Fases silenciosas abrem janela para diagnóstico precoce, prevenção e estratégias que podem retardar a progressão das doenças neurodegenerativas
Segundo artigo que acaba de ser publicado no Medscape, Alzheimer e Parkinson são doenças neurodegenerativas distintas, mas compartilham um ponto crucial: ambas começam anos antes do surgimento dos sintomas mais conhecidos.
Alterações discretas no cérebro e no corpo podem surgir de forma silenciosa, criando uma janela de oportunidade para prevenção e intervenções precoces.
Reconhecer esses sinais iniciais é um dos maiores avanços atuais da neurologia.
O que Alzheimer e Parkinson têm em comum
Apesar de afetarem áreas diferentes do cérebro e apresentarem sintomas clássicos distintos, Alzheimer e Parkinson compartilham mecanismos de lesão neuronal, fatores de risco semelhantes e uma fase pré-clínica, quando o processo da doença já está em curso, mas ainda não provoca prejuízos funcionais evidentes.
Estudos recentes mostram que, nesse estágio inicial, mudanças biológicas mensuráveis já estão presentes, como o acúmulo de proteínas anormais, alterações no metabolismo cerebral e adaptações compensatórias do cérebro.
Alzheimer: quando o cérebro muda antes da memória falhar
Biomarcadores antes dos sintomas
Na doença de Alzheimer, duas proteínas são centrais no processo da neurodegeneração:
- Placas de beta-amiloide
- Emaranhados da proteína tau
Segundo critérios atualizados do International Working Group (IWG), indivíduos sem queixas cognitivas podem apresentar exames positivos para essas alterações, configurando uma fase pré-sintomática de risco.
Um estudo com adultos entre 65 e 77 anos demonstrou que pessoas cognitivamente preservadas, mas com depósitos de amiloide e tau detectados por PET scan, apresentaram cerca de 60% de risco de desenvolver sintomas de Alzheimer em seis anos.
Fatores de risco modificáveis
De acordo com a Comissão de Prevenção de Demência da revista The Lancet, aproximadamente 45% dos casos de demência estão associados a fatores de risco modificáveis, como:
- Sedentarismo
- Dieta inadequada
- Consumo excessivo de álcool
- Tabagismo
- Poluição ambiental
- Estresse crônico
- Traumatismo craniano
- Baixa estimulação cognitiva
Esses dados reforçam que prevenção também faz parte do cuidado neurológico.
Parkinson: sinais que aparecem fora do sistema motor
Muito além do tremor
Ao contrário do que se imagina, o Parkinson não começa necessariamente com tremores. Em muitos casos, os primeiros sinais são não motores e podem surgir anos ou até uma década antes do diagnóstico.
Entre os principais sinais precoces estão:
- Perda do olfato (anosmia)
- Constipação intestinal persistente
- Distúrbio comportamental do sono
- Urgência urinária
- Alterações do humor
Duas possíveis origens da doença
Uma hipótese amplamente discutida sugere dois caminhos para o início do Parkinson:
- Início pelo cérebro (brain-first): sintomas motores surgem mais cedo.
- Início pelo corpo (body-first): alterações gastrointestinais e do sono aparecem antes dos sinais motores.
Estudos com cerca de 400 pacientes confirmaram essa diversidade de trajetórias, reforçando a importância de observar sintomas fora do sistema motor.
Exames e tecnologia na detecção precoce
Embora ainda não seja possível detectar depósitos de alfa-sinucleína (proteína associada ao Parkinson) por PET scan, outras ferramentas auxiliam no reconhecimento precoce:
- Eletroencefalograma (EEG): identifica reorganizações cerebrais compensatórias
- Ressonância magnética funcional: avalia conectividade cerebral e cognição
- Testes clínicos e questionários específicos
No Alzheimer, exames de imagem e biomarcadores já permitem estimar risco antes da perda de memória.
Por que identificar cedo faz diferença
Quando a demência ou os sintomas motores já estão instalados, os tratamentos atuais não interrompem a doença, apenas reduzem sua velocidade de progressão.
Na fase pré-clínica, porém, há potencial para:
- Reduzir fatores de risco
- Implementar mudanças no estilo de vida
- Planejar acompanhamento médico contínuo
- Participar de estudos clínicos
Pesquisas avaliam, inclusive, o uso de anticorpos monoclonais ainda nas fases iniciais, quando a resposta pode ser mais eficaz.
Como o Hospital Santa Mônica pode ajudar
O Hospital Santa Mônica atua de forma integrada na prevenção, avaliação e acompanhamento de transtornos neurodegenerativos, oferecendo uma abordagem centrada no paciente e na família. A instituição conta com equipe multiprofissional especializada — incluindo psiquiatria, neurologia, psicologia, neuropsicologia e enfermagem — capacitada para identificar sinais precoces, orientar sobre fatores de risco modificáveis e conduzir planos de cuidado individualizados. Além disso, o hospital valoriza ações de educação em saúde, acompanhamento contínuo e suporte emocional, fundamentais para promover qualidade de vida, autonomia e segurança ao longo do envelhecimento.
Quando procurar ajuda especializada
Se você ou alguém da sua família apresenta alterações persistentes de memória, comportamento, sono, olfato ou movimento, buscar avaliação especializada o quanto antes faz diferença. O Hospital Santa Mônica está preparado para orientar, avaliar e acompanhar cada caso com cuidado individualizado, acolhimento e base científica.
👉 Agende uma avaliação ou converse com nossa equipe para saber mais sobre prevenção, diagnóstico precoce e cuidado integral em saúde mental e neurológica.
FAQ – Perguntas e Respostas sobre Alzheimer e Parkinson em estágio inicial
Pergunta: Alzheimer e Parkinson começam antes dos sintomas?
Resposta: Sim. Ambas as doenças possuem uma fase silenciosa, na qual alterações biológicas já estão presentes antes dos sinais clássicos.
Fonte: https://portugues.medscape.com
Pergunta: Quais são os primeiros sinais ocultos do Alzheimer?
Resposta: Depósitos de placas amiloides e proteína tau podem ser detectados por exames antes da perda de memória.
Fonte: https://www.alz.org
Pergunta: Tremor é sempre o primeiro sinal do Parkinson?
Resposta: Não. Distúrbios do sono REM, constipação e perda do olfato podem surgir anos antes.
Fonte: https://www.parkinson.org
Pergunta: Existe exame para detectar Parkinson precocemente?
Resposta: Ainda não há exame definitivo, mas EEG, ressonância funcional e avaliação clínica ajudam na identificação precoce.
Fonte: https://www.ncbi.nlm.nih.gov
Pergunta: Fatores de estilo de vida influenciam essas doenças?
Resposta: Sim. Até 45% dos casos de demência estão ligados a fatores modificáveis, segundo The Lancet.
Fonte: https://www.thelancet.com (2020)
Pergunta: Histórico familiar aumenta o risco?
Resposta: Sim, especialmente na doença de Parkinson, onde o fator genético tem maior peso.
Fonte: https://www.who.int
Pergunta: Exercício físico ajuda a prevenir?
Resposta: Sim. Atividade física regular está associada à redução do risco de demência e declínio cognitivo.
Fonte: https://www.who.int
Pergunta: Existe cura para Alzheimer ou Parkinson?
Resposta: Não. Os tratamentos atuais focam em retardar a progressão e melhorar a qualidade de vida.
Fonte: https://www.gov.br/saude
Pergunta: Mudanças no sono podem ser sinal de alerta?
Resposta: Sim. Alterações no sono REM são consideradas um dos principais sinais precoces do Parkinson.
Fonte: https://www.sleepfoundation.org