Transtorno por Uso de Substância

Overdose de heroína: quais são os sinais, o que fazer e qual é o risco no Brasil?

A overdose de heroína é uma emergência médica que pode provocar depressão respiratória, perda de consciência e morte. Embora a heroína não esteja entre as drogas de uso mais frequente no Brasil, o risco de overdose por opioides merece atenção, especialmente diante da circulação de novas substâncias sintéticas no mercado ilegal.

Heroína é comum no Brasil?
Não. Os dados nacionais disponíveis indicam que o uso de heroína é relativamente raro no Brasil. No levantamento nacional com dados de 2015, 0,3% da população de 12 a 65 anos relatou uso alguma vez na vida e cerca de 0,1% relatou uso nos 12 meses anteriores. Não há, contudo, dados nacionais recentes suficientes para estimar com precisão a frequência atual de overdoses especificamente por heroína.

A heroína é um opioide derivado da morfina e tem alto potencial de causar dependência. Em uma overdose, o principal risco é a depressão do sistema nervoso central e da respiração. Sem atendimento rápido, a falta de oxigênio pode levar a lesões cerebrais e morte.

No Brasil, entretanto, é importante evitar a impressão de que existe uma epidemia de consumo de heroína semelhante à observada em alguns países. Os dados nacionais disponíveis indicam que o uso da substância é relativamente pouco frequente. No III Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas, realizado com dados coletados em 2015, cerca de 0,3% dos brasileiros de 12 a 65 anos relataram ter usado heroína alguma vez na vida; o uso nos 12 meses anteriores foi estimado em aproximadamente 0,1%.

Isso não significa que o risco deva ser ignorado. Além da heroína, outros opioides podem provocar intoxicação grave e overdose. Nos últimos anos, autoridades brasileiras passaram a monitorar a presença de opioides sintéticos, como os nitazenos, que apresentam elevada potência e podem aumentar o risco de intoxicação.

O que é uma overdose de heroína?

A overdose ocorre quando a quantidade de opioide provoca uma depressão excessiva das funções do organismo, especialmente da respiração.

A heroína atua nos receptores opioides do sistema nervoso central. Em uma intoxicação grave, essa ação pode reduzir progressivamente a frequência e a eficiência da respiração. A pessoa pode ficar extremamente sonolenta, perder a consciência e parar de respirar.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os sinais clássicos de uma overdose por opioides incluem pupilas muito contraídas, perda de consciência e dificuldade para respirar.

Quais são os sinais de overdose de heroína?

Os principais sinais de uma possível overdose por opioides são:

  • dificuldade ou ausência de respiração;
  • respiração muito lenta ou irregular;
  • perda de consciência ou dificuldade para despertar a pessoa;
  • pupilas muito pequenas;
  • lábios ou extremidades arroxeados ou azulados;
  • pele fria ou pálida;
  • roncos ou sons incomuns durante a respiração;
  • ausência de resposta quando a pessoa é chamada ou estimulada.

Uma pessoa inconsciente que pode ter usado heroína ou outro opioide deve ser tratada como uma emergência médica.

Overdose de heroína pode matar?

Sim.

O principal mecanismo de morte na overdose por opioides é a depressão respiratória. Quando a pessoa deixa de respirar adequadamente, a quantidade de oxigênio no sangue cai e podem ocorrer danos graves ao cérebro, coração e outros órgãos.

A OMS estima que cerca de 125 mil pessoas morreram por overdose de opioides em 2019 no mundo. A organização ressalta, porém, que as overdoses não fatais são várias vezes mais frequentes do que as fatais.

O que fazer em caso de suspeita de overdose?

A overdose de heroína deve ser tratada como uma emergência.

Ligue imediatamente para o serviço de emergência e não deixe a pessoa sozinha.

Enquanto o atendimento especializado não chega:

  1. Verifique se a pessoa responde e se está respirando.
  2. Acione o serviço de emergência.
  3. Se a pessoa não estiver respirando normalmente, inicie as medidas de suporte à vida orientadas pelo serviço de emergência.
  4. Se houver naloxona disponível e houver suspeita de overdose por opioide, ela pode ser utilizada conforme orientação e treinamento.
  5. Mesmo que a pessoa apresente melhora após a naloxona, ela precisa de avaliação médica, porque os efeitos do opioide podem persistir ou voltar.

A OMS considera a naloxona um medicamento capaz de reverter uma overdose por opioides quando administrado a tempo e recomenda que pessoas com maior probabilidade de presenciar uma overdose tenham acesso ao medicamento e treinamento para utilizá-lo.

O que é naloxona?

