Transtornos de Personalidade - Hospital Santa Mônica

Personalidade descreve os padrões característicos de pensamento, sentimento e comportamento que compõem quem somos e como pensamos sobre nós mesmos. Para a maioria das pessoas, isso permanece razoavelmente consistente.

Alguns indivíduos, no entanto, podem ter dificuldades em entender como pensam e sentem sobre si mesmos e em relação aos outros. Para alguém que passa por um transtorno de personalidade (TP) essas dificuldades podem ser problemáticas, pois afetam negativamente o seu bem-estar, saúde e relacionamentos com os outros.

É difícil encontrar uma definição abrangente para estas condições, que incluem Transtorno de Personalidade Borderline (BPD ) e Transtorno da personalidade Anti-social (TPAS). Como o conceito de personalidade é difícil de definir, o TP pode, muitas vezes passar despercebido e não diagnosticado por um longo tempo. Isso pode ocorrer em torno de 1 a cada 20 pessoas que têm TP.

O TP afeta a forma como um indivíduo lida com a vida, como conseguem sentir emoções e se conectar com outras pessoas. Pessoas com TP podem achar que suas crenças e atitudes são diferentes da maioria das pessoas e que por isso, podem achar o seu comportamento incomum, inesperado ou mesmo  ofensivos por vezes. Como resultado, os indivíduos com TP podem ter dificuldades em:

• Manter relações;
• Conectar-se com outras pessoas, incluindo amigos, familiares ou colegas de trabalho;
• Gerir e controlar as suas emoções;
• Lidar com sentimentos difíceis da vida;
• Controlar seus comportamentos e impulsos.

Como resultado, as pessoas com TP podem se sentir isolados e sozinhos. Indivíduos com esses transtornos têm maior risco de suicídio, com níveis mais elevados de automutilação e abuso de drogas/álcool, relatados como métodos de lidar com estas emoções difíceis e esmagadoras. Também possuem maior risco de sofrer outras condições de saúde mental, como a depressão. Devido à complexidade e ao impacto desta doença há um crescente reconhecimento de que o TP é um importante problema de saúde mental que precisa de mais atenção e investimento em saúde mental.

Tipos de Transtornos de Personalidade 
Há uma dificuldade em definir o intervalo de PD de que são experientes. Atualmente dez tipos distintos de PD que se enquadram em seis tipos de personalidade. Essas categorias incluem:

Transtorno de Personalidade Borderline
Indivíduos instáveis em suas emoções e muito impulsivos, com esforços incríveis para evitar o abandono (até tentativas de suicídio). Têm rompantes inadequados de raiva. As pessoas a sua volta são consideradas ótimas, mas frente a recusas tornam-se rapidamente péssimas, sendo desconsideradas as qualidades anteriormente valorizadas. Costumam apresentar uma hiper-reatividade afetiva, em que as situações boas são ótimas ou excelentes, e as ruins ou desfavoráveis são péssimas ou catastróficas.

Transtorno de Personalidade obsessivo-compulsivo
Indivíduos preocupados com organização, perfeccionismo e controle, sempre atento a detalhes, listas, regras, ordem e horários. Dedicação excessiva ao trabalho, dão pouca importância ao lazer. Teimosos, não jogam nada fora (fana de “pão-duro”) e não conseguem deixar tarefas para outras pessoas.

Transtorno da Personalidade Esquizotípica
Indivíduos excêntricos e estranhos, que têm crenças bizarras, com experiências de ilusões e pensamento e discurso extravagante. Possuem poucos amigos e muita ansiedade no convívio social.

Transtorno da Personalidade Esquizoide
Indivíduos distanciados das relações sociais, que não desejam ou não gostam de relacionamentos íntimos, realizam atividades solitárias, de preferência. Pouco ou nenhum interesse em relações sexuais com outra pessoa, e pouco ou nenhum prazer em suas atividades. Não têm amigos íntimos ou confidentes, não se importam com elogios ou críticas, são emocionalmente frios e distantes.

Transtorno de Personalidade Paranóide
Indivíduos desconfiados, que se sentem enganados pelos outros, com dúvidas a respeito da lealdade dos outros, interpretando ações ou observações dos outros como ameaçadoras. São rancorosos e percebem ataques a seu caráter ou reputação, muitas vezes ciumentos e com desconfianças infundadas sobre a fidelidade dos seus parceiros e amigos.

