Saúde Mental nas Férias: Pensando em proporcionar bem-estar para sua família ou para um amigo querido, o Hospital Santa Mônica oferece Programa de Cuidado Intensivo. Saiba mais

Dependência Química

Alquimia do prazer: drogas usadas para intensificar o sexo ganham espaço e acendem alerta de saúde

Substâncias como GHB e “cocaína rosa” prometem relaxamento, euforia e desinibição, mas o uso isolado ou combinado pode levar à intoxicação grave e à morte.

O uso de drogas para potencializar experiências sexuais — prática conhecida como chemsex — tem ganhado espaço entre cariocas e turistas no Rio de Janeiro, especialmente em festas, encontros casuais e ambientes noturnos.

Substâncias como o gama-hidroxibutirato (GHB) e a chamada “cocaína rosa” circulam de forma clandestina, impulsionadas por referências culturais, músicas e redes sociais.

Embora associadas a sensações de prazer e desinibição, essas drogas representam riscos severos à saúde e já estão relacionadas a casos de intoxicação, dependência e morte.

Prazer químico e risco real

Entre frequentadores de festas, blocos de rua e encontros privados, cresce o uso de substâncias psicoativas que prometem intensificar o prazer sexual ao estimular neurotransmissores como dopamina, serotonina e noradrenalina.

O problema é que esses efeitos artificiais podem se sobrepor aos mecanismos naturais do corpo, aumentando perigosamente o risco de colapso físico.

O GHB, por exemplo, é um potente depressor do sistema nervoso central. Em pequenas doses, pode causar relaxamento e desinibição; em quantidades um pouco maiores — ou quando combinado com álcool, cocaína, metanfetamina ou MDMA — pode provocar perda de consciência, depressão respiratória e morte.

O que é GHB?

Definição e origem

O GHB — ácido gama-hidroxibutírico — é um composto químico que atua como depressor do sistema nervoso central, com efeitos sedativos e desinibitórios.

Ele já foi estudado em contextos clínicos (por exemplo, no tratamento de narcolepsia na forma de medicamento controlado), mas seu uso recreativo é ilegal em muitos países, inclusive no Brasil.

Nomes e formas de consumo

Conhecido em círculos recreativos como Liquid Ecstasy, G ou Easy Lay, o GHB pode ser encontrado em líquido incolor e sem cheiro, às vezes misturado em bebidas, o que dificulta sua detecção.

Por que o GHB é usado em contextos sexuais?

Efeitos percebidos

Usuários relatam relaxamento muscular, redução de inibições e aumento temporário do desejo ou da intensidade da experiência sexual — efeitos que são interpretados como “turbinar” a atividade sexual. Estes efeitos têm início geralmente entre 15 e 30 minutos após a ingestão e podem durar algumas horas.

Química e sexualidade

Pesquisas mostram que parte dos usuários relata aumento do contato sexual e comportamentos de risco sob influência de GHB, como envolvimento com parceiros desconhecidos ou sem proteção.

Riscos à saúde envolvidos

Efeitos adversos físicos

Mesmo em doses relativamente baixas, GHB pode causar tontura, náusea, perda de coordenação motora e sonolência. Em doses mais elevadas, o risco inclui depressão respiratória, coma e morte.

Interação com álcool e outras drogas

A combinação de GHB com álcool ou outros depressivos acentua de forma perigosa os efeitos de supressão respiratória e perda de consciência, sendo frequente nas situações em que emergências médicas ocorrem.

Dependência e retirada

O uso repetido pode levar à tolerância e dependência física. A retirada abrupta pode resultar em sintomas de abstinência similares aos do álcool ou benzodiazepínicos.

O que é a “cocaína rosa” (tusi)

Apesar do nome, a “cocaína rosanão é cocaína. Conhecida como tusi ou tusibi, trata-se de uma mistura sintética de drogas, cuja composição varia conforme o fornecedor. Geralmente combina MDMA (ecstasy), cetamina e, em alguns casos, metanfetamina, além de corantes que dão a coloração rosada ao pó.

Os efeitos buscados incluem euforia, energia, desinibição e intensificação das sensações corporais e sexuais.

O risco está na imprevisibilidade da mistura: o consumo pode causar aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, confusão mental, ansiedade intensa e, em casos graves, infarto, colapso respiratório e morte, sobretudo quando associada ao álcool ou a outras drogas.

O fenômeno do chemsex

O que é chemsex?

Chemsex ou “sexo químico” refere-se à prática de usar substâncias psicoativas antes ou durante a atividade sexual para alterar sensações ou prolongar o ato. Substâncias como GHB, metanfetaminas (mefedrona, “tusi”), cocaína e poppers fazem parte desse contexto.

Cenário no Rio de Janeiro

Reportagens recentes indicam que essas práticas têm se disseminado entre jovens e frequentadores de festas e blocos, muitas vezes propagadas por memes ou referências musicais, apesar dos riscos envolvidos.

Quando o prazer vira emergência

Segundo toxicologistas e psiquiatras, muitos usuários desconhecem a real composição das drogas consumidas e subestimam os riscos do uso combinado. Não existe “dose segura” quando se fala em substâncias ilícitas, especialmente em ambientes de esforço físico intenso, calor e consumo de álcool — comuns em festas e eventos.