A naloxona é um antagonista dos receptores opioides. Em uma intoxicação por opioides, ela pode bloquear temporariamente os efeitos da substância e recuperar a respiração.

Ela não trata a dependência química nem elimina a necessidade de atendimento médico. Seu papel é interromper a intoxicação aguda e ganhar tempo para que a pessoa receba atendimento adequado.

Protocolos brasileiros de atendimento toxicológico também reconhecem a naloxona como antídoto para intoxicação por opioides com depressão respiratória.

Misturar heroína com álcool aumenta o risco de overdose?

Sim.

A combinação de opioides com álcool ou outros medicamentos que deprimem o sistema nervoso central pode aumentar o risco de depressão respiratória e overdose.

A OMS destaca especialmente a combinação de opioides com álcool, benzodiazepínicos, barbitúricos, anestésicos e outros medicamentos que podem reduzir a atividade respiratória.

Por isso, uma intoxicação grave pode ocorrer mesmo quando a pessoa não utiliza apenas uma substância.

É possível ter overdose depois de voltar a usar heroína?

Sim.

Um dos fatores de risco reconhecidos é retomar o uso de opioides depois de um período de abstinência.

Isso pode acontecer porque a tolerância à substância diminui durante o período sem uso. Ao retornar ao consumo, uma quantidade que anteriormente era tolerada pode produzir efeitos muito mais intensos.

A OMS inclui a retomada do uso após um período prolongado de abstinência entre os fatores de risco para overdose.

Heroína é comum no Brasil?

Não há evidências de que a heroína seja uma das drogas ilícitas de uso mais comum no Brasil.

Os dados nacionais disponíveis apontam prevalência baixa. No levantamento nacional baseado em dados de 2015, aproximadamente 0,3% da população brasileira de 12 a 65 anos relatou uso de heroína alguma vez na vida, enquanto cerca de 0,1% relatou uso nos 12 meses anteriores.

É importante, porém, fazer uma ressalva: esses dados são antigos e não permitem estimar com precisão o cenário brasileiro atual. Também não há uma série nacional recente que permita afirmar quantas mortes por overdose especificamente de heroína acontecem hoje no país.

Portanto, não é adequado importar diretamente para o Brasil as estatísticas de países que enfrentam uma epidemia de opioides.

O Brasil tem um problema com outros opioides?

O cenário brasileiro é mais complexo do que a discussão sobre heroína.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública mantém um Sistema de Alerta Rápido para acompanhar novas substâncias psicoativas e mudanças no mercado ilegal de drogas. Entre as preocupações recentes estão os nitazenos, uma classe de opioides sintéticos altamente potentes identificada no país.

Em estudo citado em publicação científica recente, nitazenos foram encontrados em 95% de 140 amostras de opioides apreendidas pela Polícia de São Paulo entre julho de 2022 e abril de 2023. O achado reforça a necessidade de vigilância toxicológica, embora não signifique que essas substâncias estejam amplamente disponíveis para toda a população.

Esse cenário também mostra por que uma pessoa pode nem sempre saber exatamente qual substância está consumindo no mercado ilegal — um fator que pode aumentar o risco de intoxicação.

Heroína causa dependência?

Sim.

O uso repetido de opioides pode levar ao transtorno por uso de opioides, uma condição de saúde que envolve perda de controle sobre o consumo, prioridade crescente dada à substância e continuidade do uso apesar das consequências negativas.

A dependência também pode envolver tolerância e sintomas de abstinência quando o consumo é reduzido ou interrompido.

Por isso, uma overdose não deve ser analisada apenas como um episódio isolado. Quando existe dependência, é importante avaliar o risco de novas intoxicações e oferecer tratamento adequado.

Quem sobrevive a uma overdose precisa de tratamento?

Uma overdose é um sinal de risco grave e deve ser seguida por avaliação médica.

Quando existe transtorno por uso de opioides, existem tratamentos eficazes. A OMS recomenda diferentes abordagens, incluindo tratamento farmacológico com metadona ou buprenorfina, além de intervenções psicossociais.

O objetivo não é apenas interromper o consumo, mas reduzir os riscos associados à dependência, prevenir novas overdoses e favorecer a recuperação.

Perguntas frequentes sobre overdose de heroína

Uma overdose de heroína acontece imediatamente?

Não necessariamente. A evolução depende da substância, da quantidade, da forma de exposição, da presença de outras drogas e das características da pessoa. Qualquer alteração importante da consciência ou da respiração exige atendimento de emergência.

Uma pessoa que está dormindo pode estar sofrendo uma overdose?