Transtorno da Personalidade Anti-Social
Indivíduos que desrespeitam e violam os direitos dos outros, não se conformando com normas. Mentirosos, enganadores e impulsivos, sempre procurando obter vantagens sobre os outros. São irritados, irresponsáveis e com total ausência de remorsos, mesmo que digam que têm, mais uma vez tentando levar vantagens. Podem estabelecer relacionamentos afetivos superficiais, mas não são capazes de manter vínculos mais profundos e duradouros.

Transtorno da Personalidade Narcisista
Indivíduos que se julgam grandiosos, com necessidade de admiração e que desprezam os outros, acreditando serem especiais e explorando os outros em suas relações sociais, tornando-se arrogantes. Gostam de falar de si mesmos, ressaltando sempre suas qualidades e por vezes contando vantagens de situações. Não se importam com o sofrimento que causam nas outras pessoas e muitas vezes precisam rebaixar e humilhar os outros para que se sintam melhor.

Transtorno de Personalidade Histriônica
Indivíduos facilmente emocionáveis, sempre em busca de atenção, sentem-se mal quando não são o centro das atenções. São sedutores, mas apresentam mudanças rápidas de emoções. Tentam impressionar aos outros, fazendo uso de dramatizações, e tendem a interpretar os relacionamentos como mais íntimos do que realmente são.

Transtorno de Personalidade Esquiva
Indivíduos tímidos (exageradamente), muito sensíveis a críticas, evitando atividades sociais ou relacionamentos com outros, reservados e preocupados com críticas e rejeição. Geralmente não se envolvem em novas atividades, vendo a si mesmos como inadequados ou sem atrativos e capacidades.

Transtorno de Personalidade Dependente
Indivíduos que têm necessidade de serem cuidados, submissos, sempre com medo de separações. Apresentam dificuldades para tomar decisões, necessitam que os outros assumam a responsabilidade de seus atos, não discordam, e têm dificuldades para iniciar projetos. Sentem-se muito mal quando sozinhos, evitando isso a todo custo.

Há muito debate sobre o uso de categorias de diagnóstico para o TP em que as pessoas se sentem como se estivessem sendo julgadas, e com o rótulo estigmatizador, por exemplo foram feitas associações negativas entre as condições e crimes. Enquanto isso, possa ser verdade para alguns indivíduos com TP de que isso é uma generalização e não é o caso para muitas pessoas com esta condição. Por exemplo, algumas pessoas com TP anti-social ou psicopata pode ser perigoso, pessoas diagnosticadas com TPB ou são mais propensos a se prejudicar ou tirar a própria vida.

As causas dos transtornos de personalidade
TP são problemas de saúde mental incrivelmente complexos e as causas ainda não são totalmente conhecidas. As possíveis causas incluem trauma na primeira infância, como abuso, violência, paternidade inadequada e negligência. Há evidências crescentes de que fatores neurológicos e genéticos podem desempenhar um papel no desenvolvimento destas desordens.

Tratamentos e estratégias de auto-gestão

Muito pouca pesquisa foi realizada examinando a eficácia de tratamentos para TP, no entanto, é amplamente aceito que estas condições podem ser bem geridas. Tratamentos para o TP pode incluir psicoterapia, psicodinâmica, terapias cognitivas comportamentais, e medicação.

Tratamento psicodinâmico: Este tratamento enfatiza a estrutura da personalidade e do desenvolvimento. Destina-se a ajudar as pessoas a entender seus sentimentos e encontrar melhores mecanismos de enfrentamento. Essa abordagem tem demonstrado sucesso variado e é provável que seja menos eficaz para aqueles com dependência.

A terapia cognitiva e comportamental: terapias cognitivas e comportamentais, como a terapia cognitiva, terapia comportamental dialética, a psicoterapia interpessoal e terapia analítica cognitiva pode ser útil. Outras abordagens cognitivas comportamentais abordam aspectos específicos de pensamentos, sentimentos, comportamentos ou atitudes, e não pretendem tratar todo tipo de TP. A pesquisa sugere que há alguns benefícios de curto prazo para essas abordagens, mas é necessária mais investigações para o benefício de longo prazo.

Medicação (tratamentos farmacológicos)

Atualmente, não há um medicamento que é usado exclusivamente no tratamento de TP. No entanto, orientação sugere que a medicação pode ser utilizada para ajudar a tratar e aliviar outros problemas concomitantes tais como depressão, ansiedade e os sintomas psicóticos.

Fonte: Hospital Santa Mônica e Mental Health Foundation

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