
1 decisão-chave
buscar ajuda especializada

Quando a diversão vira dependência

A história de Rafael começa como tantas outras. Jovem, rotina intensa de trabalho, saídas frequentes com amigos. O álcool era parte do ambiente — e parecia inofensivo.

Foi nesse contexto que ele teve o primeiro contato com a cocaína.

“No começo, era só para acompanhar o grupo. Todo mundo dizia que era tranquilo, que era só diversão.” – Rafael, enfermeiro, ex-paciente do Hospital Santa Mônica

O uso, inicialmente esporádico, foi se tornando frequente. Aos poucos, Rafael já não conseguia aproveitar os momentos sem a substância.

Sem perceber, o limite havia sido ultrapassado.

O impacto silencioso na vida pessoal e profissional

Com o avanço do consumo, o álcool passou a ocupar um papel central.

Rafael começou a ir trabalhar sob efeito da bebida. Perdeu oportunidades. Chegou a comprometer entrevistas e responsabilidades profissionais.

“O álcool destruiu grande parte das minhas oportunidades. Eu não tinha mais controle.” – Rafael, enfermeiro, ex-paciente do Hospital Santa Mônica

Esse é um ponto crítico na dependência: a perda progressiva de autonomia. A substância deixa de ser escolha e passa a ser necessidade.

A primeira tentativa de mudança

Incomodado com a própria trajetória, Rafael procurou ajuda psiquiátrica. Iniciou psicoterapia e tratamento medicamentoso.

Com suporte profissional, conseguiu reduzir o consumo de álcool.

“Eu achava que nunca ia conseguir parar. Quando consegui, parecia um milagre.” – Rafael, enfermeiro, ex-paciente do Hospital Santa Mônica

Mas a história ainda teria um agravante.

O contato com o crack — e a perda de controle

Durante esse período, Rafael experimentou o crack, também por influência de amigos.

A progressão foi rápida.

“Eu pensei que era parecido com a cocaína. Mas foi aí que eu me viciei de verdade.” – Rafael, enfermeiro, ex-paciente do Hospital Santa Mônica

O crack tem alto potencial de dependência por atingir o sistema de recompensa cerebral de forma intensa e imediata. O efeito rápido aumenta o risco de uso compulsivo.

No caso de Rafael, isso se traduziu em isolamento, faltas no trabalho e abandono de compromissos.

“Tinha dias que eu deixava de ir a qualquer lugar para ficar usando. Cheguei a fumar várias pedras no mesmo dia.” – Rafael, enfermeiro, ex-paciente do Hospital Santa Mônica

O momento de virada

A percepção do impacto na própria vida foi determinante.

Rafael voltou ao psiquiatra — desta vez, com um quadro mais grave. A recomendação foi clara: seria necessário um processo estruturado de desintoxicação.

“Eu percebi que sozinho não ia conseguir.” – Rafael, enfermeiro, ex-paciente do Hospital Santa Mônica

A decisão pela internação partiu dele.

A experiência de desintoxicação

Ao chegar ao Hospital Santa Mônica, Rafael passou por avaliação clínica e foi direcionado inicialmente para um setor de maior monitoramento, devido ao risco de abstinência.

Nos primeiros dias, o foco foi estabilização.

Depois, seguiu para uma unidade de convivência, onde iniciou uma rotina terapêutica estruturada.

“Depois de alguns dias, já estava em um ambiente com outros pacientes, participando das atividades.” – Rafael, enfermeiro, ex-paciente do Hospital Santa Mônica

A rotina incluiu:

  • acompanhamento psiquiátrico
  • psicoterapia
  • grupos terapêuticos (incluindo modelo dos 12 passos)
  • atividades físicas e ocupacionais

Esse modelo é fundamental porque a desintoxicação não é apenas interromper o uso — é reorganizar comportamento, rotina e pensamento.

O que é a desintoxicação, na prática

A desintoxicação é um processo clínico que visa estabilizar o organismo após a interrupção do uso de substâncias.

Dependendo do caso, pode envolver:

  • controle de sintomas de abstinência
  • uso de medicações de suporte
  • monitoramento clínico contínuo

A interrupção abrupta, especialmente em dependências avançadas, pode trazer riscos físicos e psicológicos. Por isso, o acompanhamento médico é indispensável.

Recomeço e manutenção da recuperação

Rafael foi internado em 2020. Hoje, segue em recuperação e reconstruindo sua vida pessoal e profissional.

Ele destaca que o processo não termina com a alta.

“O tratamento continua todos os dias. É uma escolha diária.” – Rafael, enfermeiro, ex-paciente do Hospital Santa Mônica

A recuperação em dependência química exige:

  • acompanhamento contínuo
  • mudanças de rotina
  • rede de apoio
  • vigilância sobre gatilhos

Mensagem de quem viveu o processo

Rafael resume sua experiência de forma direta:

“Se eu pudesse dizer algo para quem está passando por isso, é: não espera piorar. Procura ajuda antes.” – Rafael, enfermeiro, ex-paciente do Hospital Santa Mônica

Contexto clínico — equipe do Hospital Santa Mônica
Programa de Dependência Química · Desintoxicação e Reabilitação “A dependência química é uma doença crônica, com impacto progressivo sobre o comportamento, a saúde e a funcionalidade do indivíduo. O tratamento adequado envolve desintoxicação supervisionada, acompanhamento psiquiátrico e intervenções psicossociais. Quanto mais precoce a intervenção, maiores as chances de recuperação sustentada.”
Você ou alguém próximo está passando por algo parecido? A dependência química tem tratamento — mesmo após recaídas. Nossa equipe atende 24 horas e pode orientar você e sua família sobre os próximos passos, sem julgamento. ☎️  (11) 4668-7455 — Fale conosco agora →  Saiba mais sobre dependência química: hospitalsantamonica.com.br/dependencia-quimica/

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