O Alzheimer, uma doença neurodegenerativa que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, permanece como um dos maiores desafios da saúde global, especialmente diante do crescente envelhecimento da população.
O Fevereiro Roxo, mês dedicado à conscientização sobre o Alzheimer, Lúpus e Fibromialgia, surge como uma oportunidade essencial para ampliar o conhecimento sobre essas condições, destacando avanços nos tratamentos, a relevância do diagnóstico precoce e a necessidade de apoio aos pacientes e suas famílias.
O Alzheimer no Brasil e no mundo
De acordo com o relatório Global Burden of Disease (GBD) 2019, o número de pessoas vivendo com demência (sendo o Alzheimer a causa mais comum) aumentou significativamente. Estima-se que, globalmente, mais de 55 milhões de pessoas vivem com demência, e esse número pode triplicar até 2050, atingindo 152 milhões de indivíduos. No Brasil, segundo os dados também são alarmantes: cerca de 1,2 a 2 milhões de pessoas convivem com a doença, e o país está entre os que mais registram novos casos anualmente.
Os principais fatores de risco para o Alzheimer incluem:
Comorbidades (diabetes, hipertensão e obesidade). A Carga Global de Doenças, conhecida por GBD, avalia lesões, doenças crônicas e degenerativas, e os fatores de risco por meio de um método sistemático de análise de perdas da estabilidade da saúde, mas de forma não fatal. Essa metodologia também serve como parâmetro de avaliação entre países e os casos de doenças com maior prevalência.
Idade avançada (o risco dobra a cada 5 anos após os 65 anos);
Genética (presença do gene APOE-e4);
Estilo de vida (sedentarismo, dieta inadequada, tabagismo e consumo excessivo de álcool);
Comorbidades (diabetes, hipertensão e obesidade).
Compreender os fatores que influenciam o aparecimento dessas doenças neurodegenerativas e analisá-los sob um contexto socioeconômico e cultural, também fornecem dados para a escolha de estratégias mais eficazes de controle e de tratamento do Doença de Alzheimer.
Pontuamos os aspectos mais importantes e que ajudam a entender o atual panorama dessa doença no Brasil e no mundo. Os dados se referem a um estudo publicado em 2016. Confira:
- a demência atinge mais mulheres do que homens;
- de 1990 a 2016, a morte por demência aumentou em 148%;
- o risco para a doença dobra a cada cinco anos entre 50 e 80 anos.
- entre 1990 e 2016, os casos de demência cresceram em média 117%;
- somente em 2016, 8,6% das mortes em indivíduos acima de 70 anos foi por demência;
- o número de casos confirmados passou de 20,2 milhões em 1990 para 43,8 milhões no ano de 2016;
- o Brasil ocupa o 2º lugar em casos novos, atrás apenas da Turquia com 1192 casos por 100 mil habitantes;
- em termos globais, as demências atingiram um patamar de 2,4 milhões de óbitos nesse período.
A importância do Fevereiro Roxo
O Fevereiro Roxo foi criado em 2014 em Minas Gerais e, assim como o Outubro Rosa e o Novembro Azul, essa campanha promove a conscientização sobre 3 doenças de grande incidência na população mundial: o Lúpus, a Fibromialgia e o Alzheimer.
Você pode estar se perguntando em quais aspectos essas doenças se assemelham, não é mesmo? Pois bem, ainda que elas sejam bastante diferentes em termos de causas, sintomas e as formas de manifestação, ambas têm em comum o fato de serem incuráveis.
Embora as ciências médicas ainda não tenham descoberto a cura para a doença, há algumas alternativas de tratamento que possibilitam o controle dos sintomas dessas doenças. Além disso, o diagnóstico precoce é extremamente importante para iniciar o tratamento o quanto antes e manter o bem-estar e a qualidade de vida dos pacientes.
Nesse sentido, o mês de conscientização se torna essencial para levar informações sobre o comportamento dessas doenças, sobretudo quanto ao Alzheimer, cuja incidência está cada dia maior em nossa população. Considerando que o aumento do número de casos de doenças degenerativas segue o padrão da expectativa de vida, a busca de medidas que objetivem a redução do impacto desse problema pode fazer muita diferença na vida de quem luta contra esse mal.
O GBD 2016 destacou quatro fatores de risco considerados como evidências suficiente para influenciar o surgimento do Alzheimer. Observe:
- índice de massa corporal (IMC) elevado;
- glicose alterada;
- etilismo e tabagismo;
- alta ingestão de açúcar;
- falta de atividade física.
Logo, o controle dos fatores e a busca de ações de educação preventiva são fundamentais para minimizar os efeitos desses mecanismos no desenvolvimento da doença.
O Fevereiro Roxo torna-se, então, uma forma interessante de dar mais visibilidade às doenças e a seus sintomas. Possibilita também incentivar as pessoas que suspeitam de algum problema à procura do diagnóstico precoce e da orientação profissional.
O Fevereiro Roxo reforça a importância de:
- Educação e Prevenção: Informar a população sobre os fatores de risco e medidas preventivas, como a adoção de um estilo de vida saudável.
- Diagnóstico Precoce: Incentivar a busca por avaliação médica ao primeiro sinal de alterações cognitivas.
- Apoio aos Cuidadores: Oferecer suporte emocional e prático para familiares e cuidadores, que enfrentam desafios diários ao lidar com a doença.
