Cresce procura por antidepressivos na rede pública de Araraquara, SP - Hospital Santa Mônica

O número de pessoas que procuram medicamentos na rede pública, para controlar a ansiedade e combater a depressão é cada vez maior em Araraquara (SP). Na Farmácia de Psiquiatria e Neurologia, que fornece medicamentos para pacientes das unidades básicas de saúde e das unidades de saúde mental do município, a procura por antidepressivos aumentou quase 50% em dois anos. A busca por ansiolíticos também cresceu. Só neste ano, já foram distribuídos 311,1 mil comprimidos de ansiolíticos e 536 mil de antidepressivos.

A gerente municipal de saúde mental, Gislaine de Cássia Oliveira Martins, alerta que os remédios não devem ser o único recurso para o tratamento. “Ele é um complemento, não é a única forma que tem para tratar a questão da depressão e ansiedade. Em Araraquara, temos nas unidades de saúde mental outros tipos de tratamento e acompanhamento que têm um efeito positivo e que colaboram, junto com a medicação”, explicou. Segundo Gislaine, o perfil dos pacientes com depressão é variado. “Tem muitas mulheres entre 40 e 50 anos e hoje até pessoas mais jovens já têm tomado a medicação. Sem contar que há um número muito grande de idosos”, contou Gislaine.

Atendimento específico

A psiquiatra Maria Luiza Gomes de Oliveira explica que vários fatores podem levar à depressão, entre eles, a tendência genética e a cobrança que a sociedade exerce sobre as pessoas. Para ela, o aumento do uso desses medicamentos está relacionado ao fato de que, muitas vezes, eles não são receitados por especialistas. “Às vezes, o clínico, cardiologista ou o endocrinologista lança mão de um antidepressivo ou ansiolítico e não encaminha depois para o colega psiquiatra, mas é importante saber que nós somos capacitados a tentar ouvir o paciente por trás dos sintomas”, disse Maria Luiza. Ela ressalta que os remédios podem causar reações. “Déficit de memória, lentidão psicomotora e em idosos tem as quedas mais frequentes e degeneração macular”, relatou. Durante dois anos, uma paciente que não quis ser identificada tomou antidepressivos. Ela está livre dos remédios há pouco tempo, mas conta que foi difícil ficar sem os comprimidos.

Entretanto, ela garante que valeu a pena. “O remédio ajuda, mas a gente tem outras formas de ajuda também. Seja espiritual ou terapia, a gente tem que procurar sempre outros caminhos”, declarou.

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