Comunicado: A partir de 1º de novembro, os atendimentos do Centro de Cuidados em Saúde Mental serão realizados no Hospital Santa Mônica em Itapecerica da Serra - SP Saiba mais

Saúde Mental nas Corporações

Alcoolismo no trabalho: da negação ao tratamento nas empresas

Como identificar sinais de alcoolismo no ambiente de trabalho, evitar abordagens equivocadas e orientar colaboradores para tratamento adequado.

Redação: Cristina Collina | MTB 0081755/SP | Jornalista especializada em saúde mental
Revisão técnica: Antonio Chaves Filho | Psicólogo do Hospital Santa Mônica | CRPSP 06/146030

Quando a alta performance esconde um problema silencioso

Ele chega no horário, participa das reuniões, entrega resultados e dificilmente falta ao trabalho. Para colegas e gestores, parece um colaborador exemplar. Mas, fora do expediente, o consumo de álcool já ultrapassou o limite do social e começa a interferir no humor, no sono e na capacidade de tomar decisões.

O alcoolismo no ambiente de trabalho costuma evoluir de forma silenciosa. Muitos profissionais conseguem manter a aparência de normalidade por anos, escondendo o problema atrás de desempenho aparentemente estável.

Para profissionais de gestão corporativa, reconhecer sinais precoces e saber como agir com ética pode fazer toda a diferença entre o agravamento do problema e o acesso ao tratamento adequado.

O que dizem os dados globais sobre álcool e saúde

O impacto do álcool na saúde pública mundial é significativo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, divulgados pela Organização Pan-Americana da Saúde, o uso nocivo de álcool provoca mais de 3 milhões de mortes por ano no mundo, o que representa cerca de 5% de todas as mortes globais.

Os homens são os mais afetados: aproximadamente 75% das mortes relacionadas ao álcool ocorrem entre a população masculina.

Além disso, o consumo de álcool está associado a mais de 200 doenças e condições clínicas, incluindo transtornos mentais, doenças cardiovasculares, câncer e acidentes.

Esse cenário global ajuda a compreender por que o álcool também tem impacto direto no ambiente profissional.

O que caracteriza o alcoolismo

O alcoolismo, chamado pela medicina de transtorno por uso de álcool, é reconhecido como doença crônica pela Organização Mundial da Saúde.

O diagnóstico não se baseia apenas na frequência de consumo. Ele envolve um conjunto de padrões comportamentais e fisiológicos, como:

  • perda de controle sobre a quantidade ingerida
  • necessidade crescente de álcool (tolerância)
  • sintomas de abstinência
  • dificuldade de reduzir ou interromper o consumo
  • impacto negativo na vida pessoal, social ou profissional

Segundo o National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism, o uso problemático de álcool pode levar a:

  • queda de produtividade
  • conflitos no ambiente de trabalho
  • maior risco de acidentes
  • afastamentos médicos

A realidade nas empresas

O consumo de álcool é culturalmente aceito em muitos contextos profissionais. Happy hours corporativos, eventos e confraternizações podem contribuir para a normalização do consumo.

Estudos de saúde ocupacional citados pela Organização Internacional do Trabalho mostram que o uso abusivo de álcool está relacionado a:

  • aumento do absenteísmo
  • presenteísmo (quando o trabalhador está presente, mas com baixa produtividade)
  • maior incidência de acidentes de trabalho
  • conflitos interpessoais

Estima-se ainda que 3% a 5% da população trabalhadora apresente dependência de álcool, enquanto uma parcela maior apresenta padrões de consumo considerados de risco.

Sinais de alerta de alcoolismo no ambiente de trabalho

Nem sempre o problema aparece de forma evidente. Em muitos casos, os sinais são comportamentais e progressivos.

Entre os indicadores que podem chamar atenção estão:

  • atrasos frequentes ou saídas antecipadas
  • faltas recorrentes após finais de semana ou feriados
  • odor de álcool no início do expediente
  • mudanças de humor ao longo do dia
  • dificuldade de concentração
  • queda gradual de produtividade
  • conflitos frequentes com colegas
  • aumento de erros ou acidentes

Isoladamente, esses sinais não confirmam o diagnóstico. No entanto, a repetição do padrão exige atenção da empresa.

O que o RH pode fazer

O setor de Recursos Humanos ocupa papel estratégico na prevenção e no encaminhamento de casos relacionados ao uso de álcool.

Entre as medidas recomendadas estão:

  • estabelecer políticas claras sobre álcool e drogas no ambiente corporativo
  • treinar lideranças para reconhecer sinais de alerta
  • criar canais de apoio ao colaborador
  • encaminhar para avaliação médica quando necessário

É fundamental lembrar que o alcoolismo é uma condição de saúde e não apenas uma questão disciplinar.

O que as lideranças precisam saber

Gestores são frequentemente os primeiros a perceber mudanças no comportamento de um colaborador.

Diante de suspeita de alcoolismo, algumas orientações são fundamentais:

  • evitar confrontos públicos
  • focar em comportamentos observáveis, não em julgamentos
  • registrar ocorrências relacionadas ao desempenho
  • comunicar o RH de forma estruturada

A abordagem deve ser baseada em cuidado e responsabilidade.

O papel do médico do trabalho

O médico do trabalho tem responsabilidade técnica na avaliação da saúde do colaborador.

Entre suas atribuições estão:

  • avaliar condições clínicas associadas ao consumo de álcool
  • orientar encaminhamento para tratamento especializado
  • avaliar necessidade de afastamento temporário
  • preservar confidencialidade das informações médicas

O objetivo é garantir segurança no ambiente de trabalho e cuidado adequado ao trabalhador.