Como funciona o tratamento para Alzheimer
Segundo o psicogeriatra dr. Marcel Vella Nunes, psiquiatra “O Alzheimer é caracterizado por perda gradativa da capacidade cognitiva: compromete a memória, atenção, funções executivas, dentre outros e evolui para demência no momento em que a funcionalidade do indivíduo fica prejudicada, uma vez que não consegue mais realizar adequadamente as atividades de vida diária (pagar contas, gerir seus bens, lembrar de compromissos, etc). Duas principais proteínas estão envolvidas na gênese e desenvolvimento da doença: a proteína beta-amiloide e a proteína tau. Quando ambas se acumulam em excesso no cérebro do indivíduo devido inúmeras causas e fatores de risco, os sintomas da doença começam a surgir.”
O Alzheimer afeta especialmente os idosos e, por isso, muitas vezes ele pode ser confundido com sintomas típicos da idade, o que o torna uma enfermidade subdiagnosticada.
Dr. Marcel reforça ainda que “como a doença evolui gradualmente, ela acaba trazendo muitos prejuízos para a rotina do paciente. Como o Alzheimer ainda não tem cura, a compreensão sobre o modo como ele afeta o organismo representa um passo importante na escolha das terapias mais adequadas, para minimizar os sintomas e tornar o cotidiano do paciente mais tranquilo.”
Atualmente, o tratamento disponível é feito com medicações diárias, cuja função é aumentar a ação de um neurotransmissor cerebral que controla as funções cognitivas e ajuda na recuperação da memória e da atenção. Terapias alternativas como apoio psicológico, m e a realização de atividades como yoga, caminhadas e hidroginástica também são indicadas para portadores de Alzheimer nos estágios iniciais.
Avanços no tratamento do Alzheimer
Embora o Alzheimer ainda não tenha cura, os avanços na medicina têm proporcionado novas esperanças para os pacientes e suas famílias. Abaixo, destacamos os tratamentos mais recentes e promissores:
1. Medicamentos Modificadores da Doença
- Lecanemab: Aprovado pela FDA (EUA) em 2023, este medicamento é um anticorpo monoclonal que reduz o acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, retardando a progressão da doença em estágios iniciais.
- Donanemab: Outro anticorpo monoclonal em fase avançada de testes, que também tem mostrado eficácia na redução das placas amiloides e na desaceleração do declínio cognitivo.
Ambos os medicamentos ainda estão em processo de avaliação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aprovação e comercialização no Brasil.
Os tratamentos disponíveis no Brasil para o Alzheimer continuam sendo baseados em medicamentos como Donepezila, Rivastigmina, Galantamina e Memantina, que ajudam a controlar os sintomas e a melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Além disso, terapias não farmacológicas, como estimulação cognitiva e atividades físicas, são amplamente recomendadas.
2. Terapias Não Farmacológicas
- Estimulação Cognitiva: Programas de treinamento cerebral e atividades que estimulam a memória, atenção e funções executivas têm se mostrado eficazes para retardar a progressão dos sintomas.
- Exercícios Físicos: Estudos recentes confirmam que atividades como caminhadas, yoga e hidroginástica melhoram a circulação cerebral e ajudam a preservar a função cognitiva.
- Terapias Multissensoriais: Técnicas como a terapia de reminiscência (uso de fotos, músicas e objetos para evocar memórias) têm sido úteis para melhorar o bem-estar emocional dos pacientes.
3. Tecnologias Inovadoras
- Inteligência Artificial (IA): Ferramentas de IA estão sendo desenvolvidas para auxiliar no diagnóstico precoce e no monitoramento da progressão da doença.
- Realidade Virtual (RV): A RV tem sido usada em terapias de reabilitação cognitiva, proporcionando experiências imersivas que ajudam a estimular a memória e a coordenação motora.
4. Pesquisas com Células-Tronco
Estudos preliminares com células-tronco têm mostrado potencial para regenerar neurônios danificados e reduzir a inflamação cerebral associada ao Alzheimer. Embora ainda em fase experimental, essa abordagem representa uma esperança futura para a cura da doença.
Dicas para reduzir o risco de Alzheimer
- Mantenha uma dieta equilibrada, como a dieta mediterrânea, rica em frutas, vegetais, peixes e grãos integrais.
- Pratique exercícios físicos regularmente.
- Estimule o cérebro com atividades como leitura, jogos de raciocínio e aprendizado de novas habilidades.
- Controle doenças crônicas como diabetes e hipertensão.
- Evite o tabagismo e o consumo excessivo de álcool.
A importância de contar com um hospital qualificado
A atenção e o cuidado de um hospital especializado pode fazer toda diferença no tratamento do Alzheimer. Nossa equipe multidisciplinar é composta por médicos clínicos, psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e outros que integram esse trabalho focado na recuperação do bem-estar e da qualidade de vida do paciente.
O Alzheimer é uma doença complexa e multifatorial, mas os avanços na medicina e a conscientização promovida por campanhas como o Fevereiro Roxo trazem esperança e novas perspectivas para pacientes e familiares. A combinação de tratamentos inovadores, diagnóstico precoce e um estilo de vida saudável pode fazer uma grande diferença no controle da doença.
Se você ou alguém próximo apresenta sinais de declínio cognitivo, não hesite em buscar ajuda especializada. O Hospital Santa Mônica e outras instituições de saúde estão preparadas para oferecer o suporte necessário, desde o diagnóstico até o tratamento multidisciplinar.
Juntos, podemos enfrentar o Alzheimer com mais informação, cuidado e esperança.