Técnica de enfermagem, Nara* desenvolveu vício em morfina durante os plantões noturnos. Sem conseguir parar sozinha, buscou ajuda, se internou voluntariamente e hoje vive sem medicação e sem recaídas. Esta é a história dela.
Técnica de enfermagem viciada em morfina: após 30 dias de internação no Hospital Santa Mônica, sem recaídas e de volta ao trabalho. Leia a história de Nara*.
Publicado: 18 nov 2019 · Atualizado: 26 mar 2026 · Leitura: ~5 min
Resposta rápida — para familiares e pacientes
Sim, é possível se recuperar da dependência química, inclusive de opioides como a morfina. O caso de Nara* — técnica de enfermagem que desenvolveu farmacodependência durante plantões hospitalares — mostra que, com internação especializada, suporte multidisciplinar e acompanhamento psiquiátrico após a alta, a recuperação sustentada é possível. Ela completou 30 dias de internação no Hospital Santa Mônica, não apresentou recaída e retornou à sua vida profissional.
Quando o remédio se torna o problema
Nara* tinha 36 anos e trabalhava como técnica de enfermagem quando percebeu que havia cruzado uma linha. O que começou com dipirona para suportar a dor emocional do trabalho foi escalando — e acabou em morfina, aplicada até seis vezes em um único plantão de 24 horas.
“Na verdade, eu comecei fazendo uso de dipirona; depois, vi que ela não fazia mais efeito. Então, eu criei uma dor emocional, e ela já não passava com a dipirona. Foi quando parti para a morfina, e já me aplicava doses muito altas.”— Nara*, técnica de enfermagem, ex-paciente do Hospital Santa Mônica
O acesso facilitado aos medicamentos — uma realidade do ambiente hospitalar — acelerou o processo. Nara* não se via como dependente química. Afinal, eram remédios, não drogas. Mas a dependência não distingue a origem da substância.
Um estudo brasileiro com trabalhadores da saúde encontrou que 44,2% já usaram medicamentos psiquiátricos em algum momento da vida. https://www.pssa.ucdb.br/pssa/article/view/1907Dentro desse grupo:
- cerca de 50% usavam ansiolíticos
- e 43% relataram uso sem prescrição médica
👉 Isso não é dependência direta, mas já indica alto nível de exposição e risco. O abuso de medicamentos entre trabalhadores da saúde é um problema real, silencioso e subnotificado.
O momento de pedir ajuda
As marcas nos braços começaram a denunciar o que Nara* tentava esconder. Uma colega percebeu. A família foi chamada. E foi então que ela reuniu os parentes, revelou o que estava acontecendo e pediu ajuda para se internar voluntariamente.
“Eu gosto de contar os dias desde que eu saí da internação, que foi quando eu renasci.” — Nara*
Seus familiares ficaram em choque diante do pedido de socorro. Mas, após a internação, a relação com a família melhorou significativamente. Eles a apoiaram ao longo de todo o processo — e esse suporte foi fundamental para mantê-la firme no tratamento.
30 dias que mudaram tudo
A internação durou 30 dias. Além do tratamento para a farmacodependência, Nara* recebeu acompanhamento para depressão — diagnóstico que havia sido negligenciado. A grade terapêutica incluiu atividades que ela não esperava gostar.
“Eu participei muito de todas as atividades, inclusive das aulas de terapia. Foi muito bom, tirei um tempo só para mim, coisa que já não fazia há muito.”— Nara*.
O apoio da família durante e após a internação foi decisivo. Nara* descreve a mudança no relacionamento familiar como uma das maiores conquistas do processo.
A vida depois da internação
Nara* retornou à profissão. Mora sozinha. Conquistou um novo emprego em hospital. Estuda. Faz acompanhamento psiquiátrico a cada 4 meses e psicoterapia por escolha própria — não por obrigação.
“Depois que saí do hospital, nunca mais usei medicação, estou limpa até hoje. Não tive recaída. Meu psiquiatra fala que eu estou sendo muito forte.” — Nara*
“Eu já consigo morar sozinha, e foi por causa do Hospital Santa Mônica, porque eu tive muita ajuda e apoio lá.” — Nara*
| Contexto clínico — equipe do Hospital Santa Mônica |
| Programa de Dependência Química “A farmacodependência de opioides em profissionais de saúde é um quadro que exige abordagem cuidadosa: o acesso à substância faz parte do ambiente de trabalho, o que aumenta o risco de recaída. O tratamento combina desintoxicação supervisionada, psicoterapia e, fundamentalmente, o trabalho com a família. A reinserção profissional monitorada é parte do protocolo de alta.” |
* Nome fictício adotado para preservar a privacidade da paciente, que autorizou o relato de sua experiência.
“A farmacodependência de opioides em profissionais de saúde é um quadro que exige abordagem cuidadosa: o acesso à substância faz parte do ambiente de trabalho, o que aumenta o risco de recaída. O tratamento combina desintoxicação supervisionada, psicoterapia e, fundamentalmente, o trabalho com a família. A reinserção profissional monitorada é parte do protocolo de alta.”
* Nome fictício adotado para preservar a privacidade da paciente, que autorizou o relato de sua experiência.
| Você ou alguém próximo está passando por algo parecido? A dependência química tem tratamento. Nossa equipe atende 24 horas e pode orientar você e sua família sobre os próximos passos — sem julgamento. ☎️ (11) 4668-7455 — Fale conosco agora → Saiba mais sobre dependência química: hospitalsantamonica.com.br/dependencia-quimica/ |