Paulistanos sofrem mais transtornos psiquiátricos - Hospital Santa Mônica

Ainda aos 16 anos, Alexandre (nome fictício) sabia que seria publicitário. A profissão conhecida pelas longas jornadas de trabalho já estava em sua família, e a entrada no mercado começou com o irmão, nove anos mais velho. “Eu trabalhava na área enquanto estava na faculdade, mas não sentia a pressão do dia a dia, apenas um pouco de cansaço”, lembrou.

Ao longo dos anos, porém, as cobranças em sua profissão desencadearam um comportamento diagnosticado como transtorno afetivo e um quadro de depressão.

“O grau de exigência é altíssimo, e você acaba esquecendo que é um ser humano”, relatou. “Nos momentos de crise eu chorava, ficava agressivo com as pessoas ao meu redor, principalmente a família.”

Após começar o tratamento psicológico e, mais tarde, aderir também à psicoterapia, Alexandre soube controlar melhor suas emoções e impulsos. “Até hoje preciso me policiar para não trabalhar muitas horas”, contou o publicitário, que também sofre de ansiedade e passou por momentos de compulsão alimentar.

“É fácil descontar na comida, comer sem parar como se fosse uma recompensa depois de uma semana puxada. Cheguei a engordar cerca de 10 quilos nesta época”, desabafou.

E esse é um problema que preocupa muita gente. Segundo o Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo), de 25 por cento a 40 por cento das pessoas terão algum transtorno psiquiátrico ao longo da vida. E isso tende a ser mais agravante em regiões com maior probabilidade de estresse.

Segundo Luiz Henrique Junqueira Dieckmann, médico psiquiatra da Unifesp (Universidade Federal Paulista), as cidades grandes essas doenças aparecem com mais intensidade nos grandes municípios. “O estresse agudo vivido em metrópoles, como São Paulo, aumenta a taxa de transtornos psiquiátricos.”

“Ninguém deixa de tratar uma pneumonia”, disse. “Os homens, por exemplo, procuram menos pelos tratamentos, mas este estigma está caindo.”

Preste atenção nas quatro fases do estresse

De acordo com a médica Aretusa dos Passos Baechtold, psicóloga do Instituto de Psicologia e Controle do Estresse, a primeira fase deste estado é até positiva. “A etapa de alerta nos faz enfrentar situações de mudança, que podem não ser ruins.”

A partir da segunda fase, o estresse começa a ser mais resistente e o organismo tenta fazer um esforço para voltar ao equilíbrio. É preciso prestar atenção, pois os fatores externos, como o trânsito e a violência, são considerados estimulantes neste momento. Durante o terceiro nível, chega-se quase ao esgotamento.

“Problemas gastrointestinais tornam-se comuns, cansaço e elevação de pressão também”, explicou Aretusa.

Segundo ela, a etapa final conhecida como a de exaustão, pode até mesmo levar à morte. “Mesmo as atividades mais prazerosas não são mais bem-vindas porque não há energia.”

Análise:

Yuri Busin, psicólogo e diretor do Casme (Centro de Atenção à Saúde Mental e Equilíbrio)

A falha que gera frustração

Em São Paulo, é muito comum uma pessoa demorar duas horas para ir e outras duas horas para retornar do trabalho. Isso nos torna mais ansiosos e impacientes. Há sempre uma pressão para conseguirmos produzir e atingir metas. Essa é a diferença da capital paulista para um município menor. Quando uma pessoa falha em seu emprego, por exemplo, pode ter dificuldades de se recolocar no mercado e isso fica ainda mais agravante em tempos de recessão econômica como a atual no país. A frustração final é inevitável e, com ela, vêm os transtornos psicológicos que acompanham o ritmo da cidade.

Fonte: Diário SP

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