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Saúde Mental

Minissérie Adolescência na Netflix: os desafios da saúde mental juvenil e o impacto do bullying

A minissérie britânica “Adolescência”, disponível na Netflix, tem gerado debates significativos ao abordar temas sensíveis como violência, discursos extremistas e os impactos da cultura digital na formação dos jovens.

Composta por quatro episódios, a trama segue a história de Jamie Miller, um adolescente de 13 anos acusado de assassinar uma colega de escola, explorando questões como cultura incel, movimento red pill, bullying e cyberbullying.

A psiquiatra do Hospital Santa Mônica, Dra. Carla Mendes comenta sobre o assunto e como a família deve ficar atenta e ajudar. Boa leitura!

Cultura incel: o que é e como influencia o comportamento dos jovens?

A série Adolescência aborda a cultura incel, um fenômeno que tem ganhado notoriedade na internet e pode impactar profundamente o comportamento dos jovens. O termo “incel” vem da expressão em inglês involuntary celibate (celibatário involuntário) e refere-se a um grupo de homens que acreditam que são rejeitados romanticamente e sexualmente pelas mulheres. Esse movimento surgiu em fóruns online e, ao longo dos anos, desenvolveu narrativas de ressentimento, misoginia e, em alguns casos, extremismo.

Os incels frequentemente culpam as mulheres e a sociedade pelo que percebem como uma injustiça em suas vidas amorosas, gerando discursos de ódio e, em alguns casos, incentivando comportamentos violentos. Alguns episódios trágicos, como ataques cometidos por indivíduos que se identificavam com a ideologia incel, trouxeram preocupações sobre a influência desse movimento sobre jovens vulneráveis.

A Dra. Carla Mendes alerta para o perigo da exposição a esses discursos, especialmente entre adolescentes que enfrentam inseguranças, isolamento social e baixa autoestima. “Os jovens estão em uma fase de desenvolvimento da identidade e podem ser atraídos por comunidades online que reforçam sentimentos negativos, levando ao aumento de problemas psicológicos como depressão, ansiedade e até mesmo pensamentos suicidas”, explica a psiquiatra.

A cultura incel também está associada ao chamado movimento red pill, que promove ideias de supremacia masculina e rejeição ao feminismo. A popularização dessas ideologias na internet pode reforçar padrões nocivos de comportamento, dificultando o desenvolvimento saudável das relações interpessoais e aumentando os riscos de envolvimento com grupos extremistas.

Para combater esse problema, especialistas recomendam que pais e educadores estejam atentos ao tipo de conteúdo que os jovens consomem online, promovam conversas abertas sobre relacionamentos saudáveis e incentivem o desenvolvimento da empatia e do respeito mútuo.

Transtornos Mentais mais comuns na adolescência

A Dra. Carla Mendes, psiquiatra do Hospital Santa Mônica, destaca a importância de compreender os transtornos mentais mais comuns na adolescência para promover intervenções precoces e eficazes. Entre os transtornos mais frequentes nessa faixa etária estão:

Depressão: Caracteriza-se por tristeza persistente, perda de interesse em atividades antes prazerosas e alterações no sono e apetite.

Ansiedade: Manifesta-se através de preocupação excessiva, medos irracionais e dificuldade de concentração.

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): Envolve desatenção, hiperatividade e impulsividade, afetando o desempenho escolar e social.

Transtornos Alimentares: Incluem anorexia e bulimia, marcados por uma relação disfuncional com a alimentação e imagem corporal.

Transtorno Bipolar: Caracteriza-se por oscilações extremas de humor, alternando entre euforia e depressão.

Transtorno de Personalidade Borderline: Envolve instabilidade nos relacionamentos, autoimagem e emoções, além de comportamentos impulsivos.

O bullying, tema central na série “Adolescência”, é uma preocupação crescente nas escolas e pode ter efeitos devastadores na saúde mental dos jovens.

Estudos indicam que crianças e adolescentes que sofrem bullying têm maior risco de desenvolver problemas psicológicos a longo prazo, incluindo alterações na estrutura cerebral que afetam funções como memória e controle emocional.

A Dra. Mendes enfatiza a necessidade de diagnóstico precoce e tratamento adequado dos transtornos mentais na adolescência. O processo diagnóstico deve ser conduzido por profissionais especializados, que avaliarão os sintomas, histórico familiar e contexto social do jovem.

Tratamentos:

Os tratamentos podem incluir:

Psicoterapia: Terapias cognitivo-comportamentais são eficazes no tratamento de diversos transtornos, auxiliando os adolescentes a desenvolverem habilidades de enfrentamento e regulação emocional.

Medicação: Em alguns casos, o uso de antidepressivos ou ansiolíticos pode ser indicado, sempre sob supervisão médica rigorosa.

Intervenções Familiares: Envolver a família no tratamento é crucial, promovendo um ambiente de apoio e compreensão.

Para prevenir e combater o bullying, é fundamental que escolas e famílias trabalhem juntas na promoção de um ambiente seguro e acolhedor. Ações como campanhas de conscientização, estabelecimento de políticas anti-bullying e incentivo ao diálogo aberto podem fazer a diferença na vida dos adolescentes.

A série “Adolescência” serve como um alerta para os desafios enfrentados pelos jovens na era digital, ressaltando a importância de uma abordagem integrada que envolva educação, saúde mental e apoio familiar na construção de um futuro mais saudável para nossos adolescentes.

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