Hospital Santa Mônica implanta Intervenção Assistida por Cães

Intervenção Assistida por Cães

Cães Terapêuticos: Ajudam a Melhorar a Vida das Pessoas com Doença Mental

Hospital Santa Mônica passa a contar com a Intervenção Assistida por Cães. A terapia utiliza a interação entre terapeutas e cães para potencializar os processos de aprendizagem, auxiliar no desenvolvimento social e ainda gerar melhorias na saúde, bem-estar e autoestima dos pacientes.

Segundo o fisioterapeuta Vinicius Fava Ribeiro, um dos fundadores do Humanimais que realiza um trabalho voltado para Intervenção Assistida por Cães “nossa atuação é voltada para o diagnóstico e tratamento de diversas doenças como: esquizofrenia, déficit de atenção, depressão, transtorno bipolar, entre outros”. Vinicius reforça também que “os efeitos da terapia são potencializados tanto em crianças, quanto em adultos e pacientes geriátricos, além daqueles em cuidados paliativos, dando suporte aos acompanhantes”.

Vinicius é dono do Madiba, um dos cães terapeutas do Humanimais e garante que a interação com o animal pode ajudar no processo de recuperação de memórias e tirar a pessoa do isolamento.

Ainda segundo o especialista, cada cachorro recebe um treinamento específico de acordo com a função que irá desempenhar, o que influencia é a análise do comportamento do animal, não da raça. O Madiba foi treinado desde pequeno para atuar como cão terapeuta, considerando seu perfil ativo e brincalhão, mas também muito educado. “E ele foi basicamente treinado pelos pacientes, que ensinaram vários comandos, como rolar, dormir e dar abraço”.

A equipe treina cães de assistência para atuarem com crianças do espectro autista, por exemplo, o cão pode ajudá-la a abordar e ser abordada por outras pessoas, além de evitar fugas e autoagressão, ajudar a socialização, tranquilizando os pais. “Essa mediação afetiva pode acontecer naturalmente também, mas o ideal é que o cachorro seja treinado, que os comportamentos sejam ajustados às necessidades da criança. É um grande ganho, algo que tira as crianças e também as famílias do isolamento”, pontua.

Por que utilizar cães terapeutas nas nossas práticas?

 

Liberação de B-endorfina, oxitocina, prolactina, dopamina, entre outros, produzindo efeitos tranquilizadores e relaxantes;
Diminuição os níveis de cortisol, hormônio do estresse;
Redução dos níveis de ansiedade;
A interação com os cães facilita a criação de vínculos afetivos, tornando as atividades mais prazerosas;
Não possuem a capacidade de julgar, assim os participantes sentem-se livres para errar;
Facilita a aprendizagem e a comunicação;
Estimula as habilidades sociais.

 

Os benefícios para a saúde mental associados ao uso de cães de terapia incluem:

Diminuição da ansiedade;
Maior sensação de conforto e segurança;
Redução da solidão;
Melhora da autoestima e confiança;
Aumento de comportamentos pró-sociais;
Diminuição de problemas comportamentais.

Estudos científicos realizados nos Estados Unidos e publicados na US National Library of Medicine – National Institutes of Health, relatam que a terapia assistida por cães tem alguns efeitos positivos sobre a saúde, bem-estar, depressão, estresse, humor e qualidade de vida para pacientes com distúrbios cognitivos graves.

Além disso, um estudo envolvendo pessoas com Alzheimer descobriu que passar o tempo com cães de terapia aumentou o tempo de recordação da memória e dos sentimento e ajudando a melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Ao trabalhar com pessoas com autismo, descobriu-se que os cães de terapia aumentam a interação social e a comunicação e diminuíram os comportamentos problemáticos, a gravidade dos autistas e o estresse. Um estudo de cães de terapia em um ambiente de internação psiquiátrica concluiu que os cães podem melhorar significativamente as terapias convencionais.