Pode. Uma pessoa em overdose pode parecer estar simplesmente dormindo, mas não responde adequadamente aos estímulos e apresenta respiração muito lenta, irregular ou ausente. Por isso, é importante verificar a respiração e a capacidade de resposta.

A naloxona sempre funciona?

A naloxona pode reverter os efeitos de uma overdose causada por opioides, mas a resposta depende da situação clínica e da substância envolvida. Além disso, algumas intoxicações podem envolver mais de uma droga. A administração da naloxona não substitui o atendimento médico.

Uma pessoa pode morrer mesmo depois de receber naloxona?

Sim. A naloxona pode reverter temporariamente a depressão causada pelos opioides, mas a pessoa ainda precisa de avaliação e monitoramento médico. A duração do efeito da naloxona pode ser menor que a de determinados opioides.

Heroína e fentanil são a mesma coisa?

Não. Ambos são opioides, mas são substâncias diferentes. O fentanil é um opioide sintético utilizado na medicina e também encontrado ilegalmente. A heroína é um opioide derivado da morfina.

Por que os opioides podem causar parada respiratória?

Eles podem reduzir a atividade das áreas do cérebro responsáveis pelo controle da respiração. Em uma overdose, essa depressão pode ser intensa o suficiente para fazer a pessoa parar de respirar.

Quando procurar ajuda para dependência de drogas?

A busca por tratamento não precisa esperar uma overdose.

Alguns sinais indicam que o consumo deixou de ser apenas um comportamento ocasional e pode estar relacionado a um transtorno por uso de substâncias: perda de controle sobre o consumo, tentativas frustradas de parar, necessidade crescente da droga, sintomas de abstinência, abandono de atividades importantes e continuidade do uso apesar dos prejuízos físicos, psicológicos, familiares ou profissionais.

Nessas situações, uma avaliação especializada em saúde mental e dependência química pode ajudar a identificar o problema e definir o tratamento mais adequado.

Como o Hospital Santa Mônica pode ajudar?

Uma overdose pode ser o sinal mais grave de que o uso de uma substância chegou a um ponto de risco. Quando a pessoa sobrevive a uma intoxicação por opioides, é importante não tratar o episódio apenas como uma emergência isolada: é fundamental investigar se existe um transtorno por uso de substâncias e avaliar o risco de uma nova overdose.

O Hospital Santa Mônica oferece tratamento especializado para pessoas que enfrentam dependência de drogas e álcool, com acompanhamento psiquiátrico e equipe multiprofissional. O cuidado é individualizado e pode incluir avaliação clínica e psiquiátrica, desintoxicação supervisionada, psicoterapia, terapia ocupacional, acompanhamento de enfermagem e participação da família no processo terapêutico.

A necessidade de internação não é definida apenas pela substância utilizada. Ela depende da gravidade do quadro, dos riscos associados ao consumo, da presença de outros transtornos mentais, das condições clínicas e da resposta às possibilidades de tratamento ambulatorial. Em situações graves, a internação pode oferecer um ambiente protegido para a estabilização clínica e o início estruturado do tratamento.

O tratamento também não termina com a desintoxicação. A continuidade do cuidado, o acompanhamento após a alta, a prevenção de recaídas e o envolvimento da família são componentes importantes para a recuperação. No Hospital Santa Mônica, o tratamento é organizado a partir de um Projeto Terapêutico Individual, definido de acordo com as necessidades clínicas e psicossociais de cada paciente.

Se você ou alguém da sua família apresenta perda de controle sobre o uso de opioides, recaídas frequentes, aumento do risco associado ao consumo ou já sofreu uma overdose, procure avaliação especializada. Quanto antes o problema for identificado, maiores são as possibilidades de construir uma estratégia de tratamento e reduzir o risco de novos episódios.

Em caso de suspeita de overdose, porém, a prioridade é o atendimento de emergência. Procure imediatamente um serviço de urgência ou acione o SAMU pelo 192.

Em caso de emergência – Pronto Atendimento Psiquiátrico

Suspeita de overdose, perda de consciência ou dificuldade para respirar exige atendimento médico imediato.

Não espere a pessoa “voltar ao normal” sozinha.

Em São Paulo, o Hospital Santa Mônica oferece atendimento especializado em saúde mental e dependência química, com avaliação individualizada e diferentes modalidades de cuidado.

Fontes e referências

  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Opioid overdose. Atualizado em 29 de agosto de 2025.
  • OMS. Community management of opioid overdose.
  • Ministério da Justiça e Segurança Pública/Senad. Publicações do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid), incluindo o monitoramento de opioides e nitazenos no Brasil.
  • III Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira. Dados sobre uso de heroína e outros opioides.

gradient
Cadastre-se e receba nossa newsletter