O sintomas da crise de pânico são frequentemente confundidos com um ataque cardíaco: aumento nos batimentos do coração, respiração acelerada, tontura, e dores no peito. Junto eles, vem um medo crescente de morrer. Você já se sentiu assim ou conhece alguém que passou por isso?
Por ser semelhante a um infarto, muitas pessoas buscam um cardiologista após a crise, achando que estão sofrendo com problemas do coração. Depois de realizarem exames, descobrem que está tudo bem com a sua saúde física e, na maioria das vezes, deixam o assunto de lado.
Acontece que as crises de pânico estão relacionadas à ansiedade e podem voltar a acontecer. Os sintomas, que ocorrem em um percentual de 2% a 3% da população, caso não sejam tratados podem contribuir para o desenvolvimento da síndrome do pânico.
Neste artigo, desmistificamos o assunto, explicando o que uma crise pânico e o que você precisa saber para lidar com ela. Ficou curioso? Continue a leitura e confira as dicas da dra. Luciana Mancini Bari, médica do Hospital Santa Mônica!
O que pode causar crises de pânico?
Ainda não existe um consenso científico a respeito das causas e origens de uma crise de pânico. No entanto, algumas hipóteses são consideradas:
- genética;
- traumas (acidentes, abuso sexual, etc.);
- episódios de estresse extremo;
- acúmulo de tensões;
- problemas no sistema fisiológico;
- ansiedade;
- depressão;
- baixa autoestima;
- sentimento de culpa;
- uso de drogas; e/ou,
- efeito colateral de medicamentos.
Ao contrário do que muitos pensam, a crise de pânico não está atrelada a uma situação em que o indivíduo sente um medo extremo. Esses episódios estão mais relacionados às reações do corpo do que ao evento que deu causa a ele.
Por isso é muito importante entender a raiz do problema, a fim de identificar quais são os mecanismos que devem ser adotados para minimizar os sintomas e aumentar a qualidade de vida do paciente.
Os sintomas da crise de pânico podem acontecer com pessoas a partir dos 15 anos, mas são mais comuns entre os 25 e os 40 anos. Nas crianças, a ocorrência é menos frequente, mas não é impossível, por isso os pais devem se manter alertas. Geralmente, os episódios duram alguns minutos, mas podem levar até algumas horas, a depender do caso.
Outra característica das crises de pânico é que elas não têm hora para acontecer. Pessoas que já passaram por essa experiência relatam que estava tudo normal e, de repente, começaram a sentir os sinais. Essa é uma das razões que leva muitos pacientes acreditarem que estão tendo um infarto, já que o sintoma surge repentinamente.
Quais são os sintomas da crise de pânico?
Como você já sabe, os sintomas da crise, também chamada de ataque de pânico, são semelhantes aos de um infarto. A seguir, listamos os sinais de alerta mais comuns:
- taquicardia — aumento da frequência cardíaca;
- náusea;
- formigamento dos membros ou rosto;
- sudorese excessiva;
- respiração acelerada;
- dores no peito;
- tontura;
- sensação de falta de ar;
- muito calor ou muito frio;
- tremores; e,
- medo.
Qual é a diferença entre crise e síndrome do pânico?
A principal diferença entre os dois é a frequência. Uma pessoa pode ter uma crise de pânico e nunca mais passar por essa experiência. Nesse caso, não pode ser considerado que ela sofre de síndrome do pânico. No entanto, quando as crises são frequentes, o paciente pode ser diagnosticado com a doença.
A recorrência varia muito de acordo com cada caso — os ataques podem acontecer uma vez no ano, mensalmente e até com poucos dias de diferença. Também acontece de a pessoa sofrer muitos ataques em um curto período de tempo e, depois, passar meses ou até anos sem episódios.
A síndrome do pânico é uma doença mental mais comum do que se imagina. A Organização Mundial da Saúde estima que 4% da população mundial sofre com o transtorno, ou seja, cerca de 280 milhões de pessoas.
Os indivíduos que são diagnosticados com a doença também costumam ter outros sintomas, além daqueles observados durante as crises:
- preocupação exagerada em relação à saúde — passam a pensar no assunto diariamente e chegam a visitar médicos sem que haja uma real necessidade;
- agorafobia — medo de sair de casa, estar em espaços públicos e ter contato com outras pessoas;
- depressão;
- ansiedade; e,
- medo de ter um ataque de pânico.
Como é feito o diagnóstico?
O médico psiquiatra é o único que pode diagnosticar tanto a síndrome quanto um ataque de pânico. A consulta com esse especialista é fundamental para a identificação da doença, já que os transtornos psiquiátricos têm sintomas muito semelhantes e somente esse profissional saberá distingui-los da maneira correta.
Para chegar a uma conclusão sobre o quadro do paciente, o médico vai solicitar alguns exames. Entre eles, eletrocardiograma, teste ergométrico, tomografia, ressonância magnética, exames laboratoriais e de hormônio e outros que julgue necessários.
Como agir diante de uma crise de pânico?