Para Vinicius Ribeiro “os cães podem criar um ponto seguro para iniciar a conversa e sua natureza de aceitação não julgadora os torna bons para esse papel terapêutico. A presença do cão pode ser calmante, e a terapia animal permite os benefícios do toque na terapia. Com adolescentes no Hospital Santa Mônica, temos percebido uma grande abertura, muitas vezes eles se esquecem que sou terapeuta e tocam em pontos importantes para o tratamento que não foram abordados na psicoterapia, por exemplo. Por isso, o trabalho em equipe é tão importante e benéfico para o paciente.”

Saiba mais sobre o trabalho realizado no Hospital Santa Mônica no vídeo com o fisioterapeuta Vinicius Fava Ribeiro.

ou a Entrevista dada pelo Vinícius para a Rádio Nacional, acesse aqui:

Como cuidar do seu familiar com Alzheimer

Embora a Doença de Alzheimer (DA) não tenha cura, há tratamentos disponíveis – tanto farmacológicos quanto não farmacológicos que podem ajudar a controlar os sintomas, retardando o processo de adoecimento. Os tratamentos devem ser iniciados o quanto antes para favorecer resultados e podem envolver profissionais de diferentes especialidades (médico (psiquiatra, geriatra, neurologistas como mais comuns), psicólogo, terapeuta ocupacional, enfermeiro, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, educador físico, assistente social, nutricionista e o cuidador).

Quando procurar um geriatra?

Quando procurar um geriatra

Você sabe qual é a hora certa de procurar um geriatra? Com a idade a partir dos 40 e 50 anos, muitas doenças começam a despontar e apesar de ser conhecida como “medicina do idoso”, geriatria não é indicada somente para velhinhos.

Podemos (e sugere-se) procurar um geriatra desde jovens, visto que toda população precisa ter um clínico geral e o geriatra também faz parte deste grupo, sendo um especialista focado nas doenças mais prevalentes com o envelhecer (que começa a partir dos 30 anos, quando o corpo atinge o seu ápice de rendimento) e sua prevenção.

Você e a grande maioria das pessoas que precisam de atendimento médico. No Brasil, e em vários outros países do mundo, as pessoas tendem a procurar cada vez mais médicos especializados no tratamento de doenças específicas do que profissionais generalistas. Os próprios médicos estão cada vez mais especializados e acabam favorecendo tal postura.

Não há nada de errado com a especialização – pelo contrário, graças a ela as doenças foram estudadas mais a fundo e houve melhoria em muitos diagnósticos e tratamentos. Mas o que fazer quando os problemas se acumulam – pressão, diabetes, dores na coluna, depressão e outras coisinhas mais de uma vez só, tudo ao mesmo tempo agora e num único paciente?

Com a idade, principalmente a partir dos 40 e 50 anos, muitas doenças começam a despontar. E é preciso atenção: principalmente nesta fase da vida – e daí por diante -, uma simples doença pode influenciar diversos sistemas e há a necessidade de se ver o todo constantemente. A geriatria surgiu nesse contexto, para examinar de forma holística os pacientes com mais idade. Mas, afinal, quando procurar um geriatra?

A clínica geral perdeu muito espaço para as especialidades nas últimas décadas, mas sua importância está ressurgindo. Geriatria e clínica geral não são sinônimos, mas para um geriatra é fundamental uma boa prática de clínica geral. A necessidade de analisar o paciente como um todo é o ponto comum entre as duas áreas. E assim, adiciono esta pergunta: o que os diferencia e quando isso pode ter um impacto na saúde do paciente?

Um geriatra frequentemente se depara com uma situação de “fim-de-linha” e fica imaginando: se esse paciente tivesse feito isso 20 ou 30 anos atrás, talvez estivesse em uma situação melhor. Por que não assumir que esses anos sejam os seus atuais 30 ou 40 anos de idade e já frequentar o consultório com enfoque preventivo? O geriatra pode também ser procurado pelo paciente jovem, seja para cuidados por um clínico geral seja para orientações quanto ao envelhecimento saudável. Comece a cuidar de sua saúde desde cedo, antes de virar uma doença e envelheça com qualidade.

