Psiquiatria

Saúde mental é a principal preocupação de saúde para 58% dos brasileiros, aponta pesquisa da Ipsos

Levantamento internacional mostra que a preocupação com a saúde mental cresce, enquanto o estresse afeta a rotina, o trabalho e as relações pessoais.

A saúde mental é apontada como um dos principais problemas de saúde do Brasil por 58% dos entrevistados, segundo o Monitor da Saúde 2026 (Ipsos Health Service Report 2026). O percentual supera a média global de 48% e representa um aumento de seis pontos percentuais em relação a 2025.

Publicado internacionalmente pela Ipsos em 8 de outubro de 2026, o levantamento reforça a importância de ampliar a atenção à saúde mental, tanto na prevenção quanto na identificação dos sinais de sofrimento e na busca por acompanhamento profissional.

A pesquisa ouviu 22.528 adultos em 32 países, incluindo aproximadamente mil participantes no Brasil. Os resultados mostram que a saúde mental está no centro das preocupações da população, mas também evidenciam que reconhecer a importância do tema nem sempre se traduz em cuidados frequentes com o bem-estar emocional.

Saúde mental supera outros problemas de saúde na percepção dos brasileiros

No Brasil, a saúde mental aparece à frente de outros problemas citados pelos entrevistados. Além dos 58% que mencionaram o tema, 37% apontaram o câncer, 29% citaram o estresse, 27% mencionaram o abuso de drogas e 25% indicaram a obesidade.

A percepção sobre a saúde mental também apresenta diferenças entre homens e mulheres. Entre as brasileiras entrevistadas, 68% identificaram o tema como um dos principais problemas de saúde do país, ante 47% dos homens.

É importante interpretar esses números corretamente: eles refletem a percepção dos entrevistados sobre os principais problemas de saúde da população. Não significam que 58% dos brasileiros tenham um transtorno mental diagnosticado.

Ainda assim, o resultado evidencia a relevância social do tema e a necessidade de ampliar o acesso à informação, ao acolhimento e aos cuidados em saúde mental.

Estresse pode afetar a rotina, o trabalho e as relações familiares

Os dados internacionais da Ipsos também revelam o impacto do estresse na vida cotidiana.

Na média dos 32 países pesquisados, 64% dos entrevistados afirmaram que o estresse afetou sua rotina pelo menos uma vez nos 12 meses anteriores à pesquisa. Outros 61% relataram ter se sentido tão estressados que não conseguiram lidar com a situação no mesmo período.

O levantamento também identificou experiências de tristeza ou desesperança quase todos os dias durante pelo menos duas semanas. Na média internacional, 54% dos participantes disseram ter passado por essa situação ao menos uma vez no último ano.

Os efeitos podem ultrapassar a esfera individual. Globalmente, 16% dos entrevistados afirmaram ter se afastado do trabalho ou dos estudos para lidar com questões pessoais de saúde mental. Outros 17% disseram ter deixado de participar de encontros sociais ou familiares pelo mesmo motivo.

Esses resultados mostram como o sofrimento emocional pode interferir em diferentes áreas da vida. Quando persistentes ou intensos, sinais como alterações do sono, irritabilidade, isolamento, dificuldade de concentração e perda de interesse por atividades habituais merecem atenção.

Essas manifestações, isoladamente, não confirmam um transtorno mental. A avaliação deve considerar a duração, a intensidade, o contexto e os impactos dos sintomas na vida da pessoa.

Reconhecer a importância da saúde mental é apenas o primeiro passo

Embora 78% dos entrevistados globalmente considerem a saúde mental e a saúde física igualmente importantes, o levantamento identificou uma diferença na atenção dedicada a cada dimensão do bem-estar.

Enquanto 75% afirmaram pensar frequentemente na própria saúde física, 63% disseram fazer o mesmo em relação à saúde mental.

Essa diferença aponta para um desafio importante: incorporar o cuidado emocional à rotina, sem esperar que o sofrimento se intensifique ou comprometa atividades cotidianas.

Assim como acontece com a saúde física, cuidar da saúde mental envolve atenção contínua. Manter uma rotina de sono adequada, cultivar relações de apoio, reservar tempo para descanso e lazer e reconhecer os próprios limites são atitudes que podem contribuir para o bem-estar. Elas, porém, não substituem o acompanhamento profissional quando necessário.

Também é importante evitar a ideia de que todo sofrimento emocional pode ser resolvido apenas com força de vontade. O contexto de vida, as condições sociais, as experiências pessoais e os fatores biológicos podem influenciar a saúde mental.

Quando procurar ajuda profissional?

Momentos de tristeza, ansiedade e estresse fazem parte da experiência humana. O sinal de alerta surge quando essas manifestações se tornam persistentes, intensas ou começam a prejudicar o sono, os relacionamentos, o trabalho, os estudos e outras atividades habituais.

Nessas situações, procurar um psicólogo ou médico pode ajudar a compreender o que está acontecendo e identificar as possibilidades de cuidado.

O acompanhamento profissional permite avaliar os sintomas de forma individualizada, investigar possíveis causas e definir a abordagem mais adequada para cada pessoa. Dependendo da situação, o cuidado pode envolver psicoterapia, acompanhamento médico, medicamentos ou uma combinação de estratégias terapêuticas.

Em quadros de sofrimento intenso, crises ou risco à própria segurança, pode ser necessária uma avaliação especializada imediata. Buscar ajuda não é sinal de fraqueza: é uma atitude de cuidado com a própria saúde.

A importância do acolhimento e do cuidado contínuo

A saúde mental não deve ser considerada apenas quando surge uma crise. A prevenção, o reconhecimento dos sinais de sofrimento e o acesso a cuidados adequados fazem parte de uma abordagem abrangente.

Familiares e pessoas próximas também podem contribuir ao ouvir sem julgamentos, demonstrar disponibilidade e incentivar a busca por ajuda profissional quando necessário. É importante respeitar os limites de cada pessoa e evitar minimizar o sofrimento com frases como “isso vai passar” ou “você precisa ser mais forte”.

No Hospital Santa Mônica, o cuidado em saúde mental envolve avaliação especializada e assistência médico-hospitalar de acordo com as necessidades de cada paciente.

A pesquisa da Ipsos reforça uma mensagem importante: dar visibilidade à saúde mental é fundamental, mas transformar essa conscientização em atitudes concretas de cuidado é o próximo passo.

Cuidar da saúde mental é reconhecer os próprios limites, procurar apoio quando necessário e compreender que ninguém precisa enfrentar o sofrimento sozinho.

Perguntas frequentes sobre saúde mental

1. Qual é o principal problema de saúde apontado pelos brasileiros na pesquisa da Ipsos?

No Monitor da Saúde 2026, 58% dos entrevistados no Brasil apontaram a saúde mental como um dos principais problemas de saúde do país, acima da média global de 48%.

2. A pesquisa significa que 58% dos brasileiros têm transtornos mentais?

Não. O percentual representa a percepção dos entrevistados sobre os principais problemas de saúde do país. Não corresponde à prevalência de transtornos mentais diagnosticados.

3. Como saber quando o estresse exige atenção profissional?

Quando o estresse se torna persistente, difícil de administrar ou começa a prejudicar o sono, os relacionamentos, o trabalho, os estudos ou outras atividades cotidianas, é recomendável procurar avaliação profissional.

4. Quando procurar ajuda em saúde mental?

Quando há sofrimento emocional persistente ou intenso, mudanças significativas de comportamento ou prejuízo à rotina, a avaliação de um psicólogo ou médico pode ajudar a identificar as necessidades de cuidado. Em situações de risco imediato, é necessário buscar atendimento de emergência.

5. Como o Hospital Santa Mônica pode ajudar?

O Hospital Santa Mônica oferece assistência especializada em saúde mental, com avaliação e definição de cuidados conforme as necessidades clínicas de cada paciente. Para informações sobre atendimento entre em contato conosco.

Fonte do levantamento

Ipsos. Ipsos Health Service Report 2026 (Monitor da Saúde 2026). Pesquisa realizada por meio da plataforma Global Advisor, entre 13 de julho e 7 de agosto de 2026, com 22.528 adultos em 32 países, incluindo aproximadamente mil participantes no Brasil. Divulgação internacional em 8 de outubro de 2026.

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