Agora que você já sabe o que é uma crise de pânico e como diferenciá-la do transtorno, deve estar se perguntando sobre o que fazer caso passe por essa situação. O primeiro passo é ter em mente que qualquer atitude abrupta pode piorar a crise. Por isso, é preciso manter a calma.
Um dos grandes segredos para manter a calma é se concentrar na respiração. O indicado é fazer isso dentro de um saco de papel. Assim, ao voltar a inspirar, o dióxido de carbono volta ao organismo, o que ajuda a normalizar a acidez do sangue.
Outra atitude que pode ajudar é buscar um local tranquilo e ficar lá até que a crise passe. Encoste numa parede, feche os olhos e desvie o foco do seu pensamento. Você pode se concentrar nos sons que consegue escutar, nas texturas que está tocando, nos cheiros e nos sabores que sente.
Depois da crise, anote tudo o que aconteceu antes do evento. Assim, com o passar do tempo, você vai poder identificar padrões e trabalhar para neutralizá-los.
Exercícios de respiração que podem ajudar
Além de respirar em um saco de papel, existem outros exercícios de respiração que podem ser feitos durante uma crise de pânico. Confira, a seguir, algumas dicas.
- Exercício de respiração 4-2-6 — inspire pelo nariz contando até quatro, mantenha o ar nos pulmões contando até dois e depois expire pela boca contando até seis. Repita quantas vezes quiser, até que os sintomas da crise diminuam.
- Exercício de respiração triangular — neste exercício, a ideia é semelhante ao tipo anterior, com a diferença que você deve inspirar pelo nariz e contar até três, segurar por mais três e expirar pela boca por três.
- Exercício de respiração diafragmática — coloque as mãos no abdômen e se concentre em sua respiração. Respire lentamente e longamente, focando a sua atenção no movimento de subir e descer do abdômen.
- Exercício de respiração alternada — inspire lentamente por uma narina e solte o ar pela outra, alternando, até que você se sinta mais calmo.
Como ajudar alguém que esteja passando por isso?
Se você conhece alguém que sofre com crises de pânico e quer saber como ajudar essa pessoa, deve dar o primeiro passo que indicamos no tópico acima: manter a calma e evitar atitudes abruptas. Quando for conduzir a pessoa para um lugar calmo, não a toque e nem a puxe pelo braço — convide-a para que acompanhe você até lá.
Ao longo da crise, faça perguntas de forma gentil, em tom suave, com o objetivo de tirar o foco do indivíduo do problema e fazê-lo se concentrar em outras coisas.
Como é o tratamento?
O tratamento da síndrome do pânico deve começar logo após o diagnóstico da doença, sendo realizado por uma equipe multidisciplinar de saúde, com médico, psicólogo, assistente social e conselheiros. No início, o paciente pode ser tratado com medicamentos (antidepressivos e ansiolíticos) e psicoterapia. Em casos extremos, a internação pode ser necessária.
Uso de medicamentos
Os medicamentos mais usados para o tratamento de síndrome de pânico são os chamado inibidores de recaptação de serotonina, pois sem eficazes na condução do tratamento sem trazer muitos efeitos colaterais. Porém, toda medicação deve ser prescrita por um médico e ter acompanhamento já que pode causar dependência.
Terapia
Existem diferentes tipos de terapia que podem ser usadas no tratamento de pacientes com síndrome do pânico. Em geral, a terapia cognitivo comportamental é uma das alternativas que oferece um bom grau de resposta tanto a curto quanto a longo prazo.
Além de contribuir na controle de sintomas residuais e persistentes de ansiedade, a terapia ajuda o paciente a refletir sobre os seus sentimentos e comportamentos, melhorando a qualidade de vida e trazendo mais força para lidar com os desafios que se apresentam em seu dia a dia.
O tratamento para a síndrome de pânico pode ser pontual ou durar a vida toda — depende de cada caso e da evolução do paciente. Enquanto estiver em tratamento, pode ser contraindicada a ingestão de algumas substâncias, como café, cigarros, bebidas alcoólicas e outras drogas. O apoio de familiares e amigos também é um fator importante no tratamento das crises de pânico.
O que o paciente precisa saber os sintomas da crise de pânico são um sinal de alerta de que algo não vai bem com a sua saúde mental. Compreender e tratar a origem desses sintomas é um passo importante no combate à evolução para uma possível síndrome.
Para quem já tem a síndrome, existem vários tratamentos que podem ser realizados, garantindo uma vida funcional. Lembre-se que o uso de medicamentos e terapias deve ser orientado e conduzido por profissionais da área de saúde.
Qualquer pessoa está sujeita a sofrer crises de pânico, inclusive jovens adolescentes. Com uma rotina cada vez mais agitada, excesso de compromisso e informações acompanhados do estresse do dia a dia, a angústia se torna cada vez mais presente, e muitas vezes, pode ser difícil de lidar com esses sentimentos.
Se você já vivenciou uma crise de pânico ou quer ajudar alguém que enfrenta esse tipo de situação, entre em contato com o Hospital Santa Mônica! Temos mais de 55 anos de experiência no tratamento de doenças psiquiátricas e uma infraestrutura completa para o atendimento!