Atendimento em saúde e tendências

Segundo a Sociedade Brasileira de Clínica Médica e dados da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro mostram um crescimento consistente no número de atendimentos relacionados ao consumo de álcool e outras drogas nos últimos anos, inclusive em unidades especializadas em dependência. Entre 2023 e 2024, os atendimentos no Caps AD aumentaram mais de 50%, e os números seguem em alta em 2025.

Na rede de urgência e emergência, milhares de pacientes são atendidos anualmente com histórico recente de uso de substâncias psicoativas, muitas vezes em contextos recreativos associados a festas e encontros sexuais.

Aviso de isenção de responsabilidade

Este conteúdo é informativo e não substitui orientação médica profissional. Caso haja dúvidas sobre saúde ou uso de substâncias, procure sempre um psiquiatra para mais informações ou um serviço especializado como o que o Hospital Santa Mônica oferece.

Como o Hospital Santa Mônica pode ajudar

O Hospital Santa Mônica conta com equipes multidisciplinares especializadas no cuidado integral de pessoas que enfrentam problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas, incluindo quadros de intoxicação, dependência química e sofrimento psíquico associado.

O atendimento envolve avaliação médica e psiquiátrica, acompanhamento psicológico, suporte de enfermagem 24 horas e planos terapêuticos individualizados, sempre com foco na segurança, na redução de danos e na recuperação da saúde mental.

O hospital também atua na orientação de familiares e na prevenção, oferecendo informação qualificada e acolhimento sem julgamentos, fundamentais para quem busca ajuda em momentos de vulnerabilidade.

Informação, prevenção e cuidado salvam vidas

O uso de substâncias psicoativas para intensificar o prazer sexual pode parecer inofensivo à primeira vista, mas envolve riscos reais e, muitas vezes, subestimados. Falar sobre o tema com responsabilidade, acesso à informação confiável e suporte especializado é fundamental para prevenir danos e proteger a saúde física e mental.

Se você, um familiar ou alguém próximo enfrenta dificuldades relacionadas ao uso de álcool ou outras drogas, buscar ajuda é um ato de cuidado, não de fraqueza. O Hospital Santa Mônica está preparado para acolher, orientar e oferecer tratamento especializado, com equipes experientes e abordagem humanizada.

📞 Em caso de dúvidas ou necessidade de orientação, procure um serviço de saúde ou entre em contato com o Hospital Santa Mônica. Informação e cuidado podem fazer toda a diferença.

FAQ — Perguntas Frequentes

Pergunta: O que é GHB?
Resposta:
Segundo o DEA – United States Drug Enforcement Administration, o GHB é uma substância depressora do sistema nervoso usada recreativamente para efeitos eufóricos e de relaxamento, mas ilegal para uso fora de contextos médicos controlados.

Pergunta: Por que o GHB é usado para “turbinar” o sexo?
Resposta:
Alguns estudos como o Enhancing sexual desire and experience: an investigation of the sexual correlates of gamma-hydroxybutyrate e usuários, relatam aumento de relaxamento, desinibição e libido sob efeito do GHB, embora isso venha com riscos físicos sérios.

Pergunta: Quais são os principais riscos do GHB?
Resposta:
Segundo o MSD Manuals, os riscos incluem depressão respiratória, perda de consciência, coma e morte, especialmente quando misturado com álcool ou outras drogas.

Pergunta: O GHB pode causar dependência?
Resposta:
Sim, o uso repetido pode levar a tolerância, dependência física e sintomas de abstinência.

Pergunta: A substância pode ser detectada em exames de rotina?
Resposta:
Não, o GHB muitas vezes não é detectado em exames toxicológicos comuns.

Pergunta: Quais drogas estão associadas ao chemsex?
Resposta:
Segundo o Conselho Federal de Farmácia, além de GHB, incluem estimulantes como metanfetaminas, poppers e cocaína em contextos de uso recreativo.

Pergunta: O que fazer se alguém apresentar sinais de intoxicação por GHB?
Resposta:
Procure atendimento médico imediato; respiradores e suporte clínico podem ser necessários.

Pergunta: Há algum tratamento eficaz para intoxicação?
Resposta:
Não existe antídoto específico; o tratamento visa estabilizar sinais vitais e suportar funções respiratórias e cardíacas.

FAQ | O que é a cocaína rosa?

Pergunta: A cocaína rosa é cocaína?
Resposta: Não. Apesar do nome, o tusi é uma mistura sintética de drogas como MDMA, cetamina e, às vezes, metanfetamina.

Pergunta: Por que ela é considerada tão perigosa?
Resposta: Porque não há padrão na composição. O usuário não sabe exatamente o que está consumindo, o que aumenta o risco de intoxicação grave.

Pergunta: Quais são os principais riscos à saúde?
Resposta: Aumento da pressão arterial, arritmias, ansiedade intensa, confusão mental, infarto e risco de morte, especialmente em uso combinado.

Pergunta: Misturar com álcool aumenta o perigo?
Resposta: Sim. A combinação potencializa os efeitos tóxicos e eleva significativamente o risco de emergências médicas.

gradient
Cadastre-se e receba nossa newsletter