O papel do geriatra

Ao buscar um médico mais cedo, você consegue realizar um acompanhamento preventivo. Ou seja, como o profissional avalia aspectos em relação à saúde, trata doenças e ajudar a compreender sobre quais são as mudanças que o corpo sofre por causa do envelhecimento, garantindo uma segurança e melhor qualidade de vida.

A avaliação do geriatra integra diversos aspectos que interferem diretamente na vida do idoso como um todo. Isso porque, essa especialidade da medicina estuda o idoso e o processo de envelhecimento. Sendo assim, ele avalia vários aspectos, entre eles: clínico, cognitivo, afetivo, ambiental, social, econômico, espiritual e funcional. O objetivo é identificar problemas já existentes e estabelecer o melhor tratamento para o paciente, bem como uma estratégia para prevenção de complicações futuras.

Controle de doenças crônicas pode evitar 1 a cada 3 casos de demência

Mais da metade dos casos de demência poderiam ser evitados com o controle de doenças crônicas. É o que indica um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, depois da análise de 1.092 cérebros de pacientes com mais de 50 anos mortos na capital.

‘Ela mistura coisas do passado com o presente’, lamenta filho

Até os 75 anos, a idosa Luiza tinha uma vida ativa: fazia doces sob encomenda, dirigia e desempenhava todas as atividades do dia a dia de forma independente. Em julho de 2011, veio o primeiro derrame, que a deixou com dificuldades de locomoção. O tratamento com medicamentos e fisioterapia trouxe bons resultados na recuperação, mas, dois meses depois, um novo derrame atingiu a idosa, desta vez deixando sequelas mais graves: o lado esquerdo do corpo ficou paralisado e um quadro de demência se desenvolveu.

‘Ela mistura coisas do passado com o presente’, lamenta filho
A idosa de 80 anos vive em uma unidade para idosos com doenças crônicas do Hospital Santa Mônica, em Itapecerica da Serra.

“Ela era super independente, tanto é que teve o primeiro AVC (acidente vascular cerebral) quando estava dirigindo sozinha. Não tinha obesidade nem diabete, só uma hipertensão leve, mas é difícil associar a doença aos derrames porque ela tomava remédio para a pressão, estava tudo controlado”, comenta um dos filhos da idosa, de 52 anos.

Ele diz que o principal sintoma da demência, no caso da mãe, é a confusão mental que ela manifesta desde 2011 até hoje. “Ela mistura coisas do passado com o presente. Tem horas que parece que está desorientada no espaço e no tempo. Às vezes pergunta dos pais dela, que já morreram, mas outras vezes ela lembra dos netos, que é algo mais recente”, conta.

Por causa das sequelas físicas e cognitivas, Luiza, hoje com 80 anos, vive em uma unidade para idosos com doenças crônicas do Hospital Santa Mônica, na Grande São Paulo. “Mesmo que ela ainda pudesse realizar algumas tarefas independentemente da demência, não consegue por causa da paralisia de um dos lados do corpo”, diz o filho.

Causas.

Segundo Claudia Suemoto, autora do estudo da Faculdade de Medicina da USP, é possível que um derrame ocorra por razões genéticas ou não relacionadas a doenças crônicas, mas esses casos são raros, cerca de 5% do total. Ela diz ainda que os sintomas da demência vascular podem ser diferentes dos quadros associados ao mal de Alzheimer.

“No Alzheimer, a memória é comprometida desde o começo e há falhas na linguagem também. Já na demência vascular a principal função cerebral afetada é a que envolve o planejamento e a execução de tarefas. Por exemplo, fazer um bolo, que precisa de uma organização. De repente, o idoso passa a se confundir em tarefas que eram muito corriqueiras para ele”, explica a especialista.

A médica diz ainda que é comum familiares demorarem a identificar um quadro de demência por achar os sintomas naturais do envelhecimento.

“Esquecer coisas de vez em quando é normal, acontece com todo mundo, até com jovens. Mas quando isso começa a acontecer sempre e ainda vem acompanhado de perda de funcionalidade, é importante que seja feita uma avaliação médica”, defende. “Principalmente no caso da demência vascular, se detectar cedo e controlar os fatores de risco, os prejuízos serão menores.”

 

Fonte: Estadão