A atuação do assistente social corporativo

O assistente social tem papel importante no apoio psicossocial ao colaborador.

Sua atuação pode envolver:

  • orientação ao trabalhador e à família
  • mediação entre empresa e colaborador
  • encaminhamento para rede de tratamento
  • acompanhamento durante o processo de recuperação

Esse suporte amplia as chances de adesão ao tratamento.

“O alcoolismo ainda é cercado de estigma, inclusive no ambiente corporativo. É importante compreender que se trata de uma doença tratável. Quando o trabalhador recebe apoio e acesso a tratamento adequado, as chances de recuperação aumentam significativamente.”______________________ do Hospital Santa Mônica

Caminhos de tratamento

O tratamento do transtorno por uso de álcool pode envolver diferentes abordagens terapêuticas.

Entre elas:

  • acompanhamento psiquiátrico
  • psicoterapia especializada
  • programas de reabilitação
  • hospital-dia
  • internação psiquiátrica quando necessário

A escolha do tratamento depende da gravidade do quadro e das condições clínicas do paciente.

O Hospital Santa Mônica como referência

O Hospital Santa Mônica, localizado em Itapecerica da Serra – SP, é referência no tratamento de transtornos mentais e por uso de substâncias (dependência química).

A instituição se destaca por ser o único hospital psiquiátrico privado do estado de São Paulo com certificação ONA nível 3, reconhecimento máximo em qualidade e segurança assistencial.

Entre os diferenciais do hospital estão:

  • equipe multidisciplinar especializada
  • programas de internação psiquiátrica e hospital-dia
  • protocolos terapêuticos baseados em evidências científicas
  • suporte a familiares durante o tratamento
  • orientação para empresas que enfrentam situações relacionadas à saúde mental de colaboradores

Conclusão

O alcoolismo no ambiente de trabalho é um problema complexo que exige abordagem responsável, ética e baseada em evidências.

Ignorar os sinais pode resultar em acidentes, afastamentos e perda de talentos. Por outro lado, empresas que estruturam políticas de cuidado e apoio contribuem para ambientes de trabalho mais seguros e humanos.

Mais do que uma questão disciplinar, o alcoolismo é um problema de saúde que pode e deve ser tratado. Reconhecer isso é o primeiro passo para transformar o silêncio em cuidado e o risco em oportunidade de recuperação.

FAQ – Perguntas mais comuns sobre alcoolismo?

Como identificar sinais de dependência química em um colaborador?

Os sinais mais comuns incluem faltas frequentes, atrasos recorrentes, queda de desempenho, erros operacionais, mudanças de humor e conflitos com colegas. Também podem ocorrer isolamento social e dificuldade de concentração. Esses sinais não confirmam um diagnóstico, mas indicam a necessidade de avaliação profissional. O ideal é que a empresa tenha protocolos claros para que RH e liderança possam abordar a situação com respeito e encaminhar o colaborador para avaliação médica.

O alcoolismo é considerado uma doença pela medicina?

Sim. O alcoolismo é classificado pela medicina como transtorno por uso de álcool. Trata-se de uma doença crônica que altera circuitos cerebrais ligados ao controle, à recompensa e à tomada de decisões. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o álcool está associado a mais de 200 condições de saúde e pode afetar o desempenho profissional, as relações sociais e a segurança no trabalho.

O que a empresa deve fazer ao suspeitar de uso de drogas por um funcionário?

O primeiro passo é observar comportamentos e impactos no desempenho, evitando acusações diretas. A abordagem deve ser feita de forma respeitosa, focando nos efeitos no trabalho. O RH e o médico do trabalho podem avaliar a situação e, se necessário, encaminhar o colaborador para tratamento especializado. Empresas que adotam políticas de acolhimento e cuidado tendem a obter melhores resultados na recuperação do trabalhador.

Quando a internação é indicada para dependência química?

A internação pode ser indicada quando há perda de controle sobre o consumo, risco à vida, abstinência grave, presença de transtornos psiquiátricos associados ou quando tratamentos ambulatoriais anteriores não foram suficientes. Durante a internação, o paciente recebe acompanhamento médico, suporte psicológico e cuidados multidisciplinares para iniciar o processo de recuperação.

O Hospital Santa Mônica oferece tratamento para dependência química?

Sim. O Hospital Santa Mônica possui programas especializados para tratamento de dependência química, incluindo internação psiquiátrica, hospital dia e acompanhamento ambulatorial. A instituição conta com equipe multidisciplinar formada por psiquiatras, psicólogos, terapeutas e profissionais de saúde mental. O hospital também oferece suporte às famílias e orientação para empresas quando necessário.

A família pode participar do tratamento da dependência química?

Sim. O envolvimento da família é considerado um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento. Muitos programas terapêuticos incluem orientação familiar, grupos de apoio e acompanhamento durante a recuperação. A participação da família ajuda a fortalecer o suporte emocional ao paciente e facilita a reintegração social após o tratamento.

Referências Bibliográficas

Lancet Psychiatry. Alcohol Use Disorders Research.

World Health Organization. Global Status Report on Alcohol and Health. 2023.

National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism. Alcohol and the Workplace. 2023.

Organização Internacional do Trabalho. Alcohol and Drug Problems at Work.

Instituto Nacional do Seguro Social. Estatísticas de afastamentos por transtornos mentais.

Associação Brasileira de Psiquiatria. Diretrizes sobre dependência de álcool.

Harvard Business Review. Mental Health and Workplace Productivity Studies.

Deloitte Insights. Mental Health in the Workplace Report.

FENIX – Associação para Estudos sobre Álcool e Drogas.

Fiocruz. Pesquisa Nacional sobre uso de álcool e outras drogas.

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