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Psiquiatria Saúde Mental

Número de professores afastados por transtornos em SP é cada vez maior e já representam mais que 37% do total das licenças médicas

O número de professores afastados por transtornos mentais ou comportamentais nas escolas estaduais de São Paulo tem aumentado significativamente, chegando a representar mais de 37% do total de licenças médicas. Dados do G1 mostram que, em 2023, 112 professores foram afastados por dia devido a problemas de saúde mental, um aumento de 15% em relação ao ano anterior.

Agressões e desafios diários

A violência nas escolas tem sido um fator preocupante, com relatos frequentes de agressões físicas, verbais e ameaças contra os professores. Para lidar com essa realidade, a Secretaria Estadual da Educação de São Paulo implementou um programa de mediação de conflitos, capacitando profissionais para intervir em situações críticas.

Wilson Levy, chefe de gabinete da Secretaria, destaca a importância de um enfoque pedagógico para a solução dos problemas dentro das escolas: “Aqui na secretaria, nós não entendemos que a repressão seja o melhor caminho. Os problemas que acontecem dentro da escola merecem um tratamento pedagógico.”

Depoimentos revelam impacto emocional

Andrea Sá, professora de inglês do Ensino Médio, compartilha sua experiência traumática após ser agredida por um aluno ao solicitar que ele realizasse as atividades propostas. “Quando voltei à escola, tive crises ao abrir meu armário, tremores, choro incontrolável. Eu não conseguia entrar em sala de aula e precisei buscar ajuda psiquiátrica.”

Ela acredita que o comportamento dos alunos muitas vezes reflete a falta de estrutura familiar. “Os alunos estão cada vez mais desamparados, sem o suporte adequado da família.”

Luciana Gomes Lourenço Teodoro, professora de história e sociologia, também relata o receio de comunicar problemas aos pais: “Se você diz que um aluno causa problemas, corre o risco de enfrentar reações hostis.”

Luciana, que deixou a carreira de advogada para lecionar, precisou mudar de área após sofrer uma agressão física e ameaça de morte. “Entrar em sala de aula passou a ser motivo de pânico. O professor quer apenas ser respeitado e valorizado.”

Falta de estrutura e suporte aos docentes

Para Priscila Cruz, presidente-executiva da ONG Todos Pela Educação, a estrutura oferecida aos professores é inadequada. “O docente se desgasta emocionalmente pela falta de formação adequada, pela escassez de recursos e pelas condições precárias de trabalho.”

Wilson Levy reforça que a questão vai além da escola, sendo um reflexo de problemas sociais mais amplos: “A origem do conflito está nas relações sociais fragilizadas, que acabam repercutindo dentro das escolas.”

O aumento no afastamento de professores por transtornos mentais reforça a necessidade de políticas públicas que promovam melhores condições de trabalho e apoio psicossocial para esses profissionais, essenciais para a educação e formação das futuras gerações.

Fonte: G1.

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