História de Superação: “Eu achava que não tinha mais saída. Hoje eu aprendi uma nova forma de viver”
Beatriz tem 22 anos e iniciou o uso de substâncias aos 12. Ao longo dos anos, a dependência química evoluiu rapidamente, associada a outros transtornos mentais e múltiplas internações sem sucesso. Após seis tentativas anteriores, foi no Hospital Santa Mônica que encontrou, pela primeira vez, acolhimento, estrutura e uma possibilidade real de recuperação.
Depoimento: Beatriz, 22 anos, ex-paciente · Publicado em 2 de dezembro de 2024 · Revisado em 30 de março de 2026 · Leitura: ~6 min
Cristina Collina
Jornalista especializada em saúde mental | MTb 0081755/ SP.
Comunicação em Saúde| RESPOSTA RÁPIDA — para quem enfrenta dependência química grave |
| A dependência química pode começar cedo, evoluir rapidamente e se agravar quando associada a outros transtornos mentais. Beatriz iniciou o uso aos 12 anos, passou por seis internações sem sucesso e chegou a um estado crítico, sem esperança de recuperação. No Hospital Santa Mônica, encontrou um tratamento estruturado, abordagem multidisciplinar e acolhimento genuíno — fatores decisivos para sua evolução. Hoje, deixa uma mensagem clara: desistir não é uma opção. |
| 22 anos idade de Beatriz durante o tratamento | 12 anos início do uso de substâncias | 1 ponto de virada acolhimento e vínculo com a equipe |
O início precoce e a progressão da dependência
O contato com substâncias aconteceu ainda na infância. O que começou como curiosidade e tentativa de pertencimento rapidamente evoluiu.
Beatriz buscava aceitação em grupos sociais — e encontrou nas drogas uma forma de se sentir incluída.
“Eu sempre quis ser aceita, fazer parte de um grupo. E usar substância foi uma forma de me encaixar.” – Beatriz, ex-paciente do Hospital Santa Mônica
O ambiente familiar também teve influência no início do consumo, o que contribuiu para a naturalização precoce do uso.
Com o tempo, o quadro se agravou: aumento do consumo, surgimento de outros transtornos psiquiátricos e perda progressiva de controle.
O fundo do poço: desaparecimentos, risco físico e colapso familiar
A dependência passou a impactar todas as áreas da vida.
Beatriz desaparecia por dias, ficava longos períodos sem se alimentar e retornava em estado físico crítico, frequentemente necessitando de atendimento hospitalar imediato.
“Eu reaparecia em condições deploráveis. Ia direto para o hospital.” – Beatriz, ex-paciente do Hospital Santa Mônica
O sofrimento não era individual — toda a família estava adoecida, especialmente a mãe, que assumia o papel de busca, cuidado e suporte constante.
Múltiplas tentativas frustradas de tratamento
Antes de chegar ao Hospital Santa Mônica, Beatriz passou por seis internações.
Sem vínculo terapêutico, sem adesão consistente e sem abordagem integrada, os tratamentos anteriores não produziram resultado.
O quadro continuava evoluindo — tanto pela dependência química quanto pelas comorbidades psiquiátricas.
O ponto de virada: decisão e início do tratamento
A entrada no Hospital Santa Mônica aconteceu após pesquisa e decisão conjunta com a família.
Diferente das experiências anteriores, desde o início o caso foi tratado como de alta complexidade — considerando não apenas a dependência, mas todo o contexto clínico e emocional.
O tratamento: estrutura, vínculo e reconstrução
Nos primeiros dias, ainda havia resistência e comportamentos típicos da fase ativa da dependência.
Mas o diferencial apareceu rapidamente: consistência da equipe e acolhimento contínuo.
“Eu tive problemas no começo, mas tive apoio de todos — psicólogos, enfermagem, médicos. Eles não desistiram de mim.” – Beatriz
O tratamento foi conduzido de forma multidisciplinar, incluindo:
- acompanhamento psiquiátrico com ajuste medicamentoso
- psicoterapia individual
- grupos terapêuticos
- rotina estruturada de atividades
- suporte contínuo da equipe assistencial
Esse conjunto permitiu progressão gradual e sustentada.
“Foi ali que eu comecei a evoluir de verdade.” – Beatriz
O diferencial: acolhimento e crença na recuperação
Entre todos os fatores, um se destacou de forma decisiva: o vínculo.
Beatriz relata que, pela primeira vez, sentiu que alguém acreditava genuinamente na sua recuperação.
“O que mais fez diferença foi o acolhimento. As pessoas acreditavam em mim de um jeito que ninguém tinha acreditado antes.” – Beatriz
A relação com a equipe — especialmente o reforço constante de que ela não seria abandonada — teve impacto direto na adesão ao tratamento.
“Eles diziam que não iam desistir de mim. Isso me fez continuar.” – Beatriz
O papel da família: suporte que sustenta o tratamento
Apesar das dificuldades, Beatriz sempre contou com uma base familiar presente — especialmente a mãe.
Era ela quem buscava, internava, visitava e sustentava o cuidado nos momentos mais críticos.
Além disso, a família teve papel essencial no cuidado com o filho de Beatriz, garantindo estabilidade durante o tratamento.
“Minha mãe sempre esteve ali. Sempre.” – Beatriz
A virada interna: quando a esperança volta
Em determinado momento, Beatriz percebeu algo que não existia antes: possibilidade.
Mesmo sem enxergar uma saída clara no início, o processo terapêutico foi reconstruindo essa percepção.
“Eu achava que não tinha mais esperança. Hoje eu vejo que existe uma saída.” – Beatriz
A mensagem de quem viveu o processo
Beatriz deixa um recado direto para quem está em situação semelhante:
“Mesmo quando você não vê saída, ela existe. Desistir não é uma opção.”
E reforça o papel ativo do paciente no processo:
- participar das atividades
- se engajar na terapia
- falar sobre sua história
- permitir o tratamento
| Contexto clínico — equipe do Hospital Santa Mônica |
| Programa de Dependência Química · Transtornos Associados “A dependência química de início precoce, especialmente quando associada a outros transtornos psiquiátricos, tende a apresentar maior gravidade clínica e maior risco de recaídas quando não tratada de forma estruturada. Casos como o de Beatriz exigem abordagem multidisciplinar intensiva, com manejo medicamentoso adequado, psicoterapia e intervenções psicossociais. O vínculo terapêutico e o acolhimento são fatores críticos para adesão — especialmente em pacientes com histórico de múltiplas internações sem sucesso. Quando o paciente se sente compreendido e sustentado pela equipe, as chances de recuperação aumentam significativamente.” |
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