Histórias de Recuperação

Ansiedade, insônia e tentativa de suicídio: “Eu tinha tudo — e não queria mais viver”

Renato construiu uma carreira sólida, conquistou estabilidade financeira e manteve um casamento longo. Mas, após uma sequência de eventos estressores — separação, isolamento e pandemia — desenvolveu um quadro grave de ansiedade, insônia e sofrimento psíquico intenso, que evoluiu para tentativas de suicídio. Após múltiplas internações, encontrou no tratamento estruturado um caminho de recuperação.

Saúde mental · Depoimento: Renato · Leitura: ~7 min

Cristina Collina
Redação
Cristina Collina

Jornalista especializada em saúde mental | MTb 0081755/ SP.

Comunicação em Saúde
RESPOSTA RÁPIDA — quando o sofrimento se torna invisível, mas grave
Mesmo com estabilidade financeira e vida estruturada, Renato desenvolveu um quadro grave de sofrimento mental. Ansiedade intensa, insônia crônica e uso de álcool como estratégia de enfrentamento evoluíram para risco de suicídio. A internação psiquiátrica foi essencial para estabilização e retomada da vida.
20 anos
De relacionamento  
+1 gatilho importante separação + pandemia  4 internações
até estabilização do quadro  

O início: alta performance e vida acelerada

Renato sempre teve um perfil ativo.

Desde jovem, assumiu responsabilidades cedo e construiu sua trajetória profissional com autonomia.

“Com 21 anos eu já tinha meu primeiro escritório.”  – Renato, ex-paciente do Hospital Santa Mônica

A vida era marcada por:

  • rotina intensa de trabalho
  • alta exigência pessoal
  • ritmo acelerado

Esse perfil, embora funcional, também pode aumentar vulnerabilidade a quadros de ansiedade.

O primeiro gatilho: a separação

Após quase 20 anos de relacionamento, Renato se separou.

Apesar de não haver arrependimento, houve um fator crítico:

O luto não foi elaborado.

“Eu não vivi o que precisava viver.” – Renato

Esse tipo de luto não processado pode gerar impacto emocional tardio e profundo.

O segundo gatilho: isolamento e pandemia

Logo após a separação, veio a pandemia.

Mudanças bruscas:

  • isolamento social
  • ruptura de rotina
  • sensação de perda de controle

“Eu me senti trancado.” – Renato

Esse contexto agravou o sofrimento emocional.

O sintoma central: insônia severa

Diferente do padrão clássico de depressão, Renato não conseguia parar.

O principal sintoma era a incapacidade de dormir.

“Eu não dormia.” – Renato

A insônia crônica é um marcador importante de risco em saúde mental, podendo agravar:

  • ansiedade
  • irritabilidade
  • impulsividade
  • desorganização emocional

A tentativa de alívio: álcool como automedicação

Sem conseguir dormir, Renato encontrou no álcool uma solução imediata.

Mesmo sem histórico de consumo, passou a beber de forma intensa.

“Eu bebia rápido para conseguir dormir.” – Renato

Esse padrão caracteriza:

  • uso funcional da substância
  • risco de dependência
  • piora da qualidade do sono

“O pior sono que tem.” – Renato

Ansiedade sem tratamento de base

Renato buscou ajuda psiquiátrica e iniciou uso de ansiolíticos.

Mas percebeu uma limitação importante:

“O remédio acalma, mas não resolve o motivo.” – Renato

Essa percepção é clinicamente relevante:

  • medicação sem abordagem da causa mantém o ciclo do sofrimento.

O agravamento: ideação e tentativas de suicídio

Com a progressão do quadro:

  • pensamentos suicidas se intensificaram
  • sensação de vazio aumentou
  • nada mais fazia sentido

“Eu queria ir embora.” – Renato

Renato passou por múltiplas internações — algumas motivadas por tentativas de suicídio.

Em um momento crítico:

“Se eu não morrer enforcado, eu vou pular.” – Renato

Esse nível de verbalização indica risco iminente.

O estigma: por que as pessoas não falam

Renato traz um ponto central:

“As pessoas têm vergonha de pedir ajuda.” – Renato

Mesmo com sofrimento intenso, há barreiras como:

  • medo de julgamento
  • crença de “frescura”
  • resistência ao tratamento

Ele próprio reconhece:

“Eu já falei que era frescura. Não é.” – Renato

O ponto de virada: tratamento estruturado

Após múltiplas internações, Renato encontrou uma abordagem que fez sentido.

O contato com equipe especializada e intervenções mais estruturadas foi decisivo.

Um dos marcos foi o alinhamento com orientação terapêutica prática.

O que mudou: rotina, disciplina e controle

O principal pilar da recuperação foi a construção de rotina.

“Quem manda é você.”

Foram trabalhados:

  • disciplina diária
  • organização do tempo
  • retomada de controle

Esse tipo de intervenção é fundamental em transtornos de humor e ansiedade.

A mudança de perspectiva

Renato descreve uma transformação clara:

Antes:

  • desejo de morrer
  • desesperança
  • ausência de sentido

Depois:

  • vontade de viver
  • valorização do cotidiano
  • retomada de propósito

“Hoje eu quero viver. Dia após dia.”

Um ponto importante: aparência não define sofrimento

Renato reforça um aspecto crítico:

“Você tem tudo… e as pessoas não entendem.” – Renato

Isso evidencia que:

  • sofrimento mental não depende de condição financeira
  • não é visível externamente
  • não é falta de força

Mensagem de quem viveu o processo

Renato deixa uma orientação direta:

  • Não ignore os sinais.
  • Não enfrente sozinho.
  • E, principalmente: não desista.
Contexto clínico — equipe do Hospital Santa Mônica
Programa de Transtornos de Ansiedade, Humor e Crises
“Quadros de ansiedade associados à insônia crônica e eventos estressores podem evoluir para risco significativo, incluindo ideação suicida. O tratamento envolve estabilização, psicoterapia estruturada e reorganização da rotina como estratégia terapêutica.”
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→  Saiba mais sobre ansiedade: hospitalsantamonica.com.br/saude-mental/ansiedade/
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