Cuidado multiprofissional com grade personalizada
Estrutura terapêutica integrada que combina equipe especializada, intervenções individuais e grupais, e uma grade terapêutica ajustada por faixa etária e perfil clínico — incluindo transtornos mentais e relacionados ao uso de substâncias.
A internação psiquiátrica contemporânea exige planejamento terapêutico estruturado e individualizado. Além do manejo clínico, programas eficazes organizam rotinas terapêuticas adaptadas à idade, diagnóstico e necessidades funcionais do paciente.
Segundo Natalie de Souza Andrade, Diretora Terapêutica do Hospital Santa Mônica, a grade terapêutica personalizada é estruturada por uma equipe multidisciplinar, articulando diferentes abordagens terapêuticas e expressivas para promover estabilização, reabilitação e continuidade do cuidado.
Internação psiquiátrica como cuidado clínico estruturado
A internação é indicada quando há risco clínico, prejuízo funcional importante ou necessidade de manejo intensivo — situações frequentes em episódios agudos de transtornos mentais ou em quadros relacionados ao uso de substâncias. Diretrizes internacionais reforçam que ambientes terapêuticos organizados reduzem riscos e favorecem adesão ao tratamento.
A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental ou relacionado ao uso de substâncias, destacando a importância de dispositivos assistenciais capazes de oferecer cuidado integral e contínuo.
Grade terapêutica personalizada por faixa etária e patologia
O Hospital Santa Mônica estrutura a internação em torno de um Projeto Terapêutico Individual (PTI), que considera:
- faixa etária do paciente (criança, adolescente, adulto ou idoso);
- diagnóstico principal (transtornos psiquiátricos, transtornos de humor, ansiedade, psicoses, dependência química);
- comorbidades clínicas ou neurológicas;
- necessidades funcionais e psicossociais.
Esse PTI alimenta uma grade terapêutica personalizada, revista periodicamente pela equipe (psiquiatria, psicologia, assistente social, enfermagem, fisioterapia e terapias integrativas). O objetivo é promover estabilização clínica e habilidades práticas de enfrentamento, essenciais para a continuidade do tratamento após a internação.
Isso significa que adolescentes, adultos e idosos participam de rotinas adaptadas às suas demandas cognitivas, emocionais e sociais. Pacientes com transtornos do humor, psicóticos ou relacionados ao uso de substâncias recebem intervenções compatíveis com suas necessidades clínicas, respeitando ritmo de recuperação, capacidade funcional e metas terapêuticas.
Na prática, essa organização melhora engajamento, reduz sobrecarga emocional e favorece aprendizagem de habilidades de regulação emocional e prevenção de recaídas — princípios amplamente defendidos por modelos contemporâneos de reabilitação psicossocial.
Equipe multiprofissional como eixo integrador
O cuidado na assistência ao paciente é conduzido por psiquiatras, médicos clínicos, psicólogos, enfermagem especializada, fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais e profissionais de terapias integrativas. Essa integração permite acompanhamento clínico contínuo e intervenções psicossociais coordenadas.
Estudos em saúde mental mostram que modelos colaborativos aumentam adesão ao tratamento, reduzem reinternações e ampliam ganhos funcionais — especialmente quando o plano terapêutico é revisado regularmente pela equipe.
Psicoterapia individual e em grupo
O programa inclui atividades terapêuticas conduzidas por psicólogos e terapeutas em modalidades individuais e grupais.
Psicoterapia individual: conduzida por psicólogos clínicos, com foco em elaboração dos conflitos, regulação emocional, identificação de gatilhos e construção de estratégias de enfrentamento. É um componente central do plano terapêutico e pode ser adaptada conforme o modelo (psicodinâmico, cognitivo-comportamental, dialético comportamental etc.).
Terapia em grupo: sessões coletivas facilitadas por psicólogos que abordam temas como:
- ansiedade, depressão, transtorno do pânico;
- dependência de substâncias e autorregulação;
- habilidades sociais e de enfrentamento.
