Como a atuação do nutrólogo fortalece a abordagem multidisciplinar, reduz riscos clínicos e contribui para a recuperação global do paciente.
A nutrição é um determinante biológico central na saúde mental, influenciando diretamente o metabolismo cerebral, a resposta aos psicofármacos e o prognóstico clínico.
Em hospitais psiquiátricos, a presença do nutrólogo permite identificar e tratar riscos nutricionais frequentemente subdiagnosticados, garantindo maior segurança clínica e eficácia terapêutica.
No Hospital Santa Mônica, a integração entre psiquiatria, clínica médica e nutrologia representa um diferencial assistencial alinhado às melhores práticas internacionais. Saiba mais como funciona com o Dr. José Alberto Caliani, Nutrólogo CRM 64799 RQE 43709, do Hospital Santa Mônica.
Nutrição e psiquiatria: uma relação indissociável
Transtornos mentais graves estão frequentemente associados a alterações nutricionais relevantes. Estudos indicam que até 60% dos pacientes psiquiátricos internados apresentam algum grau de risco nutricional, seja por inapetência, uso de substâncias, efeitos adversos de psicofármacos ou comorbidades clínicas associadas (Firth et al., World Psychiatry, 2019).
Deficiências de micronutrientes como ferro, vitamina B12, folato, vitamina D e ômega-3 estão associadas a piora cognitiva, sintomas depressivos persistentes, fadiga, irritabilidade e menor resposta ao tratamento psiquiátrico.
Triagem nutricional: primeiro passo para a segurança do paciente
No Hospital Santa Mônica, 100% dos pacientes hospitalizados passam por triagem nutricional na admissão, conforme recomendações da ESPEN e do Ministério da Saúde. Essa triagem permite estratificar o risco nutricional em níveis primário, secundário ou terciário.
Pacientes classificados com risco nutricional secundário ou superior são automaticamente acompanhados de forma sistemática pelo nutrólogo, em conjunto com a nutricionista clínica, garantindo avaliação precoce e intervenção adequada.
Avaliação integrada: clínica, laboratorial e antropométrica
A atuação do nutrólogo vai além da prescrição dietética. A avaliação inclui:
- Avaliação clínica: aceitação alimentar, sintomas gastrointestinais, impacto dos psicofármacos.
- Avaliação laboratorial: eletrólitos, perfil glicêmico, função hepática e renal, micronutrientes.
- Avaliação antropométrica: circunferência do braço, panturrilha, peso, IMC e evolução semanal.
O acompanhamento longitudinal permite identificar precocemente desnutrição, sarcopenia, síndrome metabólica ou carências específicas, frequentemente mascaradas por quadros psiquiátricos.
Interface crítica entre psicofármacos e metabolismo
Psicofármacos amplamente utilizados — como antipsicóticos de segunda geração, estabilizadores de humor e antidepressivos — estão associados a:
- Ganho ponderal significativo
- Resistência insulínica
- Dislipidemia
- Deficiências nutricionais secundárias
O nutrólogo atua de forma estratégica na prevenção e manejo da síndrome metabólica, condição que acomete até 40–50% dos pacientes em uso crônico de antipsicóticos (De Hert et al., World Psychiatry, 2011).
A Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional (EMTN)
No Hospital Santa Mônica, a nutrologia integra a EMTN, composta por:
- Nutrólogo (responsável técnico e prescritor)
- Nutricionista
- Enfermeiro
- Farmacêutico clínico
Essa equipe realiza reuniões periódicas para análise de indicadores de qualidade, segurança da terapia nutricional e interações fármaco-nutriente — aspecto essencial em pacientes polimedicados.
Educação continuada e protocolos baseados em evidência
O nutrólogo também exerce papel central na educação continuada da equipe, atualização de protocolos e incorporação de evidências científicas recentes. A participação regular em congressos internacionais garante alinhamento com diretrizes como ESPEN, ASPEN e OMS.
Esse modelo contribui para decisões clínicas mais seguras e individualizadas, especialmente em pacientes com transtornos mentais graves e dependência química.
Nutrologia como diferencial assistencial em psiquiatria
Desde 2018, o Hospital Santa Mônica estruturou formalmente sua equipe de terapia nutricional, tornando-se um dos poucos hospitais psiquiátricos do Brasil com foco sistemático em nutrição clínica.
A abordagem integrada permite:
- Redução de intercorrências clínicas
- Melhor tolerabilidade aos psicofármacos
- Recuperação funcional mais consistente
- Maior segurança durante a internação
PERGUNTAS E RESPOSTAS (FAQ)
Pergunta: Todo paciente psiquiátrico precisa de avaliação do nutrólogo?
Resposta: A triagem nutricional é universal; a avaliação direta do nutrólogo ocorre nos pacientes com risco nutricional identificado.
Pergunta: Transtornos mentais podem causar desnutrição?
Resposta: Sim. Depressão, esquizofrenia e dependência química estão fortemente associados à desnutrição e carências micronutricionais.
Pergunta: Antipsicóticos interferem no estado nutricional?
Resposta: Sim. Estão associados a ganho de peso, dislipidemia e resistência insulínica.
Pergunta: Qual o papel do nutrólogo na MTN?
Resposta: É o responsável técnico pela prescrição nutricional, protocolos e integração com a equipe médica.
Pergunta: A nutrição influencia a resposta ao tratamento psiquiátrico?
Resposta: Sim. Deficiências nutricionais estão associadas a pior resposta terapêutica e maior tempo de internação.
Pergunta: O acompanhamento é contínuo durante a internação?
Resposta: Sim. Pacientes com risco nutricional são reavaliados semanalmente.
Pergunta: Nutrologia é diferente de nutrição clínica?
Resposta: Sim. O nutrólogo é médico, com atuação diagnóstica, prescritiva e integração clínica complexa.
Pergunta: Há impacto na segurança do paciente?
Resposta: Sim. A atuação do nutrólogo reduz intercorrências clínicas e metabólicas.
AVISO DE ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE
Este conteúdo tem caráter informativo e científico, não substituindo a avaliação médica individualizada. Condutas clínicas devem sempre ser personalizadas.
CHECAGEM DE FATOS
Conteúdo revisado e baseado em diretrizes da OMS, ESPEN, Ministério da Saúde e literatura científica indexada. Dados verificados em janeiro de 2026.
REFERÊNCIA
BRASIL. Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Básica: alimentação e nutrição. Brasília: Ministério da Saúde, 2015.
CUPPARI, L. (org.). Nutrição clínica no adulto. 4. ed. Barueri: Manole, 2019.
WAITZBERG, D. L. Nutrição oral, enteral e parenteral na prática clínica. 6. ed. São Paulo: Atheneu, 2018.
SILVA, S. M. C.; MURA, J. D. P. Tratado de alimentação, nutrição e dietoterapia. 3. ed. São Paulo: Roca, 2016.
VOLP, A. C. P.; ALFENAS, R. C. G. Relação entre nutrição, inflamação e transtornos mentais. Revista de Nutrição, Campinas, v. 30, n. 3, p. 409–420, 2017.
FIRTH, J. et al. The effects of dietary improvement on symptoms of depression and anxiety: a meta-analysis. Psychosomatic Medicine, Baltimore, v. 81, n. 3, p. 265–280, 2019.
ESPEN – European Society for Clinical Nutrition and Metabolism. ESPEN guidelines on clinical nutrition in psychiatry. Clinical Nutrition, Amsterdam, v. 38, n. 1, p. 1–48, 2019.