Robson é mecânico de refrigeração, músico e sempre foi alguém ativo, próximo das pessoas. Em 2023, após um período de sobrecarga emocional intensa, viveu um surto e tentou tirar a própria vida. Foi resgatado e acolhido no Hospital Santa Mônica — um ponto de virada que transformou completamente sua trajetória.
Depoimento: Robson Luiz Diniz, paciente · Publicado em 15 de setembro de 2023 · Atualizado em 30 de março de 2026 · Leitura: ~7 min
Cristina Collina
Jornalista especializada em saúde mental | MTb 0081755/ SP.
Comunicação em Saúde| 2023 ano da crise aguda | 1 intervenção acolhimento imediato e internação | 1 nova trajetória reconstrução emocional e social |
Quando o acúmulo vira colapso
A crise não começou de repente.
Foi um processo silencioso: pressões no trabalho, cobranças constantes, problemas acumulados e ausência de espaço para expressar o que sentia.
Robson foi guardando tudo.
“Eu fui juntando, juntando… chegou uma hora que a minha cabeça não aguentou mais.” – Robson, ex-paciente do Hospital Santa Mônica
O erro — como ele próprio reconhece — foi não falar.
Não dividir.
Não pedir ajuda.
O momento crítico: quando a vida perde o sentido
O ponto de ruptura veio de forma concreta.
Robson não apenas pensou — ele planejou.
No dia seguinte, saiu de casa para trabalhar, mas desviou o caminho com a intenção de tirar a própria vida.
“Eu já tinha um plano. Eu não falei pra ninguém.”- Robson
Esse é um dos sinais mais graves em saúde mental: quando o sofrimento deixa de ser difuso e se torna estruturado em intenção.
O resgate: o momento que muda tudo
Após a tentativa, Robson foi socorrido — ainda desorientado, sem entender onde estava ou o que estava acontecendo.
Nesse momento, ocorreu o que ele descreve como decisivo: o acolhimento.
Uma intervenção rápida direcionou seu encaminhamento ao Hospital Santa Mônica.
“Eu só ouvi: ‘leva ele pra minha clínica’.” – Robson
Era o início de uma nova história.
O tratamento: reconstrução passo a passo
Nos primeiros dias, havia confusão, desorientação e fragilidade emocional.
Gradualmente, com o cuidado estruturado, Robson começou a compreender o que havia acontecido.
O tratamento envolveu:
- acompanhamento psiquiátrico
- suporte psicológico contínuo
- rotina terapêutica estruturada
- vínculo próximo com a equipe
“Eu fui muito bem acolhido. Conheci profissionais fora do comum.” – Robson
A evolução não foi imediata — e nem linear.
“É um trabalho de formiguinha. Você vai construindo aos poucos.” – Robson
Recaídas e consciência: parte do processo
Robson relata que, após a alta, enfrentou momentos de recaída emocional.
Mas, dessa vez, havia algo diferente: consciência.
Ele passou a reconhecer os sinais e a interromper o ciclo.
“Quando eu pensava em recair, eu pensava no bem que fizeram pra mim.” – Robson
Esse é um ponto central em saúde mental: recuperação não é ausência de dificuldade, mas desenvolvimento de recursos para lidar com ela.
O papel do vínculo: o que sustenta a mudança
Entre todos os fatores, um se destaca com clareza: o vínculo com a equipe.
A presença, a escuta e a constância do cuidado foram determinantes.
“O que fizeram por mim mudou a minha vida.” – Robson
O reconhecimento do cuidado recebido passa a funcionar como um fator protetivo contra recaídas.
Família e rede de apoio: proteção real
Robson amplia o conceito de família.
Não apenas laços de sangue, mas pessoas com quem é possível falar — de verdade.
“Você não precisa de um milhão de amigos. Precisa de dois ou três que você possa sentar e falar: eu não tô bem.” – Robson
Ele reforça um ponto crítico na prevenção:
- isolamento agrava
- conversa protege
- vínculo salva
A virada: quando a vida volta a fazer sentido
Hoje, Robson descreve uma vida reconstruída.
Valoriza o que antes parecia automático: família, amigos, convivência, presença.
“Hoje eu tenho tudo o que eu preciso.” – Robson
Mais do que isso, ele se tornou alguém atento ao outro.
Se vê alguém em silêncio, se aproxima.
Pergunta. Escuta.
Age.
A mensagem de quem atravessou a crise
Robson deixa um recado direto e prático:
- não acumule
- fale
- procure ajuda
- não enfrente sozinho
“Nunca estamos sozinhos. Sempre aparece alguém pra ajudar — mas você precisa permitir.”
| Contexto clínico — equipe do Hospital Santa Mônica |
| Crise Psiquiátrica Aguda · Prevenção do Suicídio “Quadros de crise aguda, especialmente com ideação ou tentativa de suicídio, geralmente estão associados ao acúmulo de estressores e à ausência de canais de expressão emocional. O silêncio e o isolamento são fatores de risco importantes. A intervenção precoce, o acolhimento imediato e a construção de vínculo terapêutico são determinantes para estabilização e recuperação. O tratamento deve incluir abordagem multidisciplinar, psicoeducação e fortalecimento da rede de apoio — elementos fundamentais para prevenção de novos episódios.” |
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