Sinais de alerta, critérios técnicos e como funciona a internação psiquiátrica no Hospital Santa Mônica para casos de transtornos mentais e uso de substâncias.
A saúde mental já é uma das principais causas de afastamento do trabalho no Brasil e no mundo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), depressão e ansiedade geram perda anual estimada de US$ 1 trilhão em produtividade global (OMS, 2023).
Para o RH, a pergunta não é mais “se” o tema impacta a empresa, mas “quando” e “como” intervir com responsabilidade. Em casos mais graves, a internação psiquiátrica pode ser necessária — e entender esse processo é fundamental para proteger o colaborador e a organização.
Saiba mais com a Dra. Luciana Mancini Bari, médica com foco em saúde mental, parceira do Programa Saúde Mental nas Corporações e boa leitura!
Saúde mental no trabalho: quando o sinal deixa de ser amarelo
Oscilações emocionais fazem parte da vida. Mas alguns quadros ultrapassam o limite do sofrimento esperado e passam a comprometer segurança, desempenho e funcionalidade.
De acordo com o Ministério da Previdência Social, transtornos mentais estão entre as principais causas de incapacidade no país:
Em 2024, o Brasil registrou 472.328 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais, o maior número da série histórica recente, com transtornos de ansiedade e episódios depressivos liderando os motivos de incapacidade no trabalho.
Em 2025, o número subiu para cerca de 546.000 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais, representando um aumento de 15 % em relação ao ano anterior — consolidando esses diagnósticos entre as principais causas de incapacidade laboral no Brasil.
Entre os quadros mais prevalentes no ambiente corporativo estão:
- Transtorno depressivo maior
- Transtornos de ansiedade
- Transtorno bipolar
- Síndromes relacionadas ao uso de álcool e outras drogas
- Episódios psicóticos
Os líderes e profissionais de RH devem observar três eixos: intensidade, duração e impacto funcional.
Quando encaminhar para avaliação psiquiátrica
Nem todo sofrimento exige internação. Mas alguns sinais indicam necessidade de avaliação especializada imediata:
1. Risco à própria vida
- Ideação suicida verbalizada ou sugerida
- Tentativas prévias recentes
- Automutilação
Segundo a OMS (2025), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano no mundo.
2. Risco a terceiros
- Agressividade fora do padrão
- Ameaças consistentes
- Perda de controle comportamental
3. Perda de contato com a realidade
- Delírios
- Alucinações
- Desorganização grave do pensamento
4. Comprometimento severo por uso de substâncias
- Intoxicação recorrente no ambiente de trabalho
- Síndrome de abstinência
- Recaídas frequentes com prejuízo funcional
5. Incapacidade de autocuidado
- Negligência grave com higiene
- Alimentação inadequada persistente
- Desorientação
Nesses cenários, a internação pode ser indicada como medida terapêutica temporária.
Internação psiquiátrica: o que realmente significa
Internação não é punição nem exclusão social. É um recurso clínico indicado quando o tratamento ambulatorial não é suficiente para garantir segurança e estabilização.
No Hospital Santa Mônica, o processo envolve:
- Avaliação psiquiátrica criteriosa
- Definição diagnóstica
- Estabilização medicamentosa
- Psicoterapia estruturada
- Envolvimento familiar
- Plano terapêutico individual (PTI)
A duração varia conforme o quadro clínico. Em episódios agudos, pode durar dias a algumas semanas. Em casos relacionados ao transtorno por uso de substâncias, pode envolver protocolos estruturados de desintoxicação e reabilitação.
Tipos de internação previstos em lei
A legislação brasileira (Lei nº 10.216/2001) prevê três modalidades:
- Voluntária: com consentimento do paciente
- Involuntária: sem consentimento, mediante indicação médica
- Compulsória: determinada pela Justiça
O RH não determina internação. O papel da empresa é orientar, acolher e encaminhar para avaliação especializada.