As intervenções em grupo promovem socialização terapêutica, treino de habilidades interpessoais e compartilhamento de experiências — fatores associados a maior adesão e percepção de suporte.
Esse formato combinado é amplamente utilizado em programas de tratamento para transtornos do humor, ansiedade e dependência química, com evidências de impacto positivo em regulação emocional e manutenção de ganhos terapêuticos.
Terapias expressivas e integrativas
O hospital oferece atividades que combinam expressão corporal, criatividade, movimento e consciência corporal — todas reconhecidas por estudos que mostram impacto positivo em regulação emocional e bem-estar (e que são práticas complementares dentro de programas terapêuticos intensivos):
Dançaterapia
Explora o movimento consciente para favorecer equilíbrio emocional, consciência corporal e expressão não verbal. Melhora aspectos de autoestima, coordenação e integração emocional. No Hospital Santa Mônica também é realizada a Zumba como parte da grade terapêutica dos pacientes.
Arteterapia: expressão e reorganização emocional
A arteterapia utiliza linguagem simbólica e criativa para facilitar expressão emocional, especialmente em pacientes com dificuldade de verbalização. O uso de psicodrama no tratamento de transtornos mentais e transtorno por uso de substâncias também é amplamente utilizado. Revisões científicas associam essa intervenção à melhora de sintomas depressivos e ansiosos.
Exemplo prático: pacientes em isolamento social ou com retraimento emocional podem utilizar a produção artística como ponte para retomada de interação terapêutica.
Terapia assistida por cães: mediação relacional
Intervenções assistidas por cães contribuem para redução de estresse, melhora do humor e fortalecimento do vínculo terapêutico. Em pacientes com transtorno por uso de substâncias, a atividade pode funcionar como regulador emocional e facilitador de engajamento.
Yoga e práticas corporais
Yoga e exercícios de consciência corporal promovem regulação autonômica, melhora do sono e redução de ansiedade. Incorporadas à rotina hospitalar, ajudam a estruturar hábitos saudáveis e tolerância ao estresse — competências essenciais para prevenção de recaídas.
Atividades corporais e esportivas com suporte clínico
A prática sistemática de atividades físicas é parte da grade terapêutica, pois:
- melhora humor e qualidade do sono;
- reduz sintomas de ansiedade e depressão;
- promove interação social e senso de pertencimento.
Entre as modalidades programadas estão:
- Atividades Aquáticas: exercícios aquáticos com supervisão da fisioterapia, úteis para mobilidade, relaxamento e regulação do estresse.
- Pilates e alongamento: combinam consciência corporal e fortalecimento muscular, adequados para idade avançada ou déficits neuromotores.
- Esportes coletivos (futebol e vôlei): estimulam disciplina, cooperação e autoestima.
Intervenções lúdicas e recreativas
Atividades como pintura, artesanato, jogos e recreação em piscina fazem parte da rotina terapêutica, pois promovem:
- expressão criativa;
- estímulo cognitivo;
- sensação de prazer e conquista.
Essas práticas são conduzidas por profissionais capacitados, e ajudam na reabilitação funcional e emocional, especialmente em pacientes com isolamento, anedonia ou baixa motivação.
Importância da adesão e organização da rotina
A programação terapêutica do Hospital Santa Mônica é oferecida diariamente e organizada de forma a:
- reduzir ociosidade e promover engajamento ativo;
- estruturar rotina terapêutica, que é um fator de suporte para recuperação psiquiátrica;
- acompanhar a evolução clínica e ajustar intervenções.
Pacientes recebem acompanhamento contínuo e podem acompanhar sua rotina terapêutica em registros individuais, o que favorece reflexão e empoderamento no processo de cuidado.
Síntese dos benefícios terapêuticos
As atividades terapêuticas estruturadas no hospital contribuem para:
- redução de ansiedade e estresse;
- melhora de humor e qualidade do sono;
- desenvolvimento de habilidades sociais;
- elevação da autoestima;
- fortalecimento da autonomia e reintegração social.
Essa integração entre cuidado clínico e terapias complementares é um componente essencial de programas terapêuticos eficazes em saúde mental.
Integração terapêutica e plano individualizado
Natalie reforça que cada paciente possui projeto terapêutico individual, construído a partir de avaliação psiquiátrica e multiprofissional. A combinação entre farmacoterapia, psicoterapia e intervenções expressivas é ajustada continuamente conforme resposta clínica.
Essa lógica integra estabilização médica, reabilitação psicossocial e preparação para continuidade do tratamento após a alta — alinhada às recomendações do Ministério da Saúde para atenção integral em saúde mental.
No Hospital Santa Mônica, os cuidados terapêuticos são desenhados para atender às especificidades de cada pessoa, respeitando idade, diagnóstico e estágio do tratamento. A combinação entre psicoterapia, atividades individuais e em grupo, terapias expressivas e programas de movimento corporal é embasada em boas práticas clínicas e evidencia o compromisso com a recuperação integral do paciente.
FAQ — Perguntas e Respostas
Pergunta: O que é grade terapêutica personalizada?
Resposta: É a organização de atividades clínicas e psicossociais adaptadas à idade e ao diagnóstico do paciente.
Fonte: OMS — https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/mental-disorders
Pergunta: A internação é igual para todos os pacientes?
Resposta: Não. O projeto terapêutico é individualizado conforme necessidades clínicas.
Fonte: Ministério da Saúde — https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-mental
Pergunta: Psicoterapia individual é obrigatória?
Resposta: Ela é indicada conforme avaliação clínica e integrada ao projeto terapêutico.
Fonte: OMS — https://www.who.int/publications/i/item/9789241549790
Pergunta: Qual a vantagem da terapia em grupo?
Resposta: Promove interação social terapêutica e treino de habilidades emocionais.
Fonte: NIH — https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK279297/
Pergunta: A grade muda conforme a evolução do paciente?
Resposta: Sim. Ela é revisada periodicamente pela equipe multiprofissional.
Fonte: Ministério da Saúde — https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_mental_rede_atencao.pdf
Pergunta: Arterapia tem benefício comprovado?
Resposta: Evidências indicam melhora emocional e expressiva.
Fonte: NIH — https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2804629/
Pergunta: Yoga ajuda na ansiedade?
Resposta: Sim, estudos mostram redução de sintomas e melhora do bem-estar.
Fonte: Harvard Health — https://www.health.harvard.edu/mind-and-mood/yoga-for-anxiety-and-depression
Pergunta: Terapia assistida por cães é segura?
Resposta: Sim, quando realizada com protocolos adequados como a atividade realizada pelo terapeuta Vinicius Ribeiro no Hospital Santa Mônica.
Fonte: CDC — https://www.cdc.gov/healthypets/health-benefits/index.html
Pergunta: O programa atende dependência química?
Resposta: Sim, com abordagem integrada clínica e psicossocial.
Fonte: OMS — https://www.who.int/publications/i/item/9789241548816
REFERÊNCIAS (ABNT)
BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde Mental. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-mental. Acesso em: 20 fev. 2026.
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION – CDC. Health benefits of pets. 2023. Disponível em: https://www.cdc.gov/healthypets/health-benefits/index.html. Acesso em: 20 fev. 2026.
HARVARD HEALTH PUBLISHING. Yoga for anxiety and depression. 2022. Disponível em: https://www.health.harvard.edu/mind-and-mood/yoga-for-anxiety-and-depression. Acesso em: 20 fev. 2026.
NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH – NIH. Art therapy: overview and review of research. 2010. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2804629/. Acesso em: 20 fev. 2026.
NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH – NIH. Psychotherapy & group interventions. [s.d.]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK279297/. Acesso em: 20 fev. 2026.
WORLD HEALTH ORGANIZATION – WHO. Mental disorders. 2023. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/mental-disorders. Acesso em: 20 fev. 2026.