Como a farmácia hospitalar do Hospital Santa Mônica sustenta a internação psiquiátrica — para transtornos mentais e uso de substâncias — com precisão, rastreabilidade e cuidado contínuo.
Em hospitais psiquiátricos, a segurança medicamentosa é tão central quanto a abordagem clínica e psicossocial.
O Serviço de Farmácia Hospitalar atua como eixo técnico que garante a correta prescrição, dispensação e monitoramento dos medicamentos, reduzindo riscos e aumentando a efetividade terapêutica.
No Hospital Santa Mônica, essa estrutura opera 24 horas por dia integrada à equipe multiprofissional, apoiando internações por transtornos mentais e por uso de substâncias com padrões de qualidade acreditados.
Saiba mais sobre o assunto com a Diretora do Serviço de Farmácia do Hospital Santa Mônica, Mônica Cremonte. Boa leitura!
Farmácia hospitalar em psiquiatria: por que é estratégica?
Pacientes internados por transtornos mentais ou por uso de substâncias frequentemente utilizam esquemas terapêuticos complexos, que incluem psicofármacos com janelas terapêuticas estreitas, interações medicamentosas relevantes e necessidade de monitoramento contínuo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que erros de medicação estão entre as principais causas evitáveis de danos em saúde, com impacto global significativo — o que reforça a importância de sistemas robustos de gestão medicamentosa.
Em psiquiatria, a farmácia hospitalar não se limita ao abastecimento: ela participa ativamente da segurança clínica, da padronização terapêutica e do apoio à decisão farmacológica, contribuindo para a estabilidade do paciente durante a internação.
Integração com a equipe multiprofissional
A prática psiquiátrica moderna é interdisciplinar. Farmacêuticos hospitalares trabalham em conjunto com psiquiatras, médicos clínicos, enfermagem e demais profissionais para revisar prescrições, identificar potenciais interações e adequar posologias. Esse fluxo reduz eventos adversos e melhora a adesão terapêutica.
Exemplo prático: em pacientes com transtorno bipolar e comorbidades clínicas, ajustes farmacológicos exigem revisão constante de interações entre estabilizadores de humor, antipsicóticos e medicamentos clínicos — tarefa em que a farmácia hospitalar atua como suporte técnico permanente.
Dispensação por dose unitária: precisão e rastreabilidade
A Farmacêutica Mônica ressalta que “um dos pilares de segurança é o sistema de dispensação por dose unitária. Nesse modelo, cada medicamento é fracionado e identificado com nome do paciente, dose, data e horário de administração. Evidências internacionais mostram que esse sistema reduz significativamente erros de administração quando comparado a modelos tradicionais.”
No Hospital Santa Mônica, esse processo ocorre com controle farmacêutico rigoroso, garantindo que o paciente receba exatamente o medicamento prescrito, no momento correto — fator crítico em psiquiatria, onde variações de dose podem alterar resposta clínica e perfil de efeitos adversos.
Funcionamento 24 horas: continuidade do cuidado
Internações psiquiátricas exigem disponibilidade terapêutica ininterrupta. A farmácia hospitalar operando 24 horas assegura resposta imediata a ajustes de prescrição, intercorrências clínicas e necessidades emergenciais, evitando atrasos que poderiam comprometer a estabilidade do paciente.
Essa disponibilidade contínua também sustenta protocolos de segurança, reconciliação medicamentosa na admissão e alta, e monitoramento de uso racional de psicofármacos.
Qualidade e acreditação como cultura institucional
O Hospital Santa Mônica é o único hospital psiquiátrico do estado de São Paulo a obter acreditação ONA nível 3 (Excelência), certificação que exige processos estruturados, rastreabilidade e cultura de segurança.
A farmácia hospitalar é um dos pilares dessa governança, com protocolos padronizados, auditorias internas e melhoria contínua.
A literatura aponta que hospitais acreditados tendem a apresentar melhores indicadores de segurança medicamentosa e qualidade assistencial.
Internação psiquiátrica e manejo farmacológico seguro
Durante a internação — seja por crise psiquiátrica aguda, descompensação clínica ou tratamento de dependência química — o manejo medicamentoso é dinâmico. Ajustes rápidos, monitoramento de efeitos adversos e prevenção de interações são rotinas críticas.
A farmácia hospitalar contribui para:
- reconciliação medicamentosa na admissão
- validação farmacêutica de prescrições
- monitoramento de psicofármacos de alto risco
- controle de medicamentos sujeitos a legislação especial
- educação permanente da equipe
Esse conjunto sustenta um tratamento mais seguro, previsível e individualizado.
Segurança do paciente como eixo central
O Ministério da Saúde destaca que programas de segurança do paciente devem incluir estratégias específicas para prevenção de erros de medicação. Em psiquiatria, onde polifarmácia é frequente, a atuação farmacêutica reduz riscos de duplicidade terapêutica, doses inadequadas e interações potencialmente graves.
A farmácia hospitalar, portanto, atua como barreira de proteção dentro do sistema assistencial.
Perguntas e Respostas (FAQ)
Pergunta: Por que a farmácia hospitalar é tão importante em psiquiatria?
Resposta: Porque pacientes psiquiátricos frequentemente utilizam múltiplos psicofármacos, exigindo controle rigoroso para evitar erros e interações.
Fonte: OMS — Segurança do paciente (2017) https://www.who.int
Pergunta: O que é dispensação por dose unitária?
Resposta: É o sistema em que cada medicamento é entregue identificado por paciente e horário, reduzindo erros de administração.
Fonte: ISMP — Medication Safety https://www.ismp.org
Pergunta: A farmácia participa das decisões clínicas?
Resposta: Sim. Farmacêuticos revisam prescrições e apoiam ajustes terapêuticos com a equipe médica.
Fonte: Ministério da Saúde — Segurança do Paciente https://www.gov.br/saude
Pergunta: O funcionamento 24h faz diferença?
Resposta: Sim. Garante continuidade terapêutica e resposta rápida a mudanças clínicas.
Fonte: OMS — Medication Safety https://www.who.int
Pergunta: A farmácia ajuda a evitar erros de medicação?
Resposta: Sim. Protocolos estruturados reduzem eventos adversos evitáveis.
Fonte: OMS — Medication Without Harm (2017) https://www.who.int
Pergunta: O que é reconciliação medicamentosa?
Resposta: Processo de conferência dos medicamentos do paciente na admissão e alta.
Fonte: Ministério da Saúde https://www.gov.br/saude
Pergunta: Psicofármacos exigem monitoramento especial?
Resposta: Sim. Muitos têm janelas terapêuticas estreitas e interações relevantes.
Fonte: WHO — Patient Safety https://www.who.int
Pergunta: A acreditação hospitalar impacta a segurança?
Resposta: Hospitais acreditados tendem a ter processos mais seguros e padronizados.
Fonte: ONA — Acreditação https://ona.org.br
REFERÊNCIAS — Formato ABNT
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 529, de 1º de abril de 2013. Institui o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP). Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/seguranca-do-paciente. Acesso em: 11 fev. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Assistência segura: uma reflexão teórica aplicada à prática. Brasília: ANVISA, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa. Acesso em: 11 fev. 2026.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Medication without harm: global patient safety challenge on medication safety. Geneva: WHO, 2017. Disponível em: https://www.who.int/initiatives/medication-without-harm. Acesso em: 11 fev. 2026.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Patient safety: medication safety. Geneva: WHO, 2019. Disponível em: https://www.who.int/teams/integrated-health-services/patient-safety. Acesso em: 11 fev. 2026.
INSTITUTE FOR SAFE MEDICATION PRACTICES (ISMP). Medication safety principles and recommendations. Horsham: ISMP, 2023. Disponível em: https://www.ismp.org. Acesso em: 11 fev. 2026.
ORGANIZAÇÃO NACIONAL DE ACREDITAÇÃO (ONA). Manual brasileiro de acreditação: organizações prestadoras de serviços de saúde. São Paulo: ONA, 2022. Disponível em: https://ona.org.br. Acesso em: 11 fev. 2026.