Sim. Grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo, costumam estar associados ao aumento do consumo de bebidas alcoólicas, ao uso de outras drogas em alguns grupos e à maior participação em apostas esportivas e jogos online. A combinação entre emoção, maior socialização, publicidade intensa e facilidade de acesso às plataformas digitais pode favorecer comportamentos impulsivos e aumentar o risco de desenvolvimento ou agravamento de dependências.
Para quem já apresenta um transtorno por uso de substâncias ou um comportamento compulsivo relacionado aos jogos, esse período merece atenção especial da família e dos profissionais de saúde.
Por que a Copa do Mundo favorece comportamentos de risco?
Poucos eventos mobilizam tantas emoções quanto a Copa do Mundo. Jogos decisivos, confraternizações, bares lotados e a expectativa por vitórias criam um ambiente em que o consumo de álcool é frequentemente incentivado.
Nos últimos anos, outro fator passou a ganhar protagonismo: a popularização das apostas esportivas online, impulsionadas por campanhas publicitárias, patrocínios de clubes e influenciadores digitais.
Essa combinação pode levar algumas pessoas a:
- consumir álcool em maior quantidade;
- experimentar outras drogas em festas ou encontros;
- apostar repetidamente durante as partidas;
- perder o controle sobre gastos financeiros;
- tomar decisões impulsivas motivadas pela emoção dos jogos.
O que dizem as pesquisas?
Diversos estudos internacionais mostram que grandes eventos esportivos estão associados ao aumento do consumo de álcool, principalmente entre adultos jovens.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o uso nocivo do álcool está relacionado a mais de 2,6 milhões de mortes por ano no mundo, além de aumentar o risco de acidentes, violência, doenças cardiovasculares, câncer e transtornos mentais.
No Brasil, o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD) e pesquisas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostram que o consumo abusivo de álcool permanece um importante problema de saúde pública, especialmente em ocasiões festivas.
Já em relação às apostas, estudos publicados em revistas científicas apontam que eventos esportivos de grande audiência aumentam significativamente o número de apostas realizadas e podem estimular comportamentos compulsivos em pessoas vulneráveis.
As apostas esportivas representam um novo desafio
Com poucos cliques é possível apostar durante toda a partida.
Hoje, muitas plataformas oferecem apostas em tempo real:
- próximo gol;
- número de escanteios;
- cartões amarelos;
- resultado parcial;
- desempenho de jogadores.
Esse formato estimula recompensas rápidas e repetidas, mecanismo semelhante ao observado em outros transtornos comportamentais relacionados ao jogo.
Além disso, as chamadas “apostas ao vivo” favorecem decisões impulsivas, principalmente quando a pessoa tenta recuperar perdas sucessivas.
Quando apostar deixa de ser diversão?
Nem toda aposta significa dependência.
O problema começa quando a atividade passa a provocar prejuízos pessoais, familiares ou financeiros.
Alguns sinais de alerta incluem:
- necessidade de apostar valores cada vez maiores;
- dificuldade para interromper as apostas;
- mentir sobre perdas financeiras;
- utilizar dinheiro destinado às despesas da família;
- tentar recuperar imediatamente o dinheiro perdido;
- irritação quando não consegue apostar;
- queda no desempenho profissional ou acadêmico.
Esses comportamentos podem indicar um transtorno relacionado ao jogo, conhecido como ludopatia ou transtorno do jogo.
Álcool e apostas: uma combinação perigosa
O consumo de bebidas alcoólicas reduz a capacidade de julgamento e aumenta a impulsividade.
Sob efeito do álcool, muitas pessoas:
- apostam valores mais altos;
- assumem riscos maiores;
- permanecem por mais tempo nas plataformas;
- têm maior dificuldade para controlar gastos.
Essa associação pode acelerar o desenvolvimento de problemas financeiros e emocionais.
Quem apresenta maior risco?
Alguns grupos merecem atenção especial:
- pessoas com histórico de dependência química;
- indivíduos com transtornos de ansiedade ou depressão;
- jovens adultos;
- pessoas impulsivas;
- indivíduos com histórico familiar de dependência;
- quem já apresenta dificuldades financeiras.
Como reduzir os riscos durante a Copa?
Algumas atitudes ajudam a tornar o período mais seguro:
- estabelecer um limite para consumo de bebidas alcoólicas;
- evitar utilizar álcool como forma de aliviar ansiedade ou frustração;
- definir previamente um orçamento para lazer;
- não apostar para recuperar perdas;
- fazer pausas durante os jogos;
- manter atividades além da Copa, como exercícios físicos e convivência familiar;
- procurar ajuda ao perceber perda de controle.
Quando procurar tratamento?
Se o consumo de álcool, drogas ou as apostas começam a afetar relacionamentos, trabalho, estudos ou finanças, é importante buscar avaliação especializada.
Quanto mais precoce o tratamento, maiores são as chances de recuperação e de prevenção de complicações.
A dependência química e o transtorno do jogo são condições de saúde reconhecidas que podem ser tratadas por equipes multidisciplinares, com acompanhamento psiquiátrico, psicológico e terapêutico.
Como o Hospital Santa Mônica pode ajudar?
O Hospital Santa Mônica é referência no tratamento de transtornos mentais e dependência química, oferecendo atendimento especializado para adolescentes, adultos e famílias.
A instituição conta com equipe multiprofissional composta por psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermagem especializada e outros profissionais, que desenvolvem planos terapêuticos individualizados de acordo com as necessidades de cada paciente.
Quando identificados precocemente, os transtornos relacionados ao uso de álcool, drogas ou às apostas apresentam melhores perspectivas de recuperação e qualidade de vida.
Perguntas frequentes (FAQ)
Sim. Estudos mostram que grandes eventos esportivos costumam aumentar o consumo de bebidas alcoólicas devido às confraternizações e ao maior envolvimento emocional dos torcedores.
Sim. Algumas pessoas podem desenvolver transtorno do jogo (ludopatia), principalmente quando há perda de controle, prejuízo financeiro e necessidade constante de apostar.
Sim. O álcool reduz a capacidade de julgamento e favorece decisões impulsivas, aumentando o risco de perdas financeiras.
Sim. O tratamento pode incluir acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia, orientação familiar e, quando indicado, uso de medicamentos para controlar sintomas associados.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Global status report on alcohol and health.
- Fundação Oswaldo Cruz. Levantamentos sobre uso de álcool e outras drogas no Brasil.
- American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders.
- National Institute on Drug Abuse. Substance Use and Addiction Science.
- National Council on Problem Gambling. Gambling Disorder Resources.