Retaguarda Clínica

Alzheimer: sintomas, diagnóstico e os avanços mais recentes no tratamento

Publicado originalmente em 15 de abril de 2014 | Atualizado em junho de 2026 por Hospital Santa Mônica

O que é a doença de Alzheimer?

A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência no mundo, sendo responsável por cerca de 60% a 80% dos casos. Trata-se de uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta a memória, o raciocínio, a linguagem, o comportamento e, gradualmente, a capacidade de realizar atividades do dia a dia.

Embora o envelhecimento seja o principal fator de risco, o Alzheimer não faz parte do envelhecimento normal. Esquecer ocasionalmente onde deixou as chaves é diferente de não conseguir lembrar para que elas servem ou de esquecer repetidamente acontecimentos recentes.

O diagnóstico precoce é fundamental porque permite iniciar tratamentos, planejar cuidados futuros, controlar fatores de risco e oferecer melhor qualidade de vida ao paciente e à família.

Quais são os primeiros sintomas do Alzheimer?

Os sinais iniciais costumam surgir de forma discreta e podem ser confundidos com “esquecimentos da idade”. Entre os sintomas mais frequentes estão:

  • Esquecimento frequente de informações recentes;
  • Repetição das mesmas perguntas ou histórias;
  • Dificuldade para encontrar palavras durante conversas;
  • Perda de objetos em locais incomuns;
  • Confusão com datas, horários ou compromissos;
  • Dificuldade para planejar tarefas ou administrar finanças;
  • Alterações de humor, irritabilidade ou apatia;
  • Redução do interesse por atividades antes prazerosas.

À medida que a doença evolui, o paciente pode apresentar:

  • Desorientação em locais conhecidos;
  • Dificuldade para reconhecer familiares e amigos;
  • Dependência para atividades básicas;
  • Alterações comportamentais e psicológicas;
  • Problemas de comunicação;
  • Comprometimento importante da autonomia.

Como o Alzheimer é diagnosticado atualmente?

O diagnóstico é realizado por médicos especializados, geralmente neurologistas, psiquiatras ou geriatras, por meio da combinação de:

  • Avaliação clínica detalhada;
  • Histórico médico e familiar;
  • Testes cognitivos e neuropsicológicos;
  • Exames laboratoriais;
  • Exames de imagem cerebral, como ressonância magnética e PET Scan.

Nos últimos anos, houve uma revolução no diagnóstico da doença. Em 2025, a FDA aprovou o primeiro exame de sangue para auxiliar na identificação de alterações biológicas associadas ao Alzheimer, tornando o processo mais acessível e menos invasivo do que exames como o PET cerebral ou a coleta de líquor. Esses testes avaliam biomarcadores relacionados às proteínas beta-amiloide e tau, características da doença.

Especialistas ressaltam que o exame de sangue não substitui a avaliação médica completa, mas representa um avanço importante para o diagnóstico precoce.

Quais são os fatores de risco?

Alguns fatores aumentam a probabilidade de desenvolvimento da doença:

  • Idade acima de 65 anos;
  • Histórico familiar de Alzheimer;
  • Hipertensão arterial;
  • Diabetes;
  • Obesidade;
  • Sedentarismo;
  • Tabagismo;
  • Baixa estimulação cognitiva;
  • Isolamento social;
  • Distúrbios do sono.

Diversos estudos demonstram que a adoção de hábitos saudáveis pode reduzir significativamente o risco de declínio cognitivo e demência.

Existe tratamento para Alzheimer?

Embora ainda não exista cura definitiva, os tratamentos atuais podem retardar a progressão dos sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Medicamentos sintomáticos

Entre os medicamentos tradicionalmente utilizados estão:

  • Donepezila;
  • Rivastigmina;
  • Galantamina;
  • Memantina.

Esses tratamentos ajudam a preservar temporariamente funções cognitivas e comportamentais, mas não interrompem a evolução da doença.

Novas terapias modificadoras da doença

Uma das maiores novidades da neurologia nos últimos anos foi o desenvolvimento de medicamentos que atuam diretamente sobre as placas de beta-amiloide presentes no cérebro.

Entre eles destaca-se o donanemab (Kisunla), aprovado para pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência leve associada ao Alzheimer. Estudos clínicos demonstraram redução significativa da velocidade de progressão da doença em comparação ao placebo.

Especialistas consideram que estamos entrando em uma nova era no tratamento do Alzheimer, baseada em diagnóstico precoce e intervenções direcionadas à biologia da doença.

A importância do suporte emocional e familiar

O Alzheimer afeta não apenas o paciente, mas toda a família. O cuidador frequentemente enfrenta sobrecarga emocional, física e financeira.

Por isso, além do tratamento médico, recomenda-se:

  • Acompanhamento psicológico;
  • Grupos de apoio;
  • Terapia ocupacional;
  • Estimulação cognitiva;
  • Atividades físicas supervisionadas;
  • Planejamento antecipado dos cuidados.

O suporte multidisciplinar contribui para maior bem-estar e qualidade de vida em todas as fases da doença.

Como o Hospital Santa Mônica pode ajudar?

O Hospital Santa Mônica conta com equipe especializada para avaliação, diagnóstico e acompanhamento de idosos com alterações cognitivas, quadros demenciais e transtornos neuropsiquiátricos associados ao envelhecimento.

O atendimento multidisciplinar permite uma abordagem individualizada, envolvendo médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermagem especializada e suporte aos familiares e cuidadores.

A identificação precoce dos sintomas pode fazer diferença significativa na evolução clínica e na qualidade de vida do paciente.

Perguntas frequentes (FAQ)

Qual é o primeiro sinal de Alzheimer?

Na maioria dos casos, o primeiro sinal é a dificuldade persistente para lembrar informações recentes, acompanhada de repetição de perguntas e esquecimentos frequentes.

Todo esquecimento é Alzheimer?

Não. O envelhecimento normal pode causar lapsos ocasionais de memória. No Alzheimer, os esquecimentos são frequentes, progressivos e interferem nas atividades diárias.

O Alzheimer tem cura?

Atualmente não existe cura definitiva, mas há tratamentos capazes de aliviar sintomas e, em alguns casos, retardar a progressão da doença.

Os exames de sangue já substituem outros exames?

Não. Eles funcionam como ferramenta complementar ao diagnóstico clínico e aos exames especializados.

É possível prevenir o Alzheimer?

Referências científicas

  1. World Health Organization – Dementia
  2. Alzheimer’s Association
  3. National Institute on Aging (NIA) – Alzheimer’s Disease
  4. Palmqvist S et al. Blood Biomarkers to Detect Alzheimer Disease in Primary Care and Secondary Care. JAMA. 2024.
  5. Barthélemy NR et al. Highly accurate blood test for Alzheimer’s disease. Nature Medicine. 2024.
  6. Jack CR Jr et al. Revised Criteria for Diagnosis and Staging of Alzheimer’s Disease. Alzheimer’s & Dementia. 2024.
  7. FDA. Approval of blood biomarkers and disease-modifying therapies for Alzheimer’s disease. 2025.

 

gradient
Cadastre-se e receba nossa newsletter