Exemplo prático
Imagine um gestor que percebe que um colaborador, antes produtivo, passa a apresentar isolamento, atrasos frequentes, discurso pessimista constante e faltas injustificadas. Após conversa reservada, ele relata insônia severa, desesperança e pensamentos de “não querer mais viver”.
Nesse caso, o encaminhamento imediato para avaliação psiquiátrica é prudente. Se confirmado risco iminente, a internação pode ser indicada para proteção e estabilização.
Outro exemplo comum envolve uso abusivo de álcool com episódios de intoxicação no expediente. Se houver perda de controle e prejuízo funcional significativo, o tratamento estruturado em regime de internação pode ser a alternativa mais segura.
O papel estratégico do RH
O RH não substitui o médico. Mas pode:
- Criar canais seguros de escuta
- Capacitar lideranças para identificar sinais precoces
- Estabelecer fluxos claros de encaminhamento
- Garantir confidencialidade
- Articular com família quando necessário
- Planejar retorno ao trabalho após alta
Empresas que investem em saúde mental apresentam redução de absenteísmo e presenteísmo, além de melhora no clima organizacional.
Como funciona o retorno ao trabalho
Após alta hospitalar, o retorno deve ser planejado. Isso pode incluir:
- Jornada reduzida temporária
- Ajustes de função
- Acompanhamento ambulatorial
- Avaliação ocupacional
O objetivo é evitar recaídas e promover reintegração sustentável.
Em caso de dúvida, não decida sozinho
Encaminhar um colaborador para avaliação psiquiátrica é uma decisão sensível, que envolve aspectos clínicos, legais e humanos. O RH não precisa — e não deve — assumir esse processo isoladamente.
Em situações de dúvida sobre gravidade, tipo de encaminhamento ou necessidade de avaliação, o Hospital Santa Mônica conta com uma Central de Relacionamento Empresa, preparada para orientar gestores e profissionais de Recursos Humanos sobre como proceder diante de diferentes cenários.
A equipe oferece apoio técnico para:
- Avaliação inicial da situação
- Orientação sobre fluxos adequados de encaminhamento
- Esclarecimento sobre modalidades de internação
- Informações sobre prazos, documentação e acompanhamento
- Planejamento de retorno ao trabalho
O objetivo é oferecer suporte especializado, garantindo segurança jurídica, ética e clínica — sempre com respeito à confidencialidade e à dignidade do colaborador.
Cuidar da saúde mental no ambiente corporativo é uma responsabilidade compartilhada. E ter apoio técnico faz toda a diferença na hora de agir com precisão e humanidade.
FAQ — Perguntas e Respostas
Pergunta: Internação psiquiátrica é comum?
Resposta: É indicada apenas em casos moderados a graves, quando há risco ou falha do tratamento ambulatorial.
Pergunta: O RH pode obrigar um colaborador a se internar?
Resposta: Não. A decisão é médica e segue a Lei 10.216/2001.
Pergunta: Transtornos mentais são causa frequente de afastamento?
Resposta: Sim. Estão entre as principais causas de incapacidade laboral no Brasil.
Pergunta: Uso de álcool pode justificar internação?
Resposta: Em casos de dependência grave com risco ou falha terapêutica, sim.
Pergunta: Quanto tempo dura uma internação?
Resposta: Depende da gravidade e resposta clínica; pode variar de dias a semanas.
Pergunta: A internação é sempre involuntária?
Resposta: Não. A maioria ocorre de forma voluntária.
Pergunta: A empresa pode acompanhar o tratamento?
Resposta: Apenas com autorização do paciente, respeitando sigilo médico.
Pergunta: O colaborador pode ser demitido durante o tratamento?
Resposta: A empresa deve observar legislação trabalhista e princípios de não discriminação.
Pergunta: O tratamento hospitalar inclui terapia?
Resposta: Sim. Inclui abordagem medicamentosa e psicoterapia estruturada.
Pergunta: Internação resolve definitivamente o problema?
Resposta: É etapa de estabilização. O acompanhamento continua após a alta.