Depressão: Os desafios do retorno ao ambiente de trabalho - Hospital Santa Mônica

O ambiente de trabalho pode gerar um nível de estresse e ansiedade tão alto que o trabalhador adoece. A boa notícia é que existem meios de transformar a empresa em um local saudável e produtivo para que esse talento possa voltar. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2020 a depressão passará da quarta para a segunda colocada entre as principais causas de incapacidade para o trabalho no mundo. Estima-se que 121 milhões de pessoas sofram com a depressão, 17 milhões delas somente no Brasil. O caminho até o retorno ao trabalho é difícil, mas possível.

O tratamento para a depressão pode associar medicamentos e psicoterapia. Depois de algum tempo, o paciente retoma as atividades cotidianas, mas um dos grandes desafios hoje é reintegrar essa pessoa às suas rotinas de trabalho, especialmente porque é justamente o ambiente corporativo um dos grandes fatores que causam estresse. Assim, é importante verificar também como está a “saúde” deste ambiente. Uma demanda absurda de trabalho ou a meta de produção acima do limite do trabalhador pode gerar estresse, capaz de detonar uma doença que exija o afastamento. Só tratar não basta.

É preciso promover ajustes antes de reinseri-lo à rotina de trabalho, lembrando que a pessoa se encontra em uma situação de maior vulnerabilidade e se for submetida novamente a uma situação de muita ansiedade, de altos níveis de estresse, pode até sofrer crises de esquizofrenia. Para a Saúde do Trabalho, o estresse já é considerado a maior causa de doenças osteomusculares e mesmo a depressão pode evoluir dele. Dessa forma, uma vez que o paciente consegue superar a fase mais aguda da doença, é fundamental preparar a sua volta ao trabalho.

De acordo com a psicóloga e professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM) Sylvia Mara Pires de Freitas, o ambiente de trabalho ideal é aquele onde se equilibram as necessidades das empresas (objetivos, metas e procedimentos) e a singularidade do trabalhador. Essa relação funciona quando os colaboradores tem uma história de vida e projetos pessoais, mas no ambiente corporativo trabalham de acordo com os mesmos valores da empresa. Sylvia destaca que no caso de trabalhadores afastados por depressão, se o problema está na relação com o trabalho, retirá-lo do ambiente não garante que ao voltar ele estará bem. Um dos erros mais comuns das empresas é adotar métodos de resolução de conflitos com o objetivo de extingui-los, no lugar de mediá-los.

O ambiente se torna ruim e gera um trabalhador oprimido, temeroso e frustrado, sob forte estresse e que pode desenvolver transtornos psíquicos, inclusive quadros de depressão. Desse jeito, aquele que já havia sido afetado antes, ao retornar vai voltar à estaca zero e estará sujeito às mesmas complicações. O problema não é só do trabalhador, mas construído pelas suas relações com o mundo onde também está o trabalho: suas rotinas, colegas, metas, gestores. No processo de retorno, o psicoterapeuta é de grande ajuda para o trabalhador, mas a intervenção não deve parar no indivíduo.

“Se ocorrem casos isolados e com pouca frequência em uma empresa, costuma-se achar que o problema não se relaciona com o local, mas isso é um erro. Se ocorreu uma vez, pode ocorrer novamente com a mesma pessoa ou com outras.É preciso avaliar todo o contexto e não o indivíduo de uma maneira isolada”, explica Sylvia. Isso implica em detectar falhas nas relações entre as pessoas e na maneira como a empresa conduz as suas necessidades de mercado em relação às necessidades desses indivíduos. Se não for coletiva, a intervenção será incoerente e ineficiente. A empresa tem papel fundamental na recuperação do indivíduo. A responsabilidade da empresa é preparar o ambiente para receber de volta esse colaborador e oferecer a ele condições para retomar as atividades.

1)Como organizar a volta desse trabalhador? A postura da empresa é essencial no restabelecimento do equilíbrio emocional do funcionário. Caso ele precise se afastar por um período, ao retornar às atividades, as orientações do profissional de Recursos Humanos, de como lidar com esse colaborador nos primeiros meses, são essenciais na readaptação.

2)Como deve ser a retomada das atividades? Num primeiro momento o ideal é repassar apenas o necessário; demonstrar interesse pelo colaborador, oferecer ajuda quando preciso. Estas condutas auxiliam na readaptação ao ambiente de trabalho. Outro ponto seria o gestor acompanhar diariamente a desenvoltura do colaborador e se perceber algum desconforto ou situação de estresse, chamá-lo para uma conversa e reavaliar as tarefas a serem desempenhadas. No caso de atitudes bruscas ou inadequadas, que interfiram bruscamente no ambiente, o terapeuta e o RH podem auxiliar.

3)Como a empresa pode se adaptar a essa fase? O setor precisa se reorganizar enquanto o colaborador não está totalmente recuperado. Cada empresa tem recursos que melhor lhe servem, podem se utilizar de trabalhadores temporários, redistribuição de funções dentro do setor ou terceirização do trabalho, a fim de cumprir as metas.

4)Como deve ser o tratamento depois da crise? Em casos de diagnóstico de estresse agudo ou depressão, o funcionário precisa de tratamento psiquiátrico com medicação. O tratamento psicológico é bem-vindo como acompanhamento nessa fase de afastamento. Hoje as medicações estão avançadas e em curto espaço de tempo surtem o efeito desejado. O paciente pode ter uma vida normal e até voltar ao trabalho. É válido lembrar que o tratamento medicamentoso é prescrevido por psiquiatra e não pode ser administrado de outra forma, pois precisa de acompanhamento médico.

5)Há casos de estresse ambiental, não apenas comportamental. Como prevenir que aconteça com outros? A empresa deve tomar medidas de precaução no setor que receberá novamente o funcionário, para evitar reincidência.

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