Gabriel tinha 23 anos quando foi internado, em julho de 2021, após um episódio agudo de desestabilização emocional, desencadeado por perdas familiares durante a pandemia. O que começou como um processo de luto evoluiu para um quadro psiquiátrico com sintomas intensos. Durante a internação, encontrou suporte para estabilizar sua saúde mental e começar a lidar com o sofrimento.
Saúde mental · Depoimento: Gabriel, 23 anos · Leitura: ~5 min
Cristina Collina
Jornalista especializada em saúde mental | MTb 0081755/ SP.
Comunicação em Saúde| RESPOSTA RÁPIDA — quando o sofrimento emocional evolui para crise |
| Eventos traumáticos, como perdas familiares, podem desencadear quadros psiquiátricos agudos. Gabriel enfrentou luto, estresse intenso e desenvolveu uma crise compatível com transtorno bipolar. A internação permitiu estabilização, manejo dos sintomas e início do processo de recuperação. |
| 23 anos Idade do paciente | 1 fator Luto familiar durante a pandemia | 1 diagnóstico clínico episódio compatível com transtorno bipolar |
O início: quando o luto ultrapassa o limite
Gabriel vivia um momento de forte impacto emocional.
Em um curto intervalo de tempo, enfrentou situações intensas dentro da família.
“Meu pai estava saindo do hospital… e no mesmo dia meu tio estava saindo morto.” – Gabriel, ex-paciente do Hospital Santa Mônica
A perda de uma figura extremamente próxima — descrita como um “segundo pai” — marcou profundamente o início do quadro.
O luto, nesse contexto, deixou de ser apenas emocional e passou a afetar o funcionamento psíquico.
A crise: quando a mente entra em desorganização
A sobrecarga emocional evoluiu para um episódio agudo.
Segundo avaliação médica, Gabriel apresentou um quadro compatível com transtorno bipolar, com manifestação em fase de euforia.
Os sinais incluíram:
- comportamento desorganizado
- postagens impulsivas e sem sentido
- alteração do pensamento
- dificuldade de julgamento
“Eu estava postando coisas sem sentido.” – Gabriel, ex-paciente do Hospital Santa Mônica
Esse tipo de manifestação indica perda temporária de crítica — comum em episódios de mania ou hipomania.
A decisão pela internação
Diante da crise, a internação foi necessária para estabilização.
Gabriel chegou ao hospital ainda em processo de desorganização emocional, com dificuldade de lidar com o que estava acontecendo.
A internação, nesses casos, tem como objetivo:
- estabilizar o quadro clínico
- reduzir riscos
- iniciar tratamento adequado
- oferecer ambiente protegido
O tratamento: estabilização e acolhimento
Durante a internação, Gabriel iniciou um processo de recuperação gradual.
O suporte incluiu:
- acompanhamento psiquiátrico
- suporte de enfermagem contínuo
- ambiente estruturado e seguro
- acolhimento emocional
“Estou conseguindo lidar com isso de uma forma muito mais leve do que conseguiria sozinho.” – Gabriel, ex-paciente do Hospital Santa Mônica
Esse é um ponto central: em quadros agudos, o ambiente faz diferença clínica real.
O papel da equipe: segurança e confiança
Gabriel destaca de forma espontânea a equipe como um dos pilares da experiência.
Para ele, o cuidado não foi apenas técnico, mas também humano.
- equipe de enfermagem presente
- suporte constante
- acolhimento individual
“A administração é muito boa, os enfermeiros são muito técnicos.” – Gabriel, ex-paciente do Hospital Santa Mônica
A percepção de segurança é fundamental para adesão ao tratamento.
O processo ainda em andamento
No momento do depoimento, Gabriel ainda estava internado.
A alta já estava prevista — mas ele reconhece que o processo continua.
“Eu ainda tenho tratamento.” – Gabriel
Esse reconhecimento é um indicador importante de consciência sobre a própria condição.
A saída: entre o medo e a responsabilidade
Gabriel antecipa o desafio do pós-alta.
“Vai ser difícil continuar lá fora.” – Gabriel
Esse é um ponto crítico em saúde mental: a transição do ambiente protegido para a vida cotidiana.
A continuidade do tratamento é essencial para evitar recaídas.
O que mudou até aqui
Mesmo com o processo ainda em andamento, algumas mudanças já são claras:
- maior estabilidade emocional
- melhor compreensão do que aconteceu
- redução da desorganização mental
- início da elaboração do luto
“Hoje eu consigo lidar melhor com isso.” – Gabriel, ex-paciente do Hospital Santa Mônica
Mensagem de quem viveu o processo
Gabriel deixa uma mensagem simples, mas importante:
Buscar ajuda fez diferença — e enfrentar sozinho não era uma opção.
| Contexto clínico — equipe do Hospital Santa Mônica |
| Programa de Saúde Mental · Transtornos de Humor e Crises Agudas “Eventos traumáticos podem desencadear episódios psiquiátricos agudos, especialmente em indivíduos vulneráveis. O tratamento envolve estabilização clínica, manejo medicamentoso e suporte psicoterapêutico, com continuidade após a alta.” |
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