A depressão causada por perdas, mudanças profundas e a Síndrome do Ninho Vazio levou uma paciente a acreditar que sua vida não fazia mais sentido. Hoje, em recuperação, ela deixa uma mensagem importante: nunca interrompa o tratamento e peça ajuda antes que o sofrimento se torne insuportável.
“Achei que todos ficariam melhor sem mim.” Essa é uma das frases mais marcantes do relato de uma paciente do Hospital Santa Mônica que enfrentou uma depressão grave associada à Síndrome do Ninho Vazio e a uma sucessão de acontecimentos que mudaram completamente sua vida.
Para preservar sua identidade, ela será chamada de Carmem.
Uma vida construída com dedicação à família
Carmem se formou em Odontologia, mas decidiu seguir outros caminhos profissionais ao longo da vida. Casou-se, construiu uma família e dedicou grande parte da sua trajetória aos dois filhos, um casal, sempre valorizando a educação, a cultura e os momentos em família.
Durante muitos anos realizou acompanhamento com psicólogos e psiquiatras. O tratamento ajudava a manter o equilíbrio emocional, permitindo que enfrentasse os desafios da vida com mais estabilidade.
Entretanto, acreditando estar bem, interrompeu a terapia e o acompanhamento psiquiátrico por conta própria.
Quando várias perdas acontecem ao mesmo tempo
Após os 30 anos, uma sequência de mudanças começou a abalar sua saúde emocional.
A filha mudou-se para os Estados Unidos para estudar em uma importante universidade. Algum tempo depois, casou-se e constituiu sua própria família, tornando Carmem avó de duas meninas.
Mais tarde, o filho também saiu de casa para trabalhar em outro estado e, posteriormente, também se casou.
A casa, antes cheia de vida, ficou silenciosa.
Foi nesse momento que Carmem começou a vivenciar a Síndrome do Ninho Vazio, condição que pode desencadear sintomas depressivos em alguns pais quando os filhos tornam-se independentes e deixam o lar.
Mesmo com chamadas de vídeo e outras formas de manter contato, a distância física dos filhos e das netas passou a gerar um sofrimento cada vez maior.
Como se isso não bastasse, a empresa do marido enfrentou dificuldades financeiras e acabou encerrando suas atividades. O casal precisou deixar a capital paulista para recomeçar a vida no litoral.
“Sempre tivemos uma condição financeira muito boa. Viajávamos bastante, conhecemos lugares lindos e procuramos oferecer o melhor em educação e cultura para os nossos filhos. Sempre acreditamos que esse era o maior patrimônio que poderíamos deixar para eles. Mas essa mudança abalou profundamente a minha estrutura emocional.”
A mudança de padrão de vida tornou-se evidente nas pequenas e grandes situações do cotidiano: viagens que deixaram de acontecer, encontros sociais, presentes para amigos e diversos hábitos que faziam parte da rotina da família.
Quando a depressão toma conta
Pouco a pouco, Carmem perdeu o interesse pelas atividades que antes lhe davam prazer.
Deixou de caminhar.
Parou de praticar exercícios.
Não tinha disposição para cuidar da aparência.
As unhas deixaram de ser feitas.
O cabelo já não recebia os mesmos cuidados.
A tristeza passou a ocupar praticamente todos os dias.
Sem acompanhamento especializado, o quadro evoluiu para uma depressão profunda.
Os pensamentos de morte começaram a surgir com frequência. Ela chegou a imaginar que seria um peso para a família e acreditava que todos conseguiriam seguir a vida sem sua presença.
O momento de pedir ajuda
Percebendo a gravidade da situação, seu marido buscou ajuda imediatamente.
Inicialmente, Carmem foi internada em um hospital geral e, posteriormente, transferida pela equipe médica para o Hospital Santa Mônica, onde iniciou um tratamento especializado em saúde mental.
Foi o início de uma nova etapa.
A recuperação começa com acolhimento e tratamento
Durante a internação, Carmem recebeu acompanhamento da equipe médica e multiprofissional do Hospital Santa Mônica.
Além do tratamento medicamentoso, participou das atividades da agenda terapêutica, grupos, palestras, terapias e outras intervenções voltadas para a recuperação da saúde mental.
Pouco a pouco, voltou a reconhecer seu próprio valor.
Recuperou a esperança.
Reaprendeu a falar sobre seus sentimentos.
Passou a compreender que pedir ajuda é um gesto de coragem.
Planos para recomeçar
Na véspera da alta hospitalar, Carmem já falava sobre os planos para o futuro.
Entre eles estavam:
- continuar a psicoterapia e o acompanhamento psiquiátrico;
- voltar a fazer caminhadas;
- praticar dança de salão ao lado do marido;
- cuidar novamente da própria saúde física e emocional;
- aproveitar a convivência com a família sempre que possível.
Mas a maior lição que ela leva dessa experiência é simples e poderosa.
“Nunca mais vou interromper o meu tratamento. Aprendi que falar sobre o que sentimos pode salvar vidas.”
Uma mensagem para quem está sofrendo
A história de Carmem mostra que a depressão pode atingir qualquer pessoa, independentemente da idade, da condição financeira ou da trajetória de vida.
Mudanças familiares, perdas, dificuldades econômicas e o isolamento emocional podem atuar como fatores desencadeantes ou agravantes de transtornos mentais.
O mais importante é compreender que existe tratamento e que ninguém precisa enfrentar esse sofrimento sozinho.
Pedir ajuda no momento certo pode fazer toda a diferença.
O Hospital Santa Mônica pode ajudar
O Hospital Santa Mônica é referência nacional em saúde mental e oferece atendimento especializado para pessoas que enfrentam depressão, transtornos de ansiedade, crises emocionais e outros transtornos psiquiátricos.
O tratamento é realizado por uma equipe multiprofissional, composta por psiquiatras, psicólogos, enfermagem, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, educadores físicos e outros profissionais, que atuam de forma integrada para promover a recuperação do paciente, respeitando sua individualidade e colocando-o no centro do cuidado.
Este relato foi baseado na experiência de uma paciente em tratamento no Hospital Santa Mônica e autorizado para fins educativos. O nome e características que possam identificá-la foram alterados para preservar sua privacidade.