Histórias de Recuperação

Relato de Experiência: internação psiquiátrica de Pablo

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“Eu achei que internar era desistir. Hoje eu sei que foi o maior ato de amor da minha vida.”

Tatiane é mãe de Pablo, 16 anos. Pablo tem diagnósticos sobrepostos — Autismo Nível 3, Deficiência Intelectual Grave, Síndrome de Prader-Willi e Transtorno Opositor Desafiador. Em 2026, quando as crises se tornaram incontroláveis, a família tomou a decisão mais difícil: a internação. Neste relato, Tatiane conta o que significa amar além do que os manuais ensinam.

Relato: Tatiane, mãe de Pablo · Leitura: ~6 min

RESPOSTA RÁPIDA — para famílias que enfrentam o autismo severo e a decisão da internação O Transtorno do Espectro Autista (TEA) Nível 3, quando associado a outros diagnósticos como a Síndrome de Prader-Willi e o Transtorno Opositor Desafiador, pode gerar crises de alta complexidade que ultrapassam a capacidade de manejo familiar. A internação psiquiátrica, nesses casos, não é abandono — é proteção. Pablo ficou 29 dias no Hospital Santa Mônica, com ajuste de medicação, manejo comportamental especializado e cuidado multidisciplinar. Voltou para casa com melhora significativa no comportamento, na comunicação e na compreensão de regras. A palavra da família é gratidão.
16 anos de Pablo4 diagnósticos sobrepostos29 dias de internaçãomelhora significativa após a alta

A origem: quando os diagnósticos se somam

A história de Pablo não começa em 2026.

Desde cedo, a família aprendeu a conjugar palavras que a maioria das pessoas nunca precisou pronunciar: autismo, hiperfagia, impulsividade, autolesão. Cada diagnóstico, isolado, já seria desafiador. Juntos, formam uma combinação que pouquíssimas equipes — e nenhuma família sozinha — consegue manejar com segurança.

O Autismo Nível 3 significa suporte intensivo em praticamente tudo. A Síndrome de Prader-Willi adiciona uma fome biologicamente incontrolável — o cérebro de Pablo simplesmente não recebe o sinal de saciedade. O Transtorno Opositor Desafiador amplifica cada frustração em crise.

“É uma combinação que vai além do amor. Vai além de qualquer coisa que qualquer mãe esteja preparada para enfrentar.”

Esse tipo de exposição permanente ao cuidado de alta complexidade esgota — física e emocionalmente — qualquer cuidador, por mais dedicado que seja.

A escalada: crises que fugiam de qualquer controle

Em 2026, o quadro de Pablo se agravou de forma abrupta.

As crises de agressividade se tornaram frequentes. A autolesão apareceu. A compulsão alimentar, marcada pela Síndrome de Prader-Willi, atingiu um nível de risco real — Pablo buscava comida de forma compulsiva, de madrugada, em situações que colocavam sua integridade em perigo.

A convivência familiar tornou-se insegura — não por vontade, mas pela impossibilidade clínica de manejar sozinhos o que só uma equipe especializada poderia conter.

  • agressividade física intensa, com risco de lesões
  • autolesão frequente e de difícil contenção
  • crises de compulsão alimentar severas, incluindo durante a madrugada
  • impossibilidade de rotina mínima em ambiente doméstico

“Só quem vivencia o dia a dia de crises severas entende a dor e a dificuldade. Não havia mais como proteger o Pablo sozinhos.”

Esse estágio representa risco elevado à integridade física do paciente — e dos cuidadores.

O momento de ruptura: a decisão

Internar um filho não é uma decisão que se toma em um dia.

É o resultado de noites em claro, de crises que não passam, de mãos que tentam conter e não conseguem mais. É a constatação — dolorosa e necessária — de que amar não é suficiente quando o que está em jogo é a segurança de quem se ama.

“Foi um momento extremamente triste e doloroso para nós, pais. Mas sabíamos que era um ato de amor e proteção.”

A decisão foi médica e familiar. E foi a certa.

O enfrentamento do preconceito: o julgamento que ninguém prepara você para receber

O processo da internação trouxe um desafio que Tatiane não esperava enfrentar com tanta intensidade: o julgamento de pessoas próximas.

Familiares e conhecidos reagiram com estranhamento. Alguns consideraram a decisão um “absurdo”. Outros simplesmente não compreenderam — porque não precisaram.

“Enfrentamos sérios problemas familiares e falta de aceitação. Pessoas que ‘torceram o nariz’. Só quem viveu sabe.”

O preconceito em torno da internação psiquiátrica é real e precisa ser nomeado. Internar não é desistir. Em muitos casos, como no de Pablo, é o único caminho que preserva a vida e a dignidade do paciente.

A primeira internação: cuidado e acolhimento

Pablo ficou 29 dias no Hospital Santa Mônica, em Itapecerica da Serra.

O que Tatiane encontrou ali foi diferente do que temia.

“O hospital não cuidou apenas do Pablo. Cuidou de nós como família. Sentimos que os profissionais são preparados e possuem um coração gigante para auxiliar em todos os aspectos.”

Desde os primeiros dias, a equipe multidisciplinar trabalhou em duas frentes simultâneas: o ajuste da medicação do Pablo e o suporte ativo à família — que também precisava de cuidado.

Os vínculos que o Pablo criou — e que a família não esquece

Para um adolescente com Autismo Nível 3, criar vínculos genuínos com pessoas novas é extraordinariamente difícil.

Pablo criou.

O enfermeiro Edi tornou-se, para ele, uma figura de avô — com a paciência, o afeto e a firmeza que esse papel exige. O enfermeiro Bruno manteve suporte constante, mesmo com a distância de Limeira. A enfermeira Laís foi, nas palavras de Tatiane, alguém que Pablo simplesmente amou.

“Destacamos o carinho especial do Pablo pelo Edi, que ele via como um avô. E pelo Bruno, sempre presente mesmo de longe. A Laís que ele simplesmente amou. São pessoas que levamos no coração.”

Esses vínculos não são detalhes. São evidência de como o Pablo foi tratado: com respeito, com afeto, com competência.

A virada: ajuste, manejo e melhora

A intervenção clínica foi o divisor de águas.

O ajuste de medicação, realizado com monitoramento contínuo da equipe, produziu resultados que a família não conseguia alcançar em ambiente doméstico. O manejo comportamental especializado reduziu a frequência e a intensidade das crises.

  • melhora significativa no comportamento
  • maior compreensão de regras e limites
  • avanços na comunicação
  • redução das crises de autolesão e agressividade

Pablo voltou para casa. Melhor. Mais tranquilo. Com mais dignidade.

A certeza que fica: faremos de novo, sem hesitar

Hoje, com Pablo em casa, a família tem convicção.

“Hoje, com o Pablo em casa, temos a convicção de que fizemos o que era certo. Se no futuro for necessário novamente, faremos sem hesitar, pois agora conhecemos um lugar seguro e preparado.”

Esse nível de confiança — construído dentro de 29 dias de cuidado real — é o que transforma um hospital em referência.

A mensagem de quem viveu

Tatiane deixa um recado direto para outras famílias que enfrentam situações semelhantes:

  • se você sente que não consegue mais sozinho, você não está errado — você está lúcido
  • buscar ajuda especializada não é fraqueza; é o maior ato de amor que existe
  • o preconceito dói, mas a recuperação do seu filho vale mais
  • você não precisa esperar piorar para agir

“Nossa palavra é gratidão. Superamos o julgamento e a tristeza inicial ao ver nosso filho retornar melhor e mais tranquilo. Obrigado a toda a equipe por devolver a dignidade e a paz ao Pablo e à nossa família.”

Contexto clínico — equipe do Hospital Santa Mônica TEA Nível 3 · Prader-Willi · Deficiência Intelectual · TOD   “O Transtorno do Espectro Autista em grau severo (Nível 3), especialmente quando associado a comorbidades como a Síndrome de Prader-Willi, Deficiência Intelectual e Transtorno Opositor Desafiador, configura quadro clínico de alta complexidade. As crises de agressividade, autolesão e compulsão alimentar características desse perfil exigem manejo especializado, em ambiente estruturado e seguro, com equipe multidisciplinar treinada.   A internação psiquiátrica, nesses casos, não representa ruptura do vínculo familiar — representa sua proteção. O suporte à família durante o processo de internação é parte integral do tratamento. A consolidação dos ganhos obtidos depende de acompanhamento contínuo após a alta e de uma rede de apoio qualificada.”

Sua família enfrenta uma situação parecida? O Hospital Santa Mônica oferece estrutura completa para tratamento de pacientes com TEA, Deficiência Intelectual e diagnósticos sobrepostos, com equipe especializada e cuidado integral em todas as fases.   TEL: ☎ (11) 4668-7455 — Fale conosco agora →  Saiba mais sobre internação e cuidados especializados
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