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Comprometimento Cognitivo Leve (CCL) em idosos: quando é necessário começar o tratamento?

Também conhecido pela sigla CCL, o Comprometimento Cognitivo Leve está associado às condições patológicas de evolução do processo de envelhecimento normal para os quadros de demência. Logo, ele é considerado uma fase sintomática que apresenta leves sinais de perdas neurológicas que podem ser exemplificadas pela doença de Alzheimer.

Neste texto, a dra. Luciana Mancini Bari, médica do Hospital Santa Mônica irá falar sobre a importância do acompanhamento precoce da demência na terceira idade. Veja como a atenção e o cuidado ajudam a identificar os sintomas que exigem a avaliação neuropsicológica. Confira, então, o que é CCL, a relação dele com outras doenças e as melhores opções de tratamento para o seu efetivo controle.

Boa leitura!

Conceito de Comprometimento Cognitivo Leve (CCL)

O Comprometimento Cognitivo Leve é um problema conhecido por diferentes nomes. Entre os mais utilizados destacam-se o “esquecimento benigno da senilidade” também chamado de “perda de memória relacionada à idade”. Nos últimos anos, o aumento da população de idosos e as estatísticas de casos de males demenciais fizeram com que os conceitos relacionados ao tema evoluíssem.

Assim, o CCL designa uma condição clínica em que ocorre perdas progressivas em uma ou mais funções cognitivas. A evolução para doenças degenerativas, de fato, ocorre quando se percebe um relativo prejuízo na rotina do idoso e ele perde significativamente sua autonomia.

Porém, um dos marcadores dessa transição entre a fisiologia do envelhecimento normal para as condições tipicamente patológicas é a perda da capacidade de realizar tarefas mais complexas. O idoso não consegue mais exercer certas atividades, sobretudo aquelas que precisam de mais domínio cognitivo.

Nessas condições, surgem queixas de dificuldade de concentração e de esquecimento em relação à perda de objetos, os quais ele não lembra onde foram guardados. A falta de concentração e de percepção sensorial também podem estar presentes, pois muitos passam horas procurando os óculos, por exemplo, até que alguém descobre que o idoso está com eles no próprio bolso.

Causas do CCL e relações com outras doenças

À medida que a idade avança, ​esquecer pequenas coisas faz parte da rotina normal da maioria das pessoas. Na verdade, elas desenvolvem uma memória bastante seletiva, que possibilita guardar o que é importante. Entretanto, quando essa situação foge à normalidade, é necessário procurar ajuda profissional para avaliar sinais do CCL.

Um estudo publicado pela Revista Médica da USP apontou que a prevalência geral do CCL na população de idosos brasileiros é de 15% a 20%. O mesmo artigo destaca as chances de evolução dos problemas cognitivos leves para a Doença de Alzheimer, porque as taxas de conversão variam de 10% a 40% ao ano.

O Alzheimer é um mal crônico-degenerativo que compromete áreas importantes do Sistema Nervoso Central. Inicialmente, observa-se a manifestação da redução das funções cognitivas pela perda de memória. Vale frisar que, no início, a região mais afetada é a responsável pelo armazenamento de fatos recentes. Funções da linguagem e executivas podem ser impactadas na sequência.

Logo, o CCL é tido como um estado intermediário entre a degeneração normal que ocorre durante o envelhecimento e o surgimento do Alzheimer, cuja característica marcante é a redução da memória episódica. Porém, essa mudança ainda não interfere em áreas funcionais nem apresenta déficits cognitivos.

Também é importante correlacionar o CCL com desordens emocionais, pois as queixas de problemas de memória, relatadas pela maioria dos idosos, quase sempre estão associadas a quadros de depressão e ansiedade. Tais distúrbios contribuem para acelerar o processo de transição entre os eventos fisiológicos senis e o Alzheimer.

Ainda há outras doenças que também se configuram como causas ou consequências dessas mudanças cognitivas. As mais comuns são o Parkinson, o acidente vascular encefálico (AVE), doenças metabólicas — como o hipotireoidismo — que levam aos desequilíbrios hormonais e as avitaminoses.

Diagnóstico

Os responsáveis pelos idosos devem atentar aos possíveis sinais que geram a perda de memória. O ideal é fazer um acompanhamento regular com um geriatra e um psiquiatra para avaliar, precocemente, alguma alteração cognitiva digna de nota. Vale frisar que a associação com problemas emocionais aumenta a ansiedade e pode intensificar o CCL.

Qualquer tipo de queixa de esquecimento deve servir de alerta para a ocorrência de tal problema, principalmente se houver a manifestação de episódios mais frequentes. Nesses casos, a orientação é procurar um médico habilitado para avaliar a memória. Geralmente, a análise diagnóstica requer exames específicos e anamnese clínica para avaliar a fluência verbal e a memória visual.

Medidas de prevenção 

Mesmo que ainda não haja nenhum tipo de medicamento para frear as perdas cognitivas resultantes do envelhecimento, algumas intervenções e práticas podem ajudar a retardar esse problema. O treinamento da memória e o incentivo ao aprendizado de coisas novas são excelentes estratégias de prevenção das funções cerebrais.

Listamos algumas ações favoráveis à manutenção da saúde do cérebro e da preservação da memória. Observe:

  • para quem não está habituado a ler, recomenda-se a leitura diária de livros, jornais e revistas, mesmo online;
  • aprender algo novo também estimula a produção de novos neurônios (as células do cérebro) ou à ativação dos já existentes;
  • aprender um novo idioma, treinar novas receitas culinárias ou começar a tocar um instrumento musical são ótimas práticas;
  • é essencial a atenção ao sono, à prática de exercícios físicos e aos cuidados com a alimentação;
  • o estilo de vida também deve ser o mais saudável possível, pois o alcoolismo, tabagismo ou a dependência química destroem as células do cérebro.

Início do tratamento

As funções cognitivas envolvem fatores distintos como o pensamento, a expressão da linguagem, o controle sensorial, atenção, a capacidade intelectual e outras habilidades que exigem raciocínio. Porém, a memória é a parte mais afetada pelo envelhecimento. Por tal razão, quando aparecerem os primeiros sinais de comprometimento, o ideal é buscar ajuda profissional.

Como você percebeu, é possível evitar a progressão de doenças degenerativas por meio de um acompanhamento profissional especializado. Mesmo que os processos fisiológicos do envelhecimento não sejam revertidos, ficar atento aos sinais do Comprometimento Cognitivo Leve pode retardar a perda cognitiva e preservar a autonomia do idoso.

Gostaria de mais informações sobre os tratamentos do Hospital Santa Mônica? Entre em contato agora mesmo e conte com a gente para o que precisar!

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