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Atividade física durante o tratamento de dependência química

Nada que é imposto a um indivíduo terá um impacto benéfico. Por isso, apresentar um esporte para uma pessoa que está passando por um problema social, como é o caso do uso das drogas, deve ser discreto, natural e sem cobranças. Sendo assim, nada de trancar o usuário ou o paciente em tratamento numa academia ou em algum clube. Tudo deve ser muito espontâneo para que o resultado desejado seja alcançado.

Segundo a coordenadora do Núcleo de psicologia do esporte e atividade física do Centro de práticas esportivas (NUPSEA) da USP, Profª Me. Eliane Jany Barbanti, o exercício físico quando bem direcionado e embasado em parâmetros científicos, atua como um elo terapêutico importante por intervir no corpo do paciente durante todo o processo de recuperação da dependência química. Isso porque, as transformações pelas quais passa o físico têm relação direta com a autoestima melhorada, uma liberação durante e após os exercícios de substâncias responsáveis pela sensação de prazer assim como melhora o humor.

“Dependência química (DQ) provoca destruição no bem-estar emocional e físico. De um modo geral, aqueles que abusam das drogas tendem a negligenciar seus corpos e componentes importantes da saúde diariamente, inclusive alimentação adequada e exercícios essenciais, são deixados de lado. Parte do tratamento é reparar a ligação danificada entre corpo mente e investir nos aspectos físicos e psicológicos. No tratamento da dependência química o exercício serve para muitos propósitos, mas existem alguns benefícios principais, como o alívio e redução do estresse, a liberação de endorfinas, melhora no humor e aspecto social; que se pode derivar do exercício aeróbio e não aeróbio durante a recuperação e tratamento do abuso de substâncias”, lista Barbanti.

Em uma amostra, a coordenadora conseguiu identificar que a introdução da atividade física no tratamento do depende químico começa a surtir efeito entre dois a quatro meses após o seu início. É claro que a cura não é algo instantâneo. Pelo contrário, o processo é evolutivo e com o esporte a primeira mudança positiva naquele período já citado, é a melhora nos aspectos da qualidade de vida, como a capacidade funcional, o aspecto físico, a diminuição da dor, o estado geral, a vitalidade, a melhora do aspecto social e emocional e da saúde mental; desencadeando assim o afeto, a sociabilidade, uma melhora nos padrões de sono e no desempenho ocupacional.

A endorfina é eliminada durante o exercício aeróbico. O abuso de substâncias interfere na capacidade do organismo de produzir as substâncias químicas que nos permitem sentir prazer, felicidade e satisfação. Durante os exercícios aeróbicos são liberadas endorfinas naturais ao sistema, o corpo atinge sua capacidade de regular a química do seu próprio cérebro e o humor de forma saudável. Há vários tipos de exercícios aeróbicos, além daqueles realizados em nível de intensidade moderadamente alto por longo período de tempo. Sendo assim, é sugerido que o dependente químico pratique natação, corrida e ciclismo. Porém, o esporte mais indicado é aquele que agrada o paciente e o estimula emocionalmente, independente de qual for, desde ioga até basquete.

Assim, é importante dizer que o exercício aeróbico também pode e deve fazer parte do tratamento do dependente, uma vez que o mesmo é capaz de proporcionar uma melhora no humor geral da pessoa, proporciona autoconhecimento e melhora a autoestima, diminui os níveis de estresse, depressão e ansiedade e combate a fadiga e a perda de energia.

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