Atualizado em 2026 com base nas evidências científicas mais recentes
Resumo
O suicídio causa mais de 720 mil mortes por ano no mundo e continua sendo uma importante questão de saúde pública. Embora esteja frequentemente associado à depressão e a outros transtornos mentais, trata-se de um fenômeno multifatorial. A identificação precoce dos sinais de alerta, o acesso ao tratamento especializado, a redução do estigma e a implementação de estratégias preventivas baseadas em evidências podem salvar vidas.
O suicídio permanece entre os maiores desafios globais de saúde pública. Dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos, o equivalente a aproximadamente uma morte a cada 40 segundos. Em 2021, foram estimadas cerca de 727 mil mortes por suicídio em todo o mundo, tornando-o a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.
Embora o tema ainda seja cercado por estigma, especialistas ressaltam que o suicídio pode ser prevenido na maioria dos casos quando os fatores de risco são identificados precocemente e o tratamento adequado é oferecido.
O suicídio é uma doença?
Não. O suicídio não é uma doença, mas um desfecho complexo associado a múltiplos fatores biológicos, psicológicos, sociais, econômicos e ambientais.
Segundo a OMS, o comportamento suicida pode estar relacionado a:
- Transtornos mentais, especialmente depressão;
- Transtorno bipolar;
- Transtornos por uso de álcool e outras drogas;
- Esquizofrenia;
- Histórico prévio de tentativa de suicídio;
- Doenças crônicas e dor persistente;
- Violência, abuso e trauma;
- Isolamento social;
- Problemas financeiros;
- Perdas afetivas importantes;
- Discriminação e exclusão social.
É importante destacar que nem todas as pessoas que morrem por suicídio possuem um transtorno mental diagnosticado. Muitas vezes, o ato ocorre em momentos de intenso sofrimento emocional e sensação de desesperança.
O cenário do suicídio no Brasil
O Brasil está entre os países que registram números preocupantes de suicídio. Dados do Ministério da Saúde mostram aumento progressivo das notificações de lesões autoprovocadas e das mortes por suicídio nas últimas décadas, especialmente entre adolescentes e jovens.
Pesquisas recentes apontam crescimento significativo dos índices entre adolescentes, sobretudo após a pandemia de COVID-19, fenômeno observado também em diversos países.
Especialistas alertam que os números reais podem ser ainda maiores devido à subnotificação e à classificação inadequada de algumas mortes.
Em 2025, o Brasil registrou um aumento nos casos de suicídio e autolesão. A taxa de mortalidade geral é de 24,7 por 100 mil habitantes, sendo maior entre homens (7,2 por 100 mil) do que mulheres (4 por 100 mil) e ainda mais elevada entre adultos jovens de 20 a 24 anos. Entre os adultos (20 a 59 anos), a taxa é de 6,8 por 100 mil, e entre idosos, 6 por 100 mil. O crescimento anual de óbitos por suicídio tem sido observado desde 2013, com exceção de 2022, e houve um aumento de 22% entre 2022 e 2023. Salientamos que pode haver um alto número de subnotificações no país.
Quais são os principais sinais de alerta?
Os sinais podem variar de pessoa para pessoa, mas alguns comportamentos merecem atenção:
Sinais emocionais
- Tristeza intensa e persistente;
- Sentimentos de vazio;
- Desesperança;
- Culpa excessiva;
- Perda de interesse por atividades antes prazerosas.
Sinais comportamentais
- Isolamento social;
- Mudanças bruscas de humor;
- Descuido com a aparência;
- Uso abusivo de álcool ou drogas;
- Distribuição de pertences pessoais;
- Despedidas incomuns.
Sinais verbais
Frases como:
- “Não aguento mais”;
- “Seria melhor se eu não existisse”;
- “Vocês ficariam melhor sem mim”;
- “Quero desaparecer”.
Devem sempre ser levadas a sério.
Quem corre maior risco?
A OMS identifica grupos populacionais mais vulneráveis:
- Pessoas com histórico de tentativa de suicídio;
- Pessoas com depressão grave;
- Dependentes químicos;
- Idosos;
- Adolescentes e jovens;
- Pessoas que sofreram violência ou abuso;
- Populações expostas à discriminação;
- Pessoas privadas de liberdade;
- Indivíduos socialmente isolados.
O fator isolado mais importante para novas tentativas continua sendo uma tentativa prévia de suicídio.
O papel do álcool e das drogas
O consumo abusivo de álcool e outras substâncias está entre os principais fatores de risco.
As drogas podem:
- Aumentar impulsividade;
- Reduzir o julgamento crítico;
- Intensificar sintomas depressivos;
- Potencializar comportamentos autodestrutivos.
A OMS considera o tratamento dos transtornos por uso de substâncias uma das estratégias fundamentais de prevenção ao suicídio.
O suicídio pode ser prevenido?
Sim.
A OMS destaca que existem intervenções comprovadamente eficazes para reduzir mortes por suicídio. Entre elas:
Restrição de acesso aos meios letais
- Controle de armas de fogo;
- Restrição ao acesso a pesticidas;
- Barreiras em pontes e locais de risco;
- Controle de medicamentos potencialmente letais.
Diagnóstico e tratamento precoce
Identificar e tratar adequadamente:
- Depressão;
- Transtorno bipolar;
- Ansiedade;
- Dependência química;
- Outros transtornos psiquiátricos.
Capacitação da sociedade
- Educação sobre saúde mental;
- Treinamento de profissionais;
- Combate ao estigma;
- Incentivo à busca por ajuda.
Comunicação responsável
A OMS recomenda que a mídia evite:
- Sensacionalismo;
- Divulgação detalhada dos métodos utilizados;
- Romantização do suicídio.
A cobertura responsável reduz o risco de comportamento imitativo.
O que fazer diante de uma pessoa com pensamentos suicidas?
Especialistas recomendam:
- Ouvir sem julgamentos;
- Demonstrar acolhimento;
- Perguntar diretamente sobre pensamentos de morte quando houver suspeita;
- Não minimizar o sofrimento;
- Incentivar ajuda profissional imediata;
- Não deixar a pessoa sozinha em situações de risco iminente.
A conversa aberta não induz o suicídio. Pelo contrário, pode representar uma oportunidade de proteção e encaminhamento para tratamento.
Como tratamos o comportamento suicida no Hospital Santa Mônica
O Hospital Santa Mônica possui atendimento especializado para pacientes com sofrimento psíquico intenso, ideação suicida, tentativas de suicídio e transtornos mentais associados.
O tratamento é individualizado e pode incluir:
- Avaliação psiquiátrica completa;
- Monitoramento clínico e emocional;
- Psicoterapia individual;
- Psicoterapia em grupo;
- Terapia familiar;
- Manejo medicamentoso quando indicado;
- Tratamento da dependência química associada;
- Programas de prevenção de recaídas;
- Plano estruturado de segurança para redução de riscos.
A abordagem multidisciplinar envolve psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermagem especializada e outros profissionais de saúde mental, buscando tratar não apenas a crise aguda, mas também os fatores que contribuíram para o sofrimento emocional. Entre em contato com os nossos especialistas, teremos muito prazer em ajudar!
FAQ – Perguntas frequentes sobre suicídio
Sim, não quer dizer que querem se suicidar de fato, mas deixar de sentir a dor e o sofrimento. Toda manifestação verbal ou comportamental relacionada à morte deve ser levada a sério.
Não. Estudos mostram que conversar de forma acolhedora pode reduzir o sofrimento e facilitar a busca por ajuda.
Não. O suicídio é multifatorial e pode envolver fatores psicológicos, sociais, econômicos, biológicos e ambientais.
Sim. A tentativa prévia é um dos fatores de risco mais importantes para futuras tentativas.
Sim. A maioria das mortes por suicídio pode ser evitada por meio de identificação precoce, tratamento adequado e apoio social.
Referências científicas (ABNT)
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Suicide: Fact Sheet. Geneva: WHO, 2025. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/suicide. Acesso em: 8 jun. 2026.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Suicide Worldwide in 2021: Global Health Estimates. Geneva: WHO, 2025. Disponível em: https://www.who.int. Acesso em: 8 jun. 2026.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Suicide Prevention. Geneva: WHO, 2025. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/suicide. Acesso em: 8 jun. 2026.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. LIVE LIFE: An Implementation Guide for Suicide Prevention in Countries. Geneva: WHO, 2022. Disponível em: https://www.who.int. Acesso em: 8 jun. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Panorama dos suicídios e lesões autoprovocadas no Brasil de 2010 a 2021. Boletim Epidemiológico, v. 55, n. 4, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude. Acesso em: 8 jun. 2026.
Ministério da Saúde – Panorama dos suicídios e lesões autoprovocadas